Por Celina dos Santos Braga (1928-2014)
São João del-Rei, 2 de abril de 1970
Meu querido filho,
Não queria lhe escrever, pois sabe que sou pessimista, embora lute contra essa tormenta. Os meus dias transcorrem monótonos, pois novos motivos dia a dia surgem à minha frente.
Tomei uma resolução de silenciar. Não de derrota, mas de reflexão e esperança de dias melhores. E eles virão, bem sei, pois há na minha vida uma luz maravilhosa que brilha nos momentos difíceis e não me deixa sucumbir. É a luz da Fé. Esta Fé que recebi de meus pais, herança benfazeja e inigualável, que às vezes quer apagar como a chama de uma vela ao vento, mas que, com o auxílio de Deus e de muitas circunstâncias felizes qual oxigênio, deu vida a esta chama e a mantém acesa.
É que a gente não tem olhos para ver as coisas pequenas que fazem a felicidade; coisas lindas que acontecem todo dia. O sorriso das crianças, o desabrochar das flores, o deslumbramento de um dia que nasce, o crepúsculo, a emoção de ouvir uma música predileta ou a leitura de uma carta de um amigo, etc.
Saí da rotina, mas desejo de coração que esteja bem de saúde e de estudos.
Com muita saudade, despede-se sua mãe com um abraço carinhoso e pede a Deus que o abençoe,
Celina
Final da carta de minha mãe (detalhe: excelente caligrafia!):
De seu arquivo de fotos:
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Celina no naipe de sopranos no início da década de 80, a última à esquerda da primeira fila - Coral do Colégio Nossa Senhora das Dores |



