sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

NO CAMINHO DO PROGRESSO


Por AVELINA MARIA NORONHA DE ALMEIDA

 

Os Governadores”, de José Joaquim Viegas de Menezes, Vila Rica, 1807 - Retrato gravado de Pedro Maria Xavier de Athayde e Melo (Governador e Capitão-General da Capitania de Minas Gerais, no Brasil) e de Maria Madalena Leite de Sousa Oliveira e Castro

...“omnis creatura ingemiscit et parturit.” (... o mundo geme em trabalho de parto de alguma coisa) - Rm 8:22

 

Comemora-se, no dia 5 de janeiro, a criação da Tipografia no Brasil, com o alvará de D. João de 5 de janeiro de 1808 liberando o funcionamento de gráficas no Brasil, o que havia sido até então proibido. Foi assim que surgiu a Imprensa Régia, no Rio de Janeiro, para imprimir documentos, decretos e livros. Logo depois passaria a circular, com informações oficiais, o primeiro jornal brasileiro, “A Gazeta do Rio de Janeiro

Porém, extra-oficialmente, a província de Minas Gerais já havia dado antes o primeiro passo concreto na tecnologia da informação, com José Joaquim Viegas de Menezes, um sacerdote mineiro, nascido em Vila Rica, que exerceu em sua vida as seguintes habilidades: gravador, pintor, impressor e ceramista. 

Embora tivesse saúde muito frágil, teve uma existência frutuosa como intelectual, artista plástico e cultor das artes gráficas. Um dia, o presidente da Província de Minas, Pedro Maria Xavier de Athayde e Melo, conhecedor das habilidades do sacerdote, chamou-o dizendo que gostaria de ver impresso um poema que recebera, como homenagem, de Diogo Ribeiro de Vasconcelos e o encarregava da tarefa. Padre Viegas alegou não poder executar a impressão porque havia a proibição da atividade de imprensa e que era severa a punição para quem ousasse infringi-la. Mas o governador insistiu e ainda disse que não se preocupasse com os riscos da impressão. “Oh! Se é só isso, não se aflija, tomo sobre mim toda a responsabilidade: mãos à obra, meu Padre.” 

Foi assim que, graças ao Pe. Viegas, Minas Gerais tem o pioneirismo na impressão oficial no Brasil, em 1807, imprimindo o poema de 14 páginas, utilizando a técnica da calcografia (chapa de metal fixa). Ao primeiro passo no setor tipográfico do brilhante sacerdote, seguiu-se o segundo, em 1821, pois foi o responsável pela criação da primeira tipografia no país, auxiliando um português residente em Vila Rica a fundir os tipos, construir o prelo e todas as outras peças para funcionar uma tipografia. 

Foram os primeiros tempos, em nosso País, de uma atividade que constitui importante fator de desenvolvimento, pela ampliação das possibilidades de comunicação e da disseminação da cultura entre os seres humanos. Pessoas como José Joaquim Viegas de Menezes, um nome quase esquecido nos dias de hoje, fazem, com sua força de trabalho e idealismo, sem medir esforços e sem temer dificuldades, o mundo caminhar. Assim contribuem para que isso se processe de forma positiva, fecunda e benéfica, pois, dia a dia... “omnis creatura ingemiscit et parturit.