domingo, 21 de dezembro de 2014

MAESTRO "GUARANÁ", uma das maiores glórias de São João del-Rei (1911-1968)


Por Francisco José dos Santos Braga  *

Este artigo apareceu originalmente no JORNAL DE MINAS, publicado em São João del-Rei, Ano XV, nº 253, 12 a 18/12/2014, p. 2. 



No Dia de Finados fui ao Cemitério das Mercês rememorar e homenagear meus saudosos entes queridos, quando lá me deparei com o amigo e confrade Nêudon Bosco Barbosa, editor do Jornal de Minas, que para ali também se dirigira para prantear seus pais e irmãos já falecidos. Convidei-o a me acompanhar ao túmulo de uma das maiores glórias musicais são-joanenses, o Maestro "Guaraná”, que ele ainda não conhecia. Relatei-lhe o que vai abaixo e, profundamente motivado, incentivou-me a escrever o que se segue.

Gustavo Nogueira de Carvalho, conhecido como Maestro "Guaraná” pelos entendidos ou “Nhonhô Guaraná” pelos familiares e pessoas mais chegadas, nasceu na Rua de São Roque, na cidade de São João del-Rei, em 16 de abril de 1911, filho de Alfredo Ferreira de Carvalho e Henriqueta de Carvalho Nogueira. Foi batizado exatamente um ano depois na Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei.

Em sua juventude, compôs inúmeras peças para revistas encenadas no “Clube Artur Azevedo” em sua cidade natal. Antônio (“Niquinha”) Guerra, em seu livro “Pequena História de Teatro, Circo, Música e Variedades em São João del-Rei -1717 a 1967”, cita, pelo menos, as seguintes revistas teatrais e outras obras que “Guaraná” musicou: “A Mina de Brugudum” (1931), de Agostinho Azevedo; “S. João del-Rei” (1934), do Dr. José Viegas, “com 31 encantadores números de música do jovem e inspirado maestro conterrâneo”, alcançando 8 récitas; opereta “Rosa Branca” (1934), do Capitão Mendes de Holanda; “Cruzeiro do Sul” (1935), do Dr. José Viegas; burleta regional em 2 atos, “Cabocla Bonita” (1935), de Marques Porto e Ari Pavão (musicada por Assis Pacheco e inspirada instrumentação de "Guaraná"); e “Terra das Maravilhas” (1938), em 3 atos, de Antônio Guerra e Alberto Nogueira.

O saudoso e querido maestro são-joanense, festejado compositor das partituras "S. João del-Rei" — "Terra das Maravilhas" e da opereta "Rosa Branca" (GUERRA, 1968: 192)

Parece que de 1939 a meado de 1945, esteve afastado do “Clube Artur Azevedo”, período durante o qual ele estudou com o maestro João Cavalcante, companheiro de farda e regente da Banda do 11º Regimento de Infantaria, sediado em São João del-Rei, tendo sido seu assistente, colaborando com ele devido à sua habilidade de compor arranjos e de tocar, além do violino, alguns instrumentos de sopro. “Guaraná”, além de ter feito muitos arranjos para essa banda, ainda participou como violinista, também sob a regência de seu professor, na Sociedade de Concertos Sinfônicos de São João del-Rei.

De acordo com sua ficha funcional na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, “Guaraná” foi contratado pela emissora no dia 1º de julho de 1945 como violinista e em 4 de julho de 1949 foi promovido para a função de arranjador. Em 1º de outubro de 1954 o nome do cargo passa para maestro e arranjador. Em 1º de agosto de 1955, outra mudança, agora para orquestrador, e a 1º de setembro de 1960 a última mudança de cargo, de orquestrador para maestro arranjador nível 20. Na Rádio Nacional, trabalhou ao lado de muitos ilustres compositores e arranjadores brasileiros, dentre os quais destaco: Radamés Gnattali, Lyrio Panicali, César Guerra-Peixe e Lindolfo Gomes Gaya. O Maestro aposentou-se da Rádio Nacional em 6 de novembro de 1967. Exatamente no dia 24 de fevereiro de 1968, quando estava se dirigindo a São João del-Rei, onde seria jurado no carnaval de 1968, Guaraná sofreu um acidente rodoviário na Rio-Petrópolis, vindo a falecer no Hospital de Petrópolis. 

Segundo o musicólogo são-joanense Aluízio José Viegas, após a aposentadoria, "Guaraná" pretendia voltar definitivamente para sua cidade natal, onde sonhava continuar a exercer suas atividades musicais e tinha alguns planos para a vida musical de São João del-Rei, que infelizmente não chegou a concretizar por superveniente golpe do destino: a fundação de um grupo de música de câmara, para a gravação de músicas de compositores populares são-joanenses, entre os quais se destacam: José Lino, João da Mata, João Feliciano de Souza, José Cantelmo Júnior e José Raimundo de Assis. Na Sociedade de Concertos Sinfônicos, popularmente conhecida por "Sinfônica", contaria com a colaboração do teatrólogo Dr. José Viegas, onde aquele desenvolveria arranjos de operetas. Devido a seus contatos com gravadoras e meios de comunicação na Capital Federal, esperava divulgar e receber apoio para esses projetos. Sonhava também com uma melhor qualificação dos músicos instrumentistas são-joanenses e se propunha a habilitá-los para enfrentarem os grandes palcos nacionais ou estrangeiros.

Sobre sua personalidade nos fala Gentil Palhares em crônica com seu nome: “Sempre modesto, simples, não alardeava os seus conhecimentos e a sua ascensão artística e aqui nos vinha visitar periodicamente. Jamais olvidou, pois, no apogeu da glória, a sua Terra Natal, para onde, dizia-nos sempre, tinha o seu coração voltado. Para os festejos do Carnaval era um visitante assíduo de sua Terra e dizia mesmo: "Estou fugindo do Rio" ― falava e sorria.

Os arranjos do Maestro "Guaraná" eram arrojados, bem como primavam pela qualidade, bom gosto e singularidade, podendo-se dizer que se destacavam das versões de outros arranjadores para as mesmas músicas. Além de produzir 1.015 arranjos/composições para diversos programas da Rádio Nacional, “Guaraná” também desenvolveu uma carreira bem sucedida como dirigente de sua própria orquestra.  O que será enumerado abaixo constitui o que já consegui descobrir de sua atividade como regente/orquestrador, outra vertente de sua capacidade criadora.

Foi ele quem teve a feliz ideia de reunir os instrumentistas associados ao Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro e de produzir o LP de 10 polegadas intitulado "Pérolas da Música Brasileira", lançado com o selo Copacabana em 1955. Partiu dele a ideia de produzir esse LP, ficando também responsável pela regência de todas as peças e por todos os arranjos. As faixas desse LP são as seguintes: Despertar da Montanha, Carinhoso, Linda Flor, Feitiço da Vila, Do Sorriso da Mulher nasceram as Flores, Bentevi Atrevido, Na Baixa do Sapateiro e Tico-tico no Fubá.

Além disso, "Guaraná e Sua Orquestra” participou da gravação de um vinil lançado pela Polydor em 1956, intitulado "Recordando...", com oito faixas dedicadas a clássicos da música popular brasileira.
"Guaraná e Sua Orquestra" ainda participou com o acompanhamento da música "Caminhemos" num disco com 8 faixas que podemos considerar histórico dentro da indústria fonográfica brasileira, "Quando os Maestros se encontram com ÂNGELA MARIA" (1957), por ter sido um dos primeiros discos de 12 polegadas lançado pela Copacabana. Os outros Maestros que participaram da antológica gravação foram: Severino Araújo, Lindolfo Gaya, Renato de Oliveira, Léo Peracchi, Lyrio Panicalli, Gabriel Migliori e Sylvio Mazzucca.

“Guaraná” foi ainda o arranjador de todas as faixas do LP Isto é Lamartine (1963) interpretadas pelo grupo vocal Os Rouxinóis, com composições de Lamartine Babo.

A Câmara Municipal de São João del-Rei houve por bem homenagear o Maestro Guaraná, aprovando denominação de "Gustavo de Carvalho (Guaraná)" à travessa que liga a Praça Francisco Neves à Rua José Mourão.

Por todas essas realizações no campo musical, Maestro "Guaraná", são-joanense dos mais ilustres, que dignificou e engrandeceu sua cidade natal com sua divina música, faz-se merecedor de que nós são-joanenses reverenciemos a sua memória, tributando-lhe nossa gratidão e eterno reconhecimento. 




* O autor tem Bacharelado em Letras e Composição Musical, bem como Mestrado em Administração. Participa ativamente como membro de diversas instituições de cultura no País e no exterior. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com.br/) e é um dos colaboradores e gerente do Blog de São João del-Rei. Escreve artigos e ensaios para revistas, sites e portais de música e periódicos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Os remédios da "MEDICINA VEGETAL" do PADRE GUSTAVO


Por Evandro de Almeida Coelho

Monsenhor Gustavo Ernesto Coelho (1853-1924),  criador  da          MEDICINA  VEGETAL

As propagandas da Medicina Vegetal nos dizem que “não é apenas um remédio para todos os males, mas sim uma receita especial para cada grupo de doenças, conforme o órgão atacado ou sede do mal”.
 
Respeitando as grafias originais, temos a propaganda do Boletim Odontológico Especial de dezembro de 1922 e a de um volante distribuído aqui na cidade de São João del-Rei, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Vejamos.
1.     Mororó - “cura a syphlilis e o herpetismo” ou “depurativo”.
2. Yucaty - “Tratamento das gonorréas, exclusivamente interno” ou “Blenocida (Gonorrhéas)”.
3. Focillina - “combate a neurasthenia e molestias cerebro-spinaes” ou “contra a neurasthenia”.
4.   Canahyba - “Para doenças do fígado” ou “Para o fígado”.
5.   Vegetalino - “Infallível no rheumatismo e arthritismo em geral” ou “Contra o rheumatismo”.
6.   Parentana - “Específico das moléstias dos rins” ou “Para os rins”.
7.   Yerobina - “Cura doenças do estomago, fastio, etc” ou “para o estomago”.
8.   Phyllantus - “Remédio para moléstias do sexo feminino” ou “Para doenças da Mulher”.
9.   Tayunquina - “Vinho regenerador, fortificante” ou “Tonico – depurativo”.
10.   Só no volante aparece a Aguerina - “Asthma”.
11.    Só no volante aparece a Paracaryna - “Bronchite”.
12. Só no volante aparece a mistura para fazer chá, o Velaminhos - “Apparelho renal”.

Depois da relação dos produtos há uma observação: “A Medicina Vegetal é empregada pelo seu inventor, sempre com resultado seguro, há muitos annos”. “A venda em todas as pharmacias.”

Depósitos autorizados para os produtos, no Rio de Janeiro: Pharmacia S. José Rua Barão de Mesquita, 674;  Penna & Filhos – Rua da Quitanda, 57;  Rodolpho Hess & C. Rua 7 de setembro, 61; Drogaria Pacheco – Rua dos Andradas, 85. Em São Paulo, a Drogaria J. Santos & C. Rua São Bento 74-A.

Para a produção dos remédios havia os “mateiros” - procuravam folhas e frutos; havia os “raizeiros” - especialistas no achamento de plantas das quais se usavam apenas as raízes, e mais outros que conseguiam as cascas de árvores sem destruí-las. Uma das raízes mais usadas é da jurubeba, que dá nome a um terrível vinho de laranja fermentado com as ditas.

Não sabemos as fórmulas do Padre Gustavo, transferidas ao sobrinho Mello Júnior; entretanto, por tradição de família, podemos apontar a pariparoba ou capeba como básico para o fígado; a aristolóquia, a canela de sassafraz e a passiflora eram usadas como calmantes; o paratudo e o angico para “limpar o sangue”; a poaia e o jaborandi para as bronquites; a extraordinária parietária para os males renais; o algodoeiro e a raiz de carapiá funcionavam em organismos femininos; arnica e chapéu de couro resolvem as crises de reumatismo; funcho, chá de porrete e hortelã podem curar o estômago. 

Ainda bem que a fitoterapia começou a estudar e experimentar as ervas do povo usadas desde longe.


Possíveis indicações de vegetais para a “Medicina Vegetal”
 

Reitero que não sei as fórmulas usadas pelo Monsenhor Gustavo para a preparação dos remédios, que foram transferidas ao sobrinho Mello Júnior, e foram usadas por muitos anos depois que o laboratório se transferiu de São João del-Rei para Belo Horizonte. 

Por tradição de família, posso apontar alguns vegetais básicos para as receitas dos medicamentos:

Aguerina, contra asthma: maracujá – agoniada – assapeixe – cordão de frade – guaco – mulungu – cambará – cactus.
Canahyba, para o fígado: pariparoba (capeba) – abacateiro – abutua – aperta ruão – boheravia – boldo – carqueja – gervão (ou geribão) – erva tostão – jaborandi – jurubeba – panacéia – ruibarbo do campo – dente de leão – mulungu – chapéu de couro – quina cruzeiro – fedegoso.
Focillina, contra neurasthenia: aristolochia – canela de sassafraz – casca de anta – cassaú – fel da terra – vetiver – mulungu – sálvia – douradinha – erva cidreira – artemísia.
Mororó, depurativo geral: paratudo – angico – bowdichia – canela de sassafrás – chapéu de couro – cipó azougue – cipó suma – japecanga – mururé – nogueira – panacéia – sucupira.
Paracaryna, para bronchite chronica, tosse, grippe: setesangria – poaia – jaborandi.
Parentana, para os rins: parietária – estigmas de milho – aperta ruão – cipó cabeludo – erva pombinha – jequitibá – velame do campo – jatobá – suma roxa – chapéu de couro – congonha de bugre.
Phillantus, para doenças do útero: algodoeiro – aristolóquia – buranhém – carapiá – cassaú – cordão de frade – erva de bicho – jequitibá – raiz de anil – sensitiva.
Tayuquina, tônico depurativo: aristolóquia – aroeira – buranhém – cajueiro – calumba – cassaú – catuaba – cipó azougue – fel da terra – guaraná – imburana – laranjinha do mato – mirosperma – nogueira – paratudo – pau pereira – quina do mato – quina cruzeiro – carqueja – artemísia – douradinha.
Vegetalino, para rheumatismo: arnica – aroeira – canela de sassafrás – carobinha do campo – chapéu de couro – cipó azougue – cipó suma - douradinha do campo – guaco - guiná – japecanga – melão de São Caetano – saúde do corpo – sucupira - suma roxa – velame do campo – tomba - sabugueiro – salsaparilha.
Velaminhos, para doenças do aparelho urinário: velame do campo – abacateiro – jaborandi – cajueiro – aperta ruão - barbatimão - chapéu de couro – sene – congonha do bugre - douradinha.
Yerobina, para o estômago e gases: funcho – cassia catártica – chá porrete – hortelã – casca d'anta – camomila – pacová – jatobá – abutua – setessangria - pariroba.
Yucaty, blenocida: aroeira – cipó cabeludo – aperta ruão – douradinha do campo – jaborandi – panacéia – picão da praia – jurubeba do cupim – cipó cravo – velame do mato – chapéu de couro – jatobá – marapuama – catuaba.


Homeopatias mais usadas para uma farmácia caseira


Contar as gotas do produto em meio copo de água filtrada

1.   Febre e congestões: Aconitum, Belladona, Bryonya
2.   Afecções verminosas: Cina, Ignatia, Silicea
3. Cólicas, insônia e dentição de crianças: Camomila, Jalapa, Calcária carbônica
4.   Diarréia infantil: Ipecacuanha, China (Quina), Calc. Carbonica
5.   Desenteria, tenesmo, cólica: Calcium, Colocynt, Mercurius Corrosivus
6.   Cholera Morbus, náuseas, vômito, prostração: Arsenico, Cuprum, Verat
7.   Tosse, bronquite, influenza, garganta: Bryonya, Causticum, Phosphorum
8.   Nevralgia de rosto, dentes, nervos: Belladona, Plantago, Mezerem
9.   Dores de cabeça, vertigens: Apis, Iris, Nux-vomica, Pulsatila Sépia
10. Dyspepsya, bilis, estomago, constipação: China (Quina) Nux vomica, Sulphur
11.  Loucorrhea, metrorragia, prolapso: Belladona, Carbono anim, Nux vomica
12. Menstruação irregular, escassa, dolorosa, retardada: Apis, Pulsatila, Sépia
13.  Crupe, rouquidão, opressão: Aconitum, Kali bicromático, Spongia
14.   Pele: Apis, Rhus, Sulphur
15.   Rheumatismo: Aconito, Bryonnia, Tartaro Emético
16.   Febre, malária, sezões: Canchalaqua, Ipecacuanha, Nux-vomica
17.   Hemorroidas: Hamamelis, Nux-vomica, Sulphur
18.   Ophtalmia, olhos, pálpebras: Apis, Calca.carbônica, Euphrasia
19.   Influenza fluente, aguda, cronica: Ammoniun, Muriaticum, Nitri acido
20.   Coqueluche: Belladona, Drosera, Ipecacuanha, Cuprum
21.  Asthma: Arsenicum, Ipecacuanha, Lachesis
22.  Othorrhéa, ouvidos: Hepar.Sul., Pulsatila, Silicium
23.  Escrofulos, úlceras: Baryta Carb., Lachesis, Silicia
24.  Fraqueza: China (Quina), Ferr., Nux-vom.
25.  Hydropsia, edema: Apis, Ars., Baryta (Arsenicum)
26.  Enjôo, vertigens, náuseas, vômito: coculus, Nux-vomica, Petroleum
27.   Urina escassa: Lycopodio, Pulsatilla, Salsaparilha
28.   Fraqueza genital: Aur.f., China (Quina), Phosph. Acid.
29.   Aphtas, cancro: Natrum muriat., Nux-vomica (Tarantula?)
30.   Urina solta: Cannabis, Cantharis, Mercuris vivus
31.  Colica, dysmenorrhéa, hysteria, prurites: Coculus, Platina
32.  Coração: Cactus, Lachesis, Sépia, Cereus
33.   Caimbra, epilepsia, convulsão, espasmos: Belladona, Ignatia, Sulphur
34. Diphteria, esquimencia, úlcera, garganta: Lachesis, Phitolaca, Merc. Dulcia
35.    Insonia: Coffea, 2 gotas em meio copo

Entreguei ao vigário Padre Sebastião Raimundo de Paiva dois volumes sobre homeopatia, precisando de re-encadernação. Estas receitas são baseadas nos dois livros que ainda devem estar na biblioteca da Casa Paroquial. Dos manuscritos há a seguinte receita:
Para grippes, etc.:                                           
Cognac fino................75,0
Tintura de canela........25,0
Camphora....................0,5
Tomar 1 colherinha de 4 em 4 horas. Para crianças, tome um pouco de assucar, ponha 5 gotas de cada vez, 3 vezes ao dia.

8 de março de 1966, cópia de um original manuscrito. 


AGRADECIMENTO 

Sou grato ao gerente do Blog de São João del-Rei e sua esposa Rute Pardini por terem ido pessoalmente até à Igreja de São Gonçalo Garcia em 17/04/2014 para tirar a fotografia do Pe.Gustavo,  que orna a presente matéria.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

UMA CIDADE VIVE HÁ 2 SÉCULOS MERGULHADA NAS ONDAS MUSICAIS


Por J. C. Barbosa ¹



José  do  Carmo  Barbosa




As crianças de São João del Rei aprendem música ouvindo a melodia dos campanários dos tempos coloniais

"A criança sanjoanense nasce ouvindo a melodia de seus campanários, daí tôda criança nascer músico", disse alguém, para explicar os pendores musicais do povo de São João del Rei, a "Cidade da Música" em Minas Gerais, e séde do Conservatório Estadual de Música – um prédio de dois pavimentos, com um auditório para 400 pessoas – onde estão matriculados 112 alunos.

A primeira notícia musical de S. João del Rei data de 1717, quando a sua banda de música sob a regência de Antonio do Carmo, recebeu festivamente na então vila a visita de Dom Pedro de Almeida e Portugal. Pràticamente, naqueles princípios do século XVIII, as atividades musicais se restringiam às festas religiosas, que também eram as festas sociais da época colonial. Em 1728, o padroeiro São João era festejado nas cerimônias litúrgicas, com dois coros. No final do século XVIII surgiram duas orquestras até hoje muito respeitadas e que ainda existem: a "Lira Sanjoanense"e a "Orquestra Ribeiro Bastos".

A "Lira Sanjoanense" é a mais antiga dessas orquestras sacras. Presume-se que seja remanescente dos coros de igreja de 1728. A partir de 1802, firmou-se definitivamente sob a direção do maestro Pedro de Souza. A Orquestra Ribeiro Bastos também se originou daqueles coros sacros. De 1841 em diante, foi seu regente o maestro Francisco José das Chagas. O seu atual nome é uma homenagem ao maestro Martiniano Ribeiro Bastos que a regeu durante mais de meio século. Atualmente, o seu diretor é o professor Emilio Viegas. A parte musical das imponentes comemorações da "Semana Santa" em São João del Rei, estão sob a sua responsabilidade, numa tradição, assim, de dois séculos e meio.

A maior corporação da música profana é a "Sinfônica Sanjoanense", a primeira orquestra, no gênero, organizada numa cidade brasileira. Seu fundador foi o maestro tenente João Cavalcanti. São seus regentes, agora, o maestro Pedro de Souza, que dirige a orquestra sinfônica pròpriamente dita, e Alberto Wilson de Castro, que dirige o Orfeão Misto, muito afamado no interior mineiro.

Como cidade que se preza, São João del Rei tem as suas "furiosas". As mais conhecidas são a Banda do Regimento Tiradentes, o conhecido 11º RI, detentora de vários prêmios e campeã de concursos regionais de bandas militares. Depois, vêm as Bandas "Santa Cecilia", "Teodoro de Faria", "Santa Terezinha" e a dos jovens alunos da Escola Padre Sacramento, dos Irmãos Salesianos.

Para a folia e os bailes, existem a "Orquestra Continental", fundada e dirigida pelo violinista Milton Couto ² ; o "Jazz Tiradentes", constituído de elementos da Banda do 11º RI; o "Jazz Glória"; o poético "Jazz Flôr do Ipê"; o "Conjunto Santos", formado por músicos da família Santos e o novo e americanizado "Six Boys".

A bossa nova da música local, contudo, é a "Corporação Artística Sanjoanense ³", criada em agôsto de 1959, sob a direção artística das professoras Mercês Bini Couto e Salette Maria da Silva Bini. É um conjunto de 60 moças da sociedade, que visa o cultivo das músicas clássicas e folclóricas, com um grande coral e orquestra sob a regência efetiva de seu presidente Luiz Antonio Boari Bini.

A lista dos grandes músicos produzidos por São João del Rei é grande. O primeiro lugar cabe ao padre José Maria Xavier, autor de famosas e discutíveis partituras da "Semana Santa", que anualmente atrai centenas de turistas. Seu rival, no culto dos sanjoanenses, é Presciliano Silva, maestro diplomado em 1879 pela Real Escola de Música de Milão e autor de várias obras, como "O Vos Omnes", "Memento", "Ganganelle", etc. Recentemente faleceu o professor Luiz de Oliveira , um dos fundadores e primeiro secretário do Conservatório do Recife, catedrático aposentado de violoncelo da Escola Nacional de Música.

O artigo de exportação da nova geração de músicos de São João del Rei é o popular "Guaraná ", o Gustavo de Carvalho, orquestrador e arranjador da Rádio Nacional. É autor de "Revendo o Passado" e "As Operetas voltaram".

Fonte: Correio da Manhã, Ano LX, nº 20740, 4 de novembro de 1960




NOTAS EXPLICATIVAS DE FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA



¹  José do Carmo Barbosa foi farmacêutico e sócio do Sr. Silvano Carneiro (proprietários da farmácia de manipulação e de atendimento "Ouro Preto", localizada próximo aos "Quatro Cantos"), locutor e diretor da ZYI-7 Rádio São João del-Rei, secretário do C.A.C.-Centro Artístico e Cultural, além de secretário geral e professor do Conservatório Estadual de Música Pe. José Maria Xavier.
Foi paraninfo da turma de diplomandos do ano de 1966 no referido Conservatório, constituída pelos seguintes formandos: Maria Helena Machado (Curso de Professor de Música), Salete Maria da Silva Bini (Curso de Canto), Anizabel Nunes Rodrigues (Curso de Flauta), Maria Salomé de Moraes Silva (Curso de Piano) e Sadik Haddad (Curso de Clarineta).
Nos programas de auditório dirigidos pelo inesquecível Jeú Torga (Jehudiel Torga), José do Carmo Barbosa era um coadjuvante indispensável, por sua capacidade inigualável como preparador de texto.
Inesquecível deve soar ainda para muitos de nós são-joanenses a voz daquele grande locutor, contando as lendas de nossa terra em transmissão radiofônica.

²  Para maiores informações sobre a Continental Jazz Band, fundada em 02/07/1932, consulte o seguinte link: http://www.patriamineira.com.br/imprimir_noticia.php?id_noticia=2604

³  O jornal DIÁRIO DO COMÉRCIO, de São João del-Rei, noticiou a instalação da C.A.S., na sua edição nº 6281, de 12 de agosto de 1959, com a seguinte matéria: 
"Instala-se solenemente a "Corporação Artística Sanjoanense"

Num ambiente de arte e elegância, instalou-se domingo p.p. (09/08/1959) a nova entidade artística com que passará a contar a cidade – a "CORPORAÇÃO ARTÍSTICA SANJOANENSE" cuja finalidade é congregar moços e moças, amantes da arte, para o cultivo e a prática do Canto, incentivando na mocidade o gôsto pelo bel-canto e pelo nosso folclore.
À solenidade, que teve lugar no salão de festas do Minas F. C., gentilmente cedido pela sua diretoria, compareceu quasi a totalidade dos fundadores da C.A.S., além de pessoas gradas da nossa sociedade. O ato foi presidido pelo prof. José Pedro Leite de Carvalho, representante do Revmo. Pe. Osvaldo Torga, Prefeito do município, vendo-se ainda à mesa os Snrs. jornalista Mozart Novaes, presidente da Câmara; Carmélio de Assis Pereira, vice-prefeito; Revmo. Pe Luiz Zver, presidente do Centro Artístico e Cultural de São João del-Rei, além dos membros eleitos para a Diretoria da Corporação Artística Sanjoanense.
Iniciando os trabalhos da sessão, o presidente deu a palavra ao Sr. Luiz Antonio Bini que expôs o programa da neo-sociedade, terminando a sua oração colocando a C.A.S. a serviço da cidade e das demais corporações artísticas. A seguir, a srta. Nancy Assis declamou belíssimo poema "Lembrai-vos da Guerra".
A palavra seguinte coube ao orador oficial da sociedade prof. J. do Carmo Barbosa que lembrou aos moços o poder da abnegação no êxito de empreendimento daquela natureza. 
Encerrando a solenidade de posse da Diretoria, falou o Sr. Mozart Novaes para congratular-se com a cidade pelo surto maravilhoso de progresso intelectual e artístico que a empolga.
Seguiu-se a parte artística da festividade que constou do seguinte: Puccini: Recondita Armonia (Tosca), José Costa; Pestalozza: Ciribiribin, Srta. Niva Guimarães; Gottschalk: Radieuse, piano a 4 mãos, profª. Mercês Bini Couto e Abgar Campos Tirado; Alfonso S. Oteo: Dime que si, tenor Vicente Viegas; A. Sedas: Cielito Lindo, soprano Sra. Lêda Neto Zarur; Puccini: Valsa de Musetta (La Bohème), soprano Salete Maria da Silva Bini.
É a seguinte a diretoria da C.A.S.: presidente, Sr. Luiz Antônio Bini; vice-presidente, Antônio Moura; 1º secretário, profª Maria Marlene de Resende; 2º secretário, profª Maria Luiza Vieira; 1º tesoureiro, Vicente de P. Barbosa Viegas; 2º tesoureiro, Abgar A. Campos Tirado; 1º procurador, Geraldo Barbosa de Souza; 2º procurador, José Raimundo de Arruda.
Conselho Artístico: professora Mercês Bini Couto; professora Salete Maria da Silva Bini e prof. João Américo da Costa.
Diário do Comércio fez-se representar nessa solenidade marcante do progresso cultural e artístico da cidade."

Também o jornal são-joanense O CORREIO, em edição nº 2971, do dia 16 de agosto de 1959,  fez a seguinte cobertura da solenidade de instalação da C.A.S.:
"Coluna de Arte
                                 Gagliero
Empossou-se domingo p. passado a diretoria da Corporação Artística Sanjoanense recentemente fundada por um grupo de moços e moças idealistas.
A solenidade realizou-se às 10,30 horas no salão de recepções do Minas F. C., gentilmente cedido pela sua diretoria, perante seleta assistência constituída de pessoas gradas da sociedade local e de um grande número de componentes da neo-organização artística. (...)
Usou da palavra inicialmente o senhor Luiz Antonio Bini, presidente eleito, que focalizou as finalidades da nova entidade e o seu propósito de colaborar com as demais organizações artísticas para maior incremento da música em nossa cidade, declarando não haver solução de continuidade entre a Corporação Artística Sanjoanense e as suas co-irmãs. Como orador oficial da C.A.S. falou o prof. J. do Carmo Barbosa saudando os seus organizadores e apontando-lhes como condição precípua para a sua completa finalidade o espírito de abnegação que deve animar tôdos os seus integrantes e ressaltando a responsabilidade moral que assumiam no setor artístico da cidade.
O senhor Mozart Novais, presidente da Câmara, em belo improviso, focalizou o progresso cultural e artístico que nêstes últimos dias vem se desenvolvendo na cidade, congratulando-se com os jovens pelo belo exemplo que vêm dando com o seu interesse pela arte nesta comuna.
A Corporação Artística Sanjoanense, comprovando a sua elevada e simpática finalidade, ofereceu aos presentes magnífica hora de arte com o seguinte programa: (...)
A 1ª Diretoria da C.A.S. ficou assim constituída: presidente de honra efetivo, Revmo. Pe. Luiz Zver SDB; presidentes de honra honorários: Dr. Tancredo de Almeida Neves, Dr. Gabriel de Rezende Passos, Marechal Ciro do Espirito Santo Cardoso e General Luiz de Faria; presidente, Luiz Antonio Bini; (...)"

⁴  Talvez José do Carmo Barbosa estivesse se referindo ao Real Conservatório de Milão, onde se formaram também, pelo menos, o campineiro Carlos Gomes, o pindamonhangabense João Gomes de Araújo, o pousoalegrense José Lino de Almeida Fleming e a contralto campineira Maria Monteiro ("Zica" Monteiro). Os quatro receberam bolsa de estudos do imperador Dom Pedro II para aperfeiçoarem seus dotes musicais. 
Sobre a contralto Maria Monteiro, cf. in http://www.centrodememoria.unicamp.br/sarao/revista29/SERIE/sarao_se_ruas_texto_01.htm

⁵  Socorri-me do pesquisador, musicólogo e regente Aluízio José Viegas para saber algo acerca deste violoncelista são-joanense. Disse-me ele que o professor e violoncelista Eurico Costa, do Conservatório Brasileiro de Música, tinha sido quem descobriu o são-joanense Luiz de Oliveira, quando de sua primeira vinda a São João del-Rei, onde deu um concerto que o consagrou pela execução exímia de seu instrumento. Naquela oportunidade, ele ouviu o violoncelista são-joanense e, tendo visto nele talento e aptidão para o instrumento, convidou-o a vir para o Rio de Janeiro tomar aulas sob a sua direção.
Sobre esse concerto memorável, Aluízio me relatou um episódio deveras curioso. Ao terminar o concerto, duas senhoras irmãs foram até o camarim de Eurico Costa para convidá-lo para um chá no dia seguinte em sua residência. Quando lá chegou, foi informado que nenhuma das duas tinha herdeiro, acrescentando que possuíam um violoncelo passado de geração a geração, chegando até elas. Assim dizendo, imediatamente se dirigiram a um quarto, donde tiraram uma caixa velha e desmantelada. Ao abri-la, Eurico verificou que a mesma continha um violoncelo necessitado de alguns reparos.
Quando voltou ao Rio de Janeiro com o presente, encostou aquela caixa em um canto da casa e ficou de procurar um luthier oportunamente. Antes, porém, foi primeiro passar férias em Caxambu. Nesse ínterim, sua casa foi assaltada e, entre outras preciosidades, o ladrão havia levado o violoncelo com que Eurico se apresentava.
Impossibilitado de dar um concerto já agendado, precisou recorrer a um luthier para consertar o violoncelo sobressalente que tinha trazido de São João del-Rei, que, até então, não tinha valorizado muito por causa do seu estado.
Qual não foi a sua surpresa quando o luthier carioca lhe informou que ele estava portando um autêntico Guarnerius (avaliado em 20.000 escudos na época de Salazar)! Continuou dizendo que na capital federal não havia quem pudesse reparar um instrumento tão raro e caro. Recomendou-lhe levá-lo à Europa, onde certamente encontraria um luthier abalizado para fazer o tal reparo.
Músico internacional que era, Eurico Costa não encontrou dificuldade, em uma de suas viagens à Europa, de recorrer aos serviços de um luthier especializado que soube sanar o problema, restabelecendo a beleza e a pujança da sonoridade do violoncelo.
Aluízio contou-me ainda que Eurico Costa fez tanta amizade com o pároco Padre Almir de Rezende Aquino, da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei – hoje Catedral Basílica, – que passou a abrilhantar as célebres festividades locais da Semana Santa com o seu concurso, ao violoncelo.
O musicólogo são-joanense disse lembrar-se inclusive de ter presenciado Eurico Costa solando uma peça de inexcedível beleza na Cerimônia do Lava-pés em praça pública, diante de uma gigantesca plateia fervorosa e atenta.

  Sobre o Maestro Guaraná, o Blog de São João del-Rei já publicou três matérias:
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/08/maestro-guarana-gustavo-nogueira-de.html
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/09/gustavo-de-carvalho-o-guarana-cronica.html
http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/10/homenagem-do-centro-artistico-e.html






* Francisco José dos Santos Braga, cidadão são-joanense, tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Além de escrever artigos para revistas e jornais, é autor de dois livros e traduziu vários livros na área de Administração Financeira. Participa ativamente de instituições no País e no exterior, como Membro, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, Academia Divinopolitana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Academia Taguatinguense de Letras, Academia Barbacenense de Letras e Academia Formiguense de Letras. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), um locus de abordagem de temas musicais, literários, literomusicais, históricos e genealógicos, dedicado, entre outras coisas, ao resgate da memória e à defesa do nosso patrimônio histórico.Mais...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

V ENCONTRO SOBRE O CAMINHO NOVO BUSCA NOVAS FONTES PARA A HISTÓRIA


Por Mário Celso Rios



Aconteceu nos dias seis e sete de junho de 2014 o V Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo (EPCN), em Juiz de Fora, no auditório do Instituto Histórico e Geográfico, sendo uma oportunidade de enriquecimento social, acadêmico e político a respeito da região também conhecida como Estrada Real. Já sediaram esse evento: Barbacena (2010), São João del-Rei (2011), Conselheiro Lafaiete (2012) e Congonhas (2013). Andréia de Freitas Rodrigues do Arquivo Central da UFJF recebeu os participantes com muita atenção.

Foram mais de dez comunicações, ou seja, breves relatos sobre temas pertinentes à diretriz idealizada por Luiz Mauro Andrade da Fonseca (estudioso de MG, residente em Barbacena e de origem em Santos Dumont) e seus colaboradores, entre eles, Marta Maria Imbroinise da Fonseca, Sílvia Boussada, Geraldo Barroso de Carvalho, Nilza Cantoni e Francisco Rodrigues de Oliveira, que é a de se lançar luz sobre nossa formação e desenvolvimento. Alguns assuntos abordados foram: a importância da ferrovia para o Caminho Novo, os caminhos de dentro, a literatura que brota por entre trilhas e trilhos, a arquitetura, visita a um sítio de relevo (a Fazenda Ribeirão das Rosas, JF), os mapas pioneiros das Gerais e as lacunas já desbravadas e as não respondidas, os marcos de pedra ao longo do Caminho Novo, a proposta de tese de Leonardo Bassoli Angelo pela UFJF sobre o tema "indivíduos, grupos, trajetórias, o Caminho Novo e as elites de Barbacena (1791-1831)"; apresentação da obra "Negócios de Minas - Família, Fortuna, Poder e Redes de Sociabilidades - Os Ferreira Armonde (1751-1850)", ed. FUNALFA e outras, 2013, JF, de Antônio Henrique Duarte Lacerda, doutor pela UFF, em 2010, sendo que parte dessa pesquisa foi elaborada a partir de documentos analisados no Arquivo Histórico Municipal Professor Altair Savassi, entre outros, sendo outro exemplo a citação da obra sobre as origens de São João del-Rei de José Cláudio Henriques, o que confirma quão importante é a preservação documental em nossas cidades pelo que essa possui de basilar para se estudar registros e papéis e, desse modo, melhor se entender Minas Gerais e o Brasil. Foram várias contribuições de diversas partes de Minas Gerais e Rio de Janeiro, sendo que os expositores deram o seu melhor para que se pudesse refletir mais um pouco e de forma edificante em termos do que nos caracteriza como núcleos urbanos, rurais e econômicos originados a partir do Ciclo do Ouro.

Colaborador: MÁRIO CELSO RIOS

MÁRIO CELSO RIOS, pesquisador, professor universitário, incentivador cultural, pertence a várias entidades de valorização das causas intelectuais, é membro da Academia Barbacenense de Letras, sendo seu atual presidente, e tem participado de todas as edições do Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo.

sábado, 22 de novembro de 2014

MARECHAL ANTÔNIO JOSÉ COELHO DOS REIS, glória do Exército Brasileiro e ilustre filho de São João del-Rei


Por Sebastião de Oliveira Cintra

Marechal Antônio José Coelho dos Reis (☆ 29/04/1898, em São João del-Rei ✞ 09/11/1974, no Rio de Janeiro)

A 29 de abril de 1898 nasceu em São João del-Rei, à antiga Praça Visconde de Ibituruna, filho do professor e solicitador de causas Antônio Leôncio Coelho ¹, natural de Lavras-MG, onde nasceu a 18-06-1858, e da sanjoanense Sofia Ernestina Coelho, que se casaram em São João del-Rei a 31 de março de 1892. Neto paterno de Francisco Joaquim Coelho e de Maria Altina Fidelis do Bonfim; neto materno do Alferes João Inácio Coelho, pintor, dourado e músico talentoso, e de Maria Balbina Teixeira Coelho. O estimado casal comemorou Bodas de Ouro matrimoniais a 26 de fevereiro de 1909. O Alferes João Inácio foi o 1º Violino da Orquestra Lira Sanjoanense.

Nosso biografado foi registrado com o nome de Antônio Leôncio Coelho Júnior. Por despacho judicial de 1910 seu nome foi retificado para Antônio José Coelho dos Reis, providência tomada por seus padrinhos, residentes em Prados-MG.

O Marechal Antônio José Coelho dos Reis freequentou parte do curso primário na vizinha cidade de Prados, depois de ter sido, em São João del-Rei, aluno de Dª Amélia Ferreira. Depois estudou em Juiz de Fora e em Belo Horizonte.

A 2 de maio de 1918 verificou praça, voluntariamente, na forma da lei em vigor, na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. A 18 de janeiro de 1921 foi declarado aspirante a oficial, sendo em fevereiro seguinte incluído no 12º Regimento de Infantaria, em Belo Horizonte. Em maio do mesmo ano foi promovido ao posto de 2º Tenente, alcançando em novembro de 1922 o posto de 1º Tenente.

Em 29 de novembro de 1924 o Coronel Comandante "elogiou-o pela bravura, denodo e tenacidade nas ações que tivera contra os rebeldes em São Paulo".

Foi público em 30 de junho de 1927, conforme parte do General Tito Vilas Lobo, dirigido ao general Artur Sócrates (em 1913 comandou, em São João del-Rei, o 51º Batalhão de Caçadores), comandante de Divisão de Operações no Estado de São Paulo, em setembro de 1924 "ter sido louvado pela bravura, abnegação, zelo, entusiasmo, disciplina e lealdade à causa da lei; capacidade de resistência e ardorosa atividade com que tomou parte na expedição contra os revoltosos em São Paulo, ali permanecendo sem vacilações, conhecendo os perigos a que esteve exposto, suportando sem murmúrios as fadigas e incômodos, cumprindo, sem falhas, seus árduos e penosos deveres".

Antes, fora elogiado pelo General Estanislau Vieira Pamplona, ao deixar, em dezembro de 1926, o Comando da 4ª Região Militar.

Em 1930 o Comandante da 8ª Brigada de Infantaria elogiou o Tenente Antônio José Coelho dos Reis, que serviu no Quartel-General, "ora como assistente, ora como ajudante de ordens". Declarou ainda: "Faço público o elevado critério e inteligência em que sempre exerceu aquelas funções, tornando-se merecedor da consideração e estima dos seus superiores e camaradas, pelo seu valor moral, inteligência e cultura".

Em 12 de outubro de 1930 foi transferido do 12º Regimento de Infantaria para o 10º Regimento de Infantaria; pelo decreto de março de 1932 foi promovido a Capitão.

A 24 de dezembro de 1936 concluiu o Curso do Estado Maior, classificando-se em 1º lugar.

Por decreto de janeiro de 1957 foi nomeado adido militar junto à Embaixada do Brasil em Washington, deixando a Chefia do Gabinete do Ministro da Guerra, General Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que exarou o elogio seguinte (resumido): "A personalidade desse digno general caracteriza-se pela lealdade com que serve ao Exército e aos chefes. Sua cultura humanística e profissional é das mais completas. Conhecedor profundo do vernáculo e ambientado no estudo dos expoentes da intelectualidade, redige com invulgar perfeição, ornando-se de estilo próprio em que a clareza e a beleza da forma se conjugam com a profundidade dos conceitos que emite".

Dignificou o exercício do cargo de Diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) ².

Foi distinguido com numerosas comendas do Mérito Militar e condecorações, nacionais e estrangeiras.

Foi o único sanjoanense nato, na República, a atingir o posto de Marechal.

Foi casado com Dª Maria Amália Drumond Coelho dos Reis, falecida em 20 de outubro de 1994. São cinco os filhos do casal:
F1 - Maria Vitória Drumond coelho dos Reis, solteira, professora e tradutora.
F2 - General Paulo Taunay Coelho Reis, que casou com Heloisa Pires Coelho dos Reis. Filhos do casal:
N1  - Heloisa
N2  - Patrícia
N3  - Denise
N4  - Luciana
F3 - Dr. Saul Toné Drumond coelho Reis (advogado). Consorciou-se com Maria de Lourdes Abelha Coelho dos Reis. Descendem do casal:
N5  - Maria Aparecida
N6  - Conceição
N7  - Cristiano
F4 - Francisca Drumond Coelho de Castro, casada com Francisco de Castro. São oito os filhos do casal:
N8  - Tarcísio
N9  - Angela Maria
N10- Inês
N12- Cecília
N13- Francisco de Paulo
N14- Margarida
N15- Isabel
F5 - Dr. José Francisco Drumond Reis, engenheiro arquiteto. Casou com Celene Carvalho Drumond. São dez os filhos do casal:
N16- Verônica
N17- Marcelo
N18- Fernando (falecido)
N19- Helena
N20- Lúcia
N21- Mariana
N22- Marília
N23- Ana Paula
N24- José Francisco
N25- Rose

O Marechal Antônio José Coelho dos Reis faleceu no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1974.

Numa singela síntese biográfica, assinalamos os valores morais e intelectuais do ilustre conterrâneo Marechal Antônio José Coelho dos Reis, que conquistou com respeitabilidade, como cidadão e militar, a láurea de figurar na Galeria das Personalidades Notáveis de São João del-Rei.
 

 NOTA DO AUTOR


¹  O professor Antônio Leôncio Coelho e esposa eram parentes em 4º grau da linha colateral, conforme consta do registro do casamento civil.
Cursou com bom aproveitamento o seminário, recebendo ordens até a tonsura, tendo abandonado a carreira eclesiástica.
Quando chegou da Holanda o utilíssimo relógio que enfeita o frontispício da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, a direção dos trabalhos de montagem do mesmo foi entregue ao professor Antônio Leôncio Coelho, que cumpriu a referida missão com êxito total.
Exerceu com eficiência o cargo de Escrivão da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, única naquela época, durante a vigararia de seu irmão e amigo Monsenhor Gustavo Ernesto Coelho (1853-1924), cooperando para a criação da "Medicina Vegetal Padre Gustavo", que sempre beneficiou sobremaneira a pobreza. Também foi músico, tendo participado da bicentenária Orquestra Lira Sanjoanense.
Por mais de 20 anos exerceu com integridade o cargo de Juiz de Paz, prestando relevantes serviços à coletividade. Dignificou, algumas vezes, o exercício do cargo de Juiz de Direito da Comarca.
Lecionou na extinta Escola João dos Santos, criada e mantida pelo médico Dr. João Batista dos Santos, Visconde de Ibituruna, filho de São João del-Rei.
A 23 de março de 1968 foi inaugurada a placa da Rua Antônio Leôncio Coelho, situada à Vila Lobosque. Discursaram na ocasião Dr. Milton de Resende Viegas, Prefeito Municipal de São João del-Rei, e o Marechal Antônio José Coelho dos Reis.
O culto professor Antônio Leôncio Coelho faleceu a 29 de junho de 1917, sendo sepultado no cemitério da Ordem de São Francisco de Assis.
Além do Marechal, deixou os filhos:
1 - José Leôncio Coelho, cirurgião-dentista, que se mostrava honrado quando chamado pela alcunha de "Zé do Padre". Casou-se com a estimadíssima Sra. Dª Juracy de Almeida coelho, que nasceu a 10 de novembro de 1900 e continua, graças a Deus, plenamente lúcida. Dª Juracy é filha do major Aurélio Afonso de Almeida e de Dª Alice Gomes da Cunha Almeida. Meu saudoso amigo Major Aurélio, grande estimulador de meus estudos no Colégio Santo Antônio, era irmão de Dª Arminda, casada com Mário Ribeiro da Silva, oficial da Marinha, falecido na explosão do Aquidabã. Pais do grande historiador brasileiro Hélio Silva, entre outros.
2 - Dª Maria José Coelho Melo, que se casou com José Gonçalves de Melo Júnior.
3 - Eulália das Dores Coelho Carneiro, que se casou com Washington Carneiro ("Nonô").
Os citados irmãos de nosso biografado foram alunos pioneiros do então Grupo Escolar João dos Santos, pois, a 26 de julho de 1908, quando se instalou o citado estabelecimento de ensino, estavam matriculados no mesmo.

Fonte: TRIBUNA SANJOANENSE, São João del-Rei, edição de 27 de maio de 1997


NOTA DO GERENTE DO BLOG


²  O major Antônio José Coelho Reis foi nomeado, por decreto do Presidente Getúlio Vargas, diretor geral do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 17 de julho de 1942, substituindo Lourival Fontes, exonerado a pedido. 
(Fonte: A NOITE, Ano XXXI, Rio de Janeiro, 17/07/1942, edição de nº 10.931)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

ACADEMIA SÃOJOANENSE DE LETRAS EM 1970-1971


Por Francisco José dos Santos Braga


I.  INTRODUÇÃO 


O texto intitulado "Academia Sãojoanense de Letras" que se lerá neste post pertence à prestação de contas que o saudoso prefeito Dr. Milton de Resende Viegas fez do seu mandato de quatro anos (quatriênio de 31/01/1967 a 31/01/1971), à frente do Executivo municipal, em janeiro de 1971, através do órgão da Prefeitura Municipal intitulado "A COMUNIDADE", edição nº 30. Portanto, a fim de me reportar aos primórdios da Academia, vou transcrever aqui duas matérias que foram publicadas por esse periódico de curta existência (apenas 30 edições).

Um mês antes, mais exatamente em 8 de dezembro de 1970, Dr. Milton Viegas criara a "Academia Sanjoanense de Letras", verbis:

"ACADEMIA SANJOANENSE DE LETRAS"

DECRETO Nº 620, de 8 de dezembro de 1970

Cria a Academia Sanjoanense de Letras

O Prefeito Municipal de São João del-Rei, usando de suas atribuições legais e

Considerando que São João del-Rei é uma cidade essencialmente intelectual, berço de inúmeros escritores, poetas, músicos e historiadores, que cultivam com acendrado amor as letras e as artes;

Considerando que outras cidades idênticas à nossa já possuem a sua Academia de Letras, numa homenagem àqueles que muito fizeram no terreno da intelectualidade;

Considerando que no século em que vivemos maior predomínio devemos dar àqueles que laboram na esfera das letras e artes, torna-se imprescindível que São João del-Rei também possua a sua Academia Sanjoanense de Letras, com o fim de cultuar as figuras exponenciais do passado, como: Bárbara Eliodora, Alvarenga Peixoto, Modesto de Paiva, Gastão da Cunha, Severiano de Resende, Bento Ernesto Júnior, Franklin Magalhães, Basílio de Magalhães, Adenor Simões Coelho – e no presente, inúmeros cidadãos ilustres que têm inegàvelmente elevado o nome de nossa cidade no cenário intelectual da vida brasileira,

DECRETA:
Art. 1º – Fica criada em São João del-Rei a Academia Sanjoanense de Letras.

Art. 2º – A Academia criada no artigo 1º se constituirá de 30 (trinta) cadeiras de Patronos ilustres, que nasceram ou residiram nesta cidade.

Art. 3º – Fica o Prefeito Municipal autorizado a nomear, dentro de 8 (oito) dias, uma comissão encarregada de elaborar os estatutos e tomar as demais providências concernentes à aludida academia.

Art. 4º – Êste Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Mando, portanto, a tôdas as autoridades a quem o conhecimento e execução dêste Decreto pertencer, que o cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nêle se contém.
Prefeitura Municipal de São João del-Rei, 8 de dezembro de 1970
  
Milton de Resende Viegas
Prefeito Municipal

Lauro Novaes
Chefe de Gabinete

Fonte: A COMUNIDADE, São João del-Rei, Ano IV, janeiro de 1971, nº 30, p. 3. 

A instalação desse sodalício se deu em 21 de janeiro de 1971. Foi reconhecido como instituição de utilidade pública municipal através da Lei nº 1.683, de 25 de junho de 1979, bem como instituição de utilidade pública estadual através da Lei nº 7.611, de 11 de dezembro de 1979.

Vamos então ao texto a que me referi, observando que será respeitada a grafia da época.


II.  "ACADEMIA SÃOJOANENSE DE LETRAS" ¹

O Executivo Municipal não teve a sua atenção, única e exclusivamente, voltada para ângulo material, e nem poderia deixar de ser, tendo em vista que a nossa comuna tem raízes profundas na cultura do seu povo, no passado e no presente.

As letras, as artes, nos seus mais variados ramos, receberam desta Administração o testemunho do seu carinho, procurando, assim, o que constitui um dever de todos nós, perpetuar no tempo e na memória dos são-joanenses, nas nossas mais caras e legítimas conquistas, no que tange a nossa cultura intelectual.

E foi com êsse pensamento e com êsse bom propósito que, por Decreto Nº 621, de 8 de dezembro do ano próximo passado, justamente no aniversário de nossa elevação à categoria de Vila, deliberamos fundar neste cidade a ACADEMIA SÃOJOANENSE DE LETRAS, com os patronos e seus acadêmicos.

Não quer dizer com isso, tendo em vista a indicação dos atuais PATRONOS e ACADÊMICOS, que outros nomes ilustres não sejam consignados no âmbito da Academia, razão porque, pela PORTARIA Nº 757, de 30 de dezembro do ano expirante, êste Executivo cria a Comissão encarregada de rever o assunto, ampliando-se os QUADROS DA ACADEMIA com a representação de outras personalidades da nossa cultura intelectual, já como PATRONOS, já como membros do Sodalício ora criado. À referida Comissão cabe, outrossim, apresentar sugestões e planos conclusivos para uma perfeita organização da nova Entidade Cultural que, ao lado de nosso Instituto Histórico e Geográfico, terá a missão elevada e nobre de preservar a nossa cultura, herança do passado desta gloriosa cidade, cognominada a ATENAS MINEIRA, daí a preocupação do Executivo criando a nossa ACADEMIA.

A referida Comissão está assim designada: Professor José Américo da Costa, poeta, tribuno Mozart Novaes, Tenente Gentil Palhares, Professor Fábio Nelson Guimarães, Dr. Altivo de Lemos Sette, Cônego Sebastião Paiva e Luiz de Melo Alvarenga.

O parecer da Comissão em aprêço será apresentado até o dia 10 do corrente.

São João del-Rei, nesga de terra engastada neste Brasil imenso e glorioso, retalhado pelos Estados que constituem a sua configuração geométrica, não poderia deixar de ter a sua ACADEMIA DE LETRAS, a exemplo de cidades outras que, pôsto não sejam aquinhoadas de tantos e tamanhos vultos que se notabilizaram nas ciências e nas artes mineiras, possuem, hoje, as suas Academias. E temos, para exemplo, as cidades de Divinópolis, Uberaba, Formiga, entre outras com suas representações acadêmicas.

Aqui nestas plagas sempre queridas, nasceram ou viveram vultos insignes, personalidades que, pelo brilho da inteligência e da cultura, não podem e não devem ficar olvidadas, porque teceram êles a teia das nossas mais caras e indeléveis tradições, para que, hoje, desfrutássemos do título de São João del-Rei, a Atenas Brasileira.

Êste Executivo, por isso, ao passar os seus encargos ao seu substituto ora eleito, o faz de consciência tranquila, serena, porque não procurou, apenas, "plantar" no chão o paralelepípedo de nossas ruas, senão que também semear no seio dos hodiernos e sobretudo da nossa juventude esperançosa, a semente que espera seja lançada em terreno fértil e abençoado, para as flôres e os frutos do porvir: a ACADEMIA SÃOJOANENSE DE LETRAS.

Os QUADROS DE PATRONOS E ACADÊMICOS, que serão apreciados pela Comissão ora nomeada, estão assim constituídos:

PATRONOS  ²

1 – Severiano Nunes Cardoso de Rezende – Professor, jornalista, orador e poeta.
2 – Modesto de Paiva – Jornalista e poeta.
3 – José Antônio Rodrigues – Jornalista, escritor.
4 – Franklin de Almeida Magalhães – Jornalista, professor, poeta.
5 – José Álvares de Oliveira – Escritor.
6 – Inácio José de Alvarenga Peixoto – Poeta, escritor e magistrado.
7 – Antônio Rodrigues de Melo – Latinista, professor e teatrólogo.
8 – Aureliano Corrêa Pereira Pimentel – Latinista, professor, escritor e beletrista.
9 – Basílio de Magalhães – Escritor, jornalista e professor.
10 – Alexina Magalhães Pinto – Professôra, folclorista.
11 – Bárbara Eliodora Guilhermina da Silveira – Poetisa.
12 – Bento Ernesto Júnior – Poeta, professor.
13 – Dr. Antônio Ribeiro da Silva - Jornalista, cronista e poeta.
14 – Dr. Gastão da Cunha – Professor, jurisconsulto, escritor, orador, diplomata.
15 – Desembargador Lourenço José Ribeiro – Professor, jurisconsulto, orador e fundador e 1º Diretor da Escola de Direito do Recife.
16 – Maria Eugênia Celso – Escritora.
17 – Cônego Antônio José Machado – Professor, orador e escritor.
18 – Monsenhor Antônio Caetano de Almeida Vilas Boas – Poeta, escritor, vigário de S. João.
19 – Dr. Domiciano Leite Ribeiro, Visconde de Araxá – Escritor, jornalista e orador.
20 – Inácio da Silva Alvarenga – Poeta.
21 – Sebastião Rodrigues de Sette Câmara – Jornalista, professor.
22 – Pe. José Antônio Marinho – Escritor, professor.
23 – Batista Caetano de Almeida – Jornalista, fundador da Biblioteca Municipal.
24 – Dr. Francisco I. Carvalho Resende – Orador, escritor.
25 – Pe. João Batista do Sacramento – Professor, orador.
26 – Domingos Horta – Professor, escritor e jornalista.
27 – Lincoln de Souza – Poeta, jornalista e escritor.
28 – Farm. Antônio Augusto Campos da Cunha – Professor, escritor, jornalista.
29 – Pe. José Severiano de Rezende – Poeta, escritor e jornalista.
30 – Iago Pimentel – Médico e psicólogo.
31 – Herculano Veloso – Jornalista e escritor.
32 – Hildebrando de Magalhães – Poeta.
33 – João Vasques de Miranda Júnior – Poeta e professor.
34 – Asterack Germano de Lima – Poeta e jornalista.
35 – Adenor Simões Coelho – Poeta e jornalista.
36 – Dr. Odilon Barros Martins de Andrade – Advogado e escritor.   

ACADÊMICOS  ³               

1 – Dr. Augusto das Chagas Viegas – escritor, homem de letras e orador.
2 – Prof. José Américo da Costa – poeta e professor.
3 – Mozart Novaes – jornalista e escritor.
4 – Dr. Elpídio Antônio Ramalho – professor e orador.
5 – Tte. Gentil Palhares – escritor e jornalista.
6 – Gal. Carlos de Oliveira Ribeiro Campos – escritor e orador.
7 – Farm. Sebastião Alves do Banho – poeta e jornalista.
8 – Prof. Fábio Nelson Guimarães – professor, historiador e escritor.
9 – Dr. Altivo de Lemos Sette Câmara – poeta e jornalista.
10 – Prof. Sebastião de Oliveira Cintra – escritor e jornalista.
11 – Dr. Luis Dângelo Pugliese – teatrólogo.
12 – Dr. Adenor Simões Coelho Filho – jornalista.
13 – Dr. Tancredo de Almeida Neves – orador e jornalista.
14 – Prof. Esaú de Assis Republicano – jornalista e professor.
15 – Monsenhor José Maria Fernandez – escritor e jornalista.
16 – Cônego Sebastião Paiva – escritor.
17 – Dr. Aderbal Malta – agrônomo, poeta e escritor.
18 – Antônio Elias Cecílio – professor e jornalista.
19 – Luiz de Melo Alvarenga – historiador.
20 – Antônio Guerra – escritor.
21 – Dr. Álvaro Viana Filho – jornalista e escritor. 

SÃO-JOANENSES MORADORES FORA DA CIDADE

– Dom Antônio de Almeida Lustosa – escritor e professor (Recife).
– Dom Lucas Moreira Neves – escritor (S. Paulo).
– Dr. Cândido Martins de Oliveira – escritor e poeta.
– Dr. Otto Lara Resende – escritor e jornalista (Lisboa).
– Gilberto Mansur – teatrólogo e jornalista (S. Paulo).
– Monsenhor Almir de Resende Aquino – escritor e orador (Carmópolis).
– Dr. José Dângelo – teatrólogo e professor (Belo Horizonte).
– Prof. José Terra – poeta e escritor (Barroso).
– Dr. Belisário Leite de Andrade Neto – advogado, escritor e orador (Guanabara).
– Oranice Franco – escritor e jornalista (Guanabara).
– Cristóvão Teixeira – jornalista e escritor (Guanabara).
– Antônio de Lara Resende – professor e escritor (Belo Horizonte).
– Antônio Ribeiro de Avelar – professor e escritor (Belo Horizonte).
– Venâncio Castanheira Filho – poeta (Bonsucesso-MG)
– Dr. Luiz Martins de Andrade – advogado e escritor.
– Gil Pereira Coelho – jornalista e escritor (Guanabara).
– Antônio Pereira Coelho Filho – escritor.
– Antônio Rocha – professor e jornalista (Belo Horizonte).
– Benoni Guimarães – professor. 

Outros nomes lembrados e dignos de ser revividos: Custódio Batista de Castro, Tancredo Braga, Fausto Gonzaga, Manuel Jacinto Nogueira da Gama, Dr. Garcia de Lima, Dr. José Vitor Barbosa, Francisco Pinheiro e João Viegas.

Fonte: A COMUNIDADE, São João del-Rei, Ano IV, janeiro de 1971, nº 30, p. 18.
               

III.  COMENTÁRIOS E NOTAS EXPLICATIVAS 


¹  Possivelmente o autor desse texto tenha sido o próprio Prefeito Dr. Milton Viegas, porque por diversas vezes se referiu a si mesmo como Executivo Municipal.

²  É possível que a Comissão criada pela PORTARIA Nº 757, de 30 de dezembro de 1970, encarregada de rever o assunto, decidiu ampliar ou modificar os QUADROS DA ACADEMIA no que se refere aos patronos. [PALHARES, 1974, 153-155] menciona outras personalidades como PATRONOS da Academia nos anos de 1977 e 1978 durante mandato do 4º presidente Cônego Henrique Neves Júnior: "Dr. Augusto das Chagas Viegas, Asterack Germano de Lima, Aureliano Pereira Corrêa Pimentel, Herculano Veloso, Severiano Cardoso Nunes de Resende, Antônio Augusto Ribeiro Campos e Olívia Ribeiro Campos, Basílio de Magalhães, Cônego José da Costa Machado, Bárbara Eliodora, Sebastião Sette, Modesto de Paiva, Adenor Simões Coelho, Antônio Rodrigues de Melo, Franklin Magalhães, Maria Eugênia Celso, Alexina de Magalhães Pinto, Dr. Euclides Garcia de Lima, Custódio Batista de Castro, Sebastião Alves do Banho, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Professor Domingos Horta, Dr. Cristóvão de Abreu Braga, jornalista Lincoln de Souza, Gilberto de Alencar, Inácio da Silva Alvarenga, Dr. Antônio de Andrade Reis." (Cf. http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2014/05/os-imortais-sao-joanenses-por-gentil.html neste mesmo Blog de São João del-Rei)

³  O que foi dito para os Patronos vale também para os Acadêmicos. É possível que a Comissão criada pela PORTARIA Nº 757, de 30 de dezembro de 1970, encarregada de rever o assunto, decidiu ampliar ou modificar os QUADROS DA ACADEMIA no que se refere aos ACADÊMICOS. É possível afirmar isso porque [CINTRA, 1982, 41], na efeméride do dia 21 de janeiro de 1971, registra as seguintes informações: "Instalação da Academia de Letras de S. João del-Rei, cuja 1ª Diretoria teve a constituição seguinte: Pres. – José Américo da Costa; Vice-Pres. – Elpídio Antônio Ramalho. Secretários – Gentil Palhares e Antônio Elias Cecílio; tesoureiros – Adherbal Malta e Sebastião de Oliveira Cintra; bibliotecário – Beatriz Alves Horta Barbosa. Orador Oficial – Mozart Novaes e Pres. de Honra – Augusto das Chagas Viegas. Sócios fundadores da Academia, que foi criada pelo Decreto nº 620, de 8-12-1970, do Prefeito Municipal Milton de Resende Viegas: Augusto das Chagas Viegas, José Américo da Costa, Elpídio Antônio Ramalho, Gentil Palhares, Carlos de Oliveira Ribeiro Campos, Sebastião Alves do Banho, Fábio Nelson Guimarães, Sebastião de Oliveira Cintra, Adenor Simões Coelho Filho, Tancredo de Almeida Neves, Esaú de Assis Republicano, Beatriz Alves Horta Barbosa, Adherbal Malta, Antônio Elias Cecílio, Luiz de Melo Alvarenga, Antônio Guerra, Álvaro Viana Filho e José das Chagas Viegas."



IV.  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



A COMUNIDADE: São João del-Rei, Ano IV, janeiro de 1971, nº 30, 20 p.

CINTRA, Sebastião de Oliveira: Efemérides de São João del-Rei, Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 622 p.

PALHARES, Gentil: São João del-Rei na Crônica, Juiz de Fora: Esdeva Gráfica S.A., 1974, 180 p.



V.  AGRADECIMENTO


Registro aqui meu agradecimento sincero à Sra. Maria Auxiliadora Ferreira pela cessão d' A COMUNIDADE, edição nº 30, de seu arquivo particular, para fins desta pesquisa.






* Francisco José dos Santos Braga, cidadão são-joanense, tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Além de escrever artigos para revistas e jornais, é autor de dois livros e traduziu vários livros na área de Administração Financeira. Participa ativamente de instituições no País e no exterior, como Membro, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, Academia Divinopolitana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Academia Taguatinguense de Letras, Academia Barbacenense de Letras e Academia Formiguense de Letras. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), um locus de abordagem de temas musicais, literários, literomusicais, históricos e genealógicos, dedicado, entre outras coisas, ao resgate da memória e à defesa do nosso patrimônio histórico.Mais...