Por Vamireh Chacon *
Transcrevemos o ensaio intitulado Tragédia e equívoco de Stefan Zweig pelo notável pensador pernambucano, extraído da seção Viajantes Diferentes do seu livro “O Humanismo Brasileiro”, São Paulo: Summus Editorial: Secretaria da Cultura, 1980, pp. 248-257.
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| VAMIREH CHACON de Albuquerque Nascimento (✰ Recife, 01/02/1934 ✞ Brasília, 18/09/2023) |
Um importante capítulo da História das Ideias, a ser ainda estudado no Brasil, é o da imigração de intelectuais europeus, antes e durante a II Guerra Mundial. Nunca eles acorreram em tão grande quantidade, e não só qualidade, à América Latina, quanto naquelas difíceis décadas.
Alguns ficaram, outros não puderam adaptar-se. Porém todos davam a sua contribuição, com frequência de longo alcance, à Cultura brasileira. Eram Otto Maria Carpeaux, Anatol Rosefeld, Ziembinski, Georges Bernanos, Paulo Rónai, Robert Garric, Fortunat Strowski e Claude Lévi-Strauss, entre outros. Além dos que quase permaneciam, à maneira de Jacques Maritain, que teve suas possíveis ilusões de retorno, ao país que tanto o festejou, dissipadas por posterior chuva de ataques injustos. Ou os que quase vieram, ao modo de Thomas Mann, cujo passaporte teve o visto negado pelo Estado Novo, sob o argumento de que se tratava de um extremista. ¹
O mais trágico de todos foi Stefan Zweig.
Apesar de judeu, o que podia ter atraído as iras também da Embaixada Alemã já respondendo pelos austríacos após o "Anschluss", Zweig não tinha envolvimentos políticos e dispunha de muito dinheiro. Foi o intelectual melhor realizado, materialmente, na sua geração. Chegou até a fazer fortuna pessoal. Traduzido em vários idiomas, ajudava inúmeros confrades exilados, com generosidade e simpatia.
Em 1936, o acaso trouxe-o ao Brasil, pela primeira vez. País que logo o fascinou e seria o palco do último ato da sua vida.
O ensejo era o congresso do PEN Clube em Buenos Aires, ao qual compareceu um grupo heterogêneo de escritores, desde Georges Duhamel a Jules Romain, que brigavam pela sua presidência, a Emil Ludwig, Jacques Maritain e o próprio Stefan Zweig, entre outros.
De passagem pelo porto do Rio de Janeiro, em agosto daquele ano, fora recebido no cais por representantes do Ministério brasileiro das Relações Exteriores e da Embaixada da Áustria ainda operando, o que conferia à visita um caráter oficial. Pois estas autoridades tinham-lhe reservado uma "suíte" no Copacabana Palace Hotel e designaram um acompanhante para dar-lhe toda assistência, com carro de chapa branca e tudo.
Cumprindo solene programa, Zweig começou visitando o próprio Presidente da República, Getúlio Vargas, os Presidentes da Academia Brasileira de Letras e do PEN Clube do Brasil. Jantou com o Ministro das Relações Exteriores no Jockey Clube e fez conferências frequentadíssimas, embora em francês, no Instituto Nacional de Música e na Academia Brasileira de Letras, assistidas por cerca de duas mil pessoas, enquanto outras milhares se alongavam nas filas, em vão, por duas ruas vizinhas.
Escoltado, com honras, Zweig subiu a Petrópolis, que o encantou ("O mais belo lugar que já vi!"), e esteve em São Paulo. É natural que, após tantas celebrações, não se comovesse em Buenos Aires. ²
O ponto alto de sua passagem pelo Rio foi a conferência na Academia Brasileira de Letras, em 25 de agosto de 1936. Na sessão especial, com o Presidente Laudelino Freire e o Secretário Otávio Mangabeira à mesa, Stefan Zweig ouviu breve saudação de Laudelino e outra longa pelo acadêmico Múcio Leão.
Este começou lembrando a vocação de "globe trotter" do homenageado. Sem vinculá-lo à sofisticada herança cultural judia e vienense ("Minha capacidade de análise dos espíritos é reduzida, sr. Stefan Zweig", reconhecia Leão...), o orador resolveu desfiar uma descrição quilométrica e superficial das principais obras do visitante, com enredo, personagens e tudo. Mostrou-se deslumbrado com a sua ficção novelística e biografias romanceadas. ³
Vê-se nisto claramente a raiz do fascínio exercido pela divulgação cultural, ao alcance daqueles intelectuais autodidatas.
Concluindo, tímido e já sem erudição, Múcio Leão desculpava-se pela juventude, embora promissora, da América do Sul e previa "que o contato com a vida americana serve apenas, aos escritores europeus, para estimular-lhes o sentimento de europeísmo." O que despertaria a atenção deles, sobre nós, seria o exotismo do nosso "mundo semibárbaro"... ⁴
Após os agradecimentos de praxe, Zweig foi mais otimista que o orador. Egresso da Europa em vésperas de dilacerar-se de novo, noutro conflito mundial — "aquelas horas trágicas de dúvidas que, quais nuvens negras, pesam dias inteiros sobre nossos trabalhos, paralisando-nos a ação" — insinuou estar seu continente exausto e rumo a ser substituído por novos mundos como centro universal da Civilização. Enquanto isto,
“Persiste ainda, até certo ponto, no velho continente o erro de se encararem as regiões extra-europeias como colônias espirituais, às quais não se rende nenhuma homenagem. Ainda hoje não se quer compreender na Europa que a Humanidade não estacionou no século XIII e que as forças de equilíbrio do mundo dela se estão afastando.”
Ao mesmo tempo, no Brasil,
“recebeis a obra dos estrangeiros de braços abertos, não a afastais, não estais possuídos dessa reprovável xenofobia, que hoje torna a Europa tão moralmente odiosa.”
Pela primeira vez aparecia, em Zweig, o vislumbre do "país do futuro", tema de próximo livro dele.
Concluindo, confessava:
“O Brasil sempre foi para mim uma visão mágica".
Desde a infância, quando colecionava nossos selos remotos, até aquele instante de deslumbramento, de modo que, nas suas palavras,
“só me resta uma única coisa: voltar a esta terra maravilhosa!” ⁵
De retorno ao exílio em Nova York, Stefan Zweig não conseguiu mais sentir-se em casa senão no Brasil. Em carta à ex-esposa Friederike, com quem mantinha boas relações de amizade, declarava-o um país "incrível"...
Sempre inquieto, naquela encruzilhada de refugiados intelectuais, imaginou que os trópicos, tão amáveis para com ele, amenizariam sua angústia. Em agosto de 1940 regressava ao Brasil, desta vez na companhia da segunda esposa, Lotte.
A seu pedido, não houve então cansativas homenagens. Ele tinha tempo, viera para ficar.
Após visitar Abraão Koogan, seu editor, procurou os velhos amigos Jaime Chermont e Afonso Arinos de Melo Franco. Retomou os contatos com o PEN Clube, sob a presidência de Cláudio de Souza. Foi de novo a São Paulo e descobriu Ouro Preto. Permaneceu brevemente em Teresópolis e seguiu para outra visita a Buenos Aires, entre outubro e novembro de 1940, com breve escala em Montevidéu, sempre para pronunciar concorridas conferências.
Conhecendo, além do alemão natal, o francês e o inglês, como "grande europeu" que era na definição de Jules Romain, Zweig logo aprendeu castelhano e português, nos quais se tornaria expositor desembaraçado. A ponto de poder passear de bonde, na companhia de Leopoldo Stern que o sugerira, pelas ruas do Rio. Alfredo Cahn — tão devotado amigo, que acabou recebendo os apelidos de "Alfred Zweig" ou "Stefan Cahn"... — foi outro judeu que muito o ajudou no exílio, fazendo-o descobrir o Judaísmo. Pois, segundo o próprio Zweig confessava ao rabino do Rio de Janeiro, Lemle, não se sentia digno de participar de liturgias na sinagoga, pois não tinha aquela Religião e sim os seus sentimentos.
Em janeiro de 1941, Stefan e Lotte passaram por Salvador, Recife e Belém do Pará, rumo a uma breve visita aos Estados Unidos. Sua nova pátria era agora, definitivamente, o Brasil. No Hotel Taft, usando a biblioteca da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut, escreve Brasilien — Land der Zukunft em apenas três semanas, porque aproveitou muitas notas tomadas desde 1936. O panegírico Brasil — País do Futuro foi imediatamente editado, com prefácio encomiástico de Afrânio Peixoto, então outro príncipe das letras, valendo-lhe telegrama de felicitações inclusive de um Ministro de Estado. Não era para menos. Zweig professava ali o mais lisonjeiro entusiasmo para com o Brasil, suas paisagens e seu povo.
Mas o último livro de Stefan Zweig seria Die Well von Gestern (em português: O Mundo que eu vi), descrevendo o trágico arco da sua geração, extinta ao seu ver naquele setembro de 1939, quando irrompera a II Guerra Mundial. As suas notas biográficas sobre Montaigne ficariam incompletas.
De volta ao Brasil, alugou a casa nº 34 da rua Gonçalves Dias, no bairro das Duas Pontes em Petrópolis, onde terminaria os dias, ao lado de Lotte.
A então pequena cidade serrana pareceu-lhe uma Bad Ischl tropical ⁶, em vez de alpina. Lá também estava morando a poetisa chilena Gabriela Mistral, depois Prêmio Nobel. Ali ele terminaria de escrever O Mundo que eu vi, nostálgica autobiografia cheia de apreensões.
Seu último aniversário, o 60º, encontrou-o deprimido: ele sempre temera esta idade. Outrora escrevera: "Sessenta e um anos — uma idade quando a indiferença e a fadiga começam a invadir um ser humano, pois quanto tempo mais se pode ser eficaz e para quem?" Através da data, só anteviu "infernos e purgatórios".
Passou os últimos meses dedicado a meditar e escrever sobre Montaigne, "irmão em Destino", o pensador das senectudes iluminadas, novo estóico maior que os antigos. Adiara indefinidamente o plano de um livro sobre Balzac, o qual pretendeu, em certa fase, que seria sua obra-prima.
Era o fim do terrível ano de 1941, auge das vitórias do Eixo nazi-fascista, trazendo até ao Brasil os ecos dos triunfos da tirania, trombeteando a decadência final da Democracia acusada de "fraca", "podre" e "covarde". Em junho, Hitler ousara atacar a União Soviética, numa vã cruzada antibolchevique, já "em nome da civilização ocidental e cristã". Em dezembro, os militaristas japoneses desabavam em cima da esquadra dos Estados Unidos em Pearl Harbour.
Stefan Zweig vislumbrou o fim de todo um mundo por trás daquilo. Em carta a Friederike, escrevia com as apreensões do testemunho de tantos traumas, desde a derrocada da sua querida Europa, sob o tacão nazi-fascista: "Aqui tudo está calmo e quieto... mas também este país será envolvido algum dia... O tempo corre com assustadora rapidez." Assombrava-o a penetração totalitária no Brasil. Passou a receber ameaçadoras cartas anônimas e a tomar crescentes doses de tranquilizante para dormir.
Veio o Carnaval. Foi vê-lo nas ruas do Rio de Janeiro. A Terça-feira Gorda surpreendeu-o com as notícias do máximo avanço nazi-fascista na II Guerra Mundial, que ele erradamente imaginou como sendo apenas outra etapa de uma ofensiva final: os japoneses tomavam Singapura e os ítalos-alemães lançavam a derradeira ofensivas contra Suez.
Decidiu voltar às pressas a Petrópolis, com Lotte. Atravessando as ruas apinhadas, os mascarados troçavam deles, tão tristes, no meio dos confetes, serpentinas e músicas estridentes. Já na casa serrana, Zweig começou a escrever cartas de despedida, a partir do dia 18 de fevereiro de 1942. A primeira foi para o editor e amigo Koogan:
“Não me lamente; minha vida estava aniquilada há anos e sinto-me feliz por poder sair de um mundo enlouquecido e cruel. Guarde de mim uma boa recordação, sempre me orgulhei e fui grato à sua amizade fiel e devotada.”
Outras cartas seguiram: para Friederike, Jules Romains, René Fueloep-Miller e Afonso Arinos de Melo Franco, na fraternidade universal do afeto e da inteligência. Às autoridades locais de Petrópolis destinou mais algumas, postas na cabeceira cuidadosamente. Ao mesmo tempo, convencia Lotte a acompanhá-lo na última viagem, tarefa difícil, dado o temperamento mórbido e físico doentio da sua segunda esposa.
Entre suas derradeiras leituras, figurava este trecho de Montaigne, elogiando o suicídio na típica linha estóica:
“A morte não é a receita apenas para um mal e sim para todos... A mais voluntária das mortes é a mais bela. A vida depende da vontade de outros; a morte, da nossa.”
Rubem Braga ainda lhe telefonou. Stefan Zweig deu desculpas falsas para evitar o encontro. Preferiu dedicar os momentos finais a uma "Declaração", com o título em português e o texto em alemão, terminando assim: "Saúdo todos meus amigos! Que lhes seja dado ver ainda o amanhecer, após a longa noite! Eu, demasiado impaciente, parti antes." Entre meio-dia e quatro da tarde, de 22 de fevereiro de 1942, Stefan e Lotte tomaram doses maciças de Verona, dormindo para sempre.
O enterro foi solene. Petrópolis parou. O Brasil deu-lhe honras de chefe de Estado. Ao som de Haendel e das preces de um rabino, os corpos desceram ao túmulo cercado pelos ciprestes da Serra.
O mundo supreendeu-se com o gesto, principalmente os anti-fascistas, a quem parecia uma deserção. Thomas Mann, em nome de todos, deplorou-o. Mas seu irmão Heinrich entendeu a fraqueza do desespero. ⁷
Hoje Stefan Zweig parece uma figura menor. Naqueles tempos era diferente. Foi amigo de Rainer Maria Rilke, que lhe desejara muitas felicidades no início das suas numerosas viagens. ⁸ Romain Rolland esperou com ele construir "uma grande obra", "Uma Igreja acima de todas as igrejas", pacifisticamente tolstoiana, de modo que pudesse recomeçar — ou até começar mesmo — uma nova era religiosa, "no sentido autêntico". ⁹ Jules Romains nele viu o europeu por excelência, a partir da Germanidade universal ("Weltdeutschtum"), austríaca e humanista, Erasmo dos novos tempos, também de crise. ¹⁰ Fülöp-Miller registrou o recebimento da sua última carta, evocando efetivamente Montaigne a propósito da morte. ¹¹
Mas nem todas as vozes eram só de saudade.
Um judeu, Franz Werfel, e um católico praticante, Georges Bernanos, ¹² exprobaram seu gesto, por terem esperado contar com Zweig para a resistência anti-fascista até o fim.
O novelista e biógrafo romanceado, Stefan Zweig, outrora "best seller", paraíso dos autodidatas, entrou em declínio, porém sobrevive o jornalista de Tempo e Mundo (inédito em português: Zeit und Welt) e O Mundo que eu vi (Die Welt von Gestern), testemunho daquele século XIX se prolongando até ver-se liquidado em duas guerras mundiais.
Se o que escreveu merece grandes reparos,
“No caso de Zweig a morte não apenas completou a sua obra como a excedeu prodigiosamente, emprestando um formidável vigor de verdade e seriedade a todas e a cada uma das ideias que emitiu. Não há livro no mundo que represente com mais força o protesto de uma cultura assaltada pelo crime, do que aquele gesto duplo.” (grifo nosso)
"Revelação" e "advertência" nas palavras de Afonso Arinos de Melo Franco. "Um aviso trágico do que será o mundo se os bárbaros, que causaram a morte de Zweig, conseguirem dominá-lo." ¹³ (grifo nosso)
O desespero veio na penúltima hora. Meses depois, começava o refluxo nazi-fascista a partir de Stalingrad, El Alamein e Medway. Quem esperou, viu a luz no fundo daquele túnel, como a descobrirão outros que souberam confiar, sempre que necessário.
II. NOTAS EXPLICATIVAS
¹ Mostrei em pormenores a injustiça in Thomas Mann e o Brasil, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975, pp. 68-70.
² Prater, D. A.: European of Yesterday (A Biography of Stefan Zweig), Oxford at the Claredon Press, 1972, pp. 248 e 253-256.
³ "Homenagem a Stefan Zweig, na Academia", Suplemento Literário de A Manhã, Rio de Janeiro, ano II, nº 7, 1º de março de 1942, pp. 98-100.
⁴ Idem, p. 100.
⁵ Ibidem, p. 100.
⁶ Nota do gerente do blog: Assim como Bad Ischl era a renomada estância de veraneio oficial da corte dos Habsburgo — onde o imperador Francisco José I e a imperatriz Sissi passavam os meses de calor na Kaiservilla —, Petrópolis desempenhava exatamente o mesmo papel no Brasil, tendo sido fundada pelo imperador Dom Pedro II para ser a residência de verão da família imperial brasileira.
Além disso, Petrópolis oferecia um clima ameno que contrastava com o calor do Rio de Janeiro, por se achar ercada por montanhas, formações rochosas e vegetação densa. Esse cenário alpino remetia imediatamente o escritor às paisagens montanhosas de Bad Ischl e da região de Salzkammergut.
Além disso, Petrópolis oferecia um clima ameno que contrastava com o calor do Rio de Janeiro, por se achar ercada por montanhas, formações rochosas e vegetação densa. Esse cenário alpino remetia imediatamente o escritor às paisagens montanhosas de Bad Ischl e da região de Salzkammergut.
⁷Prater, ob. cit., pp. 290-296 e 308-344.
⁸ Carta a Zweig em 20 de setembro de 1917, in Der grosse Europäer Stefan Zweig, antologia de Hanns Arens, Munique, Kindler Verlag, 1956, p. 82.
⁹ "Briefe an Stefan Zweig", in idem, p. 91. Zweig confessava dever mais a Rolland, que a qualquer outra pessoa (p. 95). [Há o título "Briefe an Stefan Zweig" (Cartas para Stefan Zweig) como uma seção/capítulo específico dentro da antologia Der große Europäer Stefan Zweig, organizada por Hanns Arens e publicada originalmente em Munique pela editora Kindler Verlag em 1956 (e posteriormente reeditada pela S. Fischer Verlag)]
¹⁰ "Stefan Zweig, ein grosser Europäer", p. 325.
Nota do gerente do blog: Este é o título de um texto comemorativo e conhecido tributo sobre a vida de Zweig por Jules Romains.
Thomas Mann admitia ter sido também influenciado pelo Pacifismo de Rolland e Zweig, quase o convencendo, pois acabara achando o problema "insolúvel" ("Stefan Zweig zum zehnten Todestag", in ibidem, p. 373).
¹¹ "Erinnerungsblatt für Stefan Zweig", in ibidem, p. 205.
Nota do Gerente do Blog: A autoria é do escritor, jornalista e historiador cultural René Fülöp-Miller.
¹² Werfel em "Stefan Zweigs Tod" in ibidem, p. 282, e Bernanos em "Apologias do suicídio" in Vida e morte de Stefan Zweig, antologia de Raul de Azevedo, Rio de Janeiro, edição especial da revista Aspectos, 1942, pp. 98-100. Gabriela Mistral incorporou-se, da "nossa Petrópolis, que ele amava como quanto eu", aos hinos de saudade (ibidem, p. 93).
¹³ "Revelações de Stefan Zweig", in ibidem, p. 116.
Afonso Arinos de Melo Franco levanta a hipótese da influência de Lotte no suicídio do marido (A Alma do Tempo, Rio de Janeiro, Livr. J. Olympio, 1961, p. 387).
A primeira esposa de Zweig alongou-se nesta demonstração, por motivos óbvios, embora se tenha de reconhecer nela uma parte de razão, pois o segundo casal era claramente nevropata, ambos sujeitos a periódicas crises de depressão, agravadas pelo curso desfavorável da II Guerra Mundial (Stefan Zweig: o homem e o gênio, sua obra e a minha vida ao seu lado, São Paulo, Editora Universitária, 1945, pp. 323, 324 e 328-341). Ernst Feder dá outro testemunho da melancolia crescente dos últimos anos, e sobretudo meses, da vida de Zweig ("Recordações pessoais", Suplemento Literário de A Manhã, ob. cit., p. 104). Outro amigo, Léopold Stern, relata em pormenores a descoberta dos cadáveres (La Mort de Stefan Zweig, Editora Civilização Brasileira, 1942, sem ref. a local, pp. 24-27 e 96-99). Destes últimos, o biógrafo Prater recolheu muitas informações primárias. Fonte interessante e não usada é Cláudio de Araújo Lima, Ascensão e Queda de Stefan Zweig, Rio de Janeiro, Livr. J. Olympio Edit. sem ref. à data de publ. também escrita em pleno 1942. Araújo Lima insiste também na tendência depressiva de Zweig, agravada pelo "climatério" dele e pela presença da segunda esposa (pp. 167 e 168).
* Vamireh Chacon foi um dos mais brilhantes cientistas políticos, juristas, historiadores, professores e escritores brasileiros. Nascido no Recife, Pernambuco, dedicou sua vida ao estudo profundo da identidade nacional, da história política e das ideias sociais do Brasil. Sua formação acadêmica incluiu: graduado simultaneamente em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco e em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (FDR) em 1956. Concluiu seu doutorado em Direito também pela FDR em 1959. Obteve pós-doutorado pela Universidade de Chicago, nos EUA em 1960, tendo no mesmo ano concluído o ciclo de pesquisa focada na área de Sociologia do Desenvolvimento. Retornando ao Brasil, obteve o título de livre-docente na FDR. Posteriormente, realizou estudos de Sociologia na Alemanha, onde morou por cerca de quatro anos. Foi na UnB que consolidou grande parte de sua carreira, tornando-se Professor Emérito, tendo atuado como chefe do Departamento de Ciência Política e Decano de Extensão. Publicou mais de 30 livros ao longo de sua vida. Sua obra é caracterizada pela análise da formação da sociedade brasileira, com forte influência da Escola do Recife e do pensamento de Gilberto Freyre. Chacon era considerado um defensor do "iberismo brasileiro", analisando as raízes culturais ibéricas do Brasil em diálogo com a modernidade universal. Membro titular e fundador da Academia Brasileira de Filosofia (cadeira nº 39) e membro da Academia Pernambucana de Letras, Chacon recebeu as maiores honrarias das letras nacionais. Em 2014, foi o grande vencedor do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto de sua obra. A cooperação intelectual de Vamireh Chacon com o Senado e com os órgãos de editoração do parlamento remonta à década de 1970 e passando pela publicação de suas grandes obras oficiais nos anos 1990. Sua atuação como servidor em comissão do ILB encerrou-se em março de 2019.
III. BIBLIOGRAFIA adicional sugerida pelo gerente do blog
ALMEIDA, Paulo Roberto de: Stefan Zweig e o país que não chegou ao futuro, publicado pelo Blog de São João del-Rei em 20/04/2025
SCHWAMBORN, Ingrid: Stefan Zweig e suas viagens pelo Brasil, publicado pelo Blog do Braga em 17/01/2018
ZWEIG, Stefan: O mundo insone, publicado pelo Blog de São João del-Rei em 16/02/2025
_____________: JEAN JAURÈS, o socialista, publicado pelo Blog de São João del-Rei em 25/04/2025



2 comentários:
Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...
Prezad@,
Se você, assim como eu, é fascinado pela literatura da primeira metade do século XX e pelo impacto da Segunda Guerra na mente dos grandes intelectuais, a recomendação de hoje é indispensável. Refiro-me ao ensaio Tragédia e Equívoco de Stefan Zweig, do renomado cientista político e historiador Vamireh Chacon. Longe de ser apenas mais uma elegia ao autor austríaco, Chacon nos convida a um mergulho crítico: até que ponto a incapacidade de Zweig de compreender a política real e o avanço da barbárie ditou o seu trágico fim no Brasil? Uma leitura brilhante, que nos faz questionar o papel do intelectual em tempos de crise extrema. Fica o meu convite à leitura!
Link: https://saojoaodel-rei.blogspot.com/2026/09/tragedia-e-equivoco-de-stefan-zweig.html
Cordial abraço,
Francisco Braga
Gerente do Blog de São João del-Rei
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