domingo, 15 de abril de 2018

CARTA A MEU PAI


Por Elizabeth dos Santos Braga

Meu querido papai, Roque da Fonseca Braga (15/4/1918-26/9/1984)


Querido Papai,

já se vão tantos anos desde que nos despedimos prematuramente, pelo menos da imagem que nos permite a retina, do abraço que nos permite o tato. Mas, como já disse certa vez, sua imagem interna se transforma e continua a acompanhar a minha vida, seus braços a me sustentarem nos momentos mais difíceis.

Tantas lições... Seu espírito compenetrado, sua dedicação ao trabalho, seu jeito de ser: discreto, firme, organizado, pontual, zeloso, humilde, honesto. Sua paciência com as doenças e o sofrimento.

Nunca o vi conversar com gosto com quem não gostasse, mas também nunca o vi tratar a ninguém com indiferença ou fazer distinção entre as pessoas. Mão aberta, homem de muitos silêncios, decerto muitas lembranças.

Memórias da infância na fazenda, do sobrado na Rua Santo Antônio, do "Vô", da "Vó", dos irmãos que o deixaram mais cedo ainda e deixaram tantas marcas.

Saudades das tardes de sábado ouvindo Tonico e Tinoco, Pedro Bento e Zé da Estrada, Teixeirinha, Inezita Barroso...

“Fizemos a última viagem, foi lá pro sertão de Goiás...”

“Nestes versos tão singelos, minha bela, meu amor, a você quero contar o meu sofrer, a minha dor...”

Saudades dos casos arrepiantes contados na mesa da copa, depois da janta – “as orelhas do Januário Garcia”, “o Paulino e o baile em Carrancas”...

Saudades...
de viajar de trem ou Rural para a "Mina",
de assistir Cabocla ou Lampião e Maria Bonita,
de ir aos aniversários nas casas dos tios,
de almoçar no Ramon,
de comer pastel do Pedro,
de ver o desfile de carnaval na arquibancada...

Seu espírito “do contra”, sustentando posições críticas – de política, religião, futebol e outros assuntos – arejou bastante nossa criação e deu outros parâmetros.

Obrigada pelo incentivo nos estudos, pelo apoio nas iniciativas, pelo exemplo, pela coragem.

Tantos anos se passaram, mas, se eu olhar para a esquina, ainda vejo sua mão a me acenar antes de virar, ou se eu estiver indo, sua espera na porta, antes que eu vire.



São João del-Rei, 15/4/2018. 



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Eis algumas fotos tiradas durante e após a Missa de 100 anos de Roque Braga:


São José, por quem Roque Braga tinha profunda devoção - Crédito: Elizabeth dos Santos Braga
A soprano ficou responsável pelos cantos litúrgicos a cappella - Crédito: Beatriz Braga Coelho






Bruno, Celina Maria e Luzia Rachel - Crédito: Elizabeth dos Santos Braga

 Rute Pardini interpreta solo "Magnificat" de Monsenhor Marco Frisina


Luzia Rachel e Tânia - Crédito: Beatriz Braga Coelho









Elizabeth, Rosângela e Rute - Crédito: Beatriz Braga Coelho
Celso, Elizabeth, Edison, Rafael, Valéria, Antônio Sérgio e Bruno - Crédito: Beatriz Braga Coelho
Geraldo, Rafael, Toninho e sua esposa - Crédito: Elizabeth dos Santos Braga
Luzia Rachel, Anete, Fátima, Marta, Elizabeth, Magda e Celina Maria - 
Crédito: Beatriz Braga Coelho
 
Carlos Fernando - Crédito: Beatriz Braga Coelho

 

Secretária "Fota" e vizinho "Quati"
Querido vizinho "Quati" da rua das Flores