sexta-feira, 28 de setembro de 2018

OS DOCES ENCANTOS DA FÉ


Por Amaro Alves


Hoje, 27 de setembro de 2018, dia de São Cosme e São Damião, voltei 65 anos no tempo. Vejo-me na velha rua Capitão Machado, número 335, fundos, chegando das aulas do 4° ano primário, preparando-me para um dos dias mais doces da minha vida.
- “Hoje é dia de Cosme Damião! Largar os cadernos e correr pelas ruas!”.

Os adultos nos corrigem. São dois santos e não um como proferimos em nossa apressada dicção. Cosme e Damião eram irmãos gêmeos e muitos creem que foram médicos, canonizados pelo milagre que realizaram com o transplante da perna gangrenada de um sacristão. Nas religiões de matriz africana são sincretizados como entidades infantis, razão pela qual a distribuição de doces agrega valor afetivo e religioso ao dia 27 de setembro. Os doutores Cosme e Damião morreram 300 anos depois de Cristo, deixando um legado de bondade e dedicação aos mais necessitados.

Hoje não é dia de almoçar comida salgada, pois os doces nos saciarão a fome de crianças pobres, eternamente desejosas dos sabores da vida. 

Logo na chegada em casa, recebo meus doces, tal como acontece desde tenra infância, pois há uma crença de que doces ofertados para crianças caçulas têm maior força no cumprimento de promessas aos santos médicos. Tenho fornecedores de fé inabalável, que percorrem a vizinhança em busca de “seus” caçulas, na certeza de que somos intermediários poderosos na sua sincera devoção aos Santos das Crianças. Fico feliz em ser caçula nesse dia, mas não gosto de ser Amaro, quando a fila para vacina e injeção no posto de saúde da escola é chamada por ordem alfabética. Nessas horas, almejava ser Zoroastro, Vítor...

Entro em casa e vou logo procurar o saquinho de doces da dona Marlene, uma das mulheres mais ricas da rua. Sua casa destoa da simplicidade mediana das outras residências da vizinhança. Nenhuma pessoa que não fosse de sua família entrara naquela casa de fachada bonita, com a inscrição “Lar de Marlene 1933”. Seu marido sai cedo, volta tarde da noite e ninguém sabe onde trabalha. Seus três filhos estudam “lá pra baixo”, no rumo do centro da cidade, cujas escolas ninguém conhece na rua. Eles têm uma das poucas geladeiras entre os moradores da rua, cujo gelo só pode ser pedido pelos mais pobres depois da extração de dentes. Certa vez, minha tia Iracy extraiu um dente e eu pude, pela primeira vez, experimentar uma limonada com pedras de gelo, graças à piedade de dona Marlene.

Entretanto, é no dia de “Cosme Damião” que sou celebridade na minha casa. Tenho o privilégio de receber os doces personalizados e endereçados aos caçulas. Que capricho! Que qualidade! Parece que os doces de dona Marlene vêm de outro planeta. Bem embalados, cheirosos, saborosos, doces demais. Na santa ignorância da infância eu não compreendia que os doces eram sinceros pagamentos adiantados ou atrasados de promessas aos Santos Gêmeos.

Os devotos mais pobres ofereciam doces mais modestos, muito longe dos padrões de dona Marlene, sendo o mais rejeitado um insosso e sem sabor, derivado de milho, que a criançada apelidava de “cocô de rato”.

O dia 27 de setembro sempre foi especial no imaginário infantil daquelas épocas. Os bairros de subúrbio ficavam entregues às crianças e a seus devaneios em busca dos doces, que se amontoavam em pilhas nas casas dos mais ativos e vigorosos. Embora poucos e de pequena gravidade, aconteciam acidentes com os meninos e meninas, que soltos nas ruas, desconheciam os perigos do trânsito do bairro. 

E como tudo é irreverência na cultura carioca, preparávamos uma armadilha para os incautos.

Sempre havia filas diante dos portões das casas onde ocorria a distribuição de doces e, depois de sua coleta, saíamos anunciando e apontando o rumo da fartura: “Ali está dando!”. E a turba dos pequeninos rumava para lá em desabalada correria.

Mas, nem sempre a notícia era verdadeira. Esperávamos juntar um bom número de coleguinhas e apontávamos para o outro quarteirão além da esquina e gritávamos:
-“Ali está dando!!”.

E quando a turba dos pequenos chegava, correndo, na curva da esquina, completávamos o verso:
- Cocô de rato, vai levando!!”

Em seguida, fugíamos para o doce abrigo de nossas casas. 

Que São Cosme e São Damião nos perdoem.


                                                                              (*) Sanitarista aposentado, fotógrafo de Natureza.

sábado, 22 de setembro de 2018

Colaborador: PAULO JOSÉ DE OLIVEIRA ("PAJO")


































PAULO JOSÉ DE OLIVEIRA ("PAJO") é Bacharel em Turismo (Fatur-UNIFOR/MG), Educador Ambiental (UnB-DF), Técnico em Eventos (IFMG), Especializado em Gestão de Projetos (UFRJ/SENAC-DF/MinC) , tendo frequentado vários outros cursos.

Ativista e Gestor Eco-Ambiental, Classista, Humanista e Sócio-Cultural. 

Proprietário da AGÊNCIA PAJOOL CLUSTER DE ASSESSORIA, CONSULTORIA E SERVIÇOS - AG Cluster 

Coordenador do COLECULT Atelier das Artes e das Ongs 

Coordenador da Central Movimentos Populares de Formiga - CMP/Fga. 

Diretor Financeiro, de Comunicação, Eventos e Projetos da Academia Formiguense de Letras - AFL 

Presidente do Clube Literário Marconi Montoli - CLMM 

Diretor Secretário da Federação das Academias de Letras e Entidades Culturais de Minas Gerais - FALEMG 

Membro da Federação Brasileira de Alternativos Culturais - FEBAC 

Acadêmico Correspondente da Academia Lavrense de Letras - ALL/Lavras-MG 

Acadêmico Efetivo da Academia de Letras, Artes e Ciências do Brasil- ALACIB/Mariana-MG 

Acadêmico Correspondente da Academia de Letras e Artes de Ribeirão das Neves - ANELCA 

Acadêmico Correspondente da Academia de Letras e Artes da Serra - ALEAS - Serra/ES 

Diretor Conselheiro da Associação dos Amigos da Cultura da Cidade de Formiga - AACCF 

Membro da Assembléia da Fundação Universitária do Oeste de Minas - FUOM (Mantenedora do Centro Universitário de Formiga - UNIFOR/MG) 

Membro da Associação Internacional Poetas Del Mundo 

Membro do Grupo Á.G.U.I.A. - Águia Pajo 

Diretor Conselheiro da Assoc. Cult. e Teatral Taliquali - Cia. Taliquali 

Curador da Biblioteca Comunitária da Saúde - BIBLIOSà

Curador da Biblioteca Comunitária Formiga de Letras - BIBLIOFOLE 

Diretor Presidente do 7ª Arte Cine Clube Formiga - 7ª Arte Fga. 

Presidente do Clube Formiguense de Filatelia, Numismática e Telecartofilia - FORFINUTE 

Ex-Conselheiro nos Conselhos Municipal e Estadual de Cultura de MG 

Diretor Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Serviços de Saúde Privados e Filantrópicos de Formiga - SINTESSFOR 

Membro da CSP Conlutas - Regional Centro Oeste de MG 

Coordenador da Comissão Intersindical Formiga - CISF 

Conselheiro na CNR, URC ASF e Plenário do COPAM MG 

Conselheiro Suplente no CERH-MG 

Conselheiro no CBHSF1 

Conselheiro do CODEMA/Pains-MG 

Conselheiro no CCPN D. Ziza 

Conselheiro no CCEECO 

Conselheiro no CEUA-CPPAR-Jabotical/SP 

Diretor Presidente da Associação Pró Pouso Alegre - APPA 

Diretor Presidente do Clube de Observadores de Aves do Alto São Francisco - COA ASF 

Diretor de Comunicação do Espeleogrupo Pains - EPA 

Diretor Secretário da Associação Protetora dos Animais de Formiga - APAF 

Diretor Conselheiro da Associação Columbófila de Fga. - COLUMBO 

Diretor Conselheiro da Associação dos Diabéticos de Formiga e Região Centro Oeste de MG - ASSODIFOR 

Diretor Vice - Presidente da Associação Pró Saúde Mental de Formiga - APROSAM 

Membro Ativista da Anistia Internacional - AI (RAU-Brasil - DHs. RA-COMG) 

Coordenador do Cluster Nacional Indigenista Solidário - C´INDIO`S 

Coordenador do O. W. Cluster Místico 

Embaixador Universal da Paz - RCO MG - Brasil - Cercle Univ. Ambassadeurs de la Paix (França/Suécia) 

Comendador da Cultura e da Paz (ALES e PPDM) 

Detentor de inúmeras outras Homenagens, Troféus, Comendas, Certificados, e outros. 


(37) 99923.8122 
Formiga – MG – Brasil 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

COMEMORAÇÃO DO 9º ANIVERSÁRIO DA ACADEMIA FORMIGUENSE DE LETRAS (AFL)


Por Paulo José de Oliveira *
Diretor de Comunicação, Eventos e Cerimonial da Academia Formiguense de Letras - AFL
 
Com evento de pompa e seleta presença de um público especial composto de Acadêmicos e Acadêmicas, familiares, convidados e amigos, comemorou-se o 9º Aniversário da Academia Formiguense de Letras - AFL no dia 17 de agosto de 2018, em Formiga, MG. Na mesma oportunidade, aconteceu a concorrida solenidade de inauguração da Sala Sede da AFL, cedida em comodato pela Prefeitura de Formiga. 
Sob a condução deste Acadêmico, a programação teve início às 19:30 horas, no Centro Cultural Acadêmico Claudinê Silvio Santos (cujo imóvel tinha até então, o nome de "Casa do Engenheiro"), e onde hoje abriga a Secretaria Municipal de Cultura (SECULT), situada na Rua Chico Goião, s/nº, no Bairro Santa Teresa, em Formiga – MG. 
Inicialmente, falou aos presentes o presidente interino da AFL Dr. Sérgio Ricardo Gomes, o qual enalteceu os esforços empreendidos para a inauguração e ocupação da sala sede, cedida naquele rico espaço pela SECULT, e elogiou as gestões feitas por este Acadêmico, autor do projeto de uso da sala, e seus bons serviços junto ao Secretário Municipal de Cultura Alex Alvarenga Arouca e ao Prefeito Municipal Eugênio Vilela Junior. 

Também fizeram uso da palavra os seguintes ilustres convidados: Dr. Arnaldo Ribeiro de Souza (Presidente da Academia Itaunense de Letras e membro da Academia Cordisburguense de Letras), Professor Rosalvo Pinto (da Academia de Letras de São João del-Rei) e sua esposa Bete, Sr. Gilberto dos Santos (da AMAFURNAS), Sra. Gislene Aparecida Santana Pinto (representando as Bibliotecas Públicas), Sr. Ezi Flávio Fonseca do Clube Literário Marconi Montoli (CLMM), e os Acadêmicos Sr. Paulo Bonifácio Ribeiro e Dr. Edson José Tavares, ambos de Belo Horizonte, Dr. José Pereira de Sousa, Dr. Ubiratan de Brito Mota, Dr. Wilson Alves Figueira, Professora Maria Aparecida Campos Segundo, Sra. Maria Cecilia Nunes Teixeira, Sr. Osorio Garcia Pereira, Sr. Eduardo Ribeiro de Carvalho, dentre outros. Entre os ilustres convidados, estavam os renomados concertistas da noite, Acadêmico Correspondente da AFL Francisco José dos Santos Braga* e sua esposa Rute Pardini Braga*, da cidade de São João del-Rei, MG. 
Prof. Dr. Wilson Alves Figueira,  Acadêmico Capitão José Pereira de Souza e Prof. Rosalvo Pinto
Dr. Ubiratan de Brito Mota e sua esposa Lana Mota, acompanhados de D. Luiza Soares Carvalho de Castro
Pianista Francisco Braga e Acadêmico Eduardo Ribeiro de Carvalho
Pajo e Emilly B. Santos Leal
Todos atentos às palavras do Dr. Ubiratan de Brito Mota

No Ato Solene de inauguração da sala, descerraram a fita simbólica os Acadêmicos Dr. Leonardo W. de Almeida (presidente licenciado da AFL), este Acadêmico e o convidado especial da noite Acadêmico Francisco José dos Santos Braga. 

Como um dos pontos altos e super aplaudidos, o sodalício teve em sua programação a esplêndida apresentação artística do Duo formado por Rute Pardini (Canto Lírico) e Acadêmico Francisco Braga ao Piano (de São João del-Rei, MG), com o seguinte repertório: 
Monsenhor Marco Frisina: Magnificat (em latim) 
Johannes Brahms: Da unten im Tale (em alemão) 
Franz Schubert: Seligkeit (em alemão) 
Anton Rubinstein: The Wanderer's Night Song (em russo) 
Chiquinha Gonzaga: Lua Branca e As Pombas (Letra: Raimundo Corrêa) 
Villa-Lobos: Lundú da Marqueza de Santos (Letra: Viriato Corrêa)
Marcello Tupynambá: Eu tenho adoração por meus olhos... (Letra de Cleomenes Campos) 
Richard Rodgers: Edelweiss; e outras. 















Finalizando a solenidade de inauguração, foi servido um coquetel aos presentes, fechando assim as comemorações do 9º aniversário de fundação da AFL, ocorrida em 04 de maio de 2009. 
Francisco Braga, Rute Pardini, Acadêmico Paulo Bonifácio Ribeiro (Pabro) e Pajo
Francisco Braga, Rute Pardini, Acadêmico Paulo Bonifácio Ribeiro (Pabro), Pajo, Prof. Dr. Arnaldo de Souza Ribeiro, Bete e Prof. Rosalvo Pinto

O evento teve ainda, além do CLMM, o apoio do Colecult Atelier das Artes e das ONGs UBT Subseção Formiga e AG Cluster, e da Prefeitura Municipal, por meio da SECULT. 

Paralelamente ao evento, fora realizada naquele espaço, de forma especial e em conjunto com o Clube Literário Marconi Montoli (CLMM) que também inauguraria naquele imóvel a sua Sala Sede no sábado 18 de agosto de 2018 (festejo que contou também com a apresentação artística do Duo formado por Rute Pardini e Francisco Braga), uma Exposição Cultural tendo como atrativos: O Mural Mulheres Emergentes (ME) da poetisa belo-horizontina Tânia Diniz; a Exposição Fotográfica de Joe Bazílio Costa sobre o filme Faroeste; a Exposição do Acervo Histórico e Documental das entidades AFL e CLMM, entre outros. 

Sobre os Concertistas
FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA, natural e residente em São João del-Rei, é escritor, pianista e compositor, além de tradutor para o português de obras da literatura grega, latina, russa, polonesa, alemã, inglesa e francesa. Gerente do Blog do Braga e Blog de São João del-Rei. É bacharel em Música com habilitação em Composição (2008), pela UnB. Participa de várias Academias: 
• sócio efetivo da Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei e da Academia Divinopolitana de Letras 
 • sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do DF, da Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto (Valença, RJ), do Instituto Histórico e Geográfico de Campanha, da Academia Barbacenense de Letras, da Academia Formiguense de Letras e da Academia Lavrense de Letras. 
Foi agraciado com os seguintes títulos e honrarias: 
• Comenda da Liberdade e Cidadania em sua 1ª edição (Fazenda do Pombal, 13/11/2011) 
• Medalha do Mérito Cívico “Tomás Antônio Gonzaga” (Ouro Preto, 15/11/2011) 
• Medalha comemorativa dos 30 anos da Academia de Letras de Brasília (20/03/2012) 
• Medalha “Frei Orlando-Patrono do SAREx (1913-2013)” concedida pelo Comando Militar do Oeste (dezembro de 2013) 
• Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de SJDR (14/12/2015) 
Apresenta-se em concerto e recitais por todo o País. 

RUTE PARDINI BRAGA, natural de Divinópolis, é cantora lírica e escritora. É bacharel em Música com habilitação em Canto Lírico (2008), pela UnB. Orientadoras: soprano Hildalea Gaidzakian (na Faculdade Mozarteum, em São Paulo), soprano Honorina Barra (nos Cursos Internacionais de Verão na Escola de Música de Brasília), soprano Irene Bentley e soprano Denise Tavares, ambas professoras da UnB. Em 2003 participou do “Curso de Invierno de Técnica vocal y Actuación dinâmica” sob a orientação de Suzana de Sanches Lacorazza, no Instituto Superior de Arte del Teatro Colón, em Buenos Aires. 
Participou das seguintes óperas: 
As Bodas de Fígaro, de Mozart, como “Susanna” no Teatro Ulysses Guimarães da UNIP, em Brasília (13 e 16/12/2004) 
Carmen, de Georges Bizet, como “cigana Frasquita” no Teatro SESC de Taguatinga e na Sala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília (4 e 5/07/2005) 
O Sonho de Lady Macbeth, como “Voz Lírica”, encenada na praça e na rampa do Museu da República, em Brasília, durante 3 noites, sob a direção do diretor Willian Lopes; trilha sonora (eletroacústica) composta pelo Prof. Conrado de Marco e sua ex-aluna Janaína Sabino. 
Títulos e premiações: 
• Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Academia Divinopolitana de Letras “em reconhecimento e gratidão ao apoio dispensado ao Sodalício, durante o ano de 2015” 
 • Troféu ORFEU 2016 ofertado pela Academia Divinopolitana de Letras (11/03/2016) 
Apresenta-se em concertos e recitais por todo o País.


* Coordenação Acadêmica do Evento: Acadêmico Paulo José de Oliveira ("Pajo") 
Crédito pelas fotos: Acadêmicos Paulo Bonifácio Ribeiro (Pabro Poeta) e Paulo José de Oliveira ("Pajo")
Filmagem: Acadêmico Paulo Bonifácio Ribeiro - Pabro

1ª EXPOSIÇÃO DE FAUNA E FLORA BRASILEIRAS




Por Mario Pellegrini Cupello e Elizabeth Santos Cupello




    I.  INTRODUÇÃO





Atendendo a uma gentil sugestão do Maestro Francisco José dos Santos Braga, através de seu tradicional “Blog de São João del-Rei”, segue uma breve descrição do que foi a “1ª Exposição de Fauna e Flora Brasileiras” levada a efeito no período de 23 de novembro a 15 de dezembro de 1991, na cidade de Valença RJ, realizada pelo casal Mario Pellegrini Cupello e Elizabeth Santos Cupello, através do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto – ICVRP, do qual são fundadores e dirigentes. 

A propósito, o amigo e Confrade Maestro Braga honra-nos como um entre os mais ilustres Membros Correspondentes desse ICVRP. 

Permitam-me colher esta oportunidade para uma breve apresentação do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, criado em 07/setembro/1990, que vem desde então promovendo ações culturais na cidade de Valença RJ e Região, além de participações na área da cultura em várias cidades dos Estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Essas ações compreendem temas de incentivo à cultura, como: exposições; palestras; cursos; simpósios; concursos literários; criação de Revistas e periódicos; além de publicação de artigos em revistas e jornais; encaminhamentos ao Poder Legislativo Municipal e Estadual de sugestões para aprovação de Leis voltadas à cultura; além da implantação de um Museu, na cidade de Valença, o “Museu da Catedral de Nossa Senhora da Glória”, no 2º pavimento sobre a Sacristia da Igreja Catedral.   

Por essas e outras atividades, o Instituto Cultural Visconde do Rio Preto é hoje reconhecido como uma instituição valenciana que já se consagrou na opinião pública como entidade comprometida com o desenvolvimento cultural de nosso País, em especial da região sul-fluminense onde a cidade de Valença se insere. 

  

II.  A EXPOSIÇÃO


Entre as mais significativas exposições realizadas por este Instituto, merece destaque a “1ª EXPOSIÇÃO DE FAUNA E FLORA BRASILEIRAS”, que teve como objetivo mostrar ao grande público e, em especial, aos jovens estudantes da cidade, um pouco da exuberância da fauna e da flora brasileiras, dentro de conceitos didáticos e científicos.

Cartaz da Exposição - Desenho: Mario P. Cupello
 

Para a realização da 1ª Exposição de Fauna e Flora Brasileiras, o Instituto Cultural Visconde do Rio Preto contou à época – além do apoio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – com a colaboração técnica e científica de várias entidades, entre elas: o Museu Nacional da Quinta da Boa Vista; o Museu da Fauna do Ibama; a Fundação Jardim Zoológico da Cidade do Rio de Janeiro; a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza; a Cia. Fio Cruz; a Petrobrás; além do apoio da Prefeitura Municipal de Valença; da Editora Valença S/A; da Firma Macoval; e, em especial, da Fundação Casa Léa Pentagna, à qual pertencíamos, que cedeu seu espaço físico para a realização do evento.

Na fase de preparação desta Exposição, que demandou algumas viagens a Seropédica (UFRRJ) e a vários Museus no Rio de Janeiro, o casal organizador desta Exposição, Mario e Elizabeth, fez importantes contatos com cientistas, professores e diretores de Museus que desde o início se mostraram receptivos a esta (segundo eles) importante iniciativa cultural.

Na foto, da esquerda para a direita, Professores da UFRRJ: Adriano, José Luiz e Massard, selecionando espécimes para a exposição. Também presente o Prof. Mario Cupello.
Na foto, professores no laboratório da UFRRJ, ao selecionarem espécimes.










À direita, o então Vice-Diretor do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, Prof. Monné Barrios, no momento em que, gentilmente, auxiliava na colocação de materiais cedidos à Exposição, no interior do caminhão de transporte.

     

  Em relação à Fauna, a exposição mostrou espécimes taxidermizados desde o fundo dos mares, como os equinodermos (animais metazoários como estrelas-do-mar, pepinos-do-mar, serpentes-do-mar, etc.), até as aves que embelezam os nossos céus e as nossas matas.




















Prof.ª Elizabeth Santos Cupello ao recepcionar o Dr. Domenico Petrillo, Médico e Professor da Faculdade de Medicina de Valença, em visita à Exposição.
Arquiteto Mario Cupello, orientando alunos em uma visita guiada à Exposição.








Alunos de colégios valencianos em visita à Exposição, tendo à frente inúmeros animais taxidermizados.







 
Prof. José Luiz, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, que se colocou à disposição do evento, orientando alunos e visitantes sobre detalhes da fauna e flora brasileiras.


Lá estiveram expostos peixes, répteis, batráquios, anfíbios, uma grande variedade de aves marinhas e terrestres, além de mamíferos de várias espécies. 

Macaco Prego e macaco Carvoeiro













Jaguatirica, Gato-do-mato e Mico-leão-dourado
Peixes e crustáceos de médio e pequeno porte














Cobras e outros répteis, conservados em álcool









Esqueleto de pato e cabeça de tambaqui
Interesse de alunos nos animais em exposição
Dissecação de um sapo











 

Algumas curiosidades chamaram a atenção do grande público, como por exemplo, o menor sapo adulto do mundo, medindo 1 (um) centímetro – só existente na Floresta do Tinguá-RJ – ou um megaquiróptero, um morcego frugívoro com 85 centímetros de envergadura. Entre inúmeros espécimes da fauna, lá estavam: a cabeça de um tubarão martelo; além de uma “barata de praia” com mais de 30 centímetros de comprimento. 

Megaquiróptero - ou "raposa voadora" - África, Ásia e Indo-Austrália
  
Quanto à flora, encontraram-se em exposição várias espécies vegetais de nossa Região, além de um amplo acervo sobre “Madeiras do Brasil”, expostas através de pequenos tacos de madeira com medidas uniformes, devidamente catalogadas: uma mostra da grande variedade de exemplares de madeiras de todo o Brasil, muitas totalmente desconhecidas até mesmo de alguns botânicos que prestigiaram a Exposição com suas presenças. 

  








 








 
Quase todo o espaço disponível na Fundação Casa Léa Pentagna – instituição que nos cedeu seus salões para esta Exposição – foram ocupados com espécimes da fauna e da flora brasileira, além de cartazes didáticos com fotos e informações técnicas que muito contribuíram para o sucesso da Exposição.


Foi grande o interesse demonstrado pelos visitantes, em especial pelos jovens alunos da rede escolar das cidades de Valença e de Rio das Flores, cujos Colégios prestigiaram o evento


Além deste registro memorialista, cabe um reiterado agradecimento à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ que, compreendendo a importância daquele evento, gentilmente colocou todos os seus Departamentos Científicos à disposição dos organizadores da Exposição.  Cada Departamento cedeu, por empréstimo, importantes peças que enriqueceram aquela Exposição.




Tal foi a repercussão do evento que a Rede Globo, através do Programa Globo Rural, deu notícia daquela Exposição, informando dias e horários de funcionamento, incentivando a visitação e parabenizando aos seus organizadores.


Além do rico e variado acervo físico, como aves e animais silvícolas taxidermizados – entre eles alguns felinos e um Mico Leão Dourado – muitos painéis ilustrativos completaram as informações técnicas e científicas sobre a riqueza da fauna e da flora brasileiras.


A UFRRJ, visando a divulgação de várias espécies da flora brasileira, cedeu mudas de inúmeras plantas aos organizadores da Exposição, para que elas não só ficassem à mostra, como poderiam ser adquiridas, ao final, por pessoas que por elas se interessassem.


Vale registrar, por oportuno, que ao término da Exposição todo o material devidamente catalogado e cedido por empréstimo pelas instituições que participaram daquele evento, foram devolvidos sob recibo junto aos melhores e formais agradecimentos do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, através de seus organizadores. 


O que mais recompensou todo o esforço e o trabalho para a montagem daquela Exposição – que demandou 4 meses de preparação – foi a presença de um grande público interessado em cultura, com destaque para centenas de jovens estudantes que lá compareceram em visitas organizadas pelos Colégios de Valença e da Região: jovens que a todo instante se mostravam ávidos em receber maiores informações sobre a ampla variedade da fauna e da flora brasileira em exposição. 



 Segundo o Jornal “Tribuna da Serra”, de Valença RJ – edição de 13/12/1991 – (sic):

“Entre mais de 2000 pessoas que visitaram a Exposição, o comentário geral foi de reconhecimento pelo trabalho do casal Mario e Beth, dirigentes do ICVRP, que proporcionaram aos valencianos a oportunidade de observarem peças de Museus, que somente poderiam ser vistas, se fossem ao Rio de Janeiro.  Diante disso, só resta à Redação da Tribuna da Serra parabenizar aos organizadores da Exposição, pela feliz iniciativa, e aos valencianos que se beneficiaram com mais um evento de grande porte.” _________________________________




(*) Os Autores:



Mario Pellegrini Cupello: Arquiteto; diplomado em Direito; Escritor; Palestrante; Pesquisador; Fundador e Presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto; Membro da Academia Valenciana de Letras; Membro Fundador do Instituto Cultural Frederico Guilherme de Albuquerque – Niterói RJ; Membro do Colégio Brasileiro de Genealogia por 15 anos; Membro Fundador da Academia de Ciências Jurídicas de Valença RJ; Membro Correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei; Membro Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei; Membro Correspondente da Fundação Oscar Araripe, Tiradentes MG; Membro Fundador da Academia de Letras Jurídicas de SJDRei e Tiradentes; Membro da Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture – França; entre outras instituições.

Elizabeth Santos Cupello é Advogada; diplomada em Letras; Escritora; Palestrante; Pesquisadora; Fundadora do Centro de Preservação da Memória – 1976; Fundadora e Vice-Presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto; Presidente da Academia Valenciana de Letras em várias gestões; Membro do Colégio Brasileiro de Genealogia por 15 anos; Membro do Conselho Curador da Fundação Léa Pentagna, por 13 anos; Membro Fundador da Academia de Ciências Jurídicas de Valença RJ; Membro Correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei; Membro Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei; Membro Correspondente da Fundação Oscar Araripe, de Tiradentes MG; Membro Fundador da Academia de Letras Jurídicas de SJDRei e Tiradentes; Membro do Conselho de Honra do Instituto Cultural Roque Camêllo – Mariana MG; Membro da Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture – França; entre outras instituições. 






Sobre o Instituto Cultural Visconde do Rio Preto






Criado em 07 de setembro de 1990

Apenas para conhecimento dos inúmeros seguidores do Blog de São João del-Rei, aqui estão as principais ações culturais e realizações do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, através de seus dirigentes: Elizabeth Santos Cupello e Mario Pellegrini Cupello.


               Exposição histórica “Valença – Sertão, Aldeia, Vila e Cidade”, realizada em espaço cedido pela Fundação Educacional D. André Arcoverde.  Essa exposição, realizada pela Profª Elizabeth Santos Cupello, foi um importante garimpo na história de Valença.

               Exposição Filatélica “Flores Literárias” – 1990. Contou com o apoio técnico dos Correios e Telégrafos, do Rio de Janeiro.  Apoio Fundação Casa Léa Pentagna.

               Exposição Filatélica “Temas Variados” – 1991.  Contou com o apoio técnico dos Correios do Rio de Janeiro RJ.  Apoio da Casa da Amizade do Rotary Club de Valença. 

               Realização do 1º Simpósio de Orientação à Mulher – Com aulas práticas e teóricas sobre Direito do Trabalho, Medicina, Meio-Ambiente, Segurança contra incêndio, História e Culinária. Com Certificado de participação.  (1991).

               Realização da “1ª Exposição de Fauna e Flora Brasileiras” de 23/11 a 15/12/1991: apoio técnico-científico de várias instituições do Rio de Janeiro.

               Curso de Filatelia;  apoio dos Correios do Rio de Janeiro – Com Certificado 1993.

               Doações de Livros a Bibliotecas escolares, Municipais e Estaduais de várias cidades fluminenses, mineiras e paulistas.

               Doações de Livros a Bibliotecas de Instituições Culturais em vários Estados.

               Implantação de um Museu de Arte Sacra e popular: “Museu da Catedral de Nossa Senhora da Glória” – com o trabalho pessoal da Vice-Presidente do ICVRP, Drª Elizabeth Santos Cupello, com a recuperação de peças e objetos após dois anos de preparação.

               Exposição “Vida e Obra de Santos Dumont” com o apoio: dos Correios; do Museu Aeroespacial (RJ); e do Museu Cabangu (MG) – 2001.

               Dois Concursos Literários sobre Alberto Santos Dumont: um com alunos da rede pública municipal de Valença e outro com alunos de Rio das Flores RJ.

               Doação de 100 distintivos de lapela para o IHG de São João del-Rei e mais 100 para a Academia de Letras de São João del-Rei, instituições onde os dirigentes do ICVRP são Membros Correspondentes.

               Responsáveis pela Redação de uma revista cultural – “Revista Chafariz - Fonte de informação” – que circulou em Valença e em outras cidades dos Estados do Rio e de Minas Gerais, durante dez anos.

               Criação da Revista “Valença, Opção de Investimentos” – (bilíngue) 1998, a pedido da Prefeitura, com o objetivo da implantação de indústrias no Município de Valença.   Exemplares desta Revista circularam no Brasil, nos EEUU e na Itália.

               Elaboração de um Projeto de autoria do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, encaminhado à Câmara Municipal de Valença, que criou a “Comenda Visconde do Rio Preto”, através do Decreto Legislativo nº 31 de 30/08/2006: a maior honraria concedida pelo Município.

               Elaboração de um Projeto, de autoria dos Dirigentes do ICVRP, encaminhado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – ALERJ, aprovado e transformado em Lei, denominando o trecho da Rodovia que liga as cidades de Valença e Rio das Flores, como “Rodovia Alberto Santos Dumont”.

               Projeto de um Marco Rodoviário no início da “Rodovia Alberto Santos Dumont” – em Valença RJ – em granito, com placa indicativa da denominação e alto-relevo em bronze com a  figura de Alberto Santos Dumont.

               Por inspiração de intelectuais de São João del-Rei, o ICVRP criou o Projeto “Dia da Liberdade” que, apresentado à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, foi aprovado e transformado em Lei nº 5625 de 22/12/2009 e homologado pelo Poder Executivo Estadual.

               Sugestão e apoio à denominação de uma rodovia em São João del-Rei, aprovada pela Câmara Municipal dessa cidade, como: “Avenida Visconde do Rio Preto”.

               Participação efetiva dos dirigentes do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto em várias instituições no Brasil (como Membros e através de intercâmbios culturais) e na França como Membros da “Divine Academie Française des Arts Lettres et Culture”.

               Entre outras atividades do ICVRP, visitas regulares de seus dirigentes a instituições culturais nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.