terça-feira, 30 de maio de 2017

ÓPERA (excerto do livro MÚSICA É COISA SÉRIA... MAS NEM SEMPRE)


Por Bohumil Med


No outro lado do globo terrestre, mais precisamente na China, o gênero ópera já existe há cerca de mil e trezentos anos. As primeiras informações sobre a ópera chinesa citam o imperador Xuangzong (685-762), da dinastia Tang, com a criação da trupe teatral Jardim das Persas. Na dinastia Song, espetáculos de variedades com canções, danças e esquetes cômicos eram apresentados em teatros para até três mil espectadores. Na era Ming, surgiram óperas sobre temas históricos do passado chinês. Diante do grande sucesso, as autoridades tentavam controlar os espetáculos e até ameaçavam os atores com pena de morte (a intolerância dos poderosos com expressões artísticas tem longa tradição e continua até hoje).

Para nós, do lado de cá, a ópera surgiu na Itália no final do século XVI, com artistas que desejavam recriar a união do teatro e da música, como imaginavam existir na Grécia antiga. Ao contrário da maioria dos estilos e formas musicais ou artísticas, a ópera possui lugar e data de nascimento: os palácios de Florença, sobretudo o magnífico Palazzo Pitti, onde, em 1600, foi apresentada a ópera Eurídice, dos compositores Giacomo Peri (1561-1633) e Giulio Caccini (1550?-1618), com enredo elaborado pelo poeta Rinuccini. O tema, naturalmente grego, era a história do cantor mitológico Orfeu e de sua esposa Eurídice. Mas o primeiro grande mestre da ópera foi Claudio Monteverdi (1567-1643), cuja ópera Orfeu (1607) é esporadicamente apresentada. 

A ópera italiana, com milhares de composições, conquistou o mundo. Mesmo compositores de outras nacionalidades criaram obras no estilo e língua italianos. A tradição começou com dois Alessandros, o Scarlatti e o Stradella, e floresceu com nomes como Rossini, Donizetti, Bellini, Mascagni, Puccini e Verdi. O traidor das origens foi Giovanni Battista Lulli. Ele se afrancesou e fundou a escola nacional francesa, representada por Jean-Philippe Rameau e posteriormente por Auber, Offenbach, Massenet e Bizet, que firmaram definitivamente a força da arte lírica francesa.

Mas o que é mesmo uma ópera (obra em italiano)? É um teatro musicado, uma forma musical das mais completas, que combina música, teatro e balé, uma harmonia de todas as artes. É um espetáculo para os olhos, deleite para os ouvidos e para o espírito. Uma simbiose imaginada por compositores, comediógrafos, poetas, maestros, músicos, cantores, bailarinos, figurantes e empresários. Nos bastidores, há um arsenal invisível de profissionais que vestem e maquiam os artistas, outros que iluminam ou escurecem a cena. O esforço conjunto desses elementos leva à apoteose. As estrelas, os cantores solistas, completam o elenco, que contribui decisivamente para o triunfo do espetáculo.

A ópera se desenvolveu no período barroco. O principal nome é o alemão Händel (1685-1759), que usava temas mitológicos e históricos com cenários suntuosos e figurinos luminosos. Era a época dos castrati. No século XVII, a cidade de Nápoles se tornou a meca da ópera. A novidade era a ópera buffa inspirada no cotidiano, a exemplo de O Barbeiro de Sevilha, de G. Rossini (1792-1868). No século XIX, também na Itália, surgiu a ópera verista, conhecida como ópera realista, que explorava paixões humanas como amor, ódio e vingança, tendo Puccini como o representante típico. Nápoles é a cidade mais importante na história da ópera. É famosa pelos cantores mais célebres do mundo como é Cremona, pela história do violino; Viena, pelas valsas e a Argentina, pelo tango. O único mausoléu no mundo, um sarcófago de cristal, de um cantor de ópera está em Nápoles, homenageando o cantor lírico Enrico Caruso, naturalmente um italiano. 

Para preparar a estreia de uma ópera são necessários muitos ensaios. Wozzeck, por exemplo, ópera de Alban Berg, é uma obra moderna, atonal, difícil para cantores e orquestra. Em Berlim, o maestro Erich Kleiber fez cento e cinquenta ensaios para aprontá-la. Para a estreia da ópera Tannhäuser no Gran Opera de Paris em 1861, Wagner promoveu cento e sessenta e quatro ensaios durante seis meses. E em vez do sucesso veio o fiasco. O motivo foi a introdução do número de balé no primeito ato, o que era inaceitável para jovens aristocratas parisienses. A reação negativa foi tão enérgica que, após três récitas, a ópera, tão bem ensaiada, saiu do repertório para voltar vinte anos depois como a ópera de Wagner mais interpretada em toda a Europa. Para escrever as quatro óperas O Ouro do Reno, A Valquíria, Sigfried e O Crepúsculo dos Deuses que compõem O Anel do Nibelungo, Wagner trabalhou vinte e seis anos. A duração do ciclo é de dezesseis horas e são necessárias quatro noites para a apresentação completa. Achou longa? O recorde de Wagner foi com Os Mestres Cantores de Nuremberg, que dura cinco horas e quinze minutos ou mais, dependendo do regente. Porém, a composição mais longa não é uma ópera. É a sinfonia Victory at Sea, do americano Richard Rodgers, com aproximadamente treze horas de duração!

A produção dos compositores operísticos de antigamente era grande. Puccini compôs noventa óperas; Cimarosa, oitenta, e Salieri, suposto inimigo de Mozart, cinquenta. Os mais preguiçosos: Rossini só compôs trinta e seis óperas; Verdi, vinte e sete, e Wagner, dez, porém longas. Beethoven, Schumann e Debussy se contentaram cada um com uma e Chopin e Brahms não perderam tempo com esse gênero musical tão complicado. O herói preferido dos autores foi Otelo, personagem de setenta óperas, doze operetas e catorze balés. O censo de óperas assinado em 1910 por um certo Sr. Towers relaciona vinte e oito mil e quize óperas. Quantas seriam se fosse hoje?

Em nenhum outro lugar da Europa e em nenhuma outra época da história europeia encenaram-se tantas óperas como na Itália entre 1815 e 1860. Em Milão havia seis teatros que apresentavam óperas regularmente e em Nápoles havia cinco, além de outro local ocasional. O papel da ópera na sociedade italiana daquela época pode ser comparado atualmente ao futebol e à televisão. A música transbordava dos teatros para a esfera pública. As melodias recém-compostas eram tocadas por realejos nas ruas, por bandas militares nos parques e por pianistas nas residências. As casas de ópera eram, antes de tudo, centros sociais, onde as elites compareciam todas as noites. Como assistiam à mesma ópera várias vezes, a atenção dispensada ao palco era irregular. A plateia, diferentemente da nossa, não tinha poltronas. Quem quisesse se sentar teria que levar cadeira, poltrona e até sofá e mesas. Durante a apresentação, jogavam-se cartas e dados, liam-se libretos de óperas, fofocava-se, faziam-se apostas, enquanto fruteiros perambulavam com cestos pela sala de espetáculos iluminada por luz de velas. O público fazia tanto barulho que mal se conseguia ouvir a música. Nos camarotes, os ocupantes jogavam cartas, recebiam visitas e conversavam alto.

 

Para avisar aos presentes que o espetáculo ia começar e para diminuir um pouco o barulho da sala, a orquestra tocava as aberturas, originalmente curtas fanfarras, que Lully ampliou em forma de três partes lento, rápido e lento com intenção de criar um clima festivo. O conteúdo das aberturas não tinha nenhuma ligação musical com as melodias da ópera a ser apresentada. Exemplo dessa dissociação é a famosa abertura da ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, usada por ele em três óperas diferentes. A partir do classicismo e principalmente do romantismo, o conceito de abertura mudou. Os compositores a usavam quase como uma amostra para apresentar os temas principais da ópera. Esse procedimento obrigava o compositor a escrever a abertura por último, quando a ópera já estava completa.

Voltando a Milão do século XIX, a plateia não se disciplinava mesmo após a abertura. Continuava com distrações paralelas. Só uma diva com notas agudas e melodias bem cantadas conseguia atrair a atenção do público, que a acolhia com estrondoso júbilo. Os cantores eram os ídolos das massas, mas aqueles que não conseguiam agradar não encontravam misericórdia. Recebiam vaias drásticas. Para distrair o público pouco concentrado no drama da ópera, entremeavam-se os atos com pequenos números de balé, canções leves e até intervenções de palhaços. Em Paris, já no início do século XX, entre os atos dramáticos, a orquestra tocava polcas e valsas, estilos de música popular da época.

Nesse clima de descontração e diversão nada puritano, os artistas gozavam de má fama e até atuavam como prostitutas. Os contemporâneos diziam que, no reinado de Luís XIV, as mulheres que cantavam nas óperas eram protegidas por nobres e que a Academia de Música nome do teatro lírico em Paris havia se tornado a academia do amor. Quando não estavam no palco, as artistas visitavam admiradores nos camarotes para combinar a "extensão" do espetáculo. Independentemente da avaliação dos puritanos, os artistas da ópera gozavam de grande prestígio perante reis, príncipes, cardeais, aristocratas e burgueses, e eram por eles protegidos. Segundo as crônicas da época, um rebelde condenado à pena capital foi perdoado por ser um compositor de ópera muito popular.

O comportamento do público era diferente nos teatros localizados dentro dos palácios reais, como Versalhes, Munique, Mannheim e outros. O espaço era dedicado, antes de mais nada, a apregoar a majestade do soberano e a reforçar a hierarquia social. Desse modo, o projeto arquitetônico do teatro não era determinado pela necessidade de ver o palco ou ouvir a música, e sim de ver e ser visto pelos espectadores. A função do teatro não era artística. Era social. Para que a ópera surtisse efeito inesquecível, além da música e dos cantores, os diretores apelavam para efeitos visuais mecânicos, como fogos de artifício, decoração surpreendente e até a presença de animais no palco. Na estreia de Berenice, em Pádua, o autor Domenico Freschi, aluno de Scarlatti, além do coro de trezentas vozes, colocou no palco cem cavalos, dois elefantes e dois leões (todos vivos). Sem dúvida, uma ópera memorável!

Uma encenação em que tradicionalmente se colocam animais no palco, em especial elefantes, é a monumental Aída, de Verdi. No Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nos idos de 1910, um desses paquidermes virou-se de costas para o público e aliviou os intestinos com uma enorme descarga, digna de um elefante! Já no Teatro Guaíra, em Curitiba, o público aplaudiu em pé quando Radamés entrou no palco em um elefante que pertenceu a um circo. O animal respondeu aos aplausos colocando-se sobre as patas traseiras, com a dianteiras levantadas em agradecimento à ovação, derrubando o grande general egípcio no chão.

Depois da Itália, a ópera invadiu a Europa, mantendo o italiano, que se transformou em língua oficial tanto da forma como da terminologia musical. O italiano é, sem dúvida, um idioma melódico, próprio para canções e árias. Compositores de outras nacionalidades tinham que se submeter à ditadura da ópera italiana e compor no mesmo estilo e língua. A maioria das óperas de Mozart, um compositor austríaco, tem texto em italiano.

Provavelmente foi a partir do romantismo que as óperas começaram a ser escritas em línguas locais, dificultando a vida dos cantores que devem decorar textos em idiomas que não dominam. Justifica-se dizer que só a língua original preserva as características musicais da melodia, que nenhuma tradução, mesmo bem feita, consegue manter. Na prática, o coitado do cantor decora e canta árias em russo, mas nem o russo presente na plateia consegue entender. Para contornar o problema, estabeleceu-se a prática de projetar a tradução em idioma local numa tela localizada acima do palco. Independentemente da língua, a preocupação de entender as palavras do cantor é inútil porque raramente se entende o que canta, mesmo na língua materna. Prova disso são casos de intérpretes que esquecem ou trocam o texto, mas respeitam a melodia. Raramente alguém na plateia percebe. Isso sem falar de cantores que incluem propositadamente até palavrões nas suas árias, apostando que não serão flagrados. E não são! Num dos ensaios da ópera Paladinos, o compositor João Felipe Rameau pediu à artista para cantar mais rápido. "Mas se for mais depressa, o público não vai entender uma só palavra", respondeu a cantora. "Não importa", disse Rameau, "contanto que entendam a música..."

A pergunta: o texto é menos importante do que a música? Alguns compositores procuram o equilíbrio entre os dois; outros, mesmo os famosos, não se preocupam com as bobagens constantes nos libretos. Para Gluck, a música deveria servir à poesia, mas, para Mozart, a poesia deveria ser filha obediente da música. Independentemente de quem deve servir a quem, o compositor, para escrever uma ópera, precisa de um texto, uma história. Muitos se inspiram em romances famosos, reduzem ao mínimo centenas de páginas do original e os transformam em libreto (texto a partir do qual são compostas óperas) de poucas páginas. Outros encomendam o libreto a especialistas. Alguns, além da música, escrevem o próprio libreto, como era o caso de Wagner. Havia libretistas menos cuidadosos, que escreviam sem esmero, argumentando que geralmente não se entende mesmo o que o cantor pronuncia e que, quando o casal principal da ópera se abraça, o público entende que se trata de dueto de amantes, independentemente do texto.

Entre os famosos libretistas, destacou-se Lorenzo da Ponte (1749-1838), autor dos libretos em italiano das óperas As Bodas de Fígaro e Don Giovanni, de Mozart. A vida de Lorenzo foi uma grande aventura. Autor de trinta e seis libretos operísticos, era um típico aventureiro italiano. Judeu de nascimento, converteu-se ao cristianismo, tornou-se padre, lecionou numa escola até ser demitido. Era também companheiro de aventuras de Casanova. A sorte lhe sorriu quando se mudou para Viena e foi nomeado poeta dos teatros na corte do imperador José II. Com a morte do soberano, perdeu o emprego e se mudou para Londres, onde se casou na igreja anglicana. Tornou-se livreiro, impressor, agente teatral e escritor. Mais tarde, trocou a Inglaterra pela América e passou a vender drogas, livros e, finalmente, escreveu suas memórias, confessando que todos os seus empregos terminavam em escândalos.

Outro libretista fecundo foi o italiano Pietro Metastasio (1698-1782). Alguns dos seus cinquenta libretos eram tão bons que foram musicados mais de dez vezes, ou seja, foram compostas mais de dez óperas sobre o mesmo texto. Mas há outros com enredos tão confusos que nem os principais cantores entendem a lógica dos acontecimentos. Por outro lado, existem canções em que o texto é mais importante do que a música, como as de protesto contra a guerra, a discriminação ou qualquer coisa, classificadas pelo Dr. Henrique Autran Dourado como "música panfletária". Essas costumam ser assumidamente pobre em harmonia e melodia.

O esquema típico das óperas se baseia no casal de amantes um tenor e uma soprano que, durante vários atos, enfrenta obstáculos armados pelo malvado barítono ou baixo, secundado pela ciumenta contralto. Quando a história termina em casamento, trata-se de ópera buffa ou cômica; quando termina em tragédia, é ópera-séria ou dramática, que causa grande efeito, principalmente se a cena final termina em morte, no estilo Romeu e Julieta. Mas sempre, antes de sucumbir por causa de um veneno ou apunhalado pelas costas, o herói tem força suficiente para cantar a ária final. Na ópera Rusalka, do compositor tcheco Antonín Dvořák, a ninfa atrai o príncipe infiel para o meio do lago. Os dois cantam emocionante dueto enquanto a ninfa abraça o amante e o arrasta para as profundezas da água.


Já Mozart, em Don Giovanni, preferiu mandar o conde pecador para o inferno. Outros heróis morrem enforcados, assassinados, fuzilados, envenenados. Antônia, da ópera Contos de Hoffmann, do compositor Offenbach, morre por excesso de canto. Morte linda para uma cantora de ópera! 

Na escalação do elenco, um dos problemas é a representatividade do papel. Os grandes tenores muitas vezes são baixinhos e gordinhos, o que não combina com a imagem de um belo amante fogoso. O mesmo ocorre com as sopranos cantoras fantásticas, muitas vezes são bem cheinhas, para não dizer gordinhas ao representar, por exemplo, a tuberculosa Mimi de La Bohème, de Puccini ou La Traviata, de Verdi, que morre de subnutrição. Os maldosos afirmam que a qualidade de muitas óperas depende do número de mortos no último ato. Às vezes a solução final demora. Tristão e Isolda sofrem quatro horas antes de, finalmente, morrer. A briga de egos entre a prima donna, principal papel feminino, geralmente uma soprano, e o primo uomo, primeiro tenor, ultrapassa muitas vezes os limites artísticos e chega a golpes baixos, tanto no palco como na imprensa. Cansado dessas brigas, Sir Thomas Beecham, regente inglês, comentando a morte dos principais personagens no palco, disse: "Nenhum cantor de ópera morre tão rápido quanto eu gostaria." O intérprete do príncipe da ópera Rusalka de Dvořák também estava cansado. Certa vez, foi ao casamento de um amigo durante o dia, e à noite foi cantar a ópera. Tudo ia bem. Mas aí, no último ato, quando Rusalka o beijou e o deitou na grama para descansar e em seguida atraí-lo ao lago para cantar o duo final e afogá-lo, o intérprete adormeceu profundamente e ninguém conseguiu acordá-lo. E assim, naquela noite, a ópera terminou sem o desfecho trágico prescrito pelo autor.

A ópera, palavra mágica, feitiço em forma de música, harmonia de todas as artes, obra artística completa, festa dos olhos, dos ouvidos e da alma, tem muitos admiradores, mas também inimigos ferozes. Para os leigos, a ópera é uma canção que dura mais de duas horas e a parte mais agradável é o intervalo. Em seu dicionário, Samuel Johnson definiu a ópera como um entretenimento exótico e irracional. No livro Confissões, concluído em 1770, Jean-Jacques Rousseau escreveu que a ópera é "aquele antro de depravação". O compositor francês moderno Pierre Boulez foi ainda mais longe: ele defendeu a demolição de todas as casas de ópera. O ricaço grego Aristóteles Onassis não gostava do gênero. Para ele, a ópera não passava de um bando de chefes italianos gritando receitas de risoto uns para os outros (e ele foi casado com uma prima donna, a diva Maria Callas!). Franz von Dingelstedt declarou: "Todo teatro é um manicômio, mas a ópera é o setor para os incuráveis". Já um tal de Juca fez os maiores elogios: "As horas mais agradáveis de minha vida, eu devo à ópera". Alguém perguntou: "Você é frequentador assíduo?" Ele respondeu: "Eu não, mas a minha mulher é". 

Absurda para alguns, a ópera, apesar das críticas, vive graças às sensações que proporciona aos admiradores. Não há grande cidade que se preze que não disponha de um teatro inteiramente dedicado a ela. Durante três séculos, os cantores de óperas, com fantásticos honorários, foram os artistas mais famosos do mundo. A vida particular, brigas e intrigas, sucessos e tragédias, tornaram-se verdadeiros romances, muitas vezes descritos em livros. O que ficou para sempre são as melodias cantadas por eles, que os tornaram imortais.

Fonte: MED, Bohumil: Música é coisa séria... mas nem sempre, Brasília: MusiMed Edições Musicais, pp. 112-17. Autoria das imagens com desenhos de caricaturas: Radek Steska.



BIBLIOGRAFIA




MED, Bohumil: Música é coisa séria... mas nem sempre, Brasília: MusiMed Edições Musicais, 260 p.

Colaborador: BOHUMIL MED





DADOS PESSOAIS
NOME: Bohumil Med
Data de nascimento: 24/09/1939
Telefones: Com.: (61) 3244.9799 / Cel.: 98407.1056
E-mail: bohumil@livrariamusimed.com.br

TITULAÇÃO
Bacharel em trompa (1960);
Conservatório de Música de Praga - República Tcheca
Especialização (1968);
Academia de Artes de Janacek-Brno-República Tcheca

ATIVIDADES PROFISSIONAIS (como músico)
Trompista em várias orquestras e conjuntos de música de câmara na República Tcheca (1956-1968);
Trompista da Orquestra Sinfônica Brasileira no Rio de Janeiro (1968-1974);
Professor de trompa e matérias teóricas - Instituto Villa-Lobos, atual UniRio (1968-1974);
Trompista do Quinteto de sopros da Universidade de Brasília e da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (1974-1990);
Professor aposentado de trompa e de matérias teóricas - UnB (1974-2017).
Como trompista apresentou-se em mais de 3.000 eventos musicais: óperas, concertos sinfônicos, grupos de música de câmara e como solista.

OUTRAS EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
Vários cargos administrativos na Universidade de Brasília, destacando-se:
Vice-diretor do Instituto de Artes (2002-2006);
Coordenador de Extensão do IDA (2002-2006);
Membro da Câmara de Extensão (2002/2006).
Editor de livros de autores brasileiros - Editora MusiMed (até o momento cerca de 35 livros);
Professor em vários cursos e seminários nacionais e internacionais;
Elaborador de provas específicas para vários concursos, vestibulares, etc. para diversas instituições de ensino;
Fundador de dirigente da Livraria MusiMed, hoje considerada a maior livraria musical da América Latina com cerca de 100.000 títulos em acervo;
Assessor especial da Presidência da Confederação de Bandas e Fanfarras.

PUBLICAÇÕES
Autor dos livros e DVD: Teoria da Música; Solfejo; Ritmo; Vida de Músico não é fácil; Teoria da Música-Livro de exercícios; Música é coisa séria... mas nem sempre; DVD: Curso Básico de Teoria da Música.
Artigos em jornais e revistas especializadas em música;
Editor, editorialista, comentarista e crítico musical do jornal "Música em Brasília", desde 2004;
Autor de mais de 400 edições do programa "Notícias da República Tcheca" veiculado semanalmente pela Brasília SuperRádio FM;
Autor de mais de 200 edições do programa "Música Tcheca" veiculado durante 5 anos pela Brasília SuperRádio FM;
Autor e responsável pelo Blog: Notícias da República Tcheca.

OUTRAS ATIVIDADES
Diretor-tesoureiro da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea durante 9 anos;
Conselheiro, diretor, 1º secretário e presidente do Conselho de Ética do Conselho Regional da Ordem dos Músicos do DF durante 25 anos;
Presidente da Sociedade Cultural Brasil-República Tcheca;
Membro do júri do Tribunal de Júri-DF durante 6 anos;
Grande Inspetor Geral, grau 33, do Rito Escocês Antigo e Aceito.

CONDECORAÇÕES (entre outras)
Agraciado pelo Governo da República Tcheca com o prêmio "Jan Masaryk Gratias Ágil 2002", em junho de 2002;
Empossado como membro da Academia de Letras e Música do Brasil, em 2003;
Agraciado com a "Ordem do Mérito Cultural Carlos Gomes" no grau de comendador, em novembro de 2003;
Professor Emérito da Universidade de Brasília - 2007;
Comendador da Liga da Defesa Nacional - Medalha de Mérito;
Cidadão da Cultura no Grau de Ouro - Clube da Bossa do Brasil;
Medalha de Honra ao Mérito - Clube da Bossa do Brasil.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

RESENHA DO LIVRO "A POLÔNIA E SEUS EMIGRADOS NA AMÉRICA LATINA (até 1939)", por JERZY MAZUREK


Por Aleksandra Pluta

Esta é a tradução (trad. Mariano Kawka) de uma versão modificada e ampliada do livro Kraj i emigracja de Jerzy Mazurek, publicada em 2006, pelo Instituto de Estudos Ibéricos e Íbero-Americanos da Universidade de Varsóvia e Museu de História do Movimento Popular Polonês em Varsóvia.


Pela editora Espaço Acadêmico de Goiânia acaba de ser publicado (2016) um importante livro sobre a história da emigração europeia para a América Latina, especificamente sobre os imigrantes poloneses no Brasil e na Argentina. O tema de migrações no mundo de hoje é um dos mais atuais seja do ponto de vista sociológico, antropológico ou político. Seria muito difícil entender este fenômeno sem olhar para trás, sem estudar bem as ondas migratórias que tiveram lugar no nosso passado recente, no século XIX e no começo do século XX, para não mencionar movimentos migratórios anteriores. A obra do destacado historiador polonês Jerzy Mazurek, “A Polônia e seus emigrados na América Latina (até 1939)”, originalmente lançada na Polônia em 2006, analisa os movimentos migratórios da Europa para a América Latina, com um especial enfoque na colonização dos camponeses poloneses que povoaram o sul do Brasil. O que torna o livro uma referência importante nos estudos sobre migrações é o fato dele permitir ao leitor ter uma visão muito mais ampla sobre a questão, que não se limita só ao caso polonês. O autor preocupou-se em estender o horizonte, comentando a situação política e socioeconômica da Europa e das Américas no século XIX e no começo do século XX para explicar claramente o contexto global que justifica o desejo (ou, na maioria dos casos, necessidade) de grandes levas de pessoas de emigrarem em busca de um futuro melhor em outro hemisfério. O autor, cuja pesquisa durou vários anos, fez um trabalho pioneiro: as referências bibliográficas são numerosas e em grande parte não accessíveis ao leitor brasileiro, sendo parte de acervos de arquivos nacionais poloneses ou ucranianos. Isso permite uma visão bilateral ao mostrar seja a situação dos emigrantes ainda na Polônia (fazendo um retrato detalhado do contexto histórico, político, econômico e social), seja a situação deles no lugar de chegada, retratando, de uma maneira igualmente detalhada, as condições de vida no Novo Mundo. O olhar do autor está direcionado especificamente à situação dos camponeses, o que não causa surpresa, pois a maioria dos imigrantes europeus provêm desse grupo social e, depois de ter chegado ao Brasil ou à Argentina, continuou trabalhando na terra. O número dos imigrantes poloneses no Brasil ao longo do século XIX e até o fim da Segunda Guerra Mundial chegou a cerca de cinco milhões de pessoas. E, vale a pena ressaltar, este número não é o mais significativo se comparado com os números das imigrações italiana, portuguesa, espanhola, japonesa ou alemã. Mas o que une todas essas levas são as causas: a pobreza, o superpovoamento das aldeias, a crise agrária, o insuficiente desenvolvimento industrial, as duas Guerras Mundiais. A emigração era com frequência a única salvação diante da miséria e fome. Mas, “no caso da Polônia – escreve o autor – a emigração foi ainda influenciada pela conturbada história desse país, com destaque para o imperialismo da Prússia, da Rússia e da Áustria, que, em 1795, após três consecutivas partilhas, apagaram a Polônia, durante 123 anos, do mapa político da Europa. A reconquista da independência, em 1918, foi antecedida por uma série de levantes malsucedidos, e seus combatentes, com receio das inevitáveis represálias por parte dos invasores, optavam pela emigração”.
Além disso, a mobilidade dos habitantes do Velho Continente era facilitada pelas políticas migratórias dos países como Estados Unidos, Canadá, Brasil e Argentina. Por um tempo os governos desses países financiavam as despesas do transporte dos emigrantes da Europa. Uma das causas desse movimento migratório era a própria abertura desses países à emigração: o Brasil, graças à boa conjuntura mundial para o café na segunda metade do século XIX, era o país que oferecia as condições mais favoráveis para a aceitação dos emigrantes em escala maciça. Um dos elementos da modernização e da tentativa de branqueamento do Brasil devia ser a busca de mão de obra alternativa para a força de trabalho escrava, em forma de trabalhadores assalariados ou colonos trazidos da Europa. Jerzy Mazurek aprofundou os temas ligados a esta grande leva de emigração como a economia do país de saída e do país de chegada, história das organizações sociais e o papel da Igreja Católica na vida dos núcleos polônicos, entre outros. O resultado da sua pesquisa é fundamental para a melhor compreensão da formação do Brasil, na qual um dos papéis importantes, sem dúvida, é desempenhado pelos descendentes dos imigrantes europeus. 

Colaboradora: ALEKSANDRA PLUTA




ALEKSANDRA PLUTA nasceu na Polônia em 1984. Doutoranda em Literatura e Práticas Sociais, pela Universidade de Brasília, mestre em Jornalismo pela Università La Sapienza em Roma. Autora dos livros: “Na onda da história. Imigração polonesa no Chile” (2009), “Raul Nałęcz–Małachowski. Memórias de dois continentes” (2012) e “Andrés, uma vida em mais de 3000 filmes” (2014) e “Ziembinski, aquele bárbaro sotaque polonês (2016),  nos palcos brasileiros.

domingo, 14 de maio de 2017

MENSAGEM DE MÃE


Por Rute Pardini

Foto de Inês Vilela Pardini com sua filha Rute Pardini



No curto espaço de tempo em que fui mãe, me senti plena de graça. Senti dentro de mim o milagre da vida. Aqui dentro do meu ventre aquela força incondicional começava a brotar.

E quando tu já não mais existias, me senti órfã de filho. 
Hoje sou mãe de anjos no céu.

Imagino um folguedo desses anjinhos que se despregaram tão precocemente de seu útero aconchegante... 


♡               ♡              ♡ 


Minha mãe querida,
Você me deu a vida e com você fui descobrindo o mundo, evoluindo e desenvolvendo individualmente todas as minhas faculdades. Em tudo você esteve presente, em todas as situações e de várias formas, até nos tornarmos as melhores amigas que somos hoje. 

Com você aprendi também o significado da amizade, um dos mais importantes da vida. 

Obrigada por isso e por tudo, mamãe querida, amiga também para a vida!


♧               ♧               ♧


A vocês todas, minhas queridas, plenas da graça de Deus: dou-lhes hoje meus parabéns.


 

Colaboradora: RUTE PARDINI


Rute Pardini como Frasquita na ópera Carmen, de G. Bizet

 
RUTE PARDINI  (soprano lírica coloratura brasileira)

Área de atuação: canto lírico e pesquisa em música.

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Graduação:
2008 – Bacharel em Música com habilitação em Canto Lírico
UnB – Universidade de Brasília
Professora Irene Bentley
Recital de Formatura em 10/07/2008 no Espaço Cultural ANATEL, em Brasília.

RUTE PARDINI BRAGA nasceu em Divinópolis-MG, em 1965. Na infância e adolescência, durante 10 anos, pertenceu ao “Coral Nossa Senhora de Fátima”, de Divinópolis, sob a direção e regência do maestro Licurgo Leão Silveira.
Mais tarde, durante oito anos, cantou no Coral Divinópolis sob a regência de Djanira Luíza dos Santos.
No ano de 2000, teve aulas particulares de teoria musical e de técnica vocal com Prof. Sebastião Bispo dos Santos.
Em 2001 mudou-se para São Paulo em busca de aperfeiçoamento em sua técnica vocal, tendo ingressado na Faculdade Mozarteum de São Paulo e teve como orientadora a soprano Hildalea Gaidzakian.
Em 2002 passou a residir definitivamente na Capital Federal, quando cursou o 24º Curso Internacional de Verão sob a orientação da soprano Honorina Barra, ingressando em seguida na Escola de Música de Brasília na classe de canto da Profª Cláudia Costa. No mesmo ano iniciou seu curso de bacharelado em canto lírico na UnB, sob a orientação da soprano Irene Bentley. Ainda nesse mesmo ano foi convidada pela Maestrina Isabela Sekeff do Coral Cantus Firmus para solar o “Laudate Dominum” de Mozart nas cantatas de Natal em igrejas de Brasília.
Em 2003 participou do “Curso de Invierno de Técnica vocal y Actuación dinâmica” sob a orientação de Suzana de Sanches Lacorazza, no Instituto Superior de Arte del Teatro Colón, em Buenos Aires.
Rute Pardini como Susanna, nas Bodas de Fígaro, de Mozart
Durante o curso superior de canto na UnB, participou da atividade conhecida por Cortina Lírica, contracenando com outros alunos no papel de Susanna na ópera “As Bodas de Fígaro”, de Mozart (em 04/12/2003, no Espaço Cultural JK do SESC de Brasília, sob a direção musical da pianista Vânia Marise e Profª Irene Bentley); também tomou parte de muitos recitais, especialmente tendo Prof. Daniel Tarquínio e Alla Dadaian (pianistas com formação na Rússia) e André Tribuzy (em 2003, apresentador do programa “Conversa de Músico”, na TV Senado), como seus correpetidores.  
Participou da apresentação de “AS BODAS DE FÍGARO”, de Mozart, como Susanna no teatro Ulysses Guimarães da UNIP em Brasília nos dias 13 e 16/12/2004 no evento Ópera Estúdio dos Departamentos de Música, coordenado pela Profª Irene Bentley, e Artes Cênicas da UnB,  sendo diretor de Arte Cênica o Prof. Marcus Mota.
Cf. in http://www.academia.edu/8211144/Teatro_musicado_para_todos_experi%C3%AAncias_do_laborat%C3%B3rio_de_dramaturgia_-_UnB
Ainda em 05/12/2004, atuou como Hortulana na cantata “A Legenda de Santa Clara” com o Coral Trovadores da Mantiqueira, no Teatro Municipal de São João del-Rei, sob a regência do compositor Frei Joel Postma o.f.m.
Em 4 e 5/07/2005, atuou como a cigana Frasquita na ópera “CARMEN”, de Georges Bizet, no evento Ópera Estúdio dos Departamentos de Música, Artes Cênicas e Artes Visuais da UnB, encenada no Teatro Sesc de Taguatinga e na Sala Martins Pena do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. 
Cf. in http://www.academia.edu/8211144/Teatro_musicado_para_todos_experi%C3%AAncias_do_laborat%C3%B3rio_de_dramaturgia_-_UnB
Ainda em 2005, de 5 a 11 de novembro, atuou como Irmã Pobreza na já referida cantata de Frei Joel Postma o.f.m. nas cidades de Belo-Horizonte, Juiz de Fora, Divinópolis e Santos Dumont.
Em 9/10 e 30/11/2013, foi solista na cantata O Peregrino de Assis, de Frei Joel Postma, sob a regência do próprio autor.
Cf. in http://bragamusician.blogspot.com.br/2013/12/o-peregrino-de-assis-de-frei-joel.html
Cabe lembrar ainda que, em 18 a 20/12/2007, a convite do Prof. Conrado Silva de Marco, atuou como “Voz Lírica” na peça teatral “O Sonho de Lady Macbeth”, encenada na praça e na rampa do Museu da República, em Brasília, durante 3 noites, sob a direção do diretor Willian Lopes; trilha sonora (eletroacústica) composta pelo Prof. Conrado de Marco e sua ex-aluna Janaína Sabino.
Cf. in https://willscard.carbonmade.com/projects/2914943
Finalmente, cabe ainda mencionar que tomou aulas particulares de técnica vocal com a Profª Denise Tavares, durante algum tempo em Brasília. Também foram muito importantes os conhecimentos adquiridos nos cursos de Canto Coral ministrados pelos Profs. David Junker e Edson Andrade, ambos professores da UnB.


CONCERTO DE FORMATURA
 
DATA: 10 de julho de 2008
LOCAL: Espaço Cultural ANATEL em Brasília


PROGRAMA

Formanda: Rute Pardini, soprano lírica coloratura
Acompanhadora: Vânia Marise, pianista 


1ª  PARTE

1) Ich will dir mein Herze schenken (oratório Paixão segundo São Mateus), de Johann Sebastian Bach (1685-1750)
2) Rejoice greatly (oratório Messias), de George Friedrich Händel (1685-1759)
3) Deh, vieni, non tardar (recitativo e ária - ópera As Bodas de Fígaro), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
4) Ch'io mi scordi di te? (recitativo e ária - Ária de Concerto), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
5) Al Desio (ária optativa de Susana na ópera As Bodas de Fígaro), de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)


2ª  PARTE  


6) Giusto ciel, in tal periglio (ária de Pamira na ópera Maometo II, ato I), de Gioacchino Antonio Rossini (1792-1868)
7) Filomela Op. 18, nº 2, de Alberto Nepomuceno (1864-1920)
8) Não sei por que espírito antigo (o primeiro dos 12 Poemas da Negra), de M. Camargo Guarnieri (1907-1993)
9) Kritiku Op. 109 (sátira sob versos de Sasha Chorny), de Dmitri Shostakovich (1906-1975)
  
Vídeos
Rossini: Giusto ciel, in tal periglio de Maometto II (ária de Pamira no Ato I) https://youtu.be/tKcmrrgxQp8
Alberto Nepomuceno: Filomela op. 18 nº 2 https://youtu.be/c8NPVc40gw4 
Mozart: Deh vieni, non tardar de As Bodas de Fígaro (recitativo e ária de Susanna) https://youtu.be/jZJt6FVE5PE
Mozart: Ch’io mi scordi di te? (Ária de Concerto: recitativo e ária) https://youtu.be/F4WPjgVB48w
Camargo Guarnieri: Não sei por que espírito antigo (o 1º dos 12 Poemas da Negra) https://youtu.be/xlh7qVeKgys
Dmitri Shostakovitch: Kritiku (1ª das sátiras-Imagens do Passado op. 109) https://youtu.be/6slJKZpH_vU

Cf. Concerto de Formatura da Cantora Lírica Rute Pardini http://bragamusician.blogspot.com.br/2016/07/concerto-de-formatura-da-cantora-lirica.html


EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL DE RUTE PARDINI


Inaugurou o programa “Um Piano ao Anoitecer em Tiradentes”, com um recital em 11/04/2009, como cantora e flautista, acompanhada ao piano por Francisco José dos Santos Braga.
No YouTube: https://youtu.be/aXR_hWwn9zU

Em 30/04/2011, abrilhantou a solenidade cívico-religiosa do registro civil tardio da beata Nhá Chica, cantando, durante a missa, Panis Angelicus, de César Franck, Jesus Alegria dos Homens, de J.S. Bach, e Ave Maria, de Franz Schubert, em alemão.
Cf. in http://saojoaodel-rei.blogspot.com.br/2011/05/cronica-da-solenidade-civico-religiosa.html 

Participou da comemoração dos 40 anos do Museu da Música de Mariana, como convidada especial da Academia Marianense de Letras, quando foi homenageado Dom Oscar de Oliveira, Acadêmico e fundador do Museu da Música, com um recital composto de Lieder, chansons e canções brasileiras, na noite de 06/07/2013, sendo ouvida da janela superior da Academia que dava para a praça pública e, depois, em recital reservado no salão da Academia, sendo acompanhada ao piano por Francisco José dos Santos Braga. 

Cantora lírica oficial das comemorações do 12 de Novembro, Dia Nacional da Liberdade, quando se comemora o nascimento do Herói Tiradentes (quando canta a cappella “As Pombas”, música de Chiquinha Gonzaga e letra de Raimundo Correia, em frente à estátua de Tiradentes na Av. Tancredo Neves, no centro de São João del-Rei, e, em seguida, na fazenda do Pombal, localizada na época do nascimento do Herói em São João del-Rei, e hoje em Ritápolis). Cf. in https://youtu.be/XgTg5TYEAMM

Cantora do hino oficial da Comenda da Liberdade e Cidadania em 2011, quando do lançamento da Comenda, segundo arranjo e acompanhamento de Francisco José dos Santos Braga. Cf. in https://youtu.be/dT5eHMvSc3M

Idem em 2016, com acompanhamento orquestral em praça pública. Hino: Canção de Herói / Cf. in https://youtu.be/VguLhMv9Znc

Solista nas apresentações do Coral Trovadores da Mantiqueira nas cidades de Santos Dumont, Belo Horizonte, Divinópolis, Juiz de Fora e São João del-Rei, sob a regência de frei Joel Postma o.f.m. e acompanhamento ao piano de Francisco José dos Santos Braga.

Quando da realização dos Encontros de Corais de Santos Dumont-MG, em fins de novembro, é convidada especial de frei Joel Postma a participar como solista para contribuir para o Projeto Vida, uma iniciativa em favor do Dia Mundial de Combate à AIDS. 

TÍTULOS

No dia 11/03/2016 foi agraciada pela ADL-Academia Divinopolitana de Letras com o Diploma de Honra ao Mérito “em reconhecimento e gratidão ao apoio dispensado ao Sodalício, durante o ano de 2015”. Na mesma noite, recebeu o Troféu Orfeu 2016.
Para esta noite de congraçamento preparou e apresentou as seguintes peças:
Chiquinha Gonzaga: As Pombas
Gluck: ária Che fiero momento (da ópera “Orfeu e Eurídice”)
Haendel: recitativo e ária Ombra mai fu (da ópera “Xerxes”)
Puccini: ária O mio babbino caro (da ópera “Gianni Schicchi”)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SANTIAGO SABINO E SONIA VIEIRA IN CONCERT EM 1985


Por Francisco José dos Santos Braga




Desde pelo menos 17 de outubro de 1984, já se publicava na mídia carioca uma publicidade da Cultura Inglesa que dizia:

CULTURA INGLESA
apresenta
 SANTIAGO SABINO 
1º cellista da Filarmônica de Londres
ao piano
SONIA MARIA VIEIRA

Vivaldi - Bach - Oswald - Debussy - Haydn - Falla - Paganini
SALA CECÍLIA MEIRELES
6 de setembro de 1985 18:30 horas



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Expressões da Música nos 47 anos do GLTA


OURO PRETO - Com um recital do violoncelista mineiro Santiago Sabino de Carvalho, primeiro violoncelo da Orquestra Filarmônica de Londres, acompanhado pela pianista Sonia Maria Vieira ¹, da Escola de Música da UFRJ, serão abertas no dia 3 de setembro, às 20h, no Teatro Municipal desta cidade, as comemorações do 47º aniversário do Grêmio Literário Tristão de Ataíde.

Os solistas apresentarão um programa com peças de Vivaldi, Bach, Henrique Oswald, Debussy, Manuel de Falla, Haydn e Paganini. Santiago Sabino, mineiro de São João del-Rei, hoje integrando o famoso conjunto sinfônico inglês, formou-se na Real Academia de Música londrina. Tem-se apresentado em recitais em países como a Escócia, Itália, França, Portugal e Grécia. Estudou, ainda, nos Estados Unidos, Paris, Nice e Siena (Itália).

Já a pianista Sonia Vieira classificou-se, sete vezes, em primeiro lugar, em concursos de que participou. Obteve vários prêmios e tem 14 discos gravados com música brasileira erudita. Deu recitais no Carnegie Hall, em Nova Iorque e é professora das cadeiras de História da Música e História da Arte, na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Fonte: jornal "Estado de Minas", Belo Horizonte,  01/09/1985.


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Santiago: uma homenagem ao mestre  


Em homenagem ao professor Iberê Gomes Grosso, falecido há poucos anos, o violoncelista Santiago Sabino, que pertence à Filarmônica de Londres há cerca de 20 anos, toca sexta-feira, na Sala Cecília Meireles, acompanhado pela pianista Sonia Vieira.
Fonte: jornal "O Globo', Rio de Janeiro, edição de 02/09/1985, 2º caderno, p. 3.


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MÚSICA - Sala Cecília Meireles - Violoncelista Santiago Sabino e pianista Sonia Maria Vieira - Suíte em ré menor, de Bach; Elegia, de Oswald; Suíte Espanhola, de Falla; Divertimento, de Haydn; Variações "Rossini", de Paganini; e Sonatas de Vivaldi e Debussy - Cr$ 10.000 e Cr$ 20.000. 

O órgão de Renzo Buja e o arco de Sabino

Antonio Hernandez

Artista já aplaudido no Rio, em várias ocasiões, sempre utilizando um Tamburini da Escola de Música, o organista Renzo Buja será apresentado hoje, a partir de 17h30m, no Salão Leopoldo Miguez, em concerto organizado pelo Instituto Italiano de Cultura, em colaboração com a Escola de Música da UFRJ. O programa é dedicado aos tricentenários de Bach e de Domenico Scarlatti e o concerto será realizado com entrada franca.


Sabino: uma única apresentação


Outra atração do fim de semana musical dos cariocas é o violoncelista Santiago Sabino, programado também para hoje, às 18h30m na Sala Cecília Meireles, em concerto-homenagem ao seu professor Iberê Gomes Grosso.

Sabino é mineiro, formado pela Escola da UFRJ e com estudos de especialização na Royal Academy of Music, de Londres, onde trabalhou na classe de Douglas Cameron. Teve oportunidade de revisar o seu repertório em cursos especiais ministrados por André Navarra, Casals e Paul Tortelier e, desde 1972, foi admitido como único instrumentista estrangeiro da London Philharmonic. Nos últimos anos ele vem dividindo as suas responsabilidades na célebre orquestra com a sua carreira de concertista em diversos países da Europa.

No concerto de hoje, Santiago Sabino conta com a colaboração preciosa da pianista Sonia Vieira e o programa inclui Sontas de Vivaldi e Debussy, a Suíte Popular Espanhola, de Manuel de Falla, Elegia, de Henrique Oswald, a Segunda Suíte, em ré menor, para violoncelo solo, de Bach, um Divertimento de Haydn e Variações sobre uma corda só, de Paganini, sobre um tema de Rossini. (...)

Fonte:  jornal "O Globo", Rio de Janeiro, 6ª feira, edição de 06/09/1985.


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O Brasil afinal: CONCERTO DE VIOLONCELO 

Mons. Almir de Rezende Aquino ²

Rio de Janeiro, S. João del-Rei e Ouro Preto esperam viver um dos seus dias de mais alta cultura.

Isto vai acontecer com o Concerto de Violoncelo que seu ilustre e talentoso filho Santiago Sabino de Carvalho vai dar no começo de setembro, acompanhado pela exímia pianista Sonia Maria Vieira.

Os patrocinadores voluntários vão aparecer, pessoas finas e cultas, de bom gosto musical ou empresas com espírito social, cultural e beneficente comprovado.

A música erudita encontra apatia em muitos lugares neste mundo consumista, materialista e publicista conde se invertem valores, menos na terra da música e na terra que viu nascer e crescer Santiago Sabino de Carvalho, na "cidade maravilhosa" e na "cidade mundial".

De longa data Sabino deseja dar um Concerto em sua Pátria e na terra natal e os seus patrícios e conterrâneos ansiosos por ouvi-lo há mais de quinze anos. Chegou a hora.

Tenho certeza de que não haverá decepção de parte alguma.

No Rio, para o dia 6 de setembro, na Sala Cecília Meireles, a empresária Snra. Helena Grosso Fleury empenha sua capacidade e simpatia para conseguir Santiago Sabino de Carvalho e o melhor público que lhes serão agradecidos. Contamos também com o grande prestígio do escritor e jornalista Otto Lara Resende conterrâneo do festejado e destro violoncelista.

Em Ouro Preto, o patrocínio do idolatrado Pe. Mendes e o condecorado Grêmio Literário Tristão de Ataíde (GLTA) vão promover uma festa do "Ano Internacional da Juventude" na "Cidade Mundial", no dia 3 de setembro, no Teatro Municipal (Casa da Ópera).

Sabino, embora morando em Londres, conserva entranhado amor ao Brasil e a São João del-Rei.

Como o seu par, instrumentista Antonio Meneses disse não faltar talento aqui, mas incentivo por parte das autoridades e das grandes empresas, Sabino conhece a riqueza do talento musical de sua Pátria. Em Campos do Jordão, Meneses levantou a campanha "adote-se um músico", porque o País precisa aparecer pela sua boa música e "não apenas ser conhecido pelo futebol e por causa das mulatas".

O Festival do Inverno de Campos do Jordão, no dia 6 de julho, foi patrocinado pela Souza Cruz.

É certamente um exemplo que deveria ser bem acolhido e estendido.

Em São João del-Rei, para o dia 2 de setembro, as nossas laureadas corporações musicais: Orquestras sacras Lira Sanjoanense e Ribeiro Bastos, Sociedade de Concertos Sinfônicos, o frutuoso Conservatório de Música, a nossa elite cultural da divina arte, nossos jovens talentosos e esperanças do amanhã, os professores, os amigos de Sabino e de modo todo especial a sua família estão vivendo uma grande expectativa, (sem exagero) à semelhança dos tempos messiânicos da Bíblia, para saborear o seguinte programa que Sabino vai apresentar:

A. Vivaldi: Sonata em mi menor nº V
J. S. Bach: Suíte em ré menor nº II
Henrique Oswald: Elegia
C. Debussy: Sonate

Intervalo

Niccoló Paganini: Variations sur une seule corde
Manuel de Falla: Suíte Popular Espanhola
J. Haydn: Divertimento

Fonte: jornal Tribuna Sanjoanense, edição de 10/08/1985, p. 2.



Sabino lota Teatro Municipal 
e prevê volta em dezembro


O Teatro Municipal de São João del-Rei ficou completamente lotado na noite do dia 2, quando se apresentou o violoncelista Santiago Sabino de Carvalho, natural de São João e atualmente solista da Filarmônica de Londres. Sabino recebeu várias homenagens antes e após o concerto, bem como seus pais. Depois foi recepcionado com uma festa informal no Athletic Club.

O instrumentista, que se apresentou acompanhado pela pianista Sonia Maria Vieira, executou peças de Vivaldi, Bach, Henrique Oswald, Debussy, Haydn, Manuel de Falla e Paganini.

TRAJETÓRIA

Santiago Sabino nasceu em São João há 30 de dezembro de 1942, tendo iniciado seus estudos de violoncelo aos oito anos com seu pai. Saiu de São João para o Rio de Janeiro com uma bolsa de estudos recebida em concurso promovido pelo MEC, para algum tempo depois seguir para Londres, com nova bolsa de estudo, desta vez através de concurso promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa. Recebe da França bolsa de estudos para Paris, passando ainda pela Itália e Estados Unidos. Numa trajetória de inúmeros concursos vitoriosos e apresentações em todo o mundo, Sabino desde 1972 é solista da Orquestra Filarmônica de Londres, onde obteve o 1º lugar no concurso de ingresso.

VOLTA EM DEZEMBRO

Santiago Sabino manifestou seu desejo de visitar novamente a São João em dezembro, quando deverá trazer sua família.

Fonte: Jornal de São João del Rey, nº 2, edição de 7 de setembro de 1985, p. 1.



NOTAS   EXPLICATIVAS



¹  VIEIRA, Sonia Maria, b. 11 Nov. 1944; Rio de Janeiro, Brazil. Pianist; University Professor. Education includes: Graduate in Piano, National Music School of the University of Brazil, Rio de Janeiro, 1967; Graduated in Organ Course, 1978. Mastership, Piano, 1980, Music School of the Federal University of Rio de Janeiro. Studied at the Leipzig Hochschule für Musik for 2 years. Career includes: Teacher of the History of Art, Augusta Souza Franca Music Faculty, Music School of the Federal University of Rio de Janeiro, 1976, 1977, 1978; Teacher of History of Music & Art: Brazilian Music Conservatory, Rio de Janeiro, 1979, 1980, 1981; Numerous recitals worldwide; most recent include: Carnegie Recital Hall, New York, USA, Waldorf Astoria, New York, Villa-Lobos Recital Hall of the National Theatre, Brazil, Music School of the Federal University of Rio de Janeiro, 1981; Performances with several orchestras, including: São Paulo & Recife Symphony Orchestras, National Symphony Orchestra of the Radio of the Ministery of Education & Culture, wind orchestras of the Fire Service of Rio de Janeiro, and others; Chamber music: member of the Trio Reinecke & duos with the violinist Stanislaw Smilgin & percussionist Luiz Annunciação; Accompanied various national & guest instrumentalists & singers, accompanist of the 'Eighth International Singing Competition of Rio de Janeiro, 1977. Ten records, including an extensive collection of Brazilian Music. Memberships: Ordem dos Músicos do Brasil, Sindicato dos Müsicos Profissionais do Município do Rio de Janeiro. Honours include: 'Best Pianist of the Year' awarded by the Young Musical Programme of Radio Roquete Pinto, Gold Medal, 1961; Recording of the works of Maestro Guerra-Peixe considered 'the best record of Brazilian music of 1976' by the Critic's Association of Brazil. Address: R. Paissandu 93/404, Flamengo 22.210, Rio de Janeiro, Brazil.

Fonte:  "The World Who's Who of Women" - 1984, 7th Edition, Cambridge: International Biographical Centre, p. 744.


²  Neste Ano Nacional Mariano de 2017, celebrando o 3º Centenário do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar da Diocese de São João del-Rei houve por bem, dentro da programação das solenidades da Semana Santa de 2017, prestar  

"homenagem ao Revmo. Sr. Monsenhor Almir de Resende Aquino, na passagem dos 100 anos de seu nascimento; grande promotor da solenidade da Semana Santa, destacando-se seu zelo e admiração pelas nossas mais solenes tradições locais, quando Pároco da então "Matriz do Pilar", de 1948 a 1967.
Descanse em paz!" 
Se estivesse entre nós, Monsenhor Almir teria completado 100 anos no dia 24 de fevereiro de 2017. Em nome dos historiadores e pesquisadores quero dizer que reverenciamos a memória desse ilustre são-joanense que tantas benemerências trouxe ao arquivo paroquial e à cidade de São João del-Rei.