terça-feira, 22 de agosto de 2017

TIRADENTES EM SETE LAGOAS


Por Márcio Vicente Silveira Santos

Livro "Tiradentes em Sete Lagoas", 2010, de autoria do jornalista, advogado, escritor e historiador Márcio Vicente Silveira Santos, Sete Lagoas: Tip. Kosmos, 245 p.

O que pode esperar o leitor da leitura do livro "Tiradentes em Sete Lagoas", subtítulo "Um mergulho na História que inscreve a Cidade (de Sete Lagoas) no cenário da Inconfidência Mineira"? Nas p. 5-10 do livro pode-se ler quais as razões do livro: 
"PRIMEIRA
Antes de qualquer justificativa, uma necessária e indispensável explicação: aqui o leitor não vai encontrar uma tese acadêmica. Este também não é um compêndio escolar. A obra pretende ser apenas um livro-reportagem sobre fato histórico determinado: a permanência de Tiradentes em Sete Lagoas nos anos de 1780 e 1781, período em que foi comandante do Quartel do Sertão.
Se não é possível esgotar-se a pesquisa em torno de um acontecimento elevado à categoria de história, o corte temporal que este livro explora também permanecia em penumbra: até então, estava ele fora dos limites fixados para o enredo da Inconfidência, e nem despertava maior atenção dos cronistas militares, porque nele a principal figura - Tiradentes - ainda não teria alcançado a estatura de um miliciano de prestígio.
SEGUNDA
A presença de Tiradentes em Sete Lagoas - pouco conhecida, não convenientemente valorizada ou simplesmente deixada em segundo plano pelos historiadores de um modo geral (o foco maior é sobre o "inconfidente", embora haja algumas obras sobre o "militar") - também não foi mais extensamente relatada e documentada pelos que se dispuseram a escrever a história local. Sem registro, a memória do fato acabou diluída em informações imprecisas ou ainda é pulverizada em interpretações não conclusivas: "Tiradentes passou por Sete Lagoas", "Tiradentes pernoitou no Casarão", "Tiradentes veio a Sete Lagoas batizar um filho do comandante do Destacamento"...
Alguns exemplos:
Em 1780, o Alferes de Cavalaria Joaquim José da Silva Xavier, o grande Tiradentes, passou por Sete Lagoas rumo ao Norte da Capitania, através das picadas que o braço bandeirante desbravara na imensa mataria.
Fernandino Júnior, in "Revivendo a História de Sete Lagoas"; artigo na revista Acaiaca, Belo Horizonte, agosto de 1954, p. 33.
Em 1775 instalava-se o Quartel Geral do povoado, poderosa praça de armas, sede do destacamento policial. Em 1780, hospedava-se nesse quartel o Alferes de Cavalaria Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes - que se fazia acompanhar de poderosa escolta, rumo ao Norte da Capitania...
Joaquim Dias Drummond: O passado compassado de Sete Lagoas, edição da Prefeitura, 1977, p. 16.
Para a 6ª companhia desse Regimento (de Cavalaria) foi admitido, no posto de Alferes, a 1º de dezembro de 1775, Joaquim José da Silva Xavier. Desde então, o Alferes passou a receber variadas comissões, algumas bem arriscadas. (...) Nos anos de 1780 e 1781, foi o Comandante das Sete Lagoas.
Waldemar de Almeida Barbosa: Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais, Belo Horizonte: Editora Saterb, 1971, p. 498.
... em 2 de junho de 1780, Tiradentes era o comandante do Quartel de Sete Lagoas, encarregado de guardar o Registro instalado naquela localidade mineira.
Dimas Perrin: Inconfidência Mineira - Causas e Consequências, Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1985, p. 126.
As companhias do Regimento de Cavalaria Regular de Minas, enviadas para o reforço defensivo do Rio de Janeiro, em 1777, voltaram à Capitania em setembro de 1779. Tiradentes, que fez parte daquele socorro tornado necessário pelas guerras do Sul, foi então nomeado para comandante do Destacamento do Sertão, sediado em Sete Lagoas, porta de entrada do médio São Francisco.
Tarquínio J.B. Oliveira: Um banqueiro na Inconfidência, edição da ESAF-Centro de Estudos do Ciclo do Ouro, Ouro Preto: Casa dos Contos, 1979, p. 62.
... em 1780, no primeiro semestre, está Tiradentes em Sete Lagoas, Minas Gerais, como comandante do Destacamento local, encarregado da guarda do Registro ali instalado, porta de entrada do Vale Médio do Rio São Francisco.
Márcio Jardim: A Inconfidência Mineira - Uma síntese factual, Rio de Janeiro: Editora Bibliex, 1989, p. 69.
Tomadas no contexto da História Mineira - e mesmo se avaliadas como pouco representativas do todo que se quer evidenciar - essas referências testemunham a importância do fato. E qualquer esforço que se empreenda para sua ampliação e documentação - assim o entendemos - será uma contribuição. É nessa linha que o presente trabalho deverá ser medido.
TERCEIRA
Em 1966, tivemos a oportunidade de acompanhar o escritor Jovelino Lanza em visitas ao Arquivo Público Mineiro, em Belo Horizonte, em busca de informações gerais que o auxiliassem na composição de sua História de Sete Lagoas, publicada em 1967, ano do Centenário do Município. Foi uma experiência estimulante, que mais serviu de aprendizado ao discípulo do que resultou em auxílio ao mestre. (O escritor, que ultrapassava sempre os limites da generosidade, mencionou essa "ajuda" na dedicatória da obra, provocando grande emoção em seu jovem admirador e eventual colaborador).
O trabalho de Jovelino Lanza não só registra o fato, afirmativamente - "Nos anos de 1780 e 1781, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier - o Tiradentes - era o ativo e destemido comandante do Quartel das Sete Lagoas..." (História de Sete Lagoas: Belo Horizonte: Editora Sion, 1967, p. 88), como trancreve recibos firmados pelo Alferes, quando no comando da guarnição militar. O mestre chegou mesmo a sugerir ao discípulo que mergulhasse no tema, buscasse novos documentos e elaborasse uma monografia evidenciando o significativo acontecimento histórico. Entretanto, dificuldades evidentes e afazeres imediatos desviaram-no da decisão de aceitar o desafio.
Este trabalho é, portanto, além de homenagem à memória do historiador, o resgate de um compromisso nunca formalizado, mas virtualmente aceito, embora o autor tenha a convicção de que aqui apenas giza alguns caminhos novos, que poderão ser percorridos por quem dotado de maior engenho e melhor arte.
QUARTA
Embora este trabalho não adote as normas da pesquisa acadêmica - é essencialmente um exercício jornalístico - o autor tem presente que, como ensina João Camilo de Oliveira Torres (História de Minas Gerais, Belo Horizonte: Editora Lemi, 1980, vol. II, p. 39), "o historiador deve falar relativamente pouco: a documentação sempre dirá a última palavra. Naturalmente ele (e esta é a sua missão) selecionará os documentos, dará a sua interpretação, apresentará a sua maneira de ver os fatos."
A pesquisa procurou, portanto, aprofundar as buscas empreendidas por Jovelino Lanza, identificar suas fontes e coligir documentos outros que permitissem dar consistência e comprovação aos fatos, aceitando o ponto de vista dos mestres da teoria da História segundo o qual testis unus, testis nullus. É evidente que as fontes primárias são escassas e que este trabalho, pelas circunstâncias inarredáveis, versa matéria inédita. Valemo-nos da documentação sob a guarda do Arquivo Público Mineiro, da coleção de manuscritos da Casa dos Contos (Ouro Preto) e de buscas realizadas nos vários acervos da Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro). Empreendeu-se, também, o exame de extensa bibliografia existente nas bibliotecas do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Fundação Amílcar Martins e Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.
Antecipando outras conclusões - mas esse é o arco principal da pesquisa - pode-se afirmar, documentalmente, que Tiradentes esteve no efetivo comando do Quartel das Sete Lagoas no período compreendido entre 22 de abril de 1780 e 23 de junho de 1781. A fixação dessas datas, evidentemente, contraria as que foram indicadas por grandes autores da História de Minas. Não há aqui, entretanto, o escopo de corrigir ou contestar informações testemunhadas por respeitáveis historiadores, mas, apenas, o de contribuir com a indicação de fontes e documentos que podem trazer mais luz ao tema.
QUINTA (e talvez principal)
Este trabalho - sem maior pretensão - alimenta, porém, uma ousadia: a de levar aos meios acadêmicos (que têm o ferramental teórico e certamente o compromisso tácito) proposta para o início de um debate, que se imagina permanente, em torno da presença de Tiradentes no sertão. O fundamento para essa necessária e inadiável prática de cultura e de cidadania é por demais relevante: inquestionavelmente, o fato histórico insere Sete Lagoas no cenário do movimento político-militar que notabiliza Minas Gerais - a Inconfidência.
Sete Lagoas, 21 de abril de 2010.
Márcio Vicente Silveira Santos

Colaborador: MÁRCIO VICENTE SILVEIRA SANTOS














O historiador, escritor e jornalista MÁRCIO VICENTE SILVEIRA SANTOS autorizou o gerente deste blog a publicar, a título de sua Apresentação aos leitores, o relatório da Comissão do IHG de São João del-Rei que recomendou a sua admissão no Quadro de Sócios Correspondentes do sodalício são-joanense, aprovado por unanimidade pela assembleia reunida em 6 de agosto de 2017, tendo em vista a análise fidedigna dos elementos biobibliográficos apresentados pelo candidato, atendendo o que dispõe o estatuto da Casa de Fábio Nelson Guimarães, a saber:

Ilmo. Sr. 
José Cláudio Henriques
DD. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei
Nesta

Prezado Presidente,

Em atendimento à Indicação de Vossa Senhoria, datada de 2 de julho de 2017, temos a informar que, obedecendo às disposições estatutárias que regem este Sodalício, a Comissão por nós constituída pelos confrades Francisco José dos Santos Braga, José Carlos Hernández Prieto e Murilo de Souza Cabral, examinou o currículo e a documentação fornecida pelo historiador, escritor e jornalista MÁRCIO VICENTE DA SILVEIRA SANTOS, que, a pedido de Vossa Senhoria, encaminhou a este Instituto em 20 de junho de 2017, colocando ao mesmo tempo o seu nome e currículo sob análise deste Instituto, visando pertencer ao nosso Quadro de Sócios Correspondentes.



Pelo seu currículo, colhemos informações de que o interessado é natural  de Traíras, distrito de Cordisburgo, hoje município de Santana de Pirapama. Na década de 1950, transferiu-se definitivamente para Sete Lagoas. Na década de 1960, participou ativamente de um grupo de poesia de vanguarda – o VIX – que realizou várias exposições de poemas em Sete Lagoas, Oliveira e Belo Horizonte e publicou dois livros de poemas. Também Márcio Vicente liderou um grupo de jovens que, em 19 de dezembro de 1964, fundou o “Clube de Letras de Sete Lagoas”. Integravam o grupo inicial do Clube de Letras, além de Márcio Vicente, João Carlos de Andrade, Geraldo José de Paula Moura, Ronaldo Gonçalves, Waldir Rodrigues Rocha, Edson Ferreira de Jesus, Fernando Holmes de Lima, Geraldo Elísio M. Lopes e Evaldo Lopes de Alencar. Tal iniciativa, nascida em um cenário de tensão e insegurança proporcionado pela Ditadura Militar nos idos de 1964, surgiu da intenção de unir jovens na busca da valorização da cultura e movimentação das ações culturais da cidade, tendo ganhado a simpatia e o apoio de lideranças locais e conseguido mudar os rumos da cultura sete-lagoana. Segundo Mariza da Conceição Pereira, ex-presidente do Clube de Letras e atual assistente do departamento infanto-juvenil do Clube, nos 48 anos de sua existência, o Clube de Letras lutou para criar a universidade, a Casa da Cultura, a Biblioteca Municipal. Também atuou pela reedificação do coreto da praça Tiradentes, para a reativação do Museu Histórico e para a revitalização do Centro Cultural Nhô Quim Drummond. São ações que contam muito da história cultural de Sete Lagoas e contribuíram para a cultura de outras cidades. Ainda de acordo com Mariza, outros movimentos surgiram através do Clube de Letras, como a Associação Sete-lagoana de Letras e a União Brasileira de Trovadores.  Na mesma década, Márcio Vicente ocupou importantes cargos no Banco Agrimisa (chefe da Carteira de Descontos da Matriz e gerente de agência). No período de 1971 a 1981 residiu em Belo Horizonte, prestando serviços a agências de publicidade. Obteve sua graduação de bacharel em Direito pelo UNIFEMM-Centro Universitário de Sete Lagoas em 1990. No período de 1989 a 1997, trabalhou para o “Diário de Comércio”, de Belo Horizonte, como responsável por sua sucursal em Sete Lagoas. Em retorno a Sete Lagoas, ingressou como funcionário da Prefeitura de Sete Lagoas mediante concurso público e foi diretor de Departamentos, tendo exercido, por três vezes, o cargo de Secretário Municipal. Como presidente da Fundação Histórica e Artística de Sete Lagoas, trabalhou no projeto de tombamento do Solar dos Chassim-Drummond, nele instalando o Centro Cultural Nhô-Quim Drummond. Nas duas últimas administrações municipais, participou da equipe que trabalhou no projeto de tombamento da Estação Ferroviária de Silva Xavier e no projeto de instalação, nesse local, do “Memorial Tiradentes” (2009-2012) e foi nomeado Secretário de Cultura e Comunicação Social e presidente do Conselho Municipal do Patrimônio  Cultural (2013-2016).



Sobre o “Memorial Tiradentes”, dedicado ao Alferes no distrito de Silva Xavier (que tem essa denominação em homenagem ao militar), é sabido que na condição de Secretário Municipal de Cultura (2013-2016), teve a oportunidade de trabalhar na proposta de tombamento da Estação do Distrito de Silva Xavier e na elaboração de seu projeto de restauro, mas essa obra ainda não foi executada. A situação atual é que a planta do edifício já está pronta, sendo possuidor de um bom acervo documental; apesar de seus esforços, o “Memorial Tiradentes” ainda é projeto, para cuja execução e implementação vai apoiar a Prefeitura em busca dos recursos financeiros. 



Tem larga experiência no jornalismo, podendo ser citados os seguintes órgãos para os quais trabalhou: “O Jornal do Centro de Minas”, “A Notícia”, “A Gazeta”, “Hoje-Jornal da Cidade”, revista “Fatoral” e foi também fundador e diretor de Jornalismo da ETV-TV Educativa de Sete Lagoas. Hoje é colaborador do jornal “Tribuna”. Além disso, participou da fundação de vários jornais, dois dos quais ainda circulam: “O Jornal do Centro de Minas” e “Hoje-Jornal da Cidade”.



Participou com brilhantismo do Seminário promovido por este Instituto intitulado “Meandros da Inconfidência Mineira”, pronunciando palestra sobre “a presença e a missão do Alferes em Sete Lagoas”  em 13 de novembro de 2015, com a qual trouxe informações inéditas sobre a presença do Alferes, no período de 22 de abril de 1780 a 23 de junho de 1781, como comandante do Quartel do Sertão, no Registro “das Sete Lagoas”. Segundo ele, Sete Lagoas foi importante entreposto comercial da Capitania de Minas Gerais no século XVIII, por onde trafegavam caravanas de negociantes, fazendeiros e tropeiros que faziam a ligação entre os “sertões” e as áreas de mineração. Essa intensa movimentação motivou a instalação de um Registro para cobrança dos impostos devidos à Coroa, o que aconteceu em 1762. Com essas pesquisas que consignou em livro de sua autoria, intitulado “Tiradentes em Sete Lagoas” lançado em 2010, inscreveu a cidade de Sete Lagoas no cenário da Conjuração Mineira. Fruto de sua pesquisa, ficaram evidenciadas e documentadas quatro missões desempenhadas pelo “Alferes Comandante” no sertão, a saber: 1) defesa e segurança; 2) cobrança de impostos; 3) combate ao contrabando; 4) abertura de uma picada entre Sete Lagoas e Paracatu (pp. 99-113 do livro).



Com a repercussão dessa iniciativa de inscrição de Sete Lagoas no cenário da Conjuração Mineira logrou algumas honrarias, tendo sido agraciado com a “Comenda da Liberdade e Cidadania”, conferida conjuntamente pelos Municípios de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes; a “Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira”, em Ouro Preto e a “Medalha Alferes Tiradentes-Mérito Cultural”, do Instituto Tiradentes.



A par disso, o livro foi bem acolhido por pesquisadores da história mineira, cabendo destacar os historiadores Oiliam José e Angelo Carrara, além do escritor Márcio Jardim.



Animado com a boa repercussão do livro e em busca de adesão mais efetiva para o seu projeto do “Memorial Tiradentes”, escreveu, em 12 de abril de 2017, uma carta aos Comandantes Militares de Sete Lagoas, na qual aduziu razões de interesse histórico e turístico justificando o porquê da instalação em Sete Lagoas de um Memorial dedicado ao Alferes de Cavalaria Joaquim José da Silva Xavier. Cópia do mesmo documento foi encaminhado a dirigentes de alguns de nossos principais organismos de Preservação da Memória Histórica (aqui incluído o nosso IHG) e a personalidades que, de alguma forma, se alinham em defesa do projeto de criação, em Sete Lagoas, de um memorial dedicado ao Alferes.



Já tem um novo livro pronto a lançar em novembro, quando Sete Lagoas vai completar 150 anos de sua emancipação: “Sete Lagoas, século XVIII: O Registro e as Estradas Reais”. A obra vem complementar o livro anterior, “Tiradentes em Sete Lagoas”, o que lhe exigiu visitas a centros de documentação, tais como a Casa dos Contos, em Ouro Preto; o Arquivo Público Mineiro e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em Belo Horizonte; a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, além de consultas a arquivos particulares em outras cidades.



Além desses dois trabalhos, publicou outros quatro abordando temática histórica:

- “Origens do Casarão” (pesquisa sobre o Solar dos Chassim-Drummond, sobrado do século XVIII que está na Praça Tiradentes e é hoje o Centro Cultural Nhô-Quim Drummond), obra publicada em cerca de 40 artigos semanais no “Hoje-Jornal da Cidade”, em 1980;

- “100 Anos de Imprensa em Sete Lagoas”, publicada em capítulos semanais no “Hoje-Jornal da Cidade” e, no mesmo ano (1994), apareceu em livro patrocinado pela Prefeitura;

- “Dr. Márcio Paulino: Uma História Biográfica (1997);

- “Nossa Terra. Nossa Gente”, história de Sete Lagoas (em fascículos) (2002).



Além desses, participou de diversas antologias e publicou também duas plaquetes (“Amostra” (1965) e “Nhô-Quim-Apontamentos para a Biografia de Joaquim Dias Drummond” (1991)), um livro de poemas (“Pedra Sobre Pedra”, 1ª edição 1966, 2ª edição comemorativa 2006), um livro de cronipoemas (“Sal & Pedra” 1990), um livro de contos (“Debaixo da Magnólia” 1992), um livro-reportagem (“Coragem pra Mudar-Anatomia de uma Campanha Política” 2004) e, finalmente, um livro de crônicas e discursos (“Prezados Amigos” 2009).



Foi agraciado com vários títulos honoríficos, diversos diplomas de mérito literocultural e jornalístico e medalhas por reconhecimento de mérito.



Participa de várias Casas de Cultura, cabendo destacar as seguintes: Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais (sócio efetivo, desde 1969), Academia Sete-Lagoana de Letras (sócio fundador, desde 1985), Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (sócio correspondente, desde 1995) e Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa (sócio efetivo, desde 2008). Pertencer ao Quadro de Sócios Correspondentes do IHG de São João del-Rei, será para Márcio Vicente da Silveira Santos um pequeno acréscimo ao riquíssimo e vasto currículo de uma vida inteira dedicada a escrever, desde tenra idade, em jornais, publicando livros memoráveis. Foi político atuante em Sete Lagoas, presidente de fundação, com projeto de tombamentos de grande alcance histórico com acervos documentais dignos de visitações. Não parou por aí na sua brilhante caminhada, galgando degrau por degrau, não desistindo nunca de ser um sonhador buscando novas realizações. É um ser incansável inovador e uma pessoa de uma visão histórica digna de louvores. Continua escrevendo, o que ele faz com maestria, percorrendo as estradas de Minas, passando pelos caminhos desbravados por Tiradentes nos seus périplos por Minas Gerais.



Diante do exposto, esta Comissão emite o parecer favorável a que se acolha a indicação do historiador, escritor e jornalista MÁRCIO VICENTE DA SILVEIRA SANTOS de pertencer ao Quadro de Sócios Correspondentes deste Instituto, ao mesmo tempo que reconhece seus elevados predicados historiográficos e literários. Será um prazer tê-lo conosco e levá-lo a caminhar pelas ruas históricas da cidade onde os sinos falam ao coração da gente.

São João del-Rei, 6 de agosto de 2017.

Ass. Francisco José dos Santos Braga, José Carlos Hernández Prieto e Murilo de Souza Cabral

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

JOÃO DA MATTA, MAESTRO E COMPOSITOR SÃO-JOANENSE


Por Francisco José dos Santos Braga


Dedico este artigo a meu amigo João Bosco de Castro Teixeira, DD. Presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, que muito me beneficiou sugerindo o tema desta palestra no auditório da Academia, proferida em 20/08/2017.

Presidente João Bosco de Castro Teixeira e o autor
O autor proferindo sua palestra...























O presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, João Bosco de Castro Teixeira, tendo lido meu trabalho intitulado “Festa de São Sebastião em S. João d’El-Rey em 1919”, publicado em 30/06/2017, diante dos rasgados elogios ali constantes que o poeta Bento Ernesto Júnior fez ao músico são-joanense João da Matta, escreveu-me o seguinte comentário : “Francisco, li a matéria toda. Como aprecio tais trabalhos, senti falta de algo, sobre o que aliás tenho pouco a falar. Aluízio Viegas dizia ter quase certeza de que um registro de batismo, – que se encontra em nossa Catedral, e que contém uma lacuna, – seria, com muita probabilidade, o registro do batismo de João da Matta. Você nunca ouviu nada a respeito? No mais, um abraço com todo louvor. João Bosco


... e dando sua contribuição para enaltecer a cultura musical de sua terra - Crédito pela imagem: José Antônio de Ávila Sacramento

Respondi-lhe que lamentavelmente o saudoso Aluízio José Viegas não tinha tratado disso comigo e que esse trabalho de pesquisa do grande historiador sacro e musicólogo são-joanense estaria perdido, caso ele próprio não tivesse registrado seu achado em algum artigo ou em alguma anotação de seu próprio punho.

Não satisfeito, o presidente telefonou-me alguns dias depois solicitando que eu trouxesse ao conhecimento deste plenário, através de pesquisa, se Aluízio tinha descoberto o assento do batizado de João da Matta. Sua preocupação tinha razão de ser, porque mais de uma cidade disputam a glória de ser a terra natal do músico. Neste particular, é conhecida a disputa entre Lavras e Oliveira de ser o pretenso berço de João da Matta, pela simples razão de ele ter passado parte de sua vida e produzido belas composições nessas localidades. Aceitei o convite de falar sobre “João da Matta – sua vida e sua obra” como um desafio, disposto a fazer o resgate do achado de Aluízio José Viegas – se é que existisse nos livros de batizados do Arquivo Paroquial da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, de São João del-Rei, que trouxesse elementos razoáveis  sobre a naturalidade são-joanense de João da Matta, sua ascendência e data mais provável de seu nascimento.
João Francisco da Matta (foto restaurada pelo historiador Silvério Parada em 2009) a pedido de Aluízio Viegas

É conhecido que João Francisco da Matta aprendeu música com Martiniano Ribeiro Bastos, em sua escola na Rua da Prata. Negro e pobre, foi, no entanto, um compositor prolixo, deixando em várias cidades mineiras composições em cópias originais. Desempenhou, paralelamente à música, a atividade de tropeiro, o que lhe permitiu peregrinar pelos sertões de Minas Gerais, onde espalhou sua música. Tendo palmilhado muitas terras como tropeiro, adquiriu o hábito da boemia e da embriaguez. Consta que tocava todos os instrumentos de sopro que possuem 3 chaves ou válvulas (tendo sido virtuose no oficleide) e alguns de corda, além de pianista, tendo se apresentado em concertos em todo o Oeste e Sul de Minas, atuando também como insigne professor de música, hábil afinador de pianos e compositor ativo e fértil, com forte influência da ópera italiana, como a maioria dos seus contemporâneos. As suas proezas nas várias localidades que visitou (entre as já conhecidas, pode-se citar as de Oliveira, Lavras, Juiz de Fora, distrito de Aventureiro pertencente à Vila Mar de Hespanha e distrito de Serranos do município de Aiuruoca) acabaram por transformá-lo em lenda viva, projetando o nome de sua cidade natal por todo o Sul e Oeste de Minas Gerais e principalmente na corte. Em São João del-Rei, há várias evidências fotográficas e outras, dando conta de que integrou a Orquestra Lira Sanjoanense. Lourdes, irmã de Aluízio, garantiu-me que o busto de João da Matta, existente hoje na sede da Lira Sanjoanense, foi localizado no barracão da Prefeitura pelo regente Dr. Pedro de Souza, que o resgatou para a corporação musical são-joanense onde João da Matta atuou enquanto vivo.
Busto do ilustre músico são-joanense João Francisco da Matta, existente na sede da Orquestra Lira Sanjoanense, em São João del-Rei

Foto reconstituída pelo historiador Silvério Parada a pedido de Aluízio José Viegas, o qual identificou alguns componentes da Orquestra Lira Sanjoanense em visita a Juiz de Fora em fins do século XIX























O escritor e poeta Bento Ernesto Júnior, membro da Academia Mineira de Letras, exímio musicista que tocava harmônio nas igrejas locais e nele executava peças de compositores sanjoanenses, principalmente nas festas de N. Srª da Conceição, das Mercês e do Mês de Maria, publicou no periódico “A Tribuna”, em edição especial de 40 páginas, o artigo “A Música em São João del-Rei”. É desse trabalho que é extraído o trecho sobre João da Mata:
“(...) João da Mata é uma figura singularíssima nos reinos de Euterpe.  Queda-se profundamente surpreso iniciado nos mistérios da arte encantadora, em ouvindo as composições que emanaram de sua inspiração de escol, verdadeiramente portentosa, admiravelmente original. Que emoção avassaladora não causam os trechos que ele traçou, despreocupadamente, indiferente, de todo, aos aplausos das multidões, trechos que são o reflexo nítido de uma alma lírica aninhada em arcabouço tão em contraste com a beleza, a radiosidade, a graça e a correção que a musa de João da Mata sabia imprimir ao seus estupendos trabalhos.
O pobre negro, em a noite de sua desgraça, teve um farto raio de luz a iluminar-se a personalidade humilde na grande admiração que por toda parte se lhe dedicava e a consagração invulgar da mais rutilante glória da música brasileira – o grande, o imortal Carlos Gomes, que proclamou João da Mata uma das mais admiráveis organizações musicais, que lhe fora dado conhecer. (...)”. (JÚNIOR, Bento Ernesto: A Música em São João del-Rei, jornal A TRIBUNA, edição nº 1268, apud CINTRA: “Maestro e Compositor João da Mata – Glória da cultura musical sanjoanense”, jornal TRIBUNA SANJOANENSE, Ano XXVII, de 14 de novembro de 1995, nº 824, p. 2). 

Preliminarmente, cabe aqui fazer a seguinte afirmação: o historiador, quem quer que seja, tem que considerar digna de fé a declaração do próprio interessado, no caso, de João da Matta, afirmando ser são-joanense, conforme fez publicar em anúncio estampado na edição de 26 de setembro, reiterado nas edições de 3, 17 e 24 de outubro de 1889 do jornal A Pátria Mineira, verbis:

Musicas à venda
"Tendo de demorar-me nesta cidade de 8 a 15 dias, partecipo aos meus amigos e apologistas que trago em rascunho excellentes quadrilhas a 5.000 rs. a collecção; marchas a 4.000 rs. cada uma; dobrados a 5.000 rs., polkas a 2.000 rs., walsas a 2.000 rs. e modinhas a 1.000 rs. cada uma; Hymno da Princeza ou 2º Hymno Nacional, 10.000 rs.; Hymno do Tiradentes, 10.000 rs.
Espero que os meus bons conterraneos me favoreçam, comprando-me algumas musicas, visto ser o seu producto para auxiliar a minha viagem à côrte, onde vou publicar uma artinha musical e diversas composições minhas.
Quem dignar-se auxiliar-me pode deixar o seu recado no escriptorio desta folha.
S. João del Rey, 24 de Setembro de 1889.
JOÃO FRANCISCO DA MATTA"

Seis anos antes,  em 1883, assim noticiava o jornal Arauto de Minas a presença do famoso musicista passando por sua cidade natal, na sua edição de 11 de outubro de 1883, de acordo com (CINTRA, 1982, 429): 
“Acha-se nesta cidade, de passagem para Mar de Hespanha, onde pretende dar alguns concertos, o nosso inteligente conterrâneo, João Francisco da Mata, insigne professor de música e hábil afinador de piano. O nosso maestro, retirando-se da Cidade de Oliveira, trouxe honrosos atestados de autoridades e pessoas altamente colocadas, asseverando ter sido irrepreensível o seu procedimento naquele lugar.” 
Pacificada essa questão da naturalidade, Aluízio José Viegas julgava importante ainda conseguir indicações de sua ascendência e de sua data de nascimento. 

Em busca de informações visitei, além de sua irmã Lourdes Viegas, vários órgãos e instituições para localizar a mencionada descoberta de Aluízio Viegas no Arquivo Paroquial. Recorri ao Museu de Arte Sacra, onde atualmente está sediado o Arquivo Paroquial; ao Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier e à Biblioteca Baptista Caetano de Almeida. Não logrando qualquer êxito, recorri à Internet onde me deparei com a dissertação de mestrado da autoria de Eduardo Lara Coelho, intitulada "Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX", apresentada à UFSJ para obtenção do grau de mestre em História. Esse trabalho de pesquisa tinha sido orientado pelo Prof. Afonso de Alencastro Graça Filho. Ali encontrei o que procurava insistentemente. De plano, o autor reconheceu que recebeu a contribuição intelectual de Aluízio Viegas na revisão de alguns trechos e na pesquisa no Arquivo Paroquial. Neste trabalho, o autor também mostrou como, na época do Brasil Colônia e Brasil Império, a organização social era claramente estratificada com base na cor de sua população e as corporações musicais e irmandades de São João del-Rei espelhavam essa estratificação. A Lira Sanjoanense, fundada em 1776, era integrada por "rapaduras (membros negros, negros forros, pardos, etc.), ao passo que a Orquestra Ribeiro Bastos, fundada em 1840, era integrada por "coalhadas" (membros oriundos da elite branca). Também as irmandades religiosas são-joanenses se dividiam entre aquelas que faziam contratos com a Orquestra Lira Sanjoanense (Irmandades da Nossa Senhora da Boa Morte dos Homens Pardos, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês) e as outras que mantinham contrato com a Orquestra Ribeiro Bastos (Irmandade do Santíssimo Sacramento, Ordens Terceiras de Nossa Senhora do Carmo e de São Francisco de Assis). Claro que não havia uma regra rígida para essa estratificação. Comumente a música, a pintura, a escultura e outras artes possibilitavam a ascensão social de negros e pardos através do prestígio alcançado nas profissões citadas. No caso da música, pela qual o negro mostrava especial pendor e jeito, constata-se que houve um grande envolvimento dos mulatos com a música em Minas Gerais, através da qual muitos negros e mulatos alcançavam a glória por sua musicalidade inata, como foi o caso de Martiniano Ribeiro Bastos, que não só se tornou regente como até foi enterrado no cemitério de São Francisco de Assis. Além disso, o autor ainda esclareceu que José Maria Neves considerava que, enquanto vigorou o regime da arrematação, dentro do padroado (quando o imperador era chefe do Estado e da Igreja no Brasil), houve um grande surto de composições. Neste caso, o Senado da Câmara de São João del-Rei, por exemplo, encomendava as composições e os grupos musicais que eram contratados para as suas solenidades e festividades. Por volta de 1820 em diante, houve um crescente desaquecimento na atividade musical com o desaparecimento do sistema de arrematação. ¹ Aluízio Viegas pensava diferente de Neves: segundo ele, em São João del-Rei, o que se nota foi a profusão de compositores no século XIX, ao contrário de outras vilas. A vida musical em São João del-Rei se intensificou na segunda metade do século XIX. Segundo ele, "(...) o calendário religioso amplia-se e as duas corporações compostas de coro e orquestra, sentem a necessidade de ampliar seus repertórios, num sentido competitivo de fornecer a melhor música a quem as contratasse". ²  Com isso, a atividade musical se tornou uma via que conferia prestígio aos melhores executantes e, principalmente, aos compositores. Daí, o crescente surto de composições em São João del-Rei no século XIX.

(COELHO, 2011, 140-1) descreve como Aluízio José Viegas esclareceu racionalmente a questão da ascendência e da data de nascimento do maestro e compositor João da Matta, através do seu batistério: 
Para chegar aos dados sobre o nascimento de João da Matta, procuramos o Arquivo Diocesano da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar em São João del-Rei na pessoa de Aluízio Viegas. Sabíamos que ele era negro, natural de São João del-Rei, mas não havia qualquer indicação de sua ascendência, nem de sua data de nascimento. O que é certo é que ele havia morrido em Serranos, município de Aiuruoca, no dia 4 de junho de 1909. Uma outra dificuldade: o sobrenome 'da Matta' não era muito comum para famílias são-joanenses do século XIX. Viegas procurou, então, o dia em que era comemorado 'São João da Mata', uma vez que batizar o filho com o nome do santo do dia era uma prática comum. Identificado o dia do santo, 8 de fevereiro, a partir daí a tarefa passou a ser localizar alguma criança negra de nome João que tivesse sido batizada alguns dias ou semanas após essa data cerca de 65 a 75 anos aproximadamente, antes da sua morte em 1909. Ou seja, procurar inicialmente batizandos de nome João no mês de fevereiro na década de 1840. Um dos registros encontrados foi o seguinte *:  
João – innocente – crioulo – escravo – Aos vinte e quatro dias do mez de Março de mil oitocentos e quarenta e quatro nesta Igreja Matriz de N. S. do Pilar da Cidade de São João d’El Rei, o Reverendo Coadjutor Bernardino de Souza Caldas baptisou solemnemente e pos os Santos Oleos a João, innocente, crioulo, filho natural de Maria Africana, escrava de D. Anna Narciza de Jesus, nascido a oito de Fevereiro do mesmo anno. Foi Padrinho José Pedro Guimarães, solteiro, todos desta Freguesia. E para constar mandei fazer este assentamento que assignei. Era ut supra.
O Vig.° Luiz José Dias Custódio 

* Conforme Livro de Batizados nº 5 (1843-1854), fl. 46.
A probabilidade é alta de ser esse o registro do batismo de João da Matta ³, visto que a data do nascimento é a mesma do dia de 'São João da Mata' e ser esse o único registro de uma criança negra, de nome João, que poderia ter uma idade presumida de aproximadamente 70 anos ao morrer em 1909. No caso, se esse registro for o dele realmente, João da Mata teria 65 anos quando faleceu.
Aceitando-se a hipótese que ele poderia ter vivido um pouco mais, encontramos o registro de um menino de nome João, filho do casal de forros João Mata Nogueira e Antônia Maria Sampaio , batizado em 28 de maio de 1832. O nome do pai da criança reforça a suspeita de ser este o registro de batismo de João da Mata. * A idade dele, ao falecer, seria de 77 anos aproximadamente. 
“(...) Aos vinte oito de Maio de mil oito centos e trinta e dois nesta Matriz de Nossa Senhora do Pillar da Villa de São João de El Rey o Reverendo Coadjutor Joaquim Joze de Souza Lira baptisou e pos os Santos Oleos a João filho legitimo de João da Mata e Antonia Maria de São Pio sendo os padrinhos Manoel Joze da Costa Machado, e Joanna Maria Joze Albuquerque (?) Carmelo (?) todos desta Freguezia.
O Vig.° Luiz José Dias Custódio 

* Conforme Livro de Batizados de 1819-1837, fl. 311v.
Os dois registros têm chance de serem o verdadeiro batistério do maestro são-joanense. O fato de o primeiro mostrar que ele poderia ter nascido escravo não descarta a hipótese de ter sido alforriado ainda criança, haja vista que ele recebeu algum tipo de educação formal além da educação musical propriamente dita. Sua caligrafia nas peças originais, ainda conservadas nos arquivos das orquestras, demonstra isso.

Por fim, localizei no arquivo da Prefeitura a Lei nº 436, de 26/02/1925, aprovada por Basílio de Magalhães, então chefe do Executivo Municipal, decidindo renomear a rua Progresso no bairro do Bonfim, com a nova denominação de João da Matta, em honra ao ilustre maestro e compositor, que lecionou e se apresentou profissionalmente em concertos na corte e por todo o Oeste e Sul de Minas,  projetando com o seu talento artístico o nome de São João del-Rei.
Lei Municipal nº 436, de 26/02/1925



OBRAS SACRAS DE JOÃO FRANCISCO DA MATTA

Tota pulchra es Maria – antífona
Missa Stella Maris
Missa São Sebastião
Missa de Santa Cecília
Missa Assunção de Maria
Missa da Sacra Família
Missa “La Speranza”
Missa Nossa Senhora de Lourdes
Veni e Domine da Sacra Família
Veni e Domine para a Novena de Nossa Senhora do Carmo
Sub tuum præsidium – antífona
Hino à Santíssima Trindade
Hino à Santíssima Virgem – Tota pulchra (em si bemol)
Ave Regina Cælorum
Ave Maria
Hino de Santa Teresa de Jesus
Stabat Mater nº 1 em si bemol (executada na Sexta-feira Santa na Solene Ação Litúrgica durante a Adoração da Cruz, em nossa cidade)
Stabat Mater nº 2
Vidit suum
Te Deum nº 1
Te Deum de Santa Efigênia
Te Deum “Rosa de Ouro”
Tantum Ergo
Ecce Sacerdos Magnus
Semeorum – antífona
O Sacrum Convivium
Ave Maris Stella – antífona
Quem terra pontus – solo ao pregador
Regina Mundi – antífona
Benedictus – alternado – a cappella
Marcha Fúnebre conhecida por "João da Matta" (executada na Quarta-feira Santa, após a visitação aos "passinhos" e ao término da Procissão das Dores, no interior da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Prados; também na Procissão do Enterro)
Marcha de Sant'Anna

MÚSICAS PROFANAS COMPOSTAS POR JOÃO DA MATTA

Tango das Moças (impressa em Juiz de Fora, na tipografia dos Drs. Leite Ribeiro & Cia.)
Marcha Fúnebre (RJ/Narciso & Arthur Napoleão/1870)
Minh'Alma é Triste (poesia de Casimiro de Abreu musicada)
Os Monarchas (quadrilhas para banda)
Miragem! (marcha festiva)
Canção dos cantos miridionaes (poesia de Fagundes Varella musicada)
Romance do moço loiro (poesia de Joaquim Manuel de Macedo musicada)

SUGESTÃO PARA AUDIÇÃO DE OBRAS DO MAESTRO JOÃO DA MATTA NO YOUTUBE

1) Marcha Fúnebre "João da Matta"
https://youtu.be/0PhpWXmcM84

2) Tota Pulchra es Maria
https://youtu.be/WqZwrraT7Vk 

3) Stabat Mater em si bemol 
https://youtu.be/OWjZUHMjaag


NOTAS EXPLICATIVAS


¹   NEVES, José Maria. Situação e problemática da música mineira contemporânea. SEMINÁRIO SOBRE CULTURA MINEIRA, Belo Horizonte: CECMG, 1980, p. 95, apud COELHO, Eduardo Lara:  Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX, p. 33.

²  VIEGAS, Aluízio José. Música em São João del-Rei de 1717 a 1900. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, São João del-Rei, nº V, 1987, p. 53-65. 

³  Parece não ser este o registro de batismo a que se referia Aluízio Viegas, por ser completo e legível por qualquer pessoa, bem como não apresentar qualquer lacuna.

  Salvo engano de minha parte, dou uma solução alternativa para os pais do menino de nome "João, filho legitimo de João da Mata e Antonia Maria de São Pio". 

  De acordo com o testemunho do presidente da Academia, é mais provável que seja este o assento de batismo a que Aluízio José Viegas se referia, já que, de acordo com aquele, possuía uma lacuna, e é o caso deste registro.


O autor e André Eustáquio Melo de Oliveira, editor-chefe do Jornal das Lajes, de Resende Costa


O autor e sua esposa Rute Pardini

 
AGRADECIMENTOS  


Gostaria de deixar aqui consignada minha gratidão a todos os que contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa, especialmente:
•  minha esposa Rute Pardini pela maioria das fotos exibidas nesta apresentação e pelas boas ideias, incentivo permanente e tolerância sempre presente;
•  o chefe do setor responsável pela denominação de ruas da Prefeitura de São João del-Rei, Sr. Emanuel Machado;
•  Giovani Alves de Paula e Mauro André Santos, respectivamente responsáveis pelo Arquivo Paroquial e pelo Museu de Arte Sacra, por me terem franqueado as portas dos órgãos para os quais trabalham;
•  Cláudia Lúcia, diretora da Biblioteca Baptista Caetano de Almeida que completou, em 15/08/2017, 190 anos de prestação ininterrupta de serviços a seus leitores, por disponibilizar a este pesquisador condições de consultar periódicos antigos;
•  historiador Silvério Parada, que teve a paciência de reconstituir duas fotografias de João da Matta, a pedido de Aluízio José Viegas;
•  e, finalmente e sobretudo, o confrade, historiador e expert em informática Paulo Chaves Filho, que dedicou seu tempo e conhecimento à formatação do material para a palestra, com o apoio de desenho gráfico e projeção em datashow. 

   

BIBLIOGRAFIA 







CINTRA, Sebastião de Oliveira: Efemérides de São João del-Rei, Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1982, 2 vol., 622 p. 

Idem: Maestro e Compositor João da Mata – Glória da cultura musical sanjoanense, jornal TRIBUNA SANJOANENSE, Ano XXVII, de 14 de novembro de 1995, nº 824, p. 2 

COELHO, Eduardo Lara:  Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX, disponibilizado na Internet in
http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/pghis/Dissertacao__eduardo_lara_coelho.pdf  Acesso em 05/08/2017. 

FONSECA, Luiz: Expressão Cultural: João da Matta. Jornal Pérolas do Samba, São João del-Rei, Ano 0, edição nº 6, de dezembro de 2008, p. 8

Jornal Pérolas do Samba, São João del-Rei, Ano 0, edição nº 6, de dezembro de 2008, p. 8

JÚNIOR, Bento Ernesto: A Música em São João del-Rei, jornal A TRIBUNA, edição nº 1268

NETO, J.R., SACRAMENTO, J.A.A. & RAMALHO, O.A.: Pátria Mineira, site sobre a história de São João del-Rei. http://www.patriamineira.com.br/arquivos.php Acesso em 16/08/2017.

VIEGAS, Aluízio José: Música em São João del-Rei de 1717 a 1900. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, São João del-Rei, nº V, 1987, p. 53-65.