domingo, 21 de dezembro de 2014

MAESTRO "GUARANÁ", uma das maiores glórias de São João del-Rei (1911-1968)


Por Francisco José dos Santos Braga  *

Este artigo apareceu originalmente no JORNAL DE MINAS, publicado em São João del-Rei, Ano XV, nº 253, 12 a 18/12/2014, p. 2. 



No Dia de Finados fui ao Cemitério das Mercês rememorar e homenagear meus saudosos entes queridos, quando lá me deparei com o amigo e confrade Nêudon Bosco Barbosa, editor do Jornal de Minas, que para ali também se dirigira para prantear seus pais e irmãos já falecidos. Convidei-o a me acompanhar ao túmulo de uma das maiores glórias musicais são-joanenses, o Maestro "Guaraná”, que ele ainda não conhecia. Relatei-lhe o que vai abaixo e, profundamente motivado, incentivou-me a escrever o que se segue.

Gustavo Nogueira de Carvalho, conhecido como Maestro "Guaraná” pelos entendidos ou “Nhonhô Guaraná” pelos familiares e pessoas mais chegadas, nasceu na Rua de São Roque, na cidade de São João del-Rei, em 16 de abril de 1911, filho de Alfredo Ferreira de Carvalho e Henriqueta de Carvalho Nogueira. Foi batizado exatamente um ano depois na Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei.

Em sua juventude, compôs inúmeras peças para revistas encenadas no “Clube Artur Azevedo” em sua cidade natal. Antônio (“Niquinha”) Guerra, em seu livro “Pequena História de Teatro, Circo, Música e Variedades em São João del-Rei -1717 a 1967”, cita, pelo menos, as seguintes revistas teatrais e outras obras que “Guaraná” musicou: “A Mina de Brugudum” (1931), de Agostinho Azevedo; “S. João del-Rei” (1934), do Dr. José Viegas, “com 31 encantadores números de música do jovem e inspirado maestro conterrâneo”, alcançando 8 récitas; opereta “Rosa Branca” (1934), do Capitão Mendes de Holanda; “Cruzeiro do Sul” (1935), do Dr. José Viegas; burleta regional em 2 atos, “Cabocla Bonita” (1935), de Marques Porto e Ari Pavão (musicada por Assis Pacheco e inspirada instrumentação de "Guaraná"); e “Terra das Maravilhas” (1938), em 3 atos, de Antônio Guerra e Alberto Nogueira.

O saudoso e querido maestro são-joanense, festejado compositor das partituras "S. João del-Rei" — "Terra das Maravilhas" e da opereta "Rosa Branca" (GUERRA, 1968: 192)

Parece que de 1939 a meado de 1945, esteve afastado do “Clube Artur Azevedo”, período durante o qual ele estudou com o maestro João Cavalcante, companheiro de farda e regente da Banda do 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João del-Rei, tendo sido seu assistente, colaborando com ele devido à sua habilidade de compor arranjos e de tocar, além do violino, alguns instrumentos de sopro. “Guaraná”, além de ter feito muitos arranjos para essa banda, ainda participou como violinista, também sob a regência de seu professor, na Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei.

De acordo com sua ficha funcional na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, “Guaraná” foi contratado pela emissora no dia 1º de julho de 1945 como violinista e em 4 de julho de 1949 foi promovido para a função de arranjador. Em 1º de outubro de 1954 o nome do cargo passa para maestro e arranjador. Em 1º de agosto de 1955, outra mudança, agora para orquestrador, e a 1º de setembro de 1960 a última mudança de cargo, de orquestrador para maestro arranjador nível 20. Na Rádio Nacional, trabalhou ao lado de muitos ilustres compositores e arranjadores brasileiros, dentre os quais destaco: Radamés Gnattali, Lyrio Panicali, César Guerra-Peixe e Lindolfo Gomes Gaya. O Maestro aposentou-se da Rádio Nacional em 6 de novembro de 1967. Exatamente no dia 24 de fevereiro de 1968, quando estava se dirigindo a São João del-Rei, onde seria jurado no carnaval de 1968, Guaraná sofreu um acidente rodoviário na Rio-Petrópolis, vindo a falecer no Hospital de Petrópolis. 

Segundo o musicólogo são-joanense Aluízio José Viegas, após a aposentadoria, "Guaraná" pretendia voltar definitivamente para sua cidade natal, onde sonhava continuar a exercer suas atividades musicais e tinha alguns planos para a vida musical de São João del-Rei, que infelizmente não chegou a concretizar por superveniente golpe do destino: a fundação de um grupo de música de câmara, para a gravação de músicas de compositores populares são-joanenses, entre os quais se destacam: José Lino, João da Mata, João Feliciano de Souza, José Cantelmo Júnior e José Raimundo de Assis. Na Sociedade de Concertos Sinfônicos, popularmente conhecida por "Sinfônica", contaria com a colaboração do teatrólogo Dr. José Viegas, onde aquele desenvolveria arranjos de operetas. Devido a seus contatos com gravadoras e meios de comunicação na Capital Federal, esperava divulgar e receber apoio para esses projetos. Sonhava também com uma melhor qualificação dos músicos instrumentistas são-joanenses e se propunha a habilitá-los para enfrentarem os grandes palcos nacionais ou estrangeiros.

Sobre sua personalidade nos fala Gentil Palhares em crônica com seu nome: “Sempre modesto, simples, não alardeava os seus conhecimentos e a sua ascensão artística e aqui nos vinha visitar periodicamente. Jamais olvidou, pois, no apogeu da glória, a sua Terra Natal, para onde, dizia-nos sempre, tinha o seu coração voltado. Para os festejos do Carnaval era um visitante assíduo de sua Terra e dizia mesmo: "Estou fugindo do Rio" ― falava e sorria.

Os arranjos do Maestro "Guaraná" eram arrojados, bem como primavam pela qualidade, bom gosto e singularidade, podendo-se dizer que se destacavam das versões de outros arranjadores para as mesmas músicas. Além de produzir 1.015 arranjos/composições para diversos programas da Rádio Nacional, “Guaraná” também desenvolveu uma carreira bem sucedida como dirigente de sua própria orquestra.  O que será enumerado abaixo constitui o que já consegui descobrir de sua atividade como regente/orquestrador, outra vertente de sua capacidade criadora.

Foi ele quem teve a feliz ideia de reunir os instrumentistas associados ao Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro e de produzir o LP de 10 polegadas intitulado "Pérolas da Música Brasileira", lançado com o selo Copacabana em 1955. Partiu dele a ideia de produzir esse LP, ficando também responsável pela regência de todas as peças e por todos os arranjos. As faixas desse LP são as seguintes: Despertar da Montanha, Carinhoso, Linda Flor, Feitiço da Vila, Do Sorriso da Mulher nasceram as Flores, Bentevi Atrevido, Na Baixa do Sapateiro e Tico-tico no Fubá.

Além disso, "Guaraná e Sua Orquestra” participou da gravação de um vinil lançado pela Polydor em 1956, intitulado "Recordando...", com oito faixas dedicadas a clássicos da música popular brasileira.
"Guaraná e Sua Orquestra" ainda participou com o acompanhamento da música "Caminhemos" num disco com 8 faixas que podemos considerar histórico dentro da indústria fonográfica brasileira, "Quando os Maestros se encontram com ÂNGELA MARIA" (1957), por ter sido um dos primeiros discos de 12 polegadas lançado pela Copacabana. Os outros Maestros que participaram da antológica gravação foram: Severino Araújo, Lindolfo Gaya, Renato de Oliveira, Léo Peracchi, Lyrio Panicalli, Gabriel Migliori e Sylvio Mazzucca.

“Guaraná” foi ainda o arranjador de todas as faixas do LP Isto é Lamartine (1963) interpretadas pelo grupo vocal Os Rouxinóis, com composições de Lamartine Babo.

A Câmara Municipal de São João del-Rei houve por bem homenagear o Maestro Guaraná, aprovando denominação de "Gustavo de Carvalho (Guaraná)" à travessa que liga a Praça Francisco Neves à Rua José Mourão.

Por todas essas realizações no campo musical, Maestro "Guaraná", são-joanense dos mais ilustres, que dignificou e engrandeceu sua cidade natal com sua divina música, faz-se merecedor de que nós são-joanenses reverenciemos a sua memória, tributando-lhe nossa gratidão e eterno reconhecimento. 




* O autor tem Bacharelado em Letras e Composição Musical, bem como Mestrado em Administração. Participa ativamente como membro de diversas instituições de cultura no País e no exterior. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com.br/) e é um dos colaboradores e gerente do Blog de São João del-Rei. Escreve artigos e ensaios para revistas, sites e portais de música e periódicos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Os remédios da "MEDICINA VEGETAL" do PADRE GUSTAVO


Por Evandro de Almeida Coelho

Monsenhor Gustavo Ernesto Coelho (1853-1924),  criador  da          MEDICINA  VEGETAL

As propagandas da Medicina Vegetal nos dizem que “não é apenas um remédio para todos os males, mas sim uma receita especial para cada grupo de doenças, conforme o órgão atacado ou sede do mal”.
 
Respeitando as grafias originais, temos a propaganda do Boletim Odontológico Especial de dezembro de 1922 e a de um volante distribuído aqui na cidade de São João del-Rei, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Vejamos.
1.     Mororó - “cura a syphlilis e o herpetismo” ou “depurativo”.
2. Yucaty - “Tratamento das gonorréas, exclusivamente interno” ou “Blenocida (Gonorrhéas)”.
3. Focillina - “combate a neurasthenia e molestias cerebro-spinaes” ou “contra a neurasthenia”.
4.   Canahyba - “Para doenças do fígado” ou “Para o fígado”.
5.   Vegetalino - “Infallível no rheumatismo e arthritismo em geral” ou “Contra o rheumatismo”.
6.   Parentana - “Específico das moléstias dos rins” ou “Para os rins”.
7.   Yerobina - “Cura doenças do estomago, fastio, etc” ou “para o estomago”.
8.   Phyllantus - “Remédio para moléstias do sexo feminino” ou “Para doenças da Mulher”.
9.   Tayunquina - “Vinho regenerador, fortificante” ou “Tonico – depurativo”.
10.   Só no volante aparece a Aguerina - “Asthma”.
11.    Só no volante aparece a Paracaryna - “Bronchite”.
12. Só no volante aparece a mistura para fazer chá, o Velaminhos - “Apparelho renal”.

Depois da relação dos produtos há uma observação: “A Medicina Vegetal é empregada pelo seu inventor, sempre com resultado seguro, há muitos annos”. “A venda em todas as pharmacias.”

Depósitos autorizados para os produtos, no Rio de Janeiro: Pharmacia S. José Rua Barão de Mesquita, 674;  Penna & Filhos – Rua da Quitanda, 57;  Rodolpho Hess & C. Rua 7 de setembro, 61; Drogaria Pacheco – Rua dos Andradas, 85. Em São Paulo, a Drogaria J. Santos & C. Rua São Bento 74-A.

Para a produção dos remédios havia os “mateiros” - procuravam folhas e frutos; havia os “raizeiros” - especialistas no achamento de plantas das quais se usavam apenas as raízes, e mais outros que conseguiam as cascas de árvores sem destruí-las. Uma das raízes mais usadas é da jurubeba, que dá nome a um terrível vinho de laranja fermentado com as ditas.

Não sabemos as fórmulas do Padre Gustavo, transferidas ao sobrinho Mello Júnior; entretanto, por tradição de família, podemos apontar a pariparoba ou capeba como básico para o fígado; a aristolóquia, a canela de sassafraz e a passiflora eram usadas como calmantes; o paratudo e o angico para “limpar o sangue”; a poaia e o jaborandi para as bronquites; a extraordinária parietária para os males renais; o algodoeiro e a raiz de carapiá funcionavam em organismos femininos; arnica e chapéu de couro resolvem as crises de reumatismo; funcho, chá de porrete e hortelã podem curar o estômago. 

Ainda bem que a fitoterapia começou a estudar e experimentar as ervas do povo usadas desde longe.


Possíveis indicações de vegetais para a “Medicina Vegetal”
 

Reitero que não sei as fórmulas usadas pelo Monsenhor Gustavo para a preparação dos remédios, que foram transferidas ao sobrinho Mello Júnior, e foram usadas por muitos anos depois que o laboratório se transferiu de São João del-Rei para Belo Horizonte. 

Por tradição de família, posso apontar alguns vegetais básicos para as receitas dos medicamentos:

Aguerina, contra asthma: maracujá – agoniada – assapeixe – cordão de frade – guaco – mulungu – cambará – cactus.
Canahyba, para o fígado: pariparoba (capeba) – abacateiro – abutua – aperta ruão – boheravia – boldo – carqueja – gervão (ou geribão) – erva tostão – jaborandi – jurubeba – panacéia – ruibarbo do campo – dente de leão – mulungu – chapéu de couro – quina cruzeiro – fedegoso.
Focillina, contra neurasthenia: aristolochia – canela de sassafraz – casca de anta – cassaú – fel da terra – vetiver – mulungu – sálvia – douradinha – erva cidreira – artemísia.
Mororó, depurativo geral: paratudo – angico – bowdichia – canela de sassafrás – chapéu de couro – cipó azougue – cipó suma – japecanga – mururé – nogueira – panacéia – sucupira.
Paracaryna, para bronchite chronica, tosse, grippe: setesangria – poaia – jaborandi.
Parentana, para os rins: parietária – estigmas de milho – aperta ruão – cipó cabeludo – erva pombinha – jequitibá – velame do campo – jatobá – suma roxa – chapéu de couro – congonha de bugre.
Phillantus, para doenças do útero: algodoeiro – aristolóquia – buranhém – carapiá – cassaú – cordão de frade – erva de bicho – jequitibá – raiz de anil – sensitiva.
Tayuquina, tônico depurativo: aristolóquia – aroeira – buranhém – cajueiro – calumba – cassaú – catuaba – cipó azougue – fel da terra – guaraná – imburana – laranjinha do mato – mirosperma – nogueira – paratudo – pau pereira – quina do mato – quina cruzeiro – carqueja – artemísia – douradinha.
Vegetalino, para rheumatismo: arnica – aroeira – canela de sassafrás – carobinha do campo – chapéu de couro – cipó azougue – cipó suma - douradinha do campo – guaco - guiná – japecanga – melão de São Caetano – saúde do corpo – sucupira - suma roxa – velame do campo – tomba - sabugueiro – salsaparilha.
Velaminhos, para doenças do aparelho urinário: velame do campo – abacateiro – jaborandi – cajueiro – aperta ruão - barbatimão - chapéu de couro – sene – congonha do bugre - douradinha.
Yerobina, para o estômago e gases: funcho – cassia catártica – chá porrete – hortelã – casca d'anta – camomila – pacová – jatobá – abutua – setessangria - pariroba.
Yucaty, blenocida: aroeira – cipó cabeludo – aperta ruão – douradinha do campo – jaborandi – panacéia – picão da praia – jurubeba do cupim – cipó cravo – velame do mato – chapéu de couro – jatobá – marapuama – catuaba.


Homeopatias mais usadas para uma farmácia caseira


Contar as gotas do produto em meio copo de água filtrada

1.   Febre e congestões: Aconitum, Belladona, Bryonya
2.   Afecções verminosas: Cina, Ignatia, Silicea
3. Cólicas, insônia e dentição de crianças: Camomila, Jalapa, Calcária carbônica
4.   Diarréia infantil: Ipecacuanha, China (Quina), Calc. Carbonica
5.   Desenteria, tenesmo, cólica: Calcium, Colocynt, Mercurius Corrosivus
6.   Cholera Morbus, náuseas, vômito, prostração: Arsenico, Cuprum, Verat
7.   Tosse, bronquite, influenza, garganta: Bryonya, Causticum, Phosphorum
8.   Nevralgia de rosto, dentes, nervos: Belladona, Plantago, Mezerem
9.   Dores de cabeça, vertigens: Apis, Iris, Nux-vomica, Pulsatila Sépia
10. Dyspepsya, bilis, estomago, constipação: China (Quina) Nux vomica, Sulphur
11.  Loucorrhea, metrorragia, prolapso: Belladona, Carbono anim, Nux vomica
12. Menstruação irregular, escassa, dolorosa, retardada: Apis, Pulsatila, Sépia
13.  Crupe, rouquidão, opressão: Aconitum, Kali bicromático, Spongia
14.   Pele: Apis, Rhus, Sulphur
15.   Rheumatismo: Aconito, Bryonnia, Tartaro Emético
16.   Febre, malária, sezões: Canchalaqua, Ipecacuanha, Nux-vomica
17.   Hemorroidas: Hamamelis, Nux-vomica, Sulphur
18.   Ophtalmia, olhos, pálpebras: Apis, Calca.carbônica, Euphrasia
19.   Influenza fluente, aguda, cronica: Ammoniun, Muriaticum, Nitri acido
20.   Coqueluche: Belladona, Drosera, Ipecacuanha, Cuprum
21.  Asthma: Arsenicum, Ipecacuanha, Lachesis
22.  Othorrhéa, ouvidos: Hepar.Sul., Pulsatila, Silicium
23.  Escrofulos, úlceras: Baryta Carb., Lachesis, Silicia
24.  Fraqueza: China (Quina), Ferr., Nux-vom.
25.  Hydropsia, edema: Apis, Ars., Baryta (Arsenicum)
26.  Enjôo, vertigens, náuseas, vômito: coculus, Nux-vomica, Petroleum
27.   Urina escassa: Lycopodio, Pulsatilla, Salsaparilha
28.   Fraqueza genital: Aur.f., China (Quina), Phosph. Acid.
29.   Aphtas, cancro: Natrum muriat., Nux-vomica (Tarantula?)
30.   Urina solta: Cannabis, Cantharis, Mercuris vivus
31.  Colica, dysmenorrhéa, hysteria, prurites: Coculus, Platina
32.  Coração: Cactus, Lachesis, Sépia, Cereus
33.   Caimbra, epilepsia, convulsão, espasmos: Belladona, Ignatia, Sulphur
34. Diphteria, esquimencia, úlcera, garganta: Lachesis, Phitolaca, Merc. Dulcia
35.    Insonia: Coffea, 2 gotas em meio copo

Entreguei ao vigário Padre Sebastião Raimundo de Paiva dois volumes sobre homeopatia, precisando de re-encadernação. Estas receitas são baseadas nos dois livros que ainda devem estar na biblioteca da Casa Paroquial. Dos manuscritos há a seguinte receita:
Para grippes, etc.:                                           
Cognac fino................75,0
Tintura de canela........25,0
Camphora....................0,5
Tomar 1 colherinha de 4 em 4 horas. Para crianças, tome um pouco de assucar, ponha 5 gotas de cada vez, 3 vezes ao dia.

8 de março de 1966, cópia de um original manuscrito. 


AGRADECIMENTO 

Sou grato ao gerente do Blog de São João del-Rei e sua esposa Rute Pardini por terem ido pessoalmente até à Igreja de São Gonçalo Garcia em 17/04/2014 para tirar a fotografia do Pe.Gustavo,  que orna a presente matéria.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

UMA CIDADE VIVE HÁ 2 SÉCULOS MERGULHADA NAS ONDAS MUSICAIS


Por J. C. Barbosa ¹



José  do  Carmo  Barbosa




As crianças de São João del Rei aprendem música ouvindo a melodia dos campanários dos tempos coloniais

"A criança sanjoanense nasce ouvindo a melodia de seus campanários, daí tôda criança nascer músico", disse alguém, para explicar os pendores musicais do povo de São João del Rei, a "Cidade da Música" em Minas Gerais, e séde do Conservatório Estadual de Música – um prédio de dois pavimentos, com um auditório para 400 pessoas – onde estão matriculados 112 alunos.

A primeira notícia musical de S. João del Rei data de 1717, quando a sua banda de música sob a regência de Antonio do Carmo, recebeu festivamente na então vila a visita de Dom Pedro de Almeida e Portugal. Pràticamente, naqueles princípios do século XVIII, as atividades musicais se restringiam às festas religiosas, que também eram as festas sociais da época colonial. Em 1728, o padroeiro São João era festejado nas cerimônias litúrgicas, com dois coros. No final do século XVIII surgiram duas orquestras até hoje muito respeitadas e que ainda existem: a "Lira Sanjoanense"e a "Orquestra Ribeiro Bastos".

A "Lira Sanjoanense" é a mais antiga dessas orquestras sacras. Presume-se que seja remanescente dos coros de igreja de 1728. A partir de 1802, firmou-se definitivamente sob a direção do maestro Pedro de Souza. A Orquestra Ribeiro Bastos também se originou daqueles coros sacros. De 1841 em diante, foi seu regente o maestro Francisco José das Chagas. O seu atual nome é uma homenagem ao maestro Martiniano Ribeiro Bastos que a regeu durante mais de meio século. Atualmente, o seu diretor é o professor Emilio Viegas. A parte musical das imponentes comemorações da "Semana Santa" em São João del Rei, estão sob a sua responsabilidade, numa tradição, assim, de dois séculos e meio.

A maior corporação da música profana é a "Sinfônica Sanjoanense", a primeira orquestra, no gênero, organizada numa cidade brasileira. Seu fundador foi o maestro tenente João Cavalcanti. São seus regentes, agora, o maestro Pedro de Souza, que dirige a orquestra sinfônica pròpriamente dita, e Alberto Wilson de Castro, que dirige o Orfeão Misto, muito afamado no interior mineiro.

Como cidade que se preza, São João del Rei tem as suas "furiosas". As mais conhecidas são a Banda do Regimento Tiradentes, o conhecido 11º RI, detentora de vários prêmios e campeã de concursos regionais de bandas militares. Depois, vêm as Bandas "Santa Cecilia", "Teodoro de Faria", "Santa Terezinha" e a dos jovens alunos da Escola Padre Sacramento, dos Irmãos Salesianos.

Para a folia e os bailes, existem a "Orquestra Continental", fundada e dirigida pelo violinista Milton Couto ² ; o "Jazz Tiradentes", constituído de elementos da Banda do 11º RI; o "Jazz Glória"; o poético "Jazz Flôr do Ipê"; o "Conjunto Santos", formado por músicos da família Santos e o novo e americanizado "Six Boys".

A bossa nova da música local, contudo, é a "Corporação Artística Sanjoanense ³", criada em agôsto de 1959, sob a direção artística das professoras Mercês Bini Couto e Salette Maria da Silva Bini. É um conjunto de 60 moças da sociedade, que visa o cultivo das músicas clássicas e folclóricas, com um grande coral e orquestra sob a regência efetiva de seu presidente Luiz Antonio Boari Bini.

A lista dos grandes músicos produzidos por São João del Rei é grande. O primeiro lugar cabe ao padre José Maria Xavier, autor de famosas e discutíveis partituras da "Semana Santa", que anualmente atrai centenas de turistas. Seu rival, no culto dos sanjoanenses, é Presciliano Silva, maestro diplomado em 1879 pela Real Escola de Música de Milão e autor de várias obras, como "O Vos Omnes", "Memento", "Ganganelle", etc. Recentemente faleceu o professor Luiz de Oliveira , um dos fundadores e primeiro secretário do Conservatório do Recife, catedrático aposentado de violoncelo da Escola Nacional de Música.

O artigo de exportação da nova geração de músicos de São João del Rei é o popular "Guaraná ", o Gustavo de Carvalho, orquestrador e arranjador da Rádio Nacional. É autor de "Revendo o Passado" e "As Operetas voltaram".

Fonte: Correio da Manhã, Ano LX, nº 20740, 4 de novembro de 1960




NOTAS EXPLICATIVAS DE FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA



¹  José do Carmo Barbosa foi farmacêutico e sócio do Sr. Silvano Carneiro (proprietários da farmácia de manipulação e de atendimento "Ouro Preto", localizada próximo aos "Quatro Cantos"), locutor e diretor da ZYI-7 Rádio São João del-Rei, secretário do C.A.C.-Centro Artístico e Cultural, além de secretário geral e professor do Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier.
Foi paraninfo da turma de diplomandos do ano de 1966 no referido Conservatório, constituída pelos seguintes formandos: Maria Helena Machado (Curso de Professor de Música), Salete Maria da Silva Bini (Curso de Canto), Anizabel Nunes Rodrigues (Curso de Flauta), Maria Salomé de Moraes Silva (Curso de Piano) e Sadik Haddad (Curso de Clarineta).
Nos programas de auditório dirigidos pelo inesquecível Jeú Torga (Jehudiel Torga), José do Carmo Barbosa era um coadjuvante indispensável, por sua capacidade inigualável como preparador de texto.
Inesquecível deve soar ainda para muitos de nós são-joanenses a voz daquele grande locutor, contando as lendas de nossa terra em transmissão radiofônica.

²  Para maiores informações sobre a Continental Jazz Band, fundada em 02/07/1932, consulte o seguinte link: http://www.patriamineira.com.br/imprimir_noticia.php?id_noticia=2604

³  O jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO, de São João del-Rei, noticiou a instalação da C.A.S., na sua edição nº 6281, de 12 de agosto de 1959, com a seguinte matéria: 
"Instala-se solenemente a "Corporação Artística Sanjoanense"

Num ambiente de arte e elegância, instalou-se domingo p.p. (09/08/1959) a nova entidade artística com que passará a contar a cidade – a "CORPORAÇÃO ARTÍSTICA SANJOANENSE" cuja finalidade é congregar moços e moças, amantes da arte, para o cultivo e a prática do Canto, incentivando na mocidade o gôsto pelo bel-canto e pelo nosso folclore.
À solenidade, que teve lugar no salão de festas do Minas F. C., gentilmente cedido pela sua diretoria, compareceu quasi a totalidade dos fundadores da C.A.S., além de pessoas gradas da nossa sociedade. O ato foi presidido pelo prof. José Pedro Leite de Carvalho, representante do Revmo. Pe. Osvaldo Torga, Prefeito do município, vendo-se ainda à mesa os Snrs. jornalista Mozart Novaes, presidente da Câmara; Carmélio de Assis Pereira, vice-prefeito; Revmo. Pe Luiz Zver, presidente do Centro Artístico e Cultural de São João del-Rei, além dos membros eleitos para a Diretoria da Corporação Artística Sanjoanense.
Iniciando os trabalhos da sessão, o presidente deu a palavra ao Sr. Luiz Antonio Bini que expôs o programa da neo-sociedade, terminando a sua oração colocando a C.A.S. a serviço da cidade e das demais corporações artísticas. A seguir, a srta. Nancy Assis declamou belíssimo poema "Lembrai-vos da Guerra".
A palavra seguinte coube ao orador oficial da sociedade prof. J. do Carmo Barbosa que lembrou aos moços o poder da abnegação no êxito de empreendimento daquela natureza. 
Encerrando a solenidade de posse da Diretoria, falou o Sr. Mozart Novaes para congratular-se com a cidade pelo surto maravilhoso de progresso intelectual e artístico que a empolga.
Seguiu-se a parte artística da festividade que constou do seguinte: Puccini: Recondita Armonia (Tosca), José Costa; Pestalozza: Ciribiribin, Srta. Niva Guimarães; Gottschalk: Radieuse, piano a 4 mãos, profª. Mercês Bini Couto e Abgar Campos Tirado; Alfonso S. Oteo: Dime que si, tenor Vicente Viegas; A. Sedas: Cielito Lindo, soprano Sra. Lêda Neto Zarur; Puccini: Valsa de Musetta (La Bohème), soprano Salete Maria da Silva Bini.
É a seguinte a diretoria da C.A.S.: presidente, Sr. Luiz Antônio Bini; vice-presidente, Antônio Moura; 1º secretário, profª Maria Marlene de Resende; 2º secretário, profª Maria Luiza Vieira; 1º tesoureiro, Vicente de P. Barbosa Viegas; 2º tesoureiro, Abgar A. Campos Tirado; 1º procurador, Geraldo Barbosa de Souza; 2º procurador, José Raimundo de Arruda.
Conselho Artístico: professora Mercês Bini Couto; professora Salete Maria da Silva Bini e prof. João Américo da Costa.
Diário do Comércio fez-se representar nessa solenidade marcante do progresso cultural e artístico da cidade."

Também o jornal são-joanense O CORREIO, em edição nº 2971, do dia 16 de agosto de 1959,  fez a seguinte cobertura da solenidade de instalação da C.A.S.:
"Coluna de Arte
                                 Gagliero
Empossou-se domingo p. passado a diretoria da Corporação Artística Sanjoanense recentemente fundada por um grupo de moços e moças idealistas.
A solenidade realizou-se às 10,30 horas no salão de recepções do Minas F. C., gentilmente cedido pela sua diretoria, perante seleta assistência constituída de pessoas gradas da sociedade local e de um grande número de componentes da neo-organização artística. (...)
Usou da palavra inicialmente o senhor Luiz Antonio Bini, presidente eleito, que focalizou as finalidades da nova entidade e o seu propósito de colaborar com as demais organizações artísticas para maior incremento da música em nossa cidade, declarando não haver solução de continuidade entre a Corporação Artística Sanjoanense e as suas co-irmãs. Como orador oficial da C.A.S. falou o prof. J. do Carmo Barbosa saudando os seus organizadores e apontando-lhes como condição precípua para a sua completa finalidade o espírito de abnegação que deve animar tôdos os seus integrantes e ressaltando a responsabilidade moral que assumiam no setor artístico da cidade.
O senhor Mozart Novais, presidente da Câmara, em belo improviso, focalizou o progresso cultural e artístico que nêstes últimos dias vem se desenvolvendo na cidade, congratulando-se com os jovens pelo belo exemplo que vêm dando com o seu interesse pela arte nesta comuna.
A Corporação Artística Sanjoanense, comprovando a sua elevada e simpática finalidade, ofereceu aos presentes magnífica hora de arte com o seguinte programa: (...)
A 1ª Diretoria da C.A.S. ficou assim constituída: presidente de honra efetivo, Revmo. Pe. Luiz Zver SDB; presidentes de honra honorários: Dr. Tancredo de Almeida Neves, Dr. Gabriel de Rezende Passos, Marechal Ciro do Espirito Santo Cardoso e General Luiz de Faria; presidente, Luiz Antonio Bini; (...)"

⁴  Talvez José do Carmo Barbosa estivesse se referindo ao Real Conservatório de Milão, onde se formaram também, pelo menos, o campineiro Carlos Gomes, o pindamonhangabense João Gomes de Araújo, o pousoalegrense José Lino de Almeida Fleming e a contralto campineira Maria Monteiro ("Zica" Monteiro). Os quatro receberam bolsa de estudos do imperador Dom Pedro II para aperfeiçoarem seus dotes musicais. 
Sobre a contralto Maria Monteiro, cf. in http://www.centrodememoria.unicamp.br/sarao/revista29/SERIE/sarao_se_ruas_texto_01.htm

⁵  Socorri-me do pesquisador, musicólogo e regente Aluízio José Viegas para saber algo acerca deste violoncelista são-joanense. Disse-me ele que o professor e violoncelista Eurico Costa, do Conservatório Brasileiro de Música, tinha sido quem descobriu o são-joanense Luiz de Oliveira, quando de sua primeira vinda a São João del-Rei, onde deu um concerto que o consagrou pela execução exímia de seu instrumento. Naquela oportunidade, ele ouviu o violoncelista são-joanense e, tendo visto nele talento e aptidão para o instrumento, convidou-o a vir para o Rio de Janeiro tomar aulas sob a sua direção.
Sobre esse concerto memorável, Aluízio me relatou um episódio deveras curioso. Ao terminar o concerto, duas senhoras irmãs foram até o camarim de Eurico Costa para convidá-lo para um chá no dia seguinte em sua residência. Quando lá chegou, foi informado que nenhuma das duas tinha herdeiro, acrescentando que possuíam um violoncelo passado de geração a geração, chegando até elas. Assim dizendo, imediatamente se dirigiram a um quarto, donde tiraram uma caixa velha e desmantelada. Ao abri-la, Eurico verificou que a mesma continha um violoncelo necessitado de alguns reparos.
Quando voltou ao Rio de Janeiro com o presente, encostou aquela caixa em um canto da casa e ficou de procurar um luthier oportunamente. Antes, porém, foi primeiro passar férias em Caxambu. Nesse ínterim, sua casa foi assaltada e, entre outras preciosidades, o ladrão havia levado o violoncelo com que Eurico se apresentava.
Impossibilitado de dar um concerto já agendado, precisou recorrer a um luthier para consertar o violoncelo sobressalente que tinha trazido de São João del-Rei, que, até então, não tinha valorizado muito por causa do seu estado.
Qual não foi a sua surpresa quando o luthier carioca lhe informou que ele estava portando um autêntico Guarnerius (avaliado em 20.000 escudos na época de Salazar)! Continuou dizendo que na capital federal não havia quem pudesse reparar um instrumento tão raro e caro. Recomendou-lhe levá-lo à Europa, onde certamente encontraria um luthier abalizado para fazer o tal reparo.
Músico internacional que era, Eurico Costa não encontrou dificuldade, em uma de suas viagens à Europa, de recorrer aos serviços de um luthier especializado que soube sanar o problema, restabelecendo a beleza e a pujança da sonoridade do violoncelo.
Aluízio contou-me ainda que Eurico Costa fez tanta amizade com o pároco Padre Almir de Rezende Aquino, da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei – hoje Catedral Basílica, – que passou a abrilhantar as célebres festividades locais da Semana Santa com o seu concurso, ao violoncelo.
O musicólogo são-joanense disse lembrar-se inclusive de ter presenciado Eurico Costa solando uma peça de inexcedível beleza na Cerimônia do Lava-pés em praça pública, diante de uma gigantesca plateia fervorosa e atenta.

  Sobre o Maestro Guaraná, o Blog de São João del-Rei já publicou três matérias:
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/08/maestro-guarana-gustavo-nogueira-de.html
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/09/gustavo-de-carvalho-o-guarana-cronica.html
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/10/homenagem-do-centro-artistico-e.html






* Francisco José dos Santos Braga, cidadão são-joanense, tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Além de escrever artigos para revistas e jornais, é autor de dois livros e traduziu vários livros na área de Administração Financeira. Participa ativamente de instituições no País e no exterior, como Membro, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, Academia Divinopolitana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Academia Taguatinguense de Letras, Academia Barbacenense de Letras e Academia Formiguense de Letras. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), um locus de abordagem de temas musicais, literários, literomusicais, históricos e genealógicos, dedicado, entre outras coisas, ao resgate da memória e à defesa do nosso patrimônio histórico.Mais...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

V ENCONTRO SOBRE O CAMINHO NOVO BUSCA NOVAS FONTES PARA A HISTÓRIA


Por Mário Celso Rios



Aconteceu nos dias seis e sete de junho de 2014 o V Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo (EPCN), em Juiz de Fora, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico, sendo uma oportunidade de enriquecimento social, acadêmico e político a respeito da região também conhecida como Estrada Real. Já sediaram esse evento: Barbacena (2010), São João del-Rei (2011), Conselheiro Lafaiete (2012) e Congonhas (2013). Andréia de Freitas Rodrigues do Arquivo Central da UFJF recebeu os participantes com muita atenção.

Foram mais de dez comunicações, ou seja, breves relatos sobre temas pertinentes à diretriz idealizada por Luiz Mauro Andrade da Fonseca (estudioso de MG, residente em Barbacena e de origem em Santos Dumont) e seus colaboradores, entre eles, Marta Maria Imbroinise da Fonseca, Sílvia Boussada, Geraldo Barroso de Carvalho, Nilza Cantoni e Francisco Rodrigues de Oliveira, que é a de se lançar luz sobre nossa formação e desenvolvimento. Alguns assuntos abordados foram: a importância da ferrovia para o Caminho Novo, os caminhos de dentro, a literatura que brota por entre trilhas e trilhos, a arquitetura, visita a um sítio de relevo (a Fazenda Ribeirão das Rosas, JF), os mapas pioneiros das Gerais e as lacunas já desbravadas e as não respondidas, os marcos de pedra ao longo do Caminho Novo, a proposta de tese de Leonardo Bassoli Angelo pela UFJF sobre o tema "indivíduos, grupos, trajetórias, o Caminho Novo e as elites de Barbacena (1791-1831)"; apresentação da obra "Negócios de Minas - Família, Fortuna, Poder e Redes de Sociabilidades - Os Ferreira Armonde (1751-1850)", ed. FUNALFA e outras, 2013, JF, de Antônio Henrique Duarte Lacerda, doutor pela UFF, em 2010, sendo que parte dessa pesquisa foi elaborada a partir de documentos analisados no Arquivo Histórico Municipal Professor Altair Savassi, entre outros, sendo outro exemplo a citação da obra sobre as origens de São João del-Rei de José Cláudio Henriques, o que confirma quão importante é a preservação documental em nossas cidades pelo que essa possui de basilar para se estudar registros e papéis e, desse modo, melhor se entender Minas Gerais e o Brasil. Foram várias contribuições de diversas partes de Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que os expositores deram o seu melhor para que se pudesse refletir mais um pouco e de forma edificante em termos do que nos caracteriza como núcleos urbanos, rurais e econômicos originados a partir do Ciclo do Ouro.

Colaborador: MÁRIO CELSO RIOS

MÁRIO CELSO RIOS, pesquisador, professor universitário, incentivador cultural, pertence a várias entidades de valorização das causas intelectuais, é membro da Academia Barbacenense de Letras, sendo seu atual presidente, e tem participado de todas as edições do Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo.