quinta-feira, 30 de julho de 2015

Colaborador: Dr. ROQUE CAMÊLLO


ROQUE JOSÉ DE OLIVEIRA CAMÊLLO é nascido em Mariana-MG.
- Ex-aluno do Seminário de Mariana.
- Formado pela UFMG nos cursos de Letras e Direito, é advogado e professor.
- Tem curso na Universidade de Harvard- EUA e Curso de Francês da France Langue de Paris.
- É empresário da construção civil.
- Preside a Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB/MG
- Fundou e dirigiu, em Belo Horizonte, o Colégio São Vicente de Paulo, tendo sido também professor dos Colégios Santa Dorotéia, Dom Cabral, Estadual de Minas Gerais, Alfredo Baeta e Arquidiocesano de Ouro Preto.
- Preside a Academia Marianense de Letras, é Diretor Executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), instituição que desenvolve projetos de preservação e restauração do patrimônio cultural existente em Cidades Históricas como Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Santa Bárbara, Catas Altas e outras. 
- Sob sua direção como Diretor Executivo foi o responsável pela segunda reforma do Órgão Arp Schnitger da Catedral de Mariana e restauros do Santuário Nossa Senhora do Carmo, cujo sinistro em 1999 destruiu quase todo o templo e o antigo Palácio dos Bispos, hoje sede do Museu da Música.
- Proponente, em 1979, do projeto que instituiu o DIA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, comemorado em todo o território mineiro em 16 de Julho, data coincidente com o aniversário de Mariana, primeira vila e primeira Capital de Minas.
- Proponente, em 2002 e 2004, do projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa “Registro Memoria del Mundo" da UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.
- Participa de diversas Entidades Culturais de Minas Gerais e de outros Estados.
- É Conselheiro da Associação Universitária Internacional (AUI), sediada em São Paulo, da qual é o Diretor Regional para Minas Gerais.
- É possuidor de diversas comendas, dentre as quais Medalha Comemorativa do Dia do Estado de Minas Gerais, Santos Dumont do Governo de Minas Gerais, Ordem dos Bandeirantes, Câmara Municipal de Belo Horizonte,  Justiça Federal-Seção Judiciária de Minas Gerais,  Poder Judiciário-Comarca de Mariana, Câmara Municipal de Mariana, Medalha “Centenário da Academia Mineira de Letras”, Medalha João Pinheiro e Comenda da Liberdade e Cidadania dos Municípios São João Del Rey, Tiradentes e Ritápolis. 
- Foi vereador, Vice-Prefeito  e Prefeito Municipal de Mariana
- Membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – Cadeira 66 – Patrona: Princesa Isabel.

N.B.:  São trabalhos voluntários aqueles que exerce como Diretor Executivo da FUNDARQ, Presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras e Conselheiro e Diretor da AUI/MG

FALECIMENTO DO MÚSICO, MUSICÓLOGO E PESQUISADOR ALUÍZIO VIEGAS ABRE IRREPARÁVEL LACUNA NA COMUNIDADE CULTURAL DE MINAS E DO BRASIL


Por Roque Camêllo

Diretor-executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana

O musicólogo Aluízio José Viegas no arquivo da Orquestra Lira Sanjoanense (2008).  Crédito pela imagem: Wikipédia, verbete "Aluízio José Viegas"

Recebi, com tristeza, a notícia da morte de Aluízio José Viegas, músico, musicólogo e pesquisador brasileiro que se especializou no patrimônio histórico-musical mineiro, na história e nas tradições do Município de São João del-Rei.

Foi funcionário da Universidade Federal daquela Cidade História (UFSJ). Revitalizou a música sacra mineira, atuando como flautista, violoncelista e contrabaixista na Orquestra Lira Sanjoanense.

Trabalhou no projeto Acervo da Música Brasileira – Restauração e Difusão de Partituras (2001-2003), realizada pela Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), mantenedora do Museu da Música, instituição com a qual colaborou desde 1976.

Contribuiu significativamente para a preservação do patrimônio histórico-musical brasileiro, deixando um legado de dedicação à música.

Seu corpo foi velado na sede da Orquestra Lira Sanjoanense, sepultado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo de São João del-Rei.

Desce ao sepulcro visível, mas a Cultura nacional não o esquecerá. O bem que construiu e soube distribuir tornou-o perene.

O Museu da Música de Mariana, em homenagem ao mestre Aluízio Viegas, postou, no seu site, um vídeo reproduzindo uma de suas últimas entrevistas.

Confira, acessando os linques:



ou

https://www.youtube.com/watch?v=hCVyRVy93HQ&feature=youtu.be

terça-feira, 28 de julho de 2015

CONJURAÇÃO MINEIRA: Rede de informações — Visão pelas entrelinhas da historiografia e pela lógica


Por Dr. Alair Coêlho de Rezende



A derrocada de todo e qualquer movimento sedicioso ou de implantação de novos sistemas políticos ou religiosos sempre levou seus integrantes vencidos a serem vitimados por sérias e severas perseguições por parte dos vencedores. É o que a História nos mostra e que aconteceu com os cristãos após a crucificação de Jesus, com a caça às bruxas desencadeada pelas impiedosas autoridades da Santa Inquisição, com o genocídio que, após a tristemente famosa noite dos cristais na Alemanha nazista, se abateu sobre os judeus e outras minorias do povo alemão. Com a Conjuração Mineira não foi diferente, embora nossos historiadores, insensíveis à dolorosa verdade ou até hoje afinados com a orquestração que foi habilmente regida pelo Reino Português, em fins do século XVIII, teimem ou ignorem a discriminação, e consequente segregação, em que foram atirados os parentes dos patriotas que lideraram o movimento de insurreição que, partindo da província das Minas Gerais, deveria ter levado o Brasil à condição de Estado, enquanto instituição política.

Foi o que aconteceu com os parentes do Cap. de Auxiliares José de Resende Costa após sua prisão, bem como de seu jovem filho de mesmo nome. Dizem que sua esposa nunca mais passou pela porta de entrada de sua residência, que até hoje existe (tombada) na cidade que orgulhosamente ostenta o nome dos dois ilustres Conjurados. Resende Costa é a única cidade que homenageia, orgulhosamente, com seu nome, a conjurados mineiros.

Os parentes do Cap. Resende Costa, discriminados, rejeitados, quiçá perseguidos pela população do Arraial da Lage, se concentraram, em sua grande maioria, na Fazenda dos Pintos e lá passaram a viver, como num gueto, cuidando da lavoura e pecuária de subsistência. Até os tecidos eram feitos pelas mulheres da família. Só iam ao arraial em busca de sal e quaisquer outras mercadorias que não conseguiam produzir em seu gueto. E os casamentos consanguíneos, até entre parentes mais próximos, como tios e sobrinhos, se tornaram uma regra, já que eles não conviviam com outras pessoas fora de seu grupo familiar.

E as histórias da Conjuração Mineira e dos sacrifícios impostos aos familiares dos Conjurados foram passando, pela via oral, de geração em geração. Com o tempo essas histórias tomaram uma conotação semelhante a lendas. E foi como tal que eu, pentaneto do Cap. Resende Costa, delas tomei conhecimento.

Na década de trinta, do século XX, as histórias (ou lendas?) que eu ouvia de meus parentes idosos se misturavam em meu cérebro com os causos de assombrações que tanto contavam. Aliás, o meu mundo infantil era mais habitado por assombrações do que por gente viva, mercê, talvez, do enorme isolamento a que meus antepassados foram atirados pelas razões já expostas. Era um mundo medonho.

Quando, afinal, eu já frequentava o curso primário, uma competentíssima professora, dona Dulce Mendes de Resende (ainda viva e centenária) ministrou uma aula sobre a chamada Inconfidência Mineira: falou sobre a enigmática figura do Embuçado que, na noite anterior ao desencadeamento das prisões de determinados revolucionários, saiu, envolto em pesada capa e com a cabeça encapuzada, a visitar determinadas casas em Vila Rica, avisando seus moradores de que a caça ia começar; eu recebi a aula e a decodifiquei como se o Embuçado fosse uma assombração. Foi uma conclusão natural para quem, como eu, vivera até então misturando a Conjuração Mineira com causos de mulas sem cabeça, lobisomens e outras manifestações do além-túmulo.

E nunca mais a figura do Embuçado deixou de bulir com o meu raciocínio e meu interesse pela Conjuração Mineira foi se tornando, com o decurso do tempo, cada vez mais aguçado. 

Ainda, na pré-adolescência, me pus a ler todo e qualquer material impresso que me caía às mãos, mas com particular interesse buscava informações sobre a Inconfidência Mineira e o Embuçado. Li praticamente toda a Biblioteca que fora do Coronel Francisco Mendes de Resende, homem culto e que fora o primeiro Prefeito Municipal de Resende Costa. Evidentemente, as obras que compunham esta biblioteca me eram emprestadas pela filha do finado Cel. Mendes, minha amada mestra Dulce Mendes de Resende que, certamente, selecionava as obras que estavam ao alcance de meu entendimento e necessidade.

Já na adolescência, tornei-me assíduo frequentador da Biblioteca Municipal de Resende Costa, até hoje uma das mais ricas do interior do Brasil. Mas informações sobre o Embuçado eram sempre insuficientes para satisfazer a minha curiosidade.

Com o decurso do tempo atingi a idade própria para prestação do serviço militar obrigatório e fui incorporado ao Regimento Tiradentes – 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João del-Rei; esta unidade militar tinha uma excelente biblioteca e eu me tornei seu frequentador habitual e isto me valeu a amizade do então Primeiro Tenente Gabriel Martins Ferreira que descobriu meu gosto pela leitura e que, sem perder a noção e a necessidade de manter a distância hierárquica que nos separava, passou a trocar ideias comigo, sobre minhas leituras e meus interesses historiográficos. Fomos amigos até que a morte o levou. Anos depois, quando ele já estava na reserva, na qualidade de coronel e eu tinha o prazer de recebê-lo em minha casa, com freqüência, ele me confidenciou que sua preocupação, naquela época, era, sobretudo, de me orientar em minhas conclusões derivadas de leituras que, ás vezes, nem eram interpretadas por mim com o rigor próprio dos que têm formação acadêmica. Minha amizade e gratidão por pessoa tão extraordinária inflou e atingiu um limite tal que até hoje eu tenho por sua memória estupenda veneração.

Durante a prestação do serviço militar, graças aos cursos de Formação e Aplicação de Graduados (cabo e sargento), eu percebi que um movimento revolucionário da envergadura da Conjuração Mineira não podia prescindir de um bom Serviço de Inteligência, uma Rede de Informações e Contrainformações. Mas onde encontrar registros sobre isso? Nossos historiadores se atêm, quase sempre, apenas aos Autos da Devassa, e estes nada informam sobre isso.

A busca sobre esta Rede de Informações tomou forma em minha mente quando eu associei a existência de Vitoriano Veloso como um dos agentes da mesma, eis que ele foi preso apenas por transportar correspondência entre membros da sedição libertadora, que então estava sendo abortada. E o Embuçado? Não seria ele também um agente desta rede? E como a notícia da prisão de Tiradentes chegara a Vila Rica, e viera, pelo caminho, desarmando o esquema revoltoso? E tudo isto antes da notícia oficial chegar a Vila Rica. A conclusão me parece lógica: havia uma rede de agentes que, obtendo a notícia nos gabinetes do Vice-Rei, a conduziu a Vila Rica e veio, caminho a fora, abortando o movimento sedicioso. É ululante a lógica que impõe, silogisticamente, a conclusão: esta rede existiu.

Em 1950 eu já tinha clara a ideia de que Tiradentes, embora não fosse o mais graduado, nem militar, nem socialmente, dentre os membros da Conjuração, era o mais ativo deles graças ao seu talento militar, incontestável, e sua indômita coragem para pregar abertamente a necessidade de se proclamar a Independência do Brasil; também já concluíra que ele não era um dos mais pobres e incultos dos revolucionários  já que ele era filho de rico fazendeiro, como atestam as ruínas que ainda existem na Fazenda do Pombal, que foi de propriedade de seu pai e onde ele nasceu; essas ruínas, que seriam de uma dependência de serviços, apresentam um aspecto de grandiosidade e indicam que a casa-sede da fazenda teria sido uma “casa grande” e rica e, que, assim sendo, seus proprietários eram ricos e poderosos. Então Tiradentes era filho de uma família rica, é lógico.

Também é de se relevar que Tiradentes tinha sido próspero comerciante e senhor de escravos e rica tropa de muares. Quanto ao fato de ser um simples alferes sem cultura, esta conclusão é desmentida porque ele fez várias viagens à Europa, mais especificamente à França e, portanto, seria pelo menos um falante do francês e possivelmente do inglês, eis que trazia, em suas andanças pelo interior do Brasil, quando abertamente pregava a revolta armada, necessária à independência do Brasil, uma cópia da Constituição dos Estados Unidos da América, que lia e comentava com fluência e convicção. Ora, se não havia imprensa no Brasil e em Portugal, o governo certamente não permitiria a impressão desta Constituição, por razões óbvias, o que é desnecessário comentar, claro fica que o exemplar da Constituição americana do norte, que consigo sempre trazia, era impressa em inglês ou francês e, então, conclui-se logicamente: Tiradentes que viajava à França e lia e comentava a constituição americana conhecia, além da língua materna, o português, também o francês e, possivelmente, o inglês. Era pois um homem culto, inclusive, como se sabe, sabia latim, que aprendera com um seu padrinho.

Também, é certo, viajara à França exatamente quando as idéias iluministas fervilhavam mundo afora, mas com invulgar vigor na França, onde este ideal atingira seu mais alto nível, resultando na Revolução Francesa, o que inflamava os ânimos dos brasileiros, liderados por jovens que estudavam na Europa. A estes se somavam alguns portugueses que no Brasil residiam e ocupavam cargos de importância na administração da colônia e que comungavam os mesmos ideais independentistas.

Tiradentes, levando-se em conta tudo isto, era um homem dotado de bom nível cultural e também, sabidamente, um homem de coragem. É imperioso concluir que ele era dotado, ainda que por intuição, de bons conhecimentos de estratégia militar, os quais utilizava inteligentemente a serviço da causa a que se entregara. E isto, não há como negar, estava embasado nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos da América, cujo exemplo fora tomado como paradigma pelos Conjurados.

Ele não era o mais graduado membro da Conjuração mas era, não há como negar, o mais ativo destes membros e foi certamente por esta característica que ele foi escolhido pelo governo português, para ser o único enforcado, não merecendo a comutação da pena, que contemplara os outros. É uma balela a informação de que ele fora enforcado por ser pobre e inculto, ou que outro fora executado em seu lugar. Tantas eram as pessoas presentes ao seu enforcamento que o conheciam, inclusive os dois Resende Costa (aos quais era ligado por laços de parentesco) e o próprio sacerdote que o assistiu no patíbulo, que o conhecia  e bem, por ser o capelão do presídio onde ele passara longo tempo. Essas pessoas não ficariam caladas se houvesse troca da pessoa executada. Ou pelo menos, nem todas, e isto é evidente.

Há que se registrar que a Revolução Francesa e a Conjuração Mineira têm em comum um dado de altíssima relevância e que indica, sem dúvida alguma, que a primeira era a inspiração da segunda: o ano de 1789. Neste ano a Revolução Francesa, com a emblemática Tomada da Bastilha, tornou-se uma realidade e mudou de vez as concepções políticas do mundo ocidental, enquanto que no Brasil, no mesmo ano, a delação traidora de Joaquim Silvério dos Reis, provocou o aborto do movimento independentista que fora engendrado e começaria pela província de Minas Gerais. Sem dúvida alguma nossos Conjurados comungavam os mesmos ideais iluministas que levaram à Revolução Francesa, que mudou, para sempre, os rumos políticos no mundo.

Já com estas informações e conclusões consolidadas passei a buscar, com mais afinco, informações sobre o Embuçado, preocupação maior no que tangia à Conjuração. Parecia-me e ainda me parece, que se for deslindado o mistério que cerca esta figura enigmática, muita luz se fará sobre o célebre movimento revolucionário. Mas as buscas resultavam infrutíferas e eu supunha que isto se dava em razão de meus parcos recursos para encetar viagens custosas e tempo hábil para fazer pesquisas. 

E assim preocupado, mas tendo que lutar arduamente para sobreviver, vi o tempo passar até que, na qualidade de funcionário do Banco da Lavoura de Minas Gerais, fui transferido de Ressaquinha/MG para a agência do banco em Paraíba do Sul/RJ.

Esta transferência deu novo alento às preocupações quanto às até então infrutíferas pesquisas. Quando cheguei ao novo local de minhas atividades profissionais, sempre encontrava alguém que, ao saber que eu era filho de Resende Costa, imediatamente falava na Inconfidência Mineira, tal como era e ainda é, erroneamente, chamada a Conjuração Mineira. Fiquei surpreso quando constatei que havia tanta gente sabendo tanto sobre um assunto que eu supunha só interessava aos mineiros. Mais surpreso ainda fiquei quando soube que um resende-costense fora Prefeito Municipal de Paraíba do Sul, muito querido por sinal, e só então me dei conta que esta era a razão de Resende Costa ser uma cidade conhecida dos sul-paraibanos.

Fiquei conhecendo várias pessoas que muito sabiam sobre a Conjuração Mineira, mas um se destacava e era o Chefe da Agência do IBGE, conhecido como Rubens da Estatística. Procurei-o e não foi difícil nosso entendimento, pois eu estava aguardando nomeação para o mesmo cargo que ele ocupava, mas com lotação em Minas Gerais, uma vez que fora aprovado em Concurso Público, já homologado. Ia, portanto, ser colega de profissão do Rubens, o que facilitou nosso relacionamento.

Suas informações eram muito preciosas e trouxeram novos elementos sobre a Conjuração, ao meu conhecimento. 

E foi assim que eu soube que no Terceiro Distrito do Município de Paraíba do Sul, Sebollas, quando o mesmo ainda era um simples arraial, um enclave nos terrenos da Fazenda de mesmo nome, de propriedade de dona Ana Mariana Barbosa de Matos, bela e ilustrada fazendeira, existira pouso para as tropas que percorriam o Caminho Novo, conduzindo riquezas que iam de Minas Gerais, muitas vezes diretamente para navios ingleses, no Rio de Janeiro. 

O alferes Joaquim José da Silva Xavier que aí sempre pernoitava com sua tropa tornou-se amigo de Padre Paulo, vigário do lugar e irmão da bela dona Mariana, de quem Tiradentes se tornou amante. Com o passar do tempo as pregações revolucionárias do Alferes Joaquim José caíram na alma do povo do lugar e logo, logo, muitos se tornaram Conjurados. E estes existiam por toda a vasta região, desde a Baixada da Guanabara, passando por Porto Estrela, até as fronteiras de Minas e São Paulo. Os Conjurados se reuniam sempre na fazenda de Sebollas, sob a direção de Tiradentes. Este, nestas suas paradas em Sebollas, unia o útil ao agradável: dava descanso às tropas de muares e de homens, revia seu grande amigo Pe. Paulo, namorava sua favorita, pregava e preparava a revolta. Era tão grande a amizade que unia Tiradentes ao Pe. Paulo, que a este o Alferes ofertara uma imagem de Nossa Senhora do Pilar, esculpida em São João del-Rei e que hoje se encontra no Museu, em Sebollas.
Fachada do Museu Sacro Histórico de Sebollas, Paraíba do Sul  


Encontrei também uma informação, em uma publicação que me foi enviada de Teresópolis/RJ, segundo a qual um dos fundadores daquela cidade fora um filho de Tiradentes com dona Mariana. Contudo, desta nota histórica nunca obtive confirmação por outras fontes.

Uma coisa, a partir das informações que eu obtive, contudo, começou a espicaçar minha curiosidade: a Conjuração deveria ser eclodida exatamente no dia da Derrama, uma vez que os sediciosos tinham que estar preparados para deflagrar o movimento em data previamente marcada, já que não havia outro meio para se ordenar o início da operação bélica, face à falta de meios de comunicação. Mas a Derrama só seria executada nas Comarcas que pertenciam à província geológica dos cristais e Paraíba do Sul não atendia esta especificação, logo lá não haveria Derrama. Uma conclusão então se impunha: os Conjurados daquela região o eram verdadeiramente por serem patriotas e desejarem a independência e soberania do Brasil, pois não tinham razões para temer a arrecadação punitiva a que se dava o nome de Derrama.

Aliás, entendo que todos os Conjurados eram patriotas, o que até levou um padre a criticar esta afirmativa que eu fizera, dizendo que só se podia falar em patriotismo a partir de 1822, com a declaração de nossa Independência. Mas esse crítico bem intencionado devia entender mais de missas do que de educação cívica, eis que a ideia de pátria e comportamento patriótico, por parte de brasileiros, se consumara nas batalhas de Guararapes, em abril de 1648 e em fevereiro de 1649, quando brancos já brasileiros natos, índios, negros, mulatos e outros, pegaram em armas e expulsaram os holandeses de nossa terra. Pela primeira vez, em nossa história, o povo lutou contra o invasor e não o fez em defesa do patrimônio colonial de Portugal. Aí se dera a defesa do Brasil, enquanto Pátria. De se destacar que no aceso desta luta em Pernambuco, em 19 de abril de 1648, é que se considera como a data de criação do Exército Brasileiro. É oportuno então que se diga: nossa Pátria nasceu quando foi criado o Exército Brasileiro. Disto não há dúvidas. 

Em 1822, o que nasceu foi o Estado brasileiro, com o reconhecimento internacional de nossa soberania.

Face a este raciocínio, que não é uma divagação mas a constatação de fatos históricos, a Conjuração Mineira foi abortada cento e quarenta anos depois que houve a primeira manifestação de patriotismo do povo brasileiro. Não há como negar: os Conjurados eram sim patriotas e queriam ver sua pátria livre do jugo cruel de Portugal.

Com as informações obtidas e somadas às que eu já conhecia, inclusive quanto à exposição pública do “quarto superior esquerdo” do herói, em um poste, em Sebollas, para exemplo intimidador, dissuadindo a população de outras tentativas revoltosas, eu concluí, logicamente, que se o restos mortais de nosso herói maior ali foram expostos, com absoluta certeza, esta decisão partiu do conhecimento, por parte das autoridades, de que na região havia mais sediciosos. Quanto a isto não há dúvidas.

Certo domingo, quando eu morava em Paraíba do Sul, embarquei em um automóvel de praça (ainda não se falava táxi) e fui a Sebollas, que distava uns vinte quilômetros, em estrada sem pavimentação. Cheguei exatamente quando começava, na matriz, a missa dominical. Assisti a ela e ao final procurei contatar as pessoas conhecidas que saíam da igreja, buscando informações.
Matriz de Sant'Ana, em Sebollas


Ninguém sabia onde os restos mortais de Tiradentes tinham sido expostos, mas todos contavam que, após uns poucos dias, os soldados, que ficaram guarnecendo a tétrica exposição, foram embora e então o braço do herói desapareceu. Todos contavam uma história que mais parecia uma lenda: Padre Paulo, amigo e quase “cunhado” de Tiradentes, em companhia de um irmão, à noite, furtou o braço do amigo e o enterrou sob o altar-mor da matriz. Mas ninguém nunca procurou averiguar isso, mesmo porque ninguém ousaria tocar no altar, tal era o respeito que se tinha por objetos sagrados, e o altar o era.
No Museu Sacro Histórico de Sebollas, urna contendo: à esq., dois hemisférios do crânio de D. Mariana; à dir., pedaços da urna funerária em que Dona Mariana foi sepultada e, no centro, quatro fragmentos do braço esquerdo de Tiradentes


Quando fiz essa visita a Sebollas, ali, em frente à matriz, decidi que escreveria um livro sobre o assunto e o publicaria. O que de fato fiz. Concluíra então que a Conjuração não era só Mineira, mas Brasileira, pois verdadeiramente ultrapassara as fronteiras de Minas Gerais.

O que ocorreu, segundo meu raciocínio, é que as autoridades portuguesas, sabedoras da intentona, não quiseram, habilmente, combatê-la com rigor bélico, como um movimento que visava a Independência do Brasil. Isso, segundo, certamente, decidiram, levaria o mundo a reconhecer que o movimento era uma decorrência dos ideais iluministas e que acontecia na esteira da Revolução Francesa, o que era uma verdade. E, se houvesse uma operação para desmantelar o movimento patriótico brasileiro, o mundo tomaria conhecimento do movimento revolucionário e muitos países, sobretudo os que também estivessem marchando no compasso marcado por Paris, se apressariam a reconhecer o Brasil como Estado Soberano. E Portugal perderia sua jóia colonial mais rica. Isto seria inevitável.

Então os governantes portugueses decidiram tratar o assunto como se fosse uma mera rebelião, de pouca monta, intentada por maus pagadores de impostos e só prenderem, mais para intimidação do povo da colônia, sobretudo da Província de Minas Gerais, uns poucos líderes do movimento. E deram ao movimento independentista brasileiro, minimizando-o, o nome impróprio de Inconfidência Mineira. E se instaurou a Devassa. E o mundo e toda nossa gente aceitou a situação e a conveniente denominação de Inconfidência. A esta denominação, de todo deturpadora da verdade e de negação dos ideais de patriotismo dos brasileiros, se curvaram servilmente todos, inclusive os nossos historiadores, que passaram a dançar conforme a música executada por Portugal.

Tal foi a humilhante aceitação que ninguém percebe, ou finge que não percebe, que a Independência do Brasil ocorreu somente trinta anos depois da execução de Tiradentes. E nossos historiadores parecem não considerar que a Inconfidência Mineira (assim erroneamente denominada) foi o estopim que redundou na nossa Independência, embora os louros tenham sido usurpados pelos que afinal a proclamaram. Ninguém, inclusive, considera que o próprio Tiradentes declarou que havia dado um nó tão perfeito na história que em cem anos não o desatariam. A Conjuração Mineira e a Independência do Brasil são apenas atos que constituem a mesma peça da história pátria.

Em 1955 eu fui nomeado Agente de Estatística e Chefe da Agência do IBGE em Rio Piracicaba/MG e tive aumentadas minhas chances de pesquisar sobre a rede de informações e contrainformações da Conjuração Mineira, graças à presença de Agências do IBGE espalhadas por todo o Estado. Mas todos os meus esforços, com o auxílio sempre de meus colegas “ibgeanos”, foram infrutíferos. Parece que o Embuçado tinha recomendado aos conjurados que queimassem toda a documentação que podia incriminá-los e sua recomendação teria sido cumprida à risca. Nada encontrei a respeito. Fiquei mesmo com minhas conclusões embasadas na, logicamente, comprovada necessidade bélica de que um movimento tão grande como a Conjuração não podia prescindir de um bom Serviço de Inteligência. E Tiradentes sabia disso quase por intuição, já que não tinha formação acadêmica na espécie, mas era versado na arte da estratégia militar. Ele, que acompanhara, certamente, todo o movimento que resultara na Revolução Francesa, inclusive visitando a França, conhecia o gênio de Napoleão Bonaparte, que se tornaria, pouco depois, Imperador daquele país, no caudal da Revolução. E, parece evidente, ele sabia que para Napoleão “fazer a guerra é antes de tudo obter informações”. 

Também nos parece evidente que Tiradentes conhecia uma das mais antigas obras sobre estratégia militar, A Arte da Guerra   de Sun Tzu (IV Sec a.C), onde há a lição por este emitida: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória obtida sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.

Contudo, no tempo que passei no IBGE, em Minas Gerais, não consegui nenhuma prova documental de que tal rede existira ou mesmo funcionara.

Finalmente, fui transferido, pelo IBGE, para o estado de Goiás e lá surpreendentemente descobri que Bárbara Eliodora era descendente de uma família goiana e mais, que o Cap. Joaquim Segurado, que comandara as tropas que participaram do enforcamento de Tiradentes, foi o primeiro brasileiro a alcançar o Generalato no Exército Português, e que era filho de Goiás; este oficial, no início de sua carreira, tinha servido em São João del-Rei.

Também fui informado que muitos “goianos” (ainda não existia a província de Goiás) foram membros ativos da Conjuração Mineira, ou Brasileira. Conjurados existiram em Vila Boa (depois capital), Curralinho (Itaberaí, onde morei), Corumbá de Goiás, Meia Ponte (Pirenópolis), Sant’Ana das Antas (Anápolis) e muitos outros lugares. Uma conclusão então se impôs: se existiam Conjurados, além de Minas, também na Capital da Colônia, no interior do província do Rio de Janeiro, em Goiás, no norte e nordeste de São Paulo, principalmente em Taubaté, e  na Bahia, então o movimento não era só mineiro e de maus pagadores de impostos, mas era, não há dúvidas, uma Conjuração Brasileira.  E eu passei a considerar que o movimento possivelmente tinha atingido Pernambuco, cuja gente já provara em Guararapes seu amor á pátria; também em Mato Grosso, possivelmente existissem Conjurados, inclusive porque lá morava um padre que era irmão de Tiradentes e que talvez comungasse os mesmos ideais que eram a razão da vida deste. Para mim não havia mais dúvidas, a chamada Conjuração Mineira, ou como quisera a Coroa Portuguesa, Inconfidência, não era só mineira coisa nenhuma nem fora uma rebelião de maus pagadores de impostos: o movimento era mesmo uma Conjuração Brasileira, e a rede de inteligência, por uma lógica que se impunha, existira mesmo. 

Mas, como diziam os antigos: “ás vezes atira-se no que se vê, e abate-se o que não se vê” e é isso que me ocorre agora. É preciso divagar um pouco sobre a disposição das tropas da Conjuração. Logisticamente previa-se a seguinte disposição e movimentação: na capital da colônia os Conjurados tentariam prender o Vice-Rei, já que tinham contingentes infiltrados na tropa legalista. Contudo, o que era previsível, se não fossem de todo bem sucedidos, a tropa legalista marcharia para Vila Rica e aí os Conjurados da região de Paraíba do Sul e Sebollas, numa primeira linha, postados em Porto Estrela e na Serra de Petrópolis, a conteria e, se não fosse contida esta tropa do governo, já aí enfraquecida e com linha distendida, o que era um sério problema logístico, quanto a suprimentos, teria que enfrentar outro grupamento entrincheirado em Paraibuna, numa segunda linha defensiva. E depois, se não fosse derrotada em Paraibuna, ou na travessia do Rio Paraíba, iria ser combatida por poderoso contingente, este do Padre Toledo e comandado por Oficiais de São João del-Rei, no alto da Serra da Mantiqueira, numa terceira linha de defesa. Uma tropa plantada em pontos elevados como os da Mantiqueira, à espera de tropas que viriam de longa marcha, desde o Rio de Janeiro, é quase imbatível, pela própria situação do terreno, e dificilmente os legalistas chegariam a Vila Rica que, aliás, já estaria, a esta altura, dominada pelo Cel. Freire de Andrade, o qual já teria prendido o Governador que, segundo alguns Conjurados, seria decapitado. Vila Rica a esta altura já estaria dominada e a Capital instalada em São João del-Rei, à espera do reconhecimento Internacional. 

Ao Capitão José de Resende Costa caberia somar-se às tropas postadas na Mantiqueira e, se necessário, que estivessem posicionadas na região de Brumado e Congonhas do Campo.

Quanto às tropas do Padre Rolim e de outros Conjurados do norte de Minas, não desceriam para Vila Rica, que estava longe e suas linhas ficariam muito distendidas, mas se voltariam para defender Minas Gerais de possíveis avanços de tropas legalistas da Bahia, que certamente estariam enfraquecidas, porque não poderiam deixar sua fronteira norte desguarnecida, face à possibilidade da chegada de contingentes pernambucanos.

Os legalistas de São Paulo seriam contidos pelos Conjurados do norte e nordeste da Província, principalmente os de Taubaté, do Triângulo Mineiro e Goiás, regiões que ainda pertenciam a São Paulo. Não poderiam, contudo, desguarnecer a fronteira sul e leste da Província, eis que havia o risco de sofrerem ataques de tropas revolucionárias sulistas e do Mato Grosso.

Entendo que, se se chegasse ao “dia do batizado”, a Conjuração sairia vitoriosa e se faria a Independência do Brasil. Joaquim Silvério dos Reis pôs tudo a perder.

Mas, voltando ao cerne da questão: era impossível a Conjuração ser bem sucedida se não houvesse uma Rede de Informações ligando seus vários e espalhados grupos, às vezes longe, muito longe, uns dos outros.

Temos que considerar inclusive que a senha para a deflagração da revolução fora criada e era: “TAL DIA É O BATIZADO”. E quem levaria esta senha a cada um dos grupos de combatentes que então se levantariam em armas? Certamente os mensageiros que compunham a rede.

E em caso de ser necessário abortar a movimentação revolucionária? Tinha que haver um senha própria que, por uma questão de lógica seria, por exemplo: “NÃO HAVERÁ MAIS BATIZADO”.

Estas senhas, em sendo necessário, teriam que circular com rapidez ligando os Conjurados da Corte, das províncias do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Bahia, quiçá Pernambuco e quem sabe, até do sul do Brasil.

Infelizmente, com a traição do famigerado Joaquim Silvério dos Reis, houve necessidade de se abortar o movimento. E a notícia da prisão de Tiradentes, no Rio de Janeiro, chegou a Vila Rica muito antes da comunicação oficial feita pelo Vice-Rei ao Governador das Minas Gerais. Certamente esta circunstância não deixa dúvidas de que a necessária Rede de Inteligência existiu mesmo. E seus agentes certamente se revezaram, sem parar, seguindo mesmo até durante as noites, e o fizeram, porque adotavam regras maçônicas (comprovadamente), em duas direções, levando a mesma mensagem. E como, necessariamente, a mensagem não era escrita, mas oral, tinha que ser bem sintética. E, em sendo assim, ela seria feita através de uma senha, de fácil memorização e logo entendida pelas pessoas a quem se destinou. Era, por exemplo, como já aludimos: “não haverá mais batizado”.

E a mensagem, que seguiu por duas vias, certamente, longe da Estrada Real, por razões óbvias, fora desarmando todo o esquema beligerante até que os mensageiros das duas pontas de lança se encontraram em Vila Rica, sede da Conjuração. E quando os dois mensageiros se encontraram, verificaram que a senha trazida pelos dois, era a mesma, portanto, verdadeira. E a Conjuração foi desarmada afinal.

Quando, finalmente, o estafeta real chegou a Vila Rica com ordens do Vice-Rei, para prender os Conjurados, a lista destes fora minimizada, contendo poucos nomes e o nome da patriótica Conjuração já estava transformado em "Inconfidência Mineira". Houve então algumas reuniões apressadas e as autoridades em 17/05/1789 (dezessete de maio de mil setecentos e oitenta e nove) decidiram que no dia seguinte começariam as prisões e seriam tomadas todas as medidas necessárias para debelar a Conjuração.

Nesta noite, uma figura coberta com pesada capa e usando pesado capuz saiu a percorrer as ruas de Vila Rica e indo, à socapa, a casas determinadas, avisava certas pessoas que no dia seguinte começariam as prisões dos conjurados. Este estranho caminhante e mensageiro, assim embuçado, passou à história conhecido simplesmente como  Embuçado e, até hoje, ninguém sabe quem era, donde veio nem para onde foi. Há sobre ele um sepulcral silêncio. Só se sabe que existiu e que cumpriu sua missão. Queremos crer que ele era membro da intrigante Rede de Informações e Contrainformações.

Também membro desta rede, a nosso ver, era o Conjurado Vitoriano Veloso, que foi preso transportando uma carta de dona Hipólita, da Fazenda da Ponta do Morro (Bichinho) para seu marido, o Conjurado Cel. Antônio Francisco Lopes de Oliveira.

Os Autos da Devassa nada esclarecem sobre isso e queremos crer que estes Autos foram produzidos com o firme propósito de apequenar o patriótico movimento revolucionário que culminou com nossa Independência.

Pena que nosso historiadores só tenham para estudo esses Autos que retratam o inquérito policialesco que, como todo inquérito policial, em todos os tempos, mormente quando há interesses de Estado, são pré-conduzidos, inclusive, levando alguns inquiridos a declararem o que não desejam, tal como fazer delações, vítimas que são das manipulações, pressões e até premiações, tudo bem orquestrado por hábeis inquisidores.

Muitos historiadores procuram apequenar a memória de Tiradentes, inclusive, chamando-o de mártir, quando, na verdade, ele foi um herói. Mártir, a meu ver, é aquele que é sacrificado por suas convicções religiosas e que aceita o martírio com ares de beatitude e cônscio de que receberá recompensas na vida além-túmulo, em um paraíso e reino de esplendor, o céu. Isto é próprio dos santos. Herói, no entanto, é aquele, como Tiradentes, que vai para a morte, para o patíbulo, altaneiro, cabeça erguida, valente e cônscio de que sua morte se deve ao caráter forte de quem morre, mas não abdica de seu ideal. 

Há até historiadores que dizem que Tiradentes foi sacrificado como bode expiatório, porque ele não era o cabeça do movimento. Que seja! Contudo, era ele o único que, destemidamente, por todos os lugares que passava, se punha a pregar as vantagens de termos uma Pátria Livre e que arregimentava homens para a luta. Os outros, mormente os árcades, eram homens de gabinete, alfarrabistas, utopistas, poetas, magistrados, idealistas, sem ação. Homens que não arrostavam o perigo que a empreitada requeria. E quase todos eram homens de aguardar e cumprir ordens. Careciam de ser comandados. Não comandavam.

Só Tiradentes, destemidamente, se punha em campo e se arriscava e foi graças a ele que a Conjuração alcançou a grandeza com que a vemos e a veneramos hoje.

Basta! Chega de chamarmos de mártir ao Alferes José Joaquim da Silva Xavier – O Tiradentes!

Ele foi um HERÓI, o nosso HERÓI!   

E no mundo ninguém foi maior que ele!
 

Colaborador: ALAIR COÊLHO DE RESENDE


ALAIR COÊLHO DE RESENDE  nasceu em Resende Costa, Minas Gerais, em 1931. Graduado em Direito pela UFJF-Universidade Federal de Juiz de Fora. Graduado em Teologia pela FATEGO-Faculdade de Teologia de Goiás. Pós-gradução em Revisão de Texto pelo Instituto AVM, de Brasília. Estatístico Provisionado (CONFE). Exerceu as seguintes atividades profissionais: oficial sapateiro, rodoviário (DER-MG), bancário, agente de estatística do IBGE, em Minas Gerais e Goiás, professor, assistente técnico administrativo do IBGE, em Goiás (aposentado), consultor jurídico da Revista Imposto Fiscal, de São Paulo, assistente jurídico da AMVER-Associação dos Municípios dos Campos das Vertentes, sediada em São João del-Rei. Desde 1988 reside em São João del-Rei, onde atualmente advoga. É membro da Academia de Letras de São João del-Rei.



OBRAS:
1) A vingança do judeu (adaptação), em parceria com José Ramos de Melo;
2) A felicidade está presente Alta Comédia, em três atos;
3) Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada (Ed. Provisão, 2010, Palmas-TO);
4) O Embuçado — Agente da Conjuração Mineira (Ed. AMIRCO, 2013, Resende Costa-MG).


sexta-feira, 17 de julho de 2015

TRAÇOS BIOBIBLIOGRÁFICOS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE, por Monsenhor Almir de Resende Aquino




Pe. José Severiano de Rezende (✯ Mariana, 23/01/1871 ✞ Paris, 13/11/1931)

I.  TEXTO


TRAÇOS BIOBIBLIOGRÁFICOS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE 

Por Monsenhor Almir de Resende Aquino ¹



NASCIMENTO E GENEALOGIA: Mariana e São João del-Rei


Nasceu o jornalista, escritor, orador e poeta, José Severiano de Rezende, aos 23 de janeiro de 1871, na lendária cidade de Mariana, antiga leal Vila do Ribeirão do Carmo, quando ali residira seu pai, então professor de Latim e Francês, Cel. Severiano Nunes Cardoso de Rezende, que era casado com Custódia Pereira de Mello. Pentaneto do Inconfidente José de Rezende Costa, traz, nas veias, o sangue e, no espírito, o ideal dos Inconfidentes.

Eram seus avós paternos, José Nunes Cardoso, natural da Ilha de São Miguel, Portugal, e Albina Joaquina da Silva Rezende, natural de Passa Tempo, e maternos, José Pereira de Mello e Rita Pereira de Mello, de troncos são-joanenses.

Levado à pia batismal da vetusta Catedral de Mariana, aos 13 de abril de 1871, foi batizado pelo Côn. Ignácio Pereira de Almeida, sendo padrinhos seu avô materno, o advogado José Pereira de Mello e sua avó paterna, Albina Joaquina da Silva Rezende.

Crismado no mesmo ano, aos 4 de dezembro de 1871, pelo santo Bispo de Mariana, Dom Viçoso (Antônio Ferreira Viçoso), servindo de padrinho o notável parlamentar Benjamim Rodrigues Pereira.

Acariciando aquela criança de faces rosadas e olhos azuis, o santo prelado disse, num tom profético:— "Há de ser mais um padre, o Pe. José Severiano", sobrinho do Pe. José Nunes Cardoso de Rezende, que faleceu moço, porém deixando um rastro luminoso.

Em março de 1872, o professor Severiano Nunes Cardoso de Rezende regressava à sua terra natal, São João del-Rei, convocado por velhas amizades.

Ali crescera, no meio de uma cidade culta e piedosa, o pequeno Juca, que aos cinco anos de idade ia à tipografia do "Arauto de Minas", sob a direção de seu pai — "o jornal mais bem feito nas cidades de Minas".

O petiz se fazia aprendiz de tipógrafo, assim aprendendo o alfabeto e compondo sílabas e palavras. 

Estudou o Curso Secundário no Colégio Oficial, sendo aluno de seu pai. Nesse tempo foi colega de Basílio de Magalhães.

Aos quinze anos terminara Humanidades, em Ouro Prêto. De lá mandava seus artigos para o "Alvorada", pequeno jornal de São João del-Rei.


PENDOR PELA IMPRENSA INDEPENDENTE

Grande pendor manifestava pela imprensa. Em férias, pelos anos de 1888, fundou em São João del-Rei  "O Tribunal", onde se revelou um polemista de pulso forte e destro, dando vasa à sua índole de jornalista apaixonado e de ardente ideal. Eis um trecho dêste jornal: 

"Aparecemos para combater nos prélios humanitários em bem da civilização, para seguir os altivos chefes das generosas cruzadas, cujo maior empenho é erguer um trono à Justiça e um altar à Liberdade. Nossa arma é a palavra franca, virtuosa, inexorável, filha da verdade; nosso escudo é da têmpera do bronze, como nossa coragem firme, inflexível, resoluta. Quando falamos ao povo, não creiam que é a voz insinuante e arteira de Simão — o mágico —, iludindo a multidão estulta, nem as palavras baixas dos cortesãos subservientes e aduladores. Seremos Cristo nas sentenças e nas máximas, seremos Cimourdin nos julgamentos e nas ações. "O Tribunal" vem para julgar: censurará franca e abertamente o que fôr contra a razão, contra a moralidade, contra o bom senso."
Aos vinte e um de abril de 1888, comemorando "O Tribunal", nesse período, o martírio dos Inconfidentes, o jovem poeta de 17 anos, publicou um vibrante poema "Tiradentes", em alexandrinos vigorosos, versos que já manejava com acentuada maestria.

Nesta época, apareceu na tribuna popular de São João del-Rei, aquêle jovem de cabeleira loura a ornar-lhe a fronte espalma e altiva, o olhar arrogante e intimidativo, a entonação forte de uma voz argentina e o acionado que, por si, valia frases inteiras, a eletrizar o povo que estava admirado de vê-lo pela vez primeira.

ESTUDANTE EM OURO PRETO E SÃO PAULO

Em Ouro Prêto, a convivência de condiscípulos de ideais e princípios livres, baseados na filosofia do século XVIII, leitor assíduo da biblioteca da cidade, anexa ao antigo Liceu Mineiro, familiarizou-se com as obras de Voltaire, Rousseau, Balzac, Flaubert, Emílio Zola, Victor Hugo, Herculano, Camilo, Castilho, Latino Coelho e outros. Lamarck, Comte e Spencer, "tornaram Severiano um livre pensador", cujo espírito irrequieto e turbulento aspirava mais alto, como que achando acanhado o ambiente do interior.

Neste estado de espírito fôra para São Paulo, em março de 1889 ², matriculando-se no 1º ano da Faculdade de Direito.

Em São Paulo, encontrou campo para as expansões dos seus alcandorados talentos e que satisfizesse o seu espírito sedento de mais saber e brilhar.

A nobreza de seu porte, sua gentileza cativante, sua verve cheia de graça, seu arrebatamento de expressão dos sentimentos, seu espírito primoroso, fizeram-no acolhido nas mais altas rodas literárias de São Paulo.

Pouco frequentava a Faculdade ou Academia de Direito. Era o estrito necessário ao cumprimento do dever e da vontade paterna. A culta sociedade de São Paulo disputava-a em festas, nos seus salões. Irradiava a simpatia do jovem mineiro.

Permanecia em São Paulo, terminado o 1º ano letivo, mas tornava-se avêsso à carreira jurídica, principalmente depois da "Questão Acadêmica", em junho de 1890. Tornara-se admirado crítico de arte e apurado polemista pela sua altivez e destemor.

A esta altura, era um dos redatores do "Diário de Santos", onde defendera o velho mestre, Dr. Justino de Andrade, afastado da cátedra pelo govêrno republicano.

Sòzinho enfrentou a sanha acadêmica e arremessava nas celebradas "Cartas Paulistas" dardos formidandos,  com resultado de lutas corporais, em via pública, para provar que não só possuía a pujança na pena e no verbo, mas nos seus músculos de atleta.

Ao findar de 1893, Severiano deixou São Paulo e veio para São João del-Rei.

Lá deixara um nome aureolado nas letras. Suas poesias e seus escritos nos jornais eram apuradíssimos: prosador e poeta castiço e primoroso, escritor de raça, atraente e enérgico, exuberante na linguagem de rico vocabulário, de notável fecundidade literária. O homem que criava neologismos, empregava bem os termos latinos e helênicos e sabia colocar cada palavra no seu devido lugar.

Conquistou um belo nome e lutou pela justiça e pelo direito, contra uma política de perseguições na 1ª República.

UMA VOCAÇÃO POR IDEAL 

Voltou para Ouro Prêto e frequentou a academia Livre de Direito ³, em 1894. 

Desiludido com o que vira em São Paulo, agravou-se o tédio pela carreira jurídica, de repente, eis que a sua piedosa mãe parecia ter razão de acreditar no tom profético do santo Bispo, D. Viçoso. Eis J. Severiano de Rezende diante de D. Silvério Gomes Pimenta, pedindo-lhe recebê-lo como aspirante ao sacerdócio, ingressando no velho e venerando Seminário de Mariana, cujo Reitor, Pe. João Batista Cornagliotto, lazarista, o recebeu, acolhedoramente, e se tornou um de seus melhores amigos. Êle mesmo, mais tarde, canta o nôvo ideal que abraçou. 
"Fôra eu jovem pastor, fôra eu afoito nauta  
No meu torrão natal ou então mar em fora, 
Velando o branco armento ao som da agreste frauta 
Ou guiando a nau louçã na imensidão sonora! 

Ah! se eu fôsse pastor, ah! pudera eu ser nauta!"
(...)
(Epitimese  — pág. 93, de Mistérios.) 
 
"Anjos do céu, ouvi a minha história triste: 
A quem, senão a vós, contar a minha dor? 
Também, por que parti outrora lança em riste 
E pretendi sonhar sonhos de lidador? 

Um dia tive sêde e fome de justiça, 
Quis que a minha alma fôsse um translúcido espêlho 
E tendo artefactado uma cota inteiriça, 
Contra as hordas tentei transpor o Mar Vermelho. 

Fiz-me apóstolo, fiz-me herói, fiz-me argonauta, 
Sondei vaus, revolvi brenhas, galguei penedos 
E a minha alma já era um papirus sem pauta, 
De que eu tinha apagado a Vida e os seus enredos. 

Ai! fui, a entranha aberta aos soluços e aos transes, 
Um mista ardendo em fé, tressuando anacronismo, 
Fantoche dos que só se encontram nos romances, 
Varando os altos céus das profundas do abismo."
(...)
(O Lidador — pág. 153, de Mistérios.) 

A PRIMEIRA CONVERSÃO

Sôbre esta fase de sua vida, escreve Manuel Viotti (da Academia de Ciências e Letras de São Paulo):
"Deixara cá fora o elegante vestuário de verdadeiro 'gentleman', despira as galas e acessórios de sua indumentária sempre aprimorada, vira depois rolar-lhe aos pés os anéis da abundante cabeleira e envergara o negro burel."
Continua Viotti:
"No recanto de um vasto salão tristonho e frio, fôra-lhe designado o seu lugar, cabendo-lhe para a sua instalação, uma mesinha e um tôsco tamborete, junto ao leito de ferro, em linha com outros alunos do Seminário.
A surprêsa foi geral diante daquela 'conversão' de um discípulo de Voltaire, curvado diante da cruz de Cristo."

Muitos dos que deixou nas rodas literárias duvidaram daquela conversão.
Interpretações diversas: a revivência da fé cristã que bebera no leito materno, a leitura das obras do célebre Joris Huysmans, autor favorito de Severiano, nos últimos tempos, cuja conversão se revelava profunda e autêntica, suportou privações duras daquele tipo de formação eclesiástica da época. A troca dos "menus" dos restaurantes de São Paulo, regados a capitosos vinhos Tokay, pela mesa dos "formigões" raro gurgite vasto .

E suportou bem os três anos pela nova estrada de Damasco.

"Ah! ser nauta e pastor vosso, ó Pastor e nauta,
E, báculo ou timão na destra imóvel, ir-me,
Pegureiro confiante e lúcido argonauta,
Quer pelo undoso mar, quer pela terra firme,

Mostrar a estrêla d'alva aos ímpetos e às ânsias,
Levar às fontes da água viva ais e balidos
E ignorando no afã cansaços e distâncias,
Abrir de nôvo ao mundo os édens prometidos.
(...)
(Epitimese  — pág. 95, de Mistérios.) 
"Bati, boêmio estranho, às portas das cidades, 
Núncio da primavera a tiritar no inverno 
E envergando o burel humílimo dos frades, 
Contra o que é vão pus-me a pregar o que era eterno.
(...) 
 
"Impus silêncio ao meu verso revel de antanho
Sufoquei no meu peito as saudades e as mágoas 
E, pastor de almas, guiei vasto e esparso rebanho 
Nos pampas e marnéis, o seio estuando em frágoas. 
(...)

(O Lidador pág. 154 a 155, de Mistérios.) 
 SEMINÁRIO DE MARIANA

— VENCEU DURAS PROVAS

Venceu tôdas as provas que lhe impuseram, sempre firme no seu ideal de dedicar-se ao serviço de Deus.

Abraçou o ideal com verdadeira abnegação e sinceridade de seu coração. Viu amesquinhado o seu verdadeiro valor literário: um dia, seu pai, sem o conhecimento de Severiano, publicou em Ouro Prêto, no "Minas Gerais", quando deputado, uns sonetos primorosos do seu "Livro da Contrição e da Mágoa".

O jornal caiu nas mãos do seu professor de dogmática e diretor espiritual, Pe. João Chanavat, que considerou um escândalo para a modéstia de um seminarista.

Os sonetos poderiam ser subscritos por Santo Agostinho, cheios de contrição e humildade, por Santo Ambrósio e Davi mesmo, talvez, os incluísse entre os seus salmos penitenciais.

Mas isto lhe valeu uma terrível repreensão: "Rasgue esta versalhada tôda. Versos ruins não merecem publicidade."

Estêve prestes a manifestar sua revolta pela ignorância de seu monitor, mas, voltou-se, humildemente, para Cristo, e deixou-se humilhar, aceitando a repreensão. Queimou seus versos. O Bispo, D. Silvério, vendo sua saúde alterada, no meio de provações, que, suportadas com espírito religioso, o elevavam no conceito dos mestres, dos condiscípulos e do próprio bispo, que lhe conhecia o valor intelectual e moral, o aconselhara a ir para Congonhas, onde ficaria lecionando e esperando a ordenação.

ORDENAÇÃO EM MARIANA

Em 18 de dezembro de 1897, recebia a ordem do presbiterato em Mariana.
Logo depois, o bispo de Mariana, conhecendo-lhe as aptidões, entrega-lhe a redação do jornal da diocese "O Viçoso", que êle transformara numa mudança radical para o "O Dom Viçoso", à imitação do "La Croix" de Paris.

Foi ao Rio de Janeiro comprar nova maquinaria para a tipografia episcopal e, por essa ocasião, celebrou, na Igreja de São Francisco de Paula, missa para os seus antigos confrades de imprensa, com grande edificação de jornalistas, poetas e publicistas, constituindo-se uma verdadeira apoteose de Severiano de Rezende, celebrada nos diários da época.

PRIMEIRAS ATIVIDADES APOSTÓLICAS

Regressando a Mariana, deu-se de corpo e alma ao seu jornal, imprimindo-lhe a feição do seu espírito e caráter independente e franco, numa virilidade e entusiasmo raros.
Firme na fé e na defesa dos dogmas, com dedicação, sem limites, pela doutrina que pregava sobrava-lhe a audácia de enfrentar a todos, de combater o respeito humano, de profligar os erros e desvarios da nascente República, de arrostar os erros de sua terra, com inexcedível heroísmo, tendo como único ponto de apoio o cumprimento do dever.

Um incidente, porém, abateu-lhe o espírito, que outros revezes não puderam sofrear.

Tendo despedido das oficinas tipográficas de "O Dom Viçoso", um sobrinho do Bispo, D. Silvério, proibindo-lhe a entrada ali, o tipógrafo enfrentou-o de navalha em punho e depois criou-lhe terrível onda entre o povo da cidade e o clero. (Ver em Mistérios — O Lidador, pág. 155 e Palácio Episcopal, pág. 97)

Levado o caso ao conhecimento do Bispo, êste, ao invés de corrigir o sobrinho, dera-lhe ampla cobertura e proteção contra o Pe. J. Severiano.

Foi para o Pe. Severiano, tremenda decepção e desilusão amarga.

Feita a exposição dos fatos, depôs nas mãos do Bispo, a redação e administração do "O Dom Viçoso", indo para São João del-Rei, onde serviu por um biênio na Santa Casa de Misericórdia, levando vida recolhida, no cumprimento do seu dever de capelão, visitando os enfermos e cuidando dos órfãos, na catequese e formação. Evitava as rodas literárias de São João.

Mas, de vez em quando, cintilava o seu espírito e brilhava sua pena nos jornais da cidade do Rio e São Paulo.

No púlpito não gostava de brilhar e criara um certo preconceito ou complexo, que lhe prejudicara os méritos oratórios, no momento.

Mas, certa vez, assomou o púlpito da Matriz, em festividade, e parecia um verdadeiro Bridaine, profligando os males da época, num dêsses arroubos que não pôde conter, embora desejasse fugir ao despeito dos da própria classe, que viam nêle um competidor, o pô-los à margem.

OS DOIS SEVERIANOS

O progenitor de José Severiano de Rezende, já o mencionamos, foi Severiano Nunes Cardoso de Rezende, natural de São João del-Rei, onde, como professor de Humanidades, jornalista, político militante, no Parlamento de Minas Gerais, longos anos, quer no Império, quer na República e como administrador, deixou sulcos luminosos de sua passagem pela vida.
Fundou em São João del-Rei o Instituto de Humanidades, onde preparou discípulos que se tornaram eminentes nas Letras e no patriotismo.

Como jornalista, fundou em 1877 o "Arauto de Minas", depois, em 1890, "O Renascença" e, em 1895 fundiu-o ao "Resistente".

Teatrólogo — deixou-nos "Virgem Mártir de Santarém" — "Princesa de Minas" (revista) — "Santo Antônio das Águas" e "São Coisas".

Em São João del-Rei, terra de seu pai e onde viveu a infância e adolescência, (Pe. J. Severiano) sofreu decepções com os de sua classe e com as religiosas do Nosocômio, a que serviu. Sòmente uma religiosa de nome Filomena, foi a sua única defensora perpétua. A ela ainda êle se refere em últimos cartões escritos à sua irmã, Alice de Rezende Sanzio, em 1929:
"Ao te pôr no envelope os "Agnus Dei", uma freirinha gentil como Irmã Filomena m'os deu e vai rezar por mim.
Juca." (1929)

Depois das maiores decepções, foi para o Rio de Janeiro, onde começou a militar na imprensa e frequentar rodas literárias.

Há um folheto, muito bem escrito, em defesa dos "Beneditinos" do Rio, contra o Govêrno, intitulado "A verdade sôbre o caso Beneditino", de 1903. Houve no Rio de Janeiro incompreensões com as autoridades eclesiásticas. Chamado a atenção pelo Arcebispo Arcoverde, que não o via bem de voltas com a imprensa e o govêrno da época, etc., saiu com essa: "trabalho em jornais porque não desejo vender o sangue de Cristo...".

Mas lá, exerceu o ministério com grande atração nas altas rodas de cultura literária e nas classes cultas. Ignora-se como se deu o abandono de seu ministério sacerdotal  e sua mudança para Paris. 
"Eu mesmo não compreendo o cataclismo estranho
Que dispersou por êste mundo o meu rebanho.

E nada há mais pungente e desconsolador:
Viver desta saudade e morrer desta dor.

Que bruma me obumbrou o entendimento e os olhos
Para não ver que o mar se eriçava de escolhos!

Era a viagem tão longa, era distante o pôrto
E o coração diluiu-se em treva e desconfôrto."
(Epitimese — pág. 94, de Mistérios.)

"Convulsionaram contra mim tôrvas tempestas
E os bafos suportei dos mádidos bochornos,
Exalçando o meu nimbo acima das florestas,
Longe do escabujar bájulo dos subornos.

Da ampla panóplia astral nada agora me sobra
E nos escombros do meu Sonho os braços hirtos
Ergo e agito, a carpir a minha inútil obra,
Tôda ela a trescalar rosmaninhos e mirtos.

Mas, ó Anjos de Deus, chorai para que eu sinta
Na vossa dor imensa a minha imensa dor:
O ígneo gládio tomai que me tombou da cinta
E levai para o céu a alma do Lidador."
(O Lidador — págs. 155 e 156, de Mistérios)

ATIVIDADES LITERÁRIAS EM PARIS

Adido cultural da Embaixada Brasileira em Paris, lá viveu até à morte, aos 13 de novembro de 1931 e os seus depojos estão no mausoléu da Família Gary, no departamento de Aube, nos Pirineus.

Em Paris, fêz grande obra literária e frequentava as melhores rodas dos literatos de França, Portugal, Espanha, Itália, etc.

Escreveu no "Mercure de France", sob a epígrafe "Lèttres Brésiliennes", em que projetou com rara competência a literatura brasileira. Grande mérito seu, pouco reconhecido. Nunca pôde publicar os seus livros. O que se viu publicado foi obra de Mecenas (de São Paulo). Uma revista, "O Malho", escrevendo sôbre Severiano de Rezende, deu num clichê à sua Biblioteca, em Paris, duas salas grandes de prateleiras e armários, até em cima, de livros bem encadernados e ordenados, para seu uso habitual.

A Embaixada Brasileira em Paris poderia apoiar um trabalho sôbre a obra literária de Severiano de Rezende. Seria realizar o que dizia Gustave Le Bon, sôbre o patrimônio cultural de um povo, pôsto em realidade. Extrato da revista "Mercure de France" serve para ilustrar a biografia de José Severiano de Rezende.

No ano de 1930, escrevendo "Lèttres Brésiliennes" sôbre antologias de Cristovam de Mauricéa e Afonso Costa, para provar que "Le Brésil est terre de poètes", escreve: 
"L' Archevêque de Rio, dans une oraison-préface, invoque la grâce celeste en faveur des intellectuels brésiliens. Tout en m' unissant de grand coeur à cette prière magnanime, qui n' envisage que les vivants, je me permettrai d' émettre le voeu que Sa Grandeur ordonne quelques modestes suffrages pour ceux d' entre tous ces braves versificateurs, d' une fadeur indiscutable, sont une preuve de l' ambience catholique où baigne la masse brésilienne. Laissons-nous dire que Baalzeboub ne les a pas eut jusqu'à la fin. Mephistophèles n' a pas toujours le dernier mot, vous le savez bien.
Dêle, diz em 1931, o seu sucessor, na seção "Lèttres Brésiliennes", Manoel Gahisto: 
"(...) João de Rio (Paulo Barreto) ne put mener son projet à bonne fin, bien qu' il ait eu de le début en Severiano de Rezende, qui vient à son tour d' être brusquement enlévé aux Lèttres, un ami devoué et un commentateur perspicace et sûr, disposant d' un vocabulaire d' une rare étendue, chez les étrangers, et connaissant, avec finesse, la valeur d' un mot mis à sa place.
'Mistérios', où se reflêtent la diversité de ses lectures et l' intensité de sa vie interieure. Le conflit du Mal et du Bien le préocupait. Poète très personnel, bénédictin des Lèttres et jounaliste par sur croît, Severiano de Rezende qui s' était fait de nombreuses relations dans les milieux littéraires parisiens n' était, problablement, pas connu sous son vrai jour des écrivains de la nouvelle génération brésilienne... de Rezende ne quittait ni Paris, ni ses livres, eloigné de son pays depuis longtemps." 


OS ÚLTIMOS DIAS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE

Pelos idos de 1928 e 1929, José Severiano de Rezende, que se mostrou fraqueza moral na sua titânica luta entre o bem e o mal,
 
"E o pecado sôbre a minha alma se debruça,
E vendo-me a tremer, quêdo, pálido, exausto
Geme dentro de mim, dentro de mim soluça
Dentro de ti soluça e geme o Doutor Fausto."
(Pág. 63, de Mistérios.)
nunca perdeu a fé, recebida no batismo. Viva fé e ardente. Amava sinceramente a Cristo e sua Igreja. Consta que rezava sempre seu Breviário e o Rosário Mariano, como prova de seu amor filial à Mãe de Cristo e dos míseros filhos de Eva.

Sua irmã, Alice de Rezende Sanzio, a quem confidenciou que São José não o deixava vacilar na fé, recebeu cartas suas de Paris, em que revelava, entre notícias de sua saúde abalada, procurando a cura em Vichy, a sua total conversão, buscando a paz de espírito, da alma e do coração, em Retiros Espirituais de Paray-le-Monial, onde transbordou sua devoção ao Coração de Jesus e sua veneração à Santa Margarida Maria, a vidente admirável, retemperando sua Fé, Esperança e Caridade.

Falecido em Paris e sepultado no Departamento do Aube (Pirineus).

Interessa-se sua irmã pelos seus últimos momentos e pela sua "Hora Suprema", recorrendo ao jesuíta Padre Natuzzi, que, correspondendo com Paris, pôde dizer-lhe, um dia, que seu irmão tinha pedido os sacramentos da Igreja, como preparação para a sua morte.

A ela êle escreveu:
"Escrevo-te de Paray-le-Monial, depois de ter cumprimentado Nosso Senhor, exposto no mesmo lugar em que Êle apareceu à Santa Margarida Maria. Vão aqui duas medalhas, bentas aqui mesmo por um venerável ancião que (ilegível) amabilidade a ponto de achar bonitas as medalhas. Vou vechar a carta depois de ter adquirido os "Agnus Dei" que eu não tinha mais em Paris. Esperei vir a Vichy para chegar até aqui. Sigo para Paris na semana próxima, após a cura que foi boa. Volto à capela das aparições para dizer ainda umas coisas a Nosso Senhor. Há tão grande paz neste lugar, que a gente desejaria aqui ficar. Se Deus quiser, cá voltarei o ano vindouro... Teu irmão que te quer bem — José." 
Os seus restos mortais lá repousam, perto de Paris, e sob sua lousa fria podia haver uma inscrição que o Lidador mesmo preparara como tom profético e testamental.

"Mas, ó anjos de Deus, chorai para que eu sinta
Na vossa dor imensa a minha imensa dor:
O ígneo gládio tomai que me tombou da cinta
E levai para o céu a alma do Lidador." 
Seria o caso de começar um movimento no sentido de estudo profundo sôbre a obra literária deixada no exterior, pelo quase desconhecido poeta mineiro e êle, que sofreu sempre profundamente diante de qualquer injustiça, haja vista a "Questão Acadêmica", em São Paulo, o caso turbulento de Mariana e a "invidia clericalis" ¹ de São João del-Rei, sentiria um alívio de ver o Ministério das Relações Exteriores e o Govêrno de Minas fazerem justiça ao "Lidador" e ao "Cedro Ferido" ¹¹, numa verdadeira recuperação do seu nome nas letras mineiras e celebrando com o Centenário do seu nascimento a "Assumpção do Poeta", que êle dedicou a Olavo Bilac.

ALGUNS CASOS IMPRESSIONANTES 

Em Mariana, o redator de "O Dom Viçoso", sofreu uma luta terrível, provocada pelo sobrinho de D. Silvério e seus desafetos e quando uma bomba de dinamite, colocada debaixo de sua residência, em frente à casa do Conde de Assumar, não explodiu providencialmente, sua Família, de São João del-Rei, mandou para acompanhá-lo de volta à terra que o viu crescer, o cunhado, Carlos Sanzio de Avelar Brotero, vigoroso e vibrante jornalista, que no "O Resistente", de S. João, conta como foi saudosa e pesarosa sua saída de Mariana, entre cavaleiros que o acompanharam até Ouro Prêto, onde fôra chamado à Santa Casa local, pelo próprio autor da bomba de dinamite, com o braço todo entumescido dum estranho tumor, à beira da morte, para pedir-lhe perdão.

E, das janelas do velho Seminário de Mariana, o seu amigo, o Reitor Pe. Carnaglioto, a acenar-lhe um lenço branco, em despedida ao seu admirável discípulo amado.

Desde que fôra para o exterior, raras vêzes voltou ao Brasil e uma só vez a Belo Horizonte, onde seus amigos e admiradores o festejaram em Revistas, entre elas "Klaxon" ¹², editada por Álvaro Viana. 

Amizade forte o unia, desde Mariana, a Alphonsus de Guimarães, (dileto entre os diletos), que sempre se correspondia com seu amigo simbolista, também conhecedor profundo das Formas dos Sons, Senhor dos Símbolos e das Artes.

Conta Alphonsus que, ao passar pela Igreja de São José, em 1915, era sempre José Severiano de Rezende que o convidava a entrar e, por alguns momentos, permaneciam em piedosa oração.

BIBLIOGRAFIA DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE

1 - Cartas Paulistas — (sôbre a Questão Acadêmica), editadas na tipografia de "O Diário de Santos", em 1890 — raríssimo encontrar-se — opúsculo de 62 páginas.
2  -  Eduardo Prado: páginas de crítica e polêmica   ¹³ — N. Falconi & Cia Editôres, São Paulo, 1905.
3  -  O Meu Flos Sanctorum  — Livraria Chardron — Lello & Irmãos, Rua das Carmelitas, 144, Pôrto, 1908. Volume de 348 páginas, impresso na Imprensa Moderna, de Manuel Lello, Rua Rainha Dona Amélia, Pôrto (1ª série). Anunciava em preparação à 2ª série, maior ainda.
4  -  Mystérios com uma gravura, retrato do autor, a bico de pena de Belmiro de Almeida — Editôres: Livraria Ailland & Bertrand, Rua Garreto, 73 e 75, Lisboa, 1920, 205 páginas.
5  -  Coletânea de vinte e sete artigos da imprensa do Rio e São Paulo, feita por Norberto Jorge, em 1904, quando dirigia o Jornal Católico "A Palavra", predecessor da "Revista Santa Cruz", dirigido, mais tarde, por D. Helvécio Gomes de Oliveira, quando padre salesiano, em São Paulo.

NÃO EDITADOS  

1  -  Livro da Contrição e da Mágoa — queimado, como num auto de fé, no Seminário de Mariana, a mando da ignorância e falsa pedagogia. 
2  -  Em seu acervo abundante, ainda se encontram: "Ideias e Ideais", primeira série de crítica e polêmica. 
3  -  O Livro do Sacerdote, estudos de mística experimental, ambos anunciados em preparação na tipografia.

NOTA — Onde foram parar êstes originais???? 

Além desses volumes, colaborou, assìduamente, no "O Diário Mercantil" de São Paulo — nos "Annaes", na "Revista Brasileira", na "Revista Americana", dirigida por Arcanjo Jorge. 
Farta messe para vários volumes:
"Nababo das letras, espalhava-as à sua passagem pela vida, soberano e displicente."
"Tarefa das mais simpáticas seria aquela a que se impusesse o Govêrno de Minas, se outorgasse, confiando a alguém de capacidade e esfôrço do 'savoir-faire', a coletânea de tudo quanto José Severiano nos legou."

Vale a pena estudar o que escreveu no "Mercure de France", onde, além de um bom nacionalismo, apresentou ao estrangeiro a nossa ótima literatura, com imparcialidade, apontando o que é literatura e o que é almanaque.
Preconiza a denominação de Língua Brasileira ou Português no Brasil, em vista das influências afro-indígenas, do francês, do espanhol, do árabe, etc.

TRAÇOS BIOBIBLIOGRÁFICOS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE 

(SUGESTÃO) 

— Nascimento e Genealogia.
2 — Educação e Estudos - Desilusão.
3 — Primeira Conversão - A Fé — O Ideal — magro hipogrifo alado rocinante.  
4 — Seminário de Mariana - Prova — Provações Falsa Pedagogia.
5 — Ordenação e Apostolado — Decepção e vocação sincera.
6 — Atividades literárias — Artes e depois da conversão.
7 — Os dois Severianos — confundem-se ou fundem-se.
8 — Quómodo cecidisti, Lúcifer?  ¹  — conservou a fé.   
9 — Obras publicadas e preparadas — inéditos.
10 - Colaboração em Revistas — coletânea.
11 - Adido cultural em Paris — Família Gary.
12 - Última conversão — A Fé — Devoção a São José, a Maria Santíssima, ao Coração de Jesus — Breviário e Rosário.
13 - "O ígneo gládio tomai que me tombou da cinta. E levai para o céu a alma do Lidador."  A morte do Lidador. ¹

ESCREVERAM SÔBRE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE

1 — Manuel Viotti - um dos melhores biobibliógrafos. 
2 — João do Rio (Paulo Barreto).
3 — Agripino Grieco.
4 — Eduardo Frieiro - Belo Horizonte.
5 — Martins de Oliveira - Presidente da Academia Mineira.
6 — Andrade Muricy - Panorama da Poesia Simbolista Brasileira.
7 — Bento Ernesto Júnior - São João del-Rei.
8 — Waldemar de Moura Santos - Mariana.
9 — A. Lara Rezende - São João del-Rei.
10 - Miguel Angel Asturias (espanhol) - "O Correio da Manhã" - supl. literário - 1959.     
11 - Manoel Gahisto - "Mercure de France"- 1931.  
12 - João Alphonsus Guimarães Filho - Cartas de J. Severiano de Rezende a seu pai.

Uma revista moderna das Religiosas do Brasil (1969) dá o poeta como dos melhores do gênero do misticismo, superior a todos os de sua época.  ¹

Fonte: A Comunidade, Ano IV, janeiro de 1971, Nº 30, p. 8-9.



II.  NOTAS EXPLICATIVAS DE FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA  



¹   Inicialmente, gostaria de frisar que, neste artigo, é observada rigorosamente a grafia do autor, lamentando apenas que ele se esqueceu de mencionar a edição de "Mistérios", de onde extraiu os poemas. Por isso, fui obrigado a fazer correções de erros tipográficos dos poemas transcritos de acordo com a edição que utilizei, referenciada na Bibliografia. Sobre a biografia do Monsenhor Aquino, coletei as seguintes anotações:
Pe. Almir de Rezende Aquino (foto de 1950) 
(✯ São João del-Rei, 24/02/1917 ✞ Carmópolis de Minas, 18/06/2001)


[CINTRA, 1982, 68, 96 e 467] fornece as seguintes notas biográficas sobre Almir de Resende Aquino.
"Filho de Oscar Gonçalves de Aquino e de Inês de Resende Aquino. Estudou na Escola Estadual João dos Santos e cursou o Seminário de Mariana, ordenando-se a 30/11/1941, na Igreja do Carmo. A 2/12/1941 oficiou na Matriz do Pilar a 1ª missa solene. Foi coadjutor em Lafaiete, vigário em Barra do Piraí, onde promoveu Congresso Eucarístico. Organizou a Paróquia de S. José, em Monlevade, e exerceu o cargo de pároco substituto de Santa Bárbara e de pároco de S. José, em Barbacena. Foi vigário de N. Sra. do Pilar da terra natal de 4/4/1948 a 13/1/1967. A 6/11/1960 é instalada a Diocese de S. João del-Rei e posse de seu primeiro bispo, Dom Delfim Ribeiro Guedes, tendo o Cônego Almir, na qualidade de secretário ad-hoc, redigido a ata referente a essa cerimônia. A 3/9/1961, realiza-se a instalação do Cabido da Igreja-Catedral da Diocese de S. João del-Rei. De acordo com a Bula Pontifícia lida na ocasião, Cônego Almir foi empossado na dignidade de arcediago. A 9/2/1963, o Papa João XXIII confere ao Cônego são-joanense Almir de Rezende Aquino, pároco de Nossa Senhora do Pilar, o título de monsenhor. Foi um dos maiores batalhadores em prol da Coroação Pontifícia da imagem da Virgem do Pilar e da criação da Diocese de S. João del-Rei. Foi vigário forâneo da comarca eclesiástica do Rio das Mortes. A Santa Sé distinguiu-o com o cargo de arcediago do cabido da Catedral da Diocese de S. João del-Rei. Deve-se a Monsenhor Almir a restauração e conservação dos preciosos arquivos da Matriz do Pilar, cujos livros e registros guardam elementos importantíssimos para a história de Minas Gerais e de S. João del-Rei. Na ocasião que estas notas foram escritas Monsenhor Almir exercia o paroquiato de Carmópolis de Minas, cidade mineira que lhe concedeu o título de cidadão honorário."
Além dessas informações do historiador Cintra, consta que a população católica de Carmópolis de Minas deve ao Monsenhor Almir o mérito de ter levado o Hino usado pela Ordem Terceira do Carmo ("Salve ó belo!") em São João del-Rei para Carmópolis, tendo sido do agrado geral a tal ponto que foi considerado pelos Carmopolitanos o hino oficial de sua Padroeira. Consta ainda que "foi o Monsenhor Almir que, em 1954, pediu autorização ao então Papa Pio XII para coroar a imagem de Nossa Senhora do Pilar em nome dele. O Papa nomeou como seu representante Dom Helvécio Gomes de Oliveira, na época arcebispo de Mariana, que coroou a imagem", conforme entrevista concedida pelo atual pároco Pe. Geraldo Magela ao jornal local Gazeta de São João del-Rei. Sobre as festas da Coroação Pontifícia de Nossa Senhora do Pilar, [CINTRA, 1982, 428 e 430] registrou o seguinte: No dia 10/10/1954, "os católicos são-joanenses prestam piedosa recepção à imagem de S. Tiago Maior, da Cidade de S. Tiago. A imagem visitante, em carro de honra seguiu para a Igreja do Rosário. No altar votivo, armado nos fundos da matriz do Pilar, falaram: D. Rodolfo Pena, Bispo de Valença, Dr. Caio Nelson de Sena, Prof. Antônio de Assis Sobrinho e Dr. Ataliba Nogueira. As cerimônias foram programadas para as festas da Coroação Pontifícia de N. Sra. do Pilar." E, no dia 10/10/1954, dia da festa propriamente dito, "concluído o Pontifical, D. Helvécio, em nome e com autoridade de Pio XII, impõe a coroa de ouro na citada imagem, principal padroeira da Cidade e do Município de S. João del-Rei, por força do Breve Pontifício de 26/1/1951. À tarde, saiu a procissão triunfal de N. Sra. do Pilar, realizando-se diversas concentrações, durantes as quais discursaram: Dr. Elpídio Ramalho, Dr. Carmélio Teixeira, Pe. Flávio Carneiro Rodrigues, Dr. Mateus Salomé, Dr. Ataliba Nogueira e D. Oscar de Oliveira."

Fica evidente pelo comentado que o Monsenhor Almir tinha boas relações com a sua classe clerical. Observa-se ainda que ele era muito bem articulado com a classe política, conforme se pode depreender da participação de dois padres deputados federais atuando no programa da Semana Santa de 1960 como oradores sacros: Pe. Dr. Antônio de Oliveira Godinho e Pe. Dr. Benedito Mário Calasans. Cf. artigo de minha autoria in http://bragamusician.blogspot.com.br/2015/05/padre-godinho-pregador-na-comemoracao.html
Por ser amante das tradições e das festividades religiosas são-joanenses e sabedor de que as festas religiosas dependiam das bandas e orquestras, sempre apoiou as orquestras bicentenárias são-joanenses (Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense) e a banda Theodoro de Faria, a qual, graças a ele, teve o seu primeiro uniforme.
Através da Carta Mensal nº 62, referente a jan/fev 2002, o CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia lamenta a perda do sócio Monsenhor Almir de Rezende Aquino de Carmópolis de Minas, MG.
Monsenhor Almir faleceu em 18/06/2001 em Carmópolis de Minas e seus restos mortais descansam no Cemitério do Carmo em São João del-Rei. Ali se lê:

R.I.P. (Requiescat in pace)
Monsenhor Almir de Rezende Aquino 
✯ 24/02/1917 ✞ 18/06/2001
Ecclesiam Christi verum dilexit
Amou verdadeiramente a Igreja de Jesus Cristo

Entre suas obras destaca-se a seguinte: Álbum da Histórica Cidade de São João del-Rei - Sul de Minas (editado pelo atual vigário Pe. Almir de Rezende Aquino no Ano Santo de 1950).
Página d'Álbum da Histórica Cidade de São João del-Rei - Sul de Minas

²   Observa-se certa simultaneidade nas decisões de José Severiano de Rezende e de Alphonsus de Guimarães, ambos poetas simbolistas. Alphonsus também segue para S. Paulo em 1891, onde se matricula no curso de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco. Aí permanece até 1892. Nos dois anos seguintes vamos encontrá-lo cursando a recém-criada Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, em Ouro Preto, onde se gradua bacharel em Direito.

³    A Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais foi instalada em 10 de dezembro de 1892. A sessão solene de instalação, realizada no prédio da Câmara dos Deputados, em Ouro Preto, foi presidida pelo diretor-presidente Afonso Pena, que era o presidente do Estado de Minas Gerais desde julho de 1892. Em 1894, J. Severiano foi contemporâneo do também poeta simbolista Alphonsus de Guimarães na mesma faculdade.
Esta faculdade foi transferida para Belo Horizonte em 1898.

   "Formigão" é o epíteto para seminarista.

   A citação toda é "rari nantes in gurgite vasto" (VIRGÍLIO: Eneida, I, 118), significando literalmente "poucos nadando no imenso abismo" e, de forma figurada, se referindo a "boas ideias naufragando num oceano de palavras".

  Cônego Raimundo Trindade (in Arquidiocese de Mariana. 2ª ed. rev. aum. Belo Horizonte: Imprensa Oficial v.2, p. 200) afirma que a desilusão com D. Silvério foi a causa determinante de seu afastamento. Outras hipóteses foram levantadas: uns, como por exemplo Carlos Maul, aventam que Severiano tenha sido suspenso das ordens; outros, que abandonou o sacerdócio decepcionado com a hipocrisia de sua classe clerical.

   Retirar-se para Paris era moda entre os literatos brasileiros que viam essa cidade como único centro civilizador da humanidade. Assim, no dia 28 de novembro de 1907, aos 36 anos de idade, solicitou passaporte para viagem à Europa, definitivamente afastado da hierarquia da Igreja.

   Minha tradução, com a ressalva de que havia claramente alguns erros tipográficos no jornal: 
"O Brasil é terra de poetas 
O arcebispo do Rio, numa oração-prefácio, invoca a graça celeste em favor dos intelectuais brasileiros. Enquanto me uno, de bom grado, a essa oração magnânima, que só contempla os vivos, tomo a liberdade de exprimir o desejo de que Sua Excelência Reverendíssima ordene alguns modestos votos para esses dentre todos aqueles bravos verificadores, de uma              falta de gosto indiscutível, sendo uma prova do ambiente católico onde banham as massas brasileiras. Ouve-se dizer que Belzebu não os possuiu até o fim. Mefistófeles não teve sempre a última palavra, claro."

⁹  Minha tradução, com a ressalva de que havia claramente alguns erros tipográficos no jornal: 
"(...) João do Rio (Paulo Barreto) não pôde levar seu projeto a bom termo, embora tenha tido em Severiano de Rezende seu iniciador, que, por sua vez, acaba de ser bruscamente colhido das Letras, um amigo devotado e um comentarista perspicaz e seguro, que dispunha de um vocabulário de raro alcance, entre os estrangeiros, e que conhecia, com fineza, o valor duma palavra posta no seu lugar.
"Mistérios", onde se refletem a diversidade de suas leituras e a intensidade de sua vida interior. O conflito do Mal e do Bem o preocupava. Poeta muito pessoal, beneditino das Letras e jornalista decerto crente, Severiano de Rezende que fez inúmeras relações nos meios literários parisienses não era amplamente conhecido talvez dos escritores da nova geração brasileira ... de Rezende não abandonava Paris nem seus livros, afastado de seu país há muito tempo."

¹⁰ Trad. inveja clerical. Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG, considera que "a inveja, o ciúme e a busca do poder entre alguns membros do clero maculam a imagem do Reino de Deus e da Igreja de Jesus Cristo." Acesso em 20/07/2015 ao site http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/eurico/249.htm

¹¹   "Cedro Ferido" é um dos poemas de Mistérios. Por sua importância, cumpre transcrevê-lo aqui na íntegra com os comentários pertinentes da poetisa Henriqueta Lisboa mais abaixo. Inicialmente o convido a observar a identificação do eu poético com o cedro ferido:


O raio desferiu-lhe de alto a baixo o golpe rudo
E o cedro de alto a baixo não tremeu.
Vi-o na luminosa manhã flexuoso e membrudo
E disse: ó cedro, o teu destino é o meu.

De cima sobre ti ruiu indômita a fôrça bruta
Desencadeada pelos anjos maus
E nem sequer te estremeceu a esplêndida voluta
Em meio ao tôrvo e tenebroso caos.

No torvelinho túrbido silenciaste altivo
E no silêncio te quedaste só.
E quando o sol te fez brilhar o domo redivivo,
Em tôrno tudo era desfeito em pó.

Rachou-te a faísca, sutil e célere secure,
E certeira, do vértice ao sopé,
Verteu-te no âmago e no cerne a chama que combure
E tu, ó cedro, continuaste em pé.

E assim permaneceste, ínclito, senhorial, augusto,
Envolto de mistério e de ideal,
E em derredor tudo era espanto em ver-te, ó cedro adusto,
Erecto, impávido e monumental.

Dominavas excelso o bosque todo e o imenso plano
Por onde o rio suave e manso flui
E relembrei que no insofrido e fero embate humano
Ferido assim como tu fôste eu fui.

E a fronde espalma estende além a cúpula virente,
Em que sopram gemendo os vendavais
E nos teus braços de Briaréu esfuzia o fremente
Alvissareiro enxame dos pardais.

Tempos depois no entardecer do outono sonolento,
O teu porte solene eu contemplei:
Eras o mesmo sempre no teu vasto isolamento,
Ó gigante imemorial, ó Rei!

Sofres, e o teu sofrer é um secreto penar de Anfortas
Incoercível como o de Prometeu:
Tu só no teu martírio secular te reconfortas
E, ó Cedro, eu sei que o meu destino é o teu.

Henriqueta Lisboa, na introdução à edição de "Mistérios" de 1971, pelo Centro de Estudos Mineiros da UFMG, nas p. 6-7, concluiu com a serenidade que lhe é peculiar: 
"Depoimento particular a transmitir uma realidade psíquica em que se inserem imaginação, sentimento e inteligência em choque com o mundo exterior, êste poema não apresenta figuras de adôrno; o objeto contemplado encarna, em tôda a extensão, mesmo a visível, a aparência e as experiências do homem: atitude erecta, dor, orgulho, segurança, gôsto mórbido de sofrer como reação ou represália — fenômeno peculiar ao artista de fundo romântico. O pensamento nuclear circunscrito à combustão do corpo que arde, produzindo luz e calor, aparece veladamente, diluído na órbita do simbolismo. As inovações do ritmo, com versos de 14 sílabas combinados com decassílabos normais, avançam a caminho do verso livre, ou sem compromisso métrico. A forma corresponde exatamente aos impulsos de um temperamento ressentido e forte, com necessidade de afirmação.  
De fato, Severiano de Rezende levou vida difícil, repleta de incompatibilidades consigo mesmo, de incompreensões do e com o meio social, mormente o que escolhera no entusiasmo da juventude, o da igreja católica. 'Sacerdos in aeternum', êle arrasta pela vida o estigma de um engano inicial de vocação. Ou terá sido infiel a essa vocação, por excesso de soberba, intransigência e intolerância? Homem de fé, cristão de sentimentos inalienáveis e ardentes, rompeu caminho a seu modo, impugnando o êrro e a hipocrisia, pagando tributo pelos próprios desacertos, buscando messiânicamente uma solução salvadora não apenas para sua alma como para a humanidade. Poesia ontológica, esta, em que se planifica o ser na qualidade de ser, marcado por suas origens e afeiçoado a seus fins. Não são comuns na literatura brasileira tais preocupações superiores e lucidez de ordem ética. A obra não é moralizante por intenção e desvirtuamento da finalidade precípua da arte, mas sim de categoria moral por ser altamente humana. O poema em aprêço, síntese de evento superado, itinerário previsto e trajetória cumprida, é histórico sem ser episódico, faz-se confessional através da auto-crítica e aporta conceitos sem a proposição do evidente. É uma revelação do verbo e não do pensamento lógico. Sem ser totalmente místico, o autor se distingue por uma espiritualidade em ascensão, lembrando espiral barrôca, os sentidos ainda presos à carnalidade, aos apelos e anelos naturais. Situação insolúvel, carregada de dor e tristeza, sempre com alusão 'à saudade sem fim que o homem tem da virtude'."
¹²  Parece ter aqui havido um deslize de Monsenhor Aquino  ao citar Klaxon como a revista de Álvaro Viana que editava versos de Severiano. Como sabemos, Klaxon foi a revista do Modernismo brasileiro.
O que me consta é que "Horus" era o nome da revista literária lançada em 1902 e dirigida por Álvaro Viana, o grande agitador do movimento simbolista em Belo Horizonte.
[PAGANINI, 2000, 100] anota as seguintes informações: "Em Horus, que teve apenas dois números, o primeiro em julho e o segundo em agosto de 1902, colaboraram Alphonsus de Guimaraens (assinando ainda Vimaraens, ou sob o pseudônimo de Vicomte Antoine de Grandeuil), o Padre José Severiano de Rezende, Edgard Mata, Álvaro Vianna, Alberto Ramos, A. Batista Pereira, Guerra Duval, Freitas Vale (sob o pseudônimo de Jacques d'Avray) e A. de Vianna do Castelo." Esse grupo simbolista mineiro se autodenominava "Jardineiros do Ideal".
E continua: "Outro fato digno de nota foi a colaboração de dois poetas que concorrem pelo título de introdutores do verso livre na poesia brasileira: Guerra Duval e Alberto Ramos. Entre os colaboradores mineiros, distinguiam-se o Padre José Severiano de Rezende e Edgard Mata. Segundo Andrade Muricy, Severiano de Rezende é, depois de Alphonsus de Guimaraens, o maior poeta simbolista mineiro (MURICY, 1951:67). Já Edgard Mata era considerado, pelos próprios colegas, nas palavras de Eduardo Frieiro, "o melhor e o mais original talento poético do grupo" (FRIEIRO, 1955:309)."
Pouco depois, comenta: "O uso do francês marcou a revista Horus de forma definitiva e, mesmo os poetas que optaram por escrever em português, mostram traços de influência francesa, como é o caso de Alphonsus de Guimaraens, em AEIOU, uma surpreendente recriação do poema Voyelles, de Rimbaud."
E, finalmente, arremata com a seguinte afirmação: "O horror ao profanum vulgus conduzia os 'Jardineiros' a buscar uma existência incomum e a produzir textos como se vivessem na Europa. Criavam uma literatura idealizada, colocada acima das vulgaridades, buscando criar a ilusão de não-brasilidade. Esse aristocratismo não os deixava perceber a dificuldade de ter um leitor de elite como alvo e tentar manter uma revista literária em Belo Horizonte, uma capital provinciana."

¹³  Eduardo Prado é uma espécie de manifesto católico-monarquista que reúne os reelaborados artigos que Severiano publicou no Correio da Manhã, escritos para festejar a conversão do escritor paulista ao Catolicismo. Na capa do volume saiu impressa como epígrafe a citação extraída de Balzac: Le Catholicisme et la Royauté sont deux principes jumeaux. (Trad. O Catolicismo e a Realeza são dois princípios gêmeos.) Embora a obra não traga a data de sua publicação, é provável que tenha sido em fins de 1904.
Em fevereiro de 1905, Severiano enviou carta a Machado de Assis, manifestando seu interesse de participar do concurso à vaga de José do Patrocínio na Academia Brasileira de Letras e indicando como sua bagagem literária apenas o livro Eduardo Prado: páginas de crítica e polêmica, bem como publicações esparsas na imprensa à espera de tempo propício para serem reunidas em volume. Finalmente, no dia 31 de outubro, ocorreu a votação para a vaga na ABL. Eram três os candidatos à vaga: o Pe. Severiano de Rezende, Domingos Olímpio e Mário de Alencar. Contrariamente ao esperado, não venceu Domingos Olímpio que era um escritor maduro, consagrado pela crítica, que acabava de lançar o romance Luzia-Homem, além de ser o diretor da revista Os Annaes. Venceu Mário de Alencar, escritor em início de carreira, mas filho de José de Alencar, apadrinhado pelo Barão do Rio Branco e pelo próprio Machado de Assis.

¹    Citação latina no poema "A Lúcifer". (Trad. Como caíste, Lúcifer?)

¹   Correspondendo aos dois últimos versos do poema "O Lidador". 

¹   É importante ressaltar ainda que a Academia de Letras de São João del-Rei homenageou José Severiano de Rezende, ao nomeá-lo patrono da cadeira nº 19, atualmente ocupada pelo Acadêmico Éric Tirado Viegas. A nossa Academia foi criada pelo Decreto Municipal nº 620, de 8 de dezembro de 1970, tendo ocorrido a sua instalação  em 21 de janeiro de 1971, mesmo ano em que se comemorou o centenário do nascimento de José Severiano de Rezende e que culminou com o lançamento de nova edição do seu livro "Mistérios", patrocinado pela Prefeitura Municipal de São João del-Rei.




III.  REFERÊNCIAS  BIBLIOGRÁFICAS



AQUINO, A.R. Pe. (ed.): ÁLBUM DA HISTÓRICA CIDADE DE SÃO JOÃO DEL-REI - Sul de Minas, Aparecida-SP: Oficinas de Arte Sacra, 1950, [sem paginação].
 
CINTRA, S.O.: EFEMÉRIDES DE SÃO JOÃO DEL-REI, 2 vol., 2ª edição, 1982, 622 p. 


LIMA JÚNIOR, Renato Rodrigues: "O Refratário e Abnegado Pe. Severiano de Rezende". UNICAMP. Campinas: Biblioteca do Instituto de Estudos da Linguagem, 2002, 218 p. Acesso em 20/06/2015 ao site http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000334484


MINAS GERAIS. São João del-Rei. A COMUNIDADE, São João del-Rei. 30 edições, de 1968 a 1971, periodicidade mensal.

MINAS GERAIS. Belo Horizonte. REVISTA FACULDADE DE DIREITO UFMG. ARNAUT, Luiz: A faculdade, o direito e a república. Rev. nº 60, p. 523 a 546, jan/jun 2012. Acesso em 20/06/2015 ao site http://www.direito.ufmg.br/revista/index.php/revista/article/view/P.0304-2340.2012v60p523

MINAS GERAIS. Belo Horizonte. CALIGRAMA. PAGANINI, L.A.: O francesismo na revista Horus. Rev. nº 6:99-111, julho 2001. Acesso em 20/06/2015 ao site http://periodicos.letras.ufmg.br/index.php/caligrama/article/view/345

REZENDE, J.S.: MISTÉRIOS. Centro de Estudos Mineiros. UFMG. Belo Horizonte: Imprensa da UFMG. Edição comemorativa da Reitoria da UFMG, 1971, 219 p.


IV.  AGRADECIMENTOS


Dirijo meus agradecimentos à minha esposa Rute Pardini pela obtenção das fotos constantes do artigo, bem como às funcionárias da Biblioteca Batista Caetano de Almeida por sua disponibilidade em facilitar meu trabalho de pesquisa no seu recinto.