sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Colaborador: Francisco GUSTAVO de Castro DOURADO


Francisco GUSTAVO de Castro DOURADO é baiano mas vive em Brasília há 43 anos. Foi fundador e diretor do Centro Acadêmico de Letras da UnB. É professor de Língua Portuguesa e de Literatura da Secretaria de Estado de Educação do Governo do Distrito Federal. Como poeta e escritor publicou, entre outros, os livros Phalabora, Linguátomo, Tupinambarbárie, ABC de Vladimir Carvalho, Antologia de Cordel, Educação em Brasília e mais de cem folhetos de cordel. Suas obras foram reconhecidas pela Unesco, pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e objeto de estudo dos pesquisadores Silvie Raynal, professora das universidades Sorbonne e Poitiers; e Mark Curran, da Universidade do Arizona. 

O escritor é membro pesquisador da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Em setembro, o Cordel foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan e Ministério da Cultura. Dourado é também presidente da Academia Taguatinguense de Letras, reconhecida como Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do DF. 

Dourado recebeu forte influência dos cantadores repentistas e dos poetas cordelistas desde a primeira infância. A cultura oral e a poesia popular, as histórias, contos e causos fizeram parte de sua formação inicial. Recentemente, lançou Cordelos (Dourado Editores), obra patrocinada pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), a qual traz 57 cordéis biográficos de grandes nomes da literatura, em homenagem à Língua Portuguesa. O escritor, crítico literário e diplomata Márcio Catunda, um dos prefaciadores do livro, afirma que “Cordelos homenageia os grandes escritores e escritoras que ofereceram a dádiva de seus talentos no altar da santa arte da palavra”. E destaca: “Com os instrumentos da métrica e da rima, o menestrel iluminado pela generosa verve do humanismo, canta para nos dizer que o exemplo dos grandes é o nosso júbilo”. 

Entre os laureados estão Camões, Fernando Pessoa e José Saramago (portugueses), Leandro Gomes de Barros, Patativa do Assaré e Gonçalo Ferreira da Silva (cordelistas populares) e Machado de Assis, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Hilda Hilst, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Cora Coralina, Oswald de Andrade, Rachel de Queiroz e Ariano Suassuna. E têm raridades como Maria Firmina dos Reis, primeira romancista negra brasileira; e Samuel Rawet, engenheiro que calculou os principais prédios de Brasília. A capa do livro é do artista plástico Toninho de Souza.

João Ferreira, escritor, professor e jornalista; professor titular aposentado da Universidade de Brasília(UnB), autor de vários livros, ensaios e artigos publicados, fez a seguinte apreciação do poeta no artigo "Brasília 50 Anos Vestida de Cordel", quando da comemoração dos 50 anos da fundação de Brasília com a publicação de textos da autoria de Dourado visando celebrar e homenagear uma cinquentena de figuras brasilienses dedicadas à arte, à educação e à literatura na sua obra "Brasília 5.0 Antologia de Cordel": "(...) A biografia de Gustavo nos relata que ele viveu o clima do cordel popular baiano da região de Recife dos Cardosos, Ibititá/Irecê, onde nasceu, assim como do sertão setentrional da Chapada Diamantina, Baixo-Médio São Francisco, Bahia, terra de Castro Alves. Desde o berço, dizem-no vozes biográficas fidedignas, acalentou-o o aboio dos vaqueiros, a cantilena dos martelos agalopados, as pelejas e o repentedos cantadores de feira. Sua infância foi ambientada no cordel popular. Ao entrar na Universidade essa inspiração popular foi desenvolvida em moldes próprios.
Gustavo notabilizou-se na composição da arte de cordel desde o tempo em que era estudante do curso superior de Letras da Universi
dade de Brasília quando aproveitava para declamar suas composições cordelistas junto de colegas e professores em quem tinha mais confiança. Gustavo ainda conheceu na UnB o prestígio que o cordel brasileiro ganhou na Universidade da Sorbonne graças ao trabalho de Raymond Cantel, que chamou a atenção dos franceses e da crítica internacional para a literatura de folhetos do Brasil, ou “littérature de colportage”. Interessado na literatura que cantava o mítico rei do cangaço Virgulino Lampião, e outros heróis, Cantel percorreu o Cariri cearense, a Paraíba e o Recife, e passou a vir anualmente desde 1950 para conferir no Brasil as novidades das gráficas de cordel e das feiras com a vontade de encontrar novos textos, novos autores e novas histórias de cordel.
Com a experiência cordelista da terra baiana, com o talento que tem e com as boas oportunidades que lhe deu a Academia, Gustavo tornou-se um criador de texto e um especialista em cordel. Com a insistência de quem conhece a arte pela raiz, tornou-se a figura número um do cordel erudito em Brasília
(...)."


O escritor Gustavo Dourado acaba de vencer o Prêmio Nacional Culturas Populares - Edição Selma do Coco, do Ministério da Cultura (MinC) pelo conjunto de sua obra, com o tema “O Cordel e a Literatura na Comunidade”. Foram divulgadas, nesta segunda-feira (22/10/2018), as 500 iniciativas populares vencedoras do referido Prêmio. Dourado recebeu nota 9,8, sendo reconhecido como "Mestre da Cultura Popular". A premiação visa fortalecer as expressões culturais populares brasileiras, tais como o cordel, a quadrilha, o maracatu e o bumba-meu-boi, entre outros. Dourado ficou entre os três mais bem colocados da região Centro-Oeste, liderou no DF e figura entre os principais do país.