quinta-feira, 23 de novembro de 2017

CÃO, NOSSO MELHOR AMIGO


Por Léa Sayão


Alegria geral.
Risadas e surpresa.
"Que inteligente", disse Bernardo. 

Abriram a porta.
Entraram em casa.
E o cãozinho ganhou um bife mal passado e carícias.

Pic-nic em família.
Ao amanhecer, Bernardo, seus pais e o cachorrinho foram para o campo. Um céu azul, um sol lindo. Passariam um dia alegre, pescando de barco e à tardinha voltariam para casa.

O banho do Snoopy foi na pia.
Bernardo conversava com ele como dois amigos...

Jogo de bola...
A mãe levou seu cavalete para fazer uma pintura...

Bernardo foi nadar, mas de repente, deu um grito...
Seu amigo fiel pulou dentro do rio, nadando até ele...
Era uma cobra d'água... que vinha à tona para esquentar-se ao sol...

Bernardo tentou nadar até a margem rasa, do acampamento, enquanto o cãozinho assustava a cobra que tentou enrolar o coitadinho, não deixando ele nadar...

Os pais de Bernardo, correram com uma toalha e fizeram-lhe aquela fricção!...

Depois... um leite quentinho, esquentado no fogareiro.

Graças a Deus, o cachorrinho estava salvo.
Mas quase que se afogava.
Foi uma tragédia.

Seis horas da tarde.
Hora de voltarem para casa.
Foi um dia cheio de surpresas e o susto foi dos maiores.
O amor e carinho pelo cãozinho aumentou.
Cresceu muito mais e agora também pelos pais de Bernardo que o reconheceram como amigo fiel. 

♧              ♧               ♧

"Quero passear um pouco...
Preciso de uma companheira..."

"Deixe de ser pão duro: uma vez por semana quero roer um osso e saborear uma gema cozida."

Quando Bernardo sarou, foi treinar o cãozinho, que crescia dia a dia: jogava uma bola e ele a trazia na boca.

Mais tarde...
"Casamento na família".
Mamãe, Snoopy precisa casar.
Já tem dois anos, diz Bernardo.
Sua namorada é uma cadelinha, sapeca, do vizinho! 

No clube foi a recepção.
Bolo e ossos...
A noiva de véu e grinalda e com o buquê nas patinhas. 

O noivo de colete e calça listrada, gravata borboleta e cartola.

Bernardo, alegre, convida os cachorrinhos dos amigos.

Ganharam muitos presentes: uma grande casa de madeira, uma grande toalha, coleira de pedrinhas coloridas, escova de cabelo, sabonete e shampoo, perfumes, fitas coloridas, brinquedos de borracha e um freezer.


(Trecho extraído de "Nosso Melhor Amigo", por Léa Sayão, [s.n.], Brasília, 1992, pp. 19-23)


CÃO PROCURA CASA COM QUINTAL
Veludo escapou da morte e quer ser adotado 

Se você mora em casa que tem quintal, a carta "escrita" por um cachorro "dócil e prestativo, amigo de verdade" e enviada ao GLOBO poderá lhe interessar. "Sou Veludo, um cachorro grande e velho. Só tenho uma orelha; a outra, os bichos comeram." Começa assim o "Recado de um cão", escrito por Lucy de Castro Barreto, moradora da Penha. Ela conta que, passando pelo posto Jóia do Viseu, encontrou Veludo doente e abandonado. Impressionada com o estado do cachorro, mais tarde Lucy voltou ao local, levando medicamentos. Ficou sabendo que o cão era do dono do estabelecimento, que dispensara sua ajuda. Ela passou a visitar o cão diariamente, pois o dono ameaçava sacrificar o bicho.

"Com o pelo grudado de graxa e óleo, fui envelhecendo. Tornei-me frágil. E quando adoeci, meu dono descobriu um remédio para mim: a morte", conta Veludo na "sua" carta.

Lucy então procurou um veterinário e, com a sua ajuda, levou o cão para uma clínica. Lá ele foi salvo. Segundo a mulher, mais de 200 bichos foram retirados de seu ouvido e pescoço. Agora Veludo está bom, mas Lucy não pode levá-lo pra casa porque já tem vários outros cachorros.

"Meu sonho é tomar conta de um quintal. Passo o dia numa área, preso pela corrente. Preciso de um dono. Quem me quiser, telefone para 351-8898. Fale com o meu amigo Dr. Juarez (o veterinário). Ele me levará até a sua casa e me dará assistência médica" completa o cão. 

VELUDO JÁ É DISPUTADO POR 33 FAMÍLIAS

Velho e sem uma orelha, o cachorro Veludo jamais poderia imaginar que, no fim de sua vida, seria tão disputado, graças à moradora da Penha Lucy de Castro Barreto e ao veterinário Juarez Dias Pedreiro. O cachorro está sendo disputado por nada menos do que 33 famílias. Através do "Recado de um Cão" carta escrita por Lucy e publicada ontem no GLOBO, inúmeras pessoas tomaram conhecimento do drama de Veludo e ligaram para o veterinário dispostas a realizar o sonho do velho cão: tomar conta de um quintal. Muitos também procuraram Juarez interessados em saber apenas como poderiam ajudar Veludo. Hoje, Lucy e o veterinário vão escolher, dentre os interessados, aquele que receberá Veludo em casa.

Recebemos mais de 50 telefonemas sobre o cão. Veludo já está velho, mas seu pelo está crescendo novamente e ele está se recuperando. Um cachorro vive em média 15 anos, mas tudo depende do tratamento que ele recebe. Veludo, que tem de 12 a 14 anos, vai continuar recebendo assistência médica, onde estiver   garante Juarez. 

O veterinário conta que até moradores de outras cidades, como Juiz de Fora, Friburgo e Areal, estão interessados no cachorro. O critério para a escolha será simples. Juarez e Lucy escolherão a família que puder cuidar melhor de Veludo. Para isso, serão levados em consideração os espaços que a família dispõe para deixar o cachorro e o número de animais da casa. Mas o veterinário também quer saber se o escolhido dará a Veludo "todo o carinho que ele merece".

A vida do cachorro começou a mudar quando Lucy o encontrou em um posto de gasolina da Penha, amarrado a uma corrente. Velho, com o pelo grudado de graxa e óleo, Veludo já perdera uma orelha. Após vencer a resistência do dono do animal, que queria sacrificar Veludo, Lucy conseguiu levá-lo para a clínica de Juarez. Lá, mais de 200 bichos foram retirados do ouvido e pescoço do cachorro. Mas Lucy não pôde levar Veludo para casa por já possuir outros animais.

Ela resolveu então escrever uma carta ao GLOBO, relatando o drama do animal e se oferecendo para entregar Veludo na casa da pessoa que pudesse cuidar dele. O telefone do veterinário Juarez (351-8898) foi publicado e Veludo agora está sendo disputado por 33 famílias. Após mais de dez anos de maus tratos, o cachorro terá, com certeza, uma velhice tranquila.

FINAL FELIZ PARA VELUDO. ELE TEM NOVO DONO.
Ramon promete tratar do cão com carinho.

Veludo, o velho cachorro doente e sem uma orelha que não tinha onde morar, terá um final de vida feliz. A professora Lucy de Castro Barreto, que conseguiu evitar a morte do animal, escolheu um lar para ele em Brás de Pina, próximo à clínica veterinária onde estava sendo tratado. Ramon Alvarez de Moura, 21 anos, também apaixonado por animais, é agora o dono de Veludo.

A nova família de Veludo não é rica, mas foi escolhida entre 33 outras por morar perto do veterinário Juarez Dias Pereira, que continuará a cuidar da saúde do cão. Na casa não há um quintal grande, que, no entender de Lucy, seria ideal para o cachorro brincar, mas uma área pequena. A maior vantagem para Veludo, no entanto, é o carinho com que será tratado pelo novo dono, que, como Lucy, tem um gato, também abandonado nas ruas.

Ontem, Veludo tomou banho de água e óleo Johnson. Achando que o cachorro estava com um ar meio triste, Ramon levou-o a passear.

Só que ele não pode ainda ir muito longe, porque está velhinho e fraco, disse Ramon.

Os pais de Ramon também gostam de animais. Tanto que na casa já vivem, além de dois passarinhos, um gatinho recém-nascido que o rapaz pegou na rua há poucas semanas. Ramon está na 7ª Série do Primeiro Grau e, apesar do atraso nos estudos, trabalha para ajudar o pai que é motorista. Sonha um dia ser veterinário.

Lucy Barreto não levou Veludo para sua casa, na Ilha do Governador, porque já tem oito cachorros. Sua luta para salvar o animal começou há dois meses e meio, quando ela o viu amarrado a um poste num posto de gasolina da Penha. Quase que diariamente, Lucy levava comida para o cão, que, segundo o dono do posto, teria de ser sacrificado, pois estava muito doente. Temendo que Veludo sofresse para morrer, Lucy chamou uma veterinária para sacrificar o cachorro. Mas quando a moça viu Veludo, recusou-se a dar-lhe uma injeção de veneno, afirmando que ele tinha condições de sobreviver. 

Consegui comprá-lo do dono do posto e levei-o para a clínica de Juarez, tudo escondido de meu marido, José, que nem podia mais pensar em cachorros dentro de casa, conta Lucy.

O drama de Veludo comoveu o marido de Lucy, que só soube de toda a história no domingo, ao ler a carta "Recado de um Cão", no GLOBO.

O José não se irritou, compreendeu, porque também gosta muito de animais. Já combinei que visitarei Veludo pelo menos uma vez por mês,   disse Lucy.

(Textos extraídos de "Nosso Melhor Amigo", por Léa Sayão, [s.n.], Brasília, 1992, pp. 25-27)