terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Carta de mãe para filho

Por Celina dos Santos Braga (1928-2014)
 
São João del-Rei, 2 de abril de 1970 
 
Meu querido filho, 
 
Não queria lhe escrever, pois sabe que sou pessimista, embora lute contra essa tormenta. Os meus dias transcorrem monótonos, pois novos motivos dia a dia surgem à minha frente. 
 
Tomei uma resolução de silenciar. Não de derrota, mas de reflexão e esperança de dias melhores. E eles virão, bem sei, pois há na minha vida uma luz maravilhosa que brilha nos momentos difíceis e não me deixa sucumbir. É a luz da Fé. Esta Fé que recebi de meus pais, herança benfazeja e inigualável, que às vezes quer apagar como a chama de uma vela ao vento, mas que, com o auxílio de Deus e de muitas circunstâncias felizes qual oxigênio, deu vida a esta chama e a mantém acesa. 
 
É que a gente não tem olhos para ver as coisas pequenas que fazem a felicidade; coisas lindas que acontecem todo dia. O sorriso das crianças, o desabrochar das flores, o deslumbramento de um dia que nasce, o crepúsculo, a emoção de ouvir uma música predileta ou a leitura de uma carta de um amigo, etc. 
 
Saí da rotina, mas desejo de coração que esteja bem de saúde e de estudos. Com muita saudade, despede-se sua mãe com um abraço carinhoso e pede a Deus que o abençoe, 
                                                                                                                                         Celina
 
Final da carta de minha mãe (detalhe: excelente caligrafia!):
 
 

 
 
De seu arquivo de fotos: 

Celina no naipe de sopranos no início da década de 80, a última à esquerda da primeira fila - Coral do Colégio Nossa Senhora das Dores 



Recorte de Celina tirado da foto acima

 
II. AGRADECIMENTO 

 
À minha amada esposa Rute Pardini Braga pela formatação do registro fotográfico utilizado neste trabalho.