terça-feira, 9 de julho de 2019

Colaborador: GUILHERME DE ALMEIDA


Por Francisco José dos Santos Braga


Guilherme de Almeida ( ✰ Campinas, 24/07/1890  - ✞ São Paulo, 11/07/1969)

Meu homenageado foi um advogado, jornalista, heraldista (tendo criado o brasão das cidades de São Paulo, Petrópolis (RJ), Volta Redonda (RJ), Londrina (PR), Brasília (DF), Guaxupé (MG), Caconde, Iacanga e Embu (SP)), crítico de cinema, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro, tendo sido, além disso, o responsável pela divulgação do poemeto japonês HAIKAI no Brasil. Também Guilherme de Almeida foi ainda um dos fundadores da Revista Klaxon, que visava a divulgação da ideias modernistas, tendo realizado sua capa, assim como os arrojados anúncios da Lacta, para a mesma Revista. Elaborou igualmente a capa da primeira edição do livro Paulicéa Desvairada, de Mário de Andrade. Também é notória sua participação no grupo verde-amarelista; em suas colaborações com a Revista de Antropofagia, publicou poemas-piada à moda de Oswald de Andrade. 

Combatente na Revolução Constitucionalista de 1932 e exilado em Portugal, após o final da luta, Guilherme de Almeida foi homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Sua obra maior de amor a São Paulo foi seu poema Nossa Bandeira, além do Hino dos Bandeirantes – a Lei nº 337, de 10 de julho de 1974, revoga o artigo 3º da Lei n. 9854 de 2 de outubro de 1967, e institui o poema "Hino dos Bandeirantes", como letra do Hino Oficial do Estado de São Paulo – e da letra do hino da Força Pública (atual Polícia Militar do Estado de São Paulo).

Escreveu o poema Moeda Paulista, a pungente Oração Ante a Última Trincheira, a letra do "Hino Constitucionalista de 1932/MMDC", bem como d'O Passo do Soldado, com música da autoria de Marcelo Tupinambá, pseudônimo de Fernando Lobo, com interpretação de Francisco Alves. O poema Nossa Bandeira serviu de inspiração para o dobrado Treze Listras do compositor e maestro Pedro Salgado. 

Sobre o poema Nossa Bandeira, tenho ainda a acrescentar que foi escrito no calor da Revolução de 1932, quando foi resgatado o projeto de 1888 de Júlio Ribeiro, mineiro de Sabará radicado em São Paulo a partir de 1865, para a bandeira do Brasil republicano, a fim de servir de símbolo por um Brasil melhor saído da instalação de uma nova Constituinte. A estrutura do poema utilizou uma comparação das listas pretas e brancas alternadas da bandeira com aspectos encontrados na História paulista, o que deu um sabor pitoresco ao poema. O esquema dos versos em redondilha maior aproxima-o dos ritmos mais populares, o que também vale para a organização das estrofes em quadras, com esquema de rimas ABAB. 

Por todas essas realizações, Guilherme de Almeida é proclamado "O poeta da Revolução de 32". Em todas elas, sobressaiu sempre o artista do verso, que o poeta Manuel Bandeira considerou o maior em língua portuguesa. 

É também da autoria de Guilherme de Almeida a letra da Canção do Expedicionário com música de Spartaco Rossi, referente à participação dos pracinhas brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Compôs também os versos do hino a Brasília, quando a cidade foi inaugurada. 

O poema “A Carta Que Eu Sei de Cor”, de Guilherme de Almeida, publicado em seu livro Era uma vez, foi, em 1930, declamado na Faculdade de Letras de Coimbra na importante conferência “Poesia Moderníssima do Brasil”, que foi posteriormente publicada na revista Biblos [Faculdade de Letras de Coimbra), Vol. VI, n. 9-10, Coimbra, Setembro e Outubro de 1930], bem como no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, em 1931. 

Guilherme de Almeida foi o primeiro modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras, justamente em 1930 (terceiro ocupante da Cadeira 15, eleito em 6 de março de 1930, na sucessão de Amadeu Amaral e recebido pelo Acadêmico Olegário Mariano em 21 de junho de 1930). Em 1958, foi coroado o quarto “Príncipe dos Poetas Brasileiros” – concurso promovido pela revista Fon-Fon –, depois de Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. 

Foi presidente da Comissão Comemorativa do Quarto Centenário da cidade de São Paulo. 

Encontra-se sepultado no Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo, ao lado de Ibrahim de Almeida Nobre, o "Tribuno de 32", dos despojos dos jovens conhecidos pela sigla M.M.D.C. (Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo Camargo de Andrade), e do caboclo Paulo Virgínio.

Acrônimo para o quarteto morto a tiros em 23/05/1932, durante protesto, na esquina da Rua Barão de Itapetininga com a Praça da República, em um dos principais episódios da Revolução Constitucionalista de 1932. A tragédia serviu de combustível para mobilizar os paulistanos em direção à guerra.
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[ULRICH, 2007, 8-14] baseou-se no estudo de A. C. Ferreira exposto em A Epopeia Bandeirante: letrados, instituições, invenção história (1870-1940) sobre a produção de contos, romances, poemas e estudos bandeirantistas, para mostrar como Guilherme de Almeida, após a primeira fase modernista, enveredou por esse campo da literatura paulista histórica do Estado paulista. 

Segundo a autora da dissertação apresentada ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, intitulada Guilherme de Almeida e a construção da identidade paulista, “as concepções acerca da raça do bandeirante e a sua contribuição para a construção do Estado de São Paulo foram trabalhadas por grupos letrados da intelectualidade paulista ligados a importantes instituições intelectuais de São Paulo, como, por exemplo, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e o Museu Paulista. Nas primeiras décadas do século XX, esses grupos inverteram a tese de que o sertanejo constituía uma 'raça híbrida e impura', cujo nome não deveria ser confundido com o dos paulistas do início do século XIX. 

Rebatendo teorias racistas, esses grupos não aceitaram a tese de inferioridade dos mestiços, pelo menos os do Estado de São Paulo, e valorizaram o surgimento de um 'subgrupo racial superior' representado pelo bandeirante (A.C. Ferreira, 2002, pág.18). (...) 

Essa literatura regionalista sobre o bandeirante nasceu também pela necessidade de apropriar a imagem do crescimento econômico de São Paulo durante a modernidade. Assim, o objetivo dos intelectuais e escritores das primeiras safras literárias pós-romantismo, baseado na predominância do positivismo e do evolucionismo, foi também o de projetar o Estado de São Paulo culturalmente dentro do quadro nacional (A.C. Ferreira, 2002, págs. 32 e 33). (...) 

Além disso, essa literatura regional paulista, nascida para reinventar o sertanista colonial, experimentou visões nacionalizantes para a construção textual que proliferava de seus projetos. Para os membros do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, por exemplo, os estudos, narrativas e poesias de cunho histórico-nativista representavam a história de São Paulo como a própria história do Brasil (A.C. Ferreira, 2002, pág. 110). (...) 

A constante procura do exame e, mais tarde, da mitificação da raça paulista, foi o centro da literatura regional paulista do início do século XX, que se debateu, constantemente, sobre a influência dos negros, índios e brancos na relação com nossos mamelucos e as conseqüências dessas fusões na cultura e progresso do Estado de São Paulo. A esse extremo de importância da raça na constituição do paulista, verifica-se, com as letras da Revolução de 32, o direcionamento de letras produzidas para o advento da guerra paulista, como a obra de Alfredo Ellis Jr. (...) 

Na tarefa de incrementar, a partir de 1929, a frivolidade da elite paulista, na coluna Sociedade n'O Estado de S. Paulo, Guilherme de Almeida, influenciado pela linha de escritores tradicionalistas, mergulhou nas questões da identidade paulista. De imagens progressistas como "cidade cosmopolita e sem raízes profundas, por suas transformações sociais intensas e velozes, de arranhas-céus cinzentos e luminosa", Guilherme de Almeida optou passar para o oposto, como uma "São Paulo cafeeira, colonizada pela fidalguia portuguesa, digna de apreciar no passado todo o seu ciclo de conquistas". Designa-se amadurecida esta linha de pensar sobre São Paulo porque ele manteve a linha regionalista paulista até o fim de sua obra, sem se influenciar por outras tendências ou modos de pensar sobre o Estado.

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No Fórum dos Leitores do jornal O Estado de S. Paulo, edição de 09/07/2019, encontrei uma referência a Guilherme de Almeida, assinada por José D'Amico Bauab, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, nos seguintes termos:
“Este 9 de julho marca também o cinquentenário da ausência física de Guilherme de Almeida, o poeta de 32. Numa predestinação que só a musa Clio poderia cometer, julho, mês da epopeia paulista, é também o de nascimento e morte de Guilherme. De polivalência renascentista, foi também advogado, tradutor, compositor, crítico cinematográfico, teatrólogo, roteirista, publicitário, desenhista e durante anos cronista do Estado. O Museu Casa Guilherme de Almeida e o Colar Guilherme de Almeida, instituído pela Câmara Municipal de São Paulo como premiação cultural da cidade a partir de 2015, perpetuam sua memória e sua obra. Em 1946 Guilherme de Almeida escreveu sobre a bandeira paulista:
'Volta a nós vigilante, / mãe, esposa, irmã, amante, / noiva e filha, volta, pois. / É preciso que proves/ que existiu um nove/ de julho de trinta e dois.'
(Versos extraídos do poema "À Santificada", por Guilherme de Almeida)

E, na mesma coluna, sobre a Revolução Paulista de 32, escreveu José Roberto Cersosimo:
“Comemoremos esta emblemática data, relembrando em poucas palavras os fatos da época, quando São Paulo lutou bravamente pela elaboração e aprovação de nova Constituição para o nosso país. O movimento iniciou-se no dia 9 de julho de 1932 na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Por marchas, contramarchas e traições de aliados, após muitas mortes, terminou em 2 de outubro do mesmo ano, quando as forças federais depuseram o então governador de São Paulo, Pedro de Toledo. Ao revés do que parecer possa, a luta perdida por falta de armas e de estrutura marcou uma vitória consagradora, de vez que poucos meses depois, em 3 de maio de 1933, houve eleições para a Constituinte, tendo-se promulgado em 16 de julho daquele ano uma nova Carta Magna, retornando a vigorar plenamente o regime democrático no Brasil. Como soam os versos imortalizados por Guilherme de Almeida: "Bandeira da minha terra, / bandeira das treze listas"...
Ao ensejo, envio meus sentimentos à família do dr. Paulo Bomfim, príncipe da poesia brasileira, falecido no domingo. Por pouco sua morte não foi em 9 de julho, que ele tão bem comemorou e representou por meio de seus poemas memoráveis.


IV. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 
ULRICH, Aline: Guilherme de Almeida e a construção da identidade paulista, dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Literatura Brasileira do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para a obtenção do título de Mestre em Letras, 2007, 180 p.
Link: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-03042008-132431/publico/DISSERTACAO_ALINE_ULRICH.pdf

POEMAS DE GUILHERME DE ALMEIDA


Por Francisco José dos Santos Braga



NOSSA BANDEIRA

Por Guilherme de Almeida














Bandeira da minha terra,
Bandeira das treze listas:
São treze lanças de guerra
Cercando o chão dos paulistas!

Prece alternada, responso
Entre a cor branca e a cor preta:
Velas de Martim Afonso,
Sotaina do Padre Anchieta!

Bandeira de Bandeirantes,
Branca e rôta de tal sorte,
Que entre os rasgões tremulantes,
Mostrou as sombras da morte.

Riscos negros sobre a prata:
São como o rastro sombrio,
Que na água deixara a chata
Das Monções subido o rio.

Página branca-pautada
Por Deus numa hora suprema,
Para que, um dia, uma espada
Sobre ela escrevesse um poema:

Poema do nosso orgulho
(Eu vibro quando me lembro)
Que vai de nove de julho
A vinte e oito de setembro!

Mapa da pátria guerreira
Traçado pela vitória:
Cada lista é uma trincheira;
Cada trincheira é uma glória!

Tiras retas, firmes: quando
O inimigo surge à frente,
São barras de aço guardando
Nossa terra e nossa gente.

São os dois rápidos brilhos
Do trem de ferro que passa:
Faixa negra dos seus trilhos
Faixa branca da fumaça.

Fuligem das oficinas;
Cal que as cidades empoa;
Fumo negro das usinas
Estirado na garoa!

Linhas que avançam; há nelas,
Correndo num mesmo fito,
O impulso das paralelas
Que procuram o infinito.

Desfile de operários;
É o cafezal alinhado;
São filas de voluntários;
São sulcos do nosso arado!

Bandeira que é o nosso espelho!
Bandeira que é a nossa pista!
Que traz, no topo vermelho,
O Coração do Paulista!


A Carta Que Sei de Cor

Por Guilherme de Almeida


E tu me escreves: – "Meu amor, minha saudade!
Há tanto tempo não te vejo: há quasi um dia;
estou tão longe: do outro lado da cidade...
Tive sonhos tão bons esta noite! Vem vê-los:
ainda estão nos meus olhos loucos de alegria.
Sabes? esta manhã cortei os meus cabelos.
Denunciavam-me tanto! E a ti também, meu poeta...
Que alívio! Tenho a sensação de haver cortado
relações com alguma amiguinha indiscreta.
Agora estamos mais a nosso gosto. Agora
o meu gosto será bem menos complicado
para pôr o chapéu, quando me for embora...
Sinto-me tão feliz! Tive um riso sincero
ao meu espelho: e esse sorriso revelou-me
que o meu único mal é este bem que eu te quero..."
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
E quando chego ao fim da carta, sinto, vejo
que a minha boca toma a forma do teu nome:
a forma que ela tem quando vai dar um beijo...


Soneto XXXII

Por Guilherme de Almeida


Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.

Fazia, de papel, toda uma armada;
e, estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino,
ao longo das sarjetas, na enxurrada...

Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são feitos de papel, são como aqueles,

perfeitamente, exatamente iguais...
– Que os meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

(Nós, 1917.)

O HAIKAI

Por Guilherme de Almeida


Lava, escorre, agita
A areia. E, enfim, na bateia
Fica uma pepita.

domingo, 7 de julho de 2019

Colaborador: SALOMÃO SCHWARTZMAN

SALOMÃO SCHWARTZMAN era advogado, sociólogo e jornalista. Atuou principalmente em rádio e em televisão.

Era formado em Ciências Políticas e Sociais, pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Sua formatura foi em 1983.

Trabalhou também na imprensa escrita e em 1977, ganhou o “ Prêmio Esso de Jornalismo”.

Atuou na Rede Manchete de Televisão, tendo  sido âncora do programa jornalístico: “ Frente a Frente”. Fez ainda o “ Momento Econômico” e o programa musical: “Clássicos em Manchete”.

Trabalhou na TV Cultura( Fundação Padre Anchieta), tendo sido responsável pelas emissoras de rádio - Rádio Cultura AM e Rádio Cultura FM.

Em 2007, saiu da Cultura e foi para a Rádio Scala FM de São Paulo, onde apresentava o programa: “Diário da Manhã”. Mas a Rádio Scalla saiu do ar e, logicamente, Salomão saiu também.

Foi, em seguida, para a Rádio BandNews FM, nos cargos de colunista e cronista. Também teve um programa de televisão, que se chamava: “Salomão:” (e se lê: Salomão dois pontos), no canal de TV: BandNews.

A frase que ele sempre usou para encerrar seus programas era: “ Seja Feliz”.

Fonte: http://www.museudatv.com.br/biografia/salomao-schwartzman/

CRÔNICA DE SALOMÃO SCHWARTZMAN PROPÕE A INVERSÃO DA VIDA E DA MORTE


Por Francisco José dos Santos Braga

Salomão Schwartzman (✰ Niterói, 09/01/1934 ✞ São Paulo, 06/07/2019)

Na crônica matutina de quarta-feira, em 27/11/2013, o apresentador do Diário da Manhã, Salomão Schwartzman, interpretou texto escrito por Charlie Chaplin, que propõe a inversão das etapas da vida e da morte. Leia, pois, o comentário na íntegra: 

A Danuza Leão faz tempo ela confessou que tinha chegado às mãos dela um texto que lhe parecia perfeito e que falava da vida e de morte. O texto perfeito foi de Charlie Chaplin. É um texto diferente de tudo que se costuma ler. E mesmo que você já o conheça, ouvirá agora com o mesmo prazer. Ele vai como um presente para você, meu caro ouvinte, meu caro amigo do Diário da Manhã. Trata-se de uma pequena obra prima e a genialidade é sempre digna de aplausos, de pé. É um texto curto como devem ser os melhores e este é um deles. 
A coisa mais injusta sobre a vida é como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente: nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha quarenta anos até ficar novo o bastante para poder aproveitar a sua aposentadoria. Aí curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... E termina tudo num grande orgasmo!!! Não seria perfeito?”
Charles Spencer Chaplin ( ✰ Londres, 16/04/1889  ✞ Corsier-sur-Vevey, Suíça, 25/12/1977)

Pensamento dele, gênio Charlie Chaplin, que também diz: 
Eu creio no riso. Creio no riso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror. Eu não preciso me drogar para ser um gênio. Eu não preciso ser um gênio para ser humano. Mas preciso do seu sorriso para ser feliz. Um dia sem rir é um dia desperdiçado. Um suspiro é uma censura ao presente e um sorriso ao passado.
(Como diz o Lauro Trevisan: Que sua colheita seja abundante e eterna e o sorriso da felicidade e do sucesso enfeite os seus lábios!)
Sorri, quando a dor te torturar e a saudade atormentar os teus dias tristonhos e vazios! (primeiro verso de Smile, de Chaplin)

E nunca se esqueça: um sorriso puxa outro. Então, idealize o mundo com um sorriso seu. Olhe para a pessoa que está a seu lado agora, agora, e sorria. Vamos, tente sorrir! Você vai receber outro sorriso de volta. Eu prometo: não falha nunca. Sorria! Faça feliz! E seja feliz! 

terça-feira, 25 de junho de 2019

TRIBUTO AO PROF. ROQUE JOSÉ DE OLIVEIRA CAMÊLLO



Discurso proferido por Prof. Arnaldo de Souza Ribeiro  *
Presidente da Academia Itaunense de Letras - AILE



“O homem não faz senão escrever, com as letras de seus atos e os períodos de sua vida, na direção riscada pelo dedo poderoso do Destino”. 
Humberto de Campos: Nasceu em Miritiba, Maranhão, no dia 25 de outubro de 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, no dia 05 de dezembro de 1934. Foi jornalista, escritor e político.

Digníssima Senhora Presidente da Casa de Cultura – Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes –, Acadêmica e Professora Hebe Marques Rôla, 
Digníssimo Senhor Doutor Raimundo Alves de Jesus, Presidente da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR, 
Digníssimo Dr. Antônio Fernando de Alcântara, historiógrafo e membro da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR e da Academia de Letras João Guimarães Rosa da Polícia Militar de Minas Gerais. 
Digníssimo Acadêmico Dr. Francisco José dos Santos Braga e 
Digníssima esposa Rute Pardini, 
Digníssima Senhora Merania Aparecida de Oliveira, nas pessoas de quem cumprimento a todos os presentes. 

Prezados senhores, prezadas senhoras. 

Peço permissão a Humberto de Campos para que possa grafar no seu pensamento a palavra Destino, com letra maiúscula e, assim entendê-lo: “ [...] que as pessoas não fazem, senão escrever, com as letras de seus atos e os períodos de sua vida, na direção riscada pelo dedo poderoso de Deus“. 

Ouso assim entender depois de analisar fundamentos e princípios que alicerçaram grandes e importantes acontecimentos, em que notei, sem dificuldade alguma, a clarividência divina, a exemplo deste, que hoje somos partícipes e testemunhas. 

O que vivenciamos e materializamos nesta noite, embora não o soubéssemos, iniciara em 2011, quando o Professor Roque José de Oliveira Camêllo e o Dr. Francisco José dos Santos Braga se conheceram. Naquele ano participaram da entrega da Comenda da Liberdade e Cidadania, criada pelos Prefeitos de São João del-Rei, Tiradentes e Ritápolis. Cerimônia realizada na Fazenda do Pombal, local que testemunhou as primeiras lágrimas, os primeiros sorrisos e também os primeiros sonhos do herói nacional Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. 

A partir do encontro destes dois ícones da sabedoria, da bondade e da fraternidade, instalou-se o fenômeno da empatia, que o tempo encarregou de transformar em sólida amizade, admiração e respeito mútuo. Desse modo, sempre que lhes era possível, encontravam e compartilhavam a mais pura amizade, enquanto desenvolviam profícuos diálogos escudados em diversificadas temáticas do saber. 

A sabedoria e a bondade, valores inerentes ao Dr. Francisco José dos Santos Braga, motivaram o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo a convidá-lo para integrar este vetusto sodalício. Lamentavelmente ele não pôde acolhê-lo, mas a Presidente Professora Hebe Marques Rôla e seus pares o fizeram e, por estes misteriosos desígnios de Deus, fizeram mais, pois criaram e deram-lhe a cadeira patroneada pelo Prof. Roque José de Oliveira Camêllo, ato que se consubstancia em imortalidade para ambos. E júbilo para todos nós. 

Conforme asseverado pela filósofa, ensaísta e escritora francesa Simone de Beauvoir: “Não há um passo do nosso caminho, que não cruzamos com o caminho do outro” e, por essa razão, também eu tive a felicidade de ver cruzar o meu caminho com o caminho do Professor Roque José de Oliveira Camêllo. De igual modo, como ocorrera com o Dr. Francisco, desde o primeiro momento, o fenômeno da empatia e do respeito se transformaram em amizade que se consolidara. E, sempre que me era possível, fazia-me presente aos eventos por ele promovidos ou que participava e, sem exceção, eram eventos que elevavam a cultura e a história de Minas Gerais. Ao término deles, o Professor Roque e Merania acolhiam com atenção e com profícuos e fraternos diálogos os amigos e convidados. 

Desse modo, o livro que hoje tenho a honra de compartilhar com os senhores e senhoras materializa um pouco do muito que vi, ouvi e aprendi com o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo. 

Embora sem o saber, iniciei aqui, no dia 08 de abril de 2016. Naquele dia o Professor Roque José de Oliveira Camêllo promovera dois importantes eventos, quais sejam: o lançamento do livro, Mariana: Assim nasceram as Minas Gerais e a solenidade cívica e cultural, alusiva aos 305 anos de fundação da então Vila de Mariana, com a fixação de uma placa com vistas a materializar o feito. 

Com a elegância e a cordialidade que lhe eram próprias convidou a todos os representantes de entidades para participarem do descerramento da placa, inclusive eu, o que me deixou sensibilizado e agradecido. 

Naquele dia, durante o jantar oferecido por ele e sua esposa Merania, tive a oportunidade de pronunciar algumas palavras de reconhecimento e agradecimento, que constitui o primeiro capítulo. 

Nos dias 26 e 27 de novembro de 2016, viemos em comitiva a Ouro Preto e Mariana, respectivamente, para uma viagem cultural e enológica. Ocasião em que fomos recebidos em Ouro Preto pelo Bispo emérito de Oliveira Dom Francisco Barroso Filho, Prof. Roque José de Oliveira Camêllo e Merania Aparecida de Oliveira. A fidalguia com a qual nos receberam em Ouro Preto e Mariana também me inspirou a redigir dois breves pronunciamentos de gratidão, que constituem os capítulos segundo e terceiro. 

No dia 24 de março de 2017, no encerramento da Missa de Sétimo Dia, realizada na Igreja Nossa Senhora do Carmo, pessoas amigas pediram-me que pronunciasse algumas palavras. Com dificuldade e emocionado, externei a ele in memoriam e à sua esposa e família a minha gratidão pela sua amizade e realcei a importância que ele teve para todos nós, para Mariana, Minas Gerais e Brasil. O que constitui o capítulo quarto. 

No mesmo dia, o seu amigo Mauro Marílio Maffra também pronunciou e externou seu respeito e admiração ao Prof. Roque José de Oliveira Camêllo, o que veio a constituir o capítulo quinto. 

No dia 18 de março de 2018, quando da solenidade de criação do Instituto Roque Camêllo, o Dr. Francisco José dos Santos Braga, com aquiescência da Mestre de Cerimônia, solicitou-me que lesse um poema, escrito pelo poeta divinopolitano João Carlos Ramos. Acrescentei alguns comentários alusivos à vida e aos trabalhos do Professor Roque. O que constitui o capítulo sexto. 

No dia 15 de outubro de 2018, durante as solenidades da Semana Guimarães Rosa e aniversário da Academia Itaunense de Letras – AILE, o Professor Roque José de Oliveira Camêllo foi agraciado, in memoriam, com o título de – Divulgador e Propagador da Educação e da Cultura, ocasião em que o Prof. Raimundo da Silva Rabello pronunciou um belo discurso, em que relatou um pouco da vida e de sua amizade com o Prof. Roque e sua esposa Merania. O que constitui o capítulo sétimo. 

Em seguida, vem o ensaio Aureo Throno Episcopal. Escrito em homenagem ao Prof. Roque Camêllo, pois foi ele quem me relatou a vida e a importância do primeiro Bispo de Mariana Dom Frei Manoel Ferreira Freire da Cruz, e recomendou-me que lesse o livro, que dá nome ao ensaio. E constitui o capítulo oitavo. 

Na sequência vêm os ensaios: Bolsos cheios, barriga vazia: ouro e fome em Minas Gerais e O payz do Pitangui. O primeiro, foi utilizado para uma palestra proferida na Universidade de Pádua, na Itália, onde relato a riqueza nos primeiros dias da mineração e a fome causada pela escassez de alimentos em razão da migração desordenada para esta região aurífera e, no segundo, o apogeu da Vila de Pitangui, mãe de 42 cidades. Ao tempo de sua fundação, pela sua extensão territorial, era um verdadeiro país. E constituem os capítulos nono e décimo. 

No último capítulo, trouxe o ensaio escrito pelo homenageado, intitulado Inconfidente Cláudio Manoel da Costa: primeiro advogado assassinado em Minas

Neste ensaio o Professor Roque Camêllo, além de enaltecer as virtudes do grande Inconfidente, contesta com veemência a causa mortis a ele atribuída e o faz, com riqueza de detalhes e, sobretudo, fundamentado. O Professor Roque Camêllo, além de escrever contra esta farsa, conclamava aos profissionais do direito que também a contestassem. Desse modo, ao incluí-lo no capítulo décimo primeiro, além de propiciar a divulgação do rico texto, acolho o pedido do ilustre homenageado para que divulgássemos e contestássemos essa mentira histórica que macula o nome e a memória deste herói da Inconfidência. 

O livro traz também: a “orelha” escrita pelo Professor e historiador Geraldo Fernandes Fonte Boa, que analisa as muitas Minas existentes e a sua importância no cenário nacional e, consequentemente, a importância do Professor Roque Camêllo, na perpetuação e divulgação desses valores. Enquanto o prefácio escrito pelo Dr. Francisco José dos Santos Braga relata o momento em que conheceu o Professor Roque Camêllo, seus valores e seus trabalhos e ainda, comenta cada um dos capítulos do livro e os associa com a personalidade e os trabalhos do homenageado. 

Por essas coincidências ou mistérios que a vida e Deus nos proporcionam, o Dr. Francisco José dos Santos Braga concluiu seu trabalho exatamente no dia 21.04.19, ocasião em que se presta homenagem ao heroi cívico-nacional Joaquim José da Silva Xavier – Tiradentes. Registre-se que o mesmo lugar que presenciou o nascimento de Tiradentes também presenciou o nascer da amizade e do respeito entre o Prof. Roque Camêllo e o Dr. Francisco. 

Em paráfrase ao poeta, cientista e pensador alemão Johann Wolfgang von Goethe, a influência e a herança cultural dos nossos ancestrais nos sãos inatas, ou seja, os descendentes nada mais são que o resultado da somatória dos ascendentes ao longo de suas várias gerações. 

Desse modo, digo aos senhores e senhoras: este livro nada mais é que a materialização dos ensinamentos e inspiração que eu e aqueles que colaboraram na sua elaboração pudemos aprender durante o convívio com o Professor Roque José de Oliveira Camêllo, ou seja, é o tributo dos aprendizes ao seu Mestre e, para o bem da verdade, o Professor Roque Camêllo foi mestre de muitos aprendizes, pois sua vocação era ensinar e servir, valores que praticava com modéstia, discrição, eficiência, sabedoria e caridade. Características de quem leu, entendeu e, sobretudo, aplicou os Evangelhos. 

Portanto, desejo que o livro contribua para que mais pessoas possam conhecer o Prof. Roque José de Oliveira Camêllo e, assim, colaborarem para manter vivos os seus ideais de civismo, de amor às pessoas, às tradições e a busca incessante de dias melhores, valores pelos quais trabalhou e defendeu, durante toda a sua edificante vida. 

Muito obrigado a todos. 

E rogo ao bondoso Deus, que ilumine a todos nós. 

Mariana – MG, 1º de junho de 2019. 


Arnaldo de Souza Ribeiro é doutor pela UNIMES e mestre pela UNIFRAN. Professor do curso de direito da Universidade de Itaúna – UIT, do qual foi seu coordenador por nove anos. Presidente da Academia Itaunense de Letras – AILE, membro da Academia Cordisburguense de Letras Guimarães Rosa – ACLGR, do Instituto de Direito de Língua Portuguesa – IDILP e da Comunidade de Juristas de Língua Portuguesa – CJLP, Lisboa. Escreve para jornais, revistas e site, do Brasil e do exterior.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Colaborador: FERNANDO DE OLIVEIRA TEIXEIRA

FERNANDO DE OLIVEIRA TEIXEIRA













Já exerci (e julgo encerrada a carreira) por sete vezes a presidência de nossa casa de letras. Minha cadeira é a de número 25, tendo Cecília Meireles por madrinha e nela tomei assento em 26 de março de 1966.
Posso acrescentar algumas informações complementares: Nasci em Rio Paranaíba (MG) em  6 de janeiro de 1940, transferindo-me para Divinópolis três anos depois com a morte de meu pai em BH. Aqui fiz o curso primário no Grupo Escolar Padre Matias Lobato, seguindo depois para Santos Dumont, Seminário Seráfico Santo Antônio, dos Franciscanos da Província de Santa Cruz e chegando ao noviciado no Convento São Boaventura em Daltro Filho, município de Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Bacharel em Direito pela UFMG, em BH. Lecionei na FACED e FADOM em Divinópolis e na Universidade Católica (hoje PUC) em BH. Publiquei uma obra jurídica, livros de poemas e ensaios, além de poemas e dirigidos à infância e juventude. Em Divinópolis, fui do grupo fundador da FACED e do jornal literário AGORA (que deu origem ao Movimento Agora de repercussão internacional no final dos anos sessenta do século passado).
Tive a sorte de constituir minha família dentro dos princípios franciscanos. De minha união conjugal com minha esposa ANA MARIA DE OLIVEIRA TEIXEIRA, tivemos os seguintes filhos: ATALIBA, casado com Alana, que me deu a neta Luiza; CÍNTIA, casada com Acrísio Azevedo Souza, que me deu a neta Isabela; e MARCELO, casado com Graciele (sobrinha da Maria Elói), que me deu as netas Mariane e Cecília.

DISCURSO EM COMEMORAÇÃO AOS 58 ANOS DA ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS



Discurso proferido por Fernando de Oliveira Teixeira
Membro da Academia Divinopolitana de Letras
Cadeira 25 
Patrona: Cecília Meireles


AUTORIDADES PRESENTES, CONVIDADAS(OS) E AMIGAS(OS) DAS QUE ORA SERÃO EMPOSSADAS, CONFRADES E CONFREIRAS, DESEJO-LHES A PAZ DO SENHOR DE TODA PAZ.

A ADL vive e sobrevive faz cinquenta e oito anos como espólio de uma herança de quatro profissionais de diferentes profissões, nenhuma delas de escritor. Surgiu, conforme atas de sua história, das tertúlias literárias vespertinas do farmacêutico José Maria Álvares da Silva Campos com o escrivão de polícia Sebastião Bemfica Milagre, a que se juntaram posteriormente o bancário Jadir Vilela de Souza e o empresário Carlos Altivo. No entanto, o farmacêutico, o escrivão de polícia e o bancário eram também poetas e o empresário, cronista e consagrado orador.

Lembro-me que Schopenhauer afirmou, certa feita, que: “O meio habitual a uma reunião de criar um estado de espírito comum é representado pelas garrafas. A este fim servem o chá e o café”. Neste caso, porém, a bebida, como chamarisco, fez-se desnecessária, e mesmo um local de reuniões.

Nefelibatas, que certamente tenham sido os fundadores, acharam, mesmo assim, mais oito sonhadores. Agora professores de vários níveis, advogados, industriais, inclusive um artista plástico de nomeada, tantos seduzidos por um mesmo sonhar.

E a Academia Divinopolitana de Letras defrontou o tempo. Nem a ausência de condições materiais para as reuniões ordinárias ou para conservar arquivos constituíram motivos de desalento.

Durante meus cinquenta e três anos de presença neste sodalício participei de reuniões nas casas dos acadêmicos, em salas emprestadas e até em pátios de instituições de ensino, uma vez que os arquivos se mantinham nas casas de presidentes ou secretários. Impelia-nos – e nos impele até hoje - o compromisso com o idealismo dos pioneiros, agora assumido pelos pósteros.

Ao desenrolar dos anos, os doze dos primórdios da história multiplicaram-se em vinte, trinta e até os quarenta vigentes, porquanto as cadeiras se instituíram no molde das associações congêneres.

Os ocupantes de cadeiras se foram alternando, formalizou-se a ADL e, apesar dos percalços, o sonho primevo de poucos firmou-se na realidade do existir. Perdura, no jornadear do tempo, a busca de uma estabilidade econômica e de uma sede oficial definitiva, a fim de que se possa exercer o ofício de escrever e disseminar a arte literária com plena autonomia de ações.

A entidade quase sexagenária recorda anualmente sua saga no tempo. Acorda a memória, sobretudo a memória, dos protagonistas de uma história, que começou com um farmacêutico, um escrivão de polícia, um bancário e um empresário e perlonga com tantos outros, de múltiplas ocupações profissionais unidos pelo mesmo ideal de cultivar e difundir a arte literária.

A ADL, na defrontação do tempo, não estaca no caminho de um horizonte perseguido pelos pioneiros e que se vai construindo com muitos e vários personagens. Partem alguns e chegam outros. Não importa a dança das cadeiras e sim o espírito, que anima seus ocupantes: consciência de que o tempo é simplesmente o espaço para florescer sonhos.

Esta dança das cadeiras permitiu que, num certo dia, ingressasse em nossa confraria literária a atriz e teatróloga Maria Aparecida Viegas Viana, a Cidah Viana, na qualidade de acadêmica honorária, trazendo a participação em nossos eventos com a luz de sua alegria e o coro de sorrisos de seus Doutores Palhaços.

Quis, entretanto, a Providência Divina que, embora eleita para substituir o saudoso Antônio Lourenço Xavier, não tenha tido a solenidade formal de posse, mas recebido sua confirmação de membro efetivo no leito, poucos dias antes do transpasse para o Reino de Deus.

Para perpetuar sua memória, o plenário das confreiras e confrades escolheu MARIA IMACULADA BATISTA SILVA, nascida em Martinho Campos em 8 de julho de 1947, tendo mudado residência para Divinópolis, com seus pais, Levindo Batista de Araújo e Gilberta da Silva Batista, seis anos depois.

Aqui fez seus estudos no Grupo Escolar Miguel Couto, em seguida no Colégio Estadual, concluindo magistério no Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Graduou-se no curso de Ciências Sociais do antigo Instituto Superior de Ensino e Pesquisa – INESP, hoje UEMG. 

Exerceu o magistério em unidade escolar da Prefeitura Municipal de Divinópolis e, transferida para a área administrativa, ali serviu na Divisão de Documentação e Legislação. 

Casada com o alfaiate Carlos Nogueira da Silva, conhecido pelo apelido de Tatipa, dele gerou os filhos Denilson, Fabiana e Carlos Eduardo e guarda especial carinho pelos netos Túlio, Tales, Gabriel José, Antônio Vitor e Bernardo. Ela assegura, ainda que “adotou como filhos do coração o genro Rolando, as noras Flávia Cristina e Maysa Moreira”. 

Maria Imaculada Batista Silva, após a aposentadoria, ocupa-se de trabalho voluntário no Clube da Melhor Idade Vida Nova e no Bazar da Vovó. 

A sua bagagem literária, que a conduziu à cadeira acha-se basicamente enfeixada nos volumes ALMA DA TERRA e VELHA CASA, ambos, coletâneas de poemas, editados pelo Grupo Capela, na Biblioteca Memorial do Centenário. Há um liame temático na obra, que aborda as pequenas cenas domésticas, a singeleza do conviver nas comunidades interioranas e as confissões de fé religiosa. De outro, observa-se uma evolução formal do primeiro para o segundo dos livros publicados, como denota o editor, o também poeta Osvaldo André de Melo, sobretudo na procura da contenção verbal. 

Toda obra identifica a autora: filha e mãe, esposa e pessoa inserida no meio em que vive. Assim, descobre a cada poema o universo do seu viver e vivência. Contempla o passado e seus silêncios, mas absorve o cotidiano e seus ruídos. Resume-se e resume o que escreve: “Enquanto pinto e bordo, ponto por ponto, a minha história, caminho pela vida, sem perder o foco em Jesus Cristo – minha maior paixão.” 

Quem inaugurou, entretanto, a cadeira nº 6 e escolheu por patrono Francisco Gontijo de Azevedo, nos começos da ADL foi Rosenwald Hudson de Oliveira, que se distinguiu na sociedade local como empresário e filantropo. Na verdade, um cronista de linguagem escorreita, coloquial quase, cuja produção em livro narra pescarias e ensina técnicas de truco (as más línguas diziam que não era lá dos melhores jogadores). Deixou em cada um dos que com ele partilhamos o recinto de nossos encontros acadêmicos, a lembrança do contador de casos e de chistes. 

Em 7 de outubro de 1995, o professor Pedro Pires Bessa, docente de Literatura Brasileira e pesquisador, à época militando na unidade local da UEMG, tomava posse em nossa academia, na qual marcou sua passagem pela intensa divulgação dos escritores divinopolitanos, especialmente em congressos internacionais e na universidade, inclusive com profícuo mandato presidencial. Direi dele, apenas, que estivemos juntos no desenrolar dos anos, pois a Divina Providência nos concedeu tantos encontros e, de modo especial, na partilha de um sonho juvenil num seminário franciscano, na recepção nesta casa, na oração de despedida quando da Sessão da Saudade, sem desdouro da amizade compartida no transcurso do existir. Direi apenas que convivemos e comungamos a mesma fé. 

MARLANDES DE FÁTIMA EVARISTO é da área do ensino, como fora aquele a quem sucede, trazendo em sua bagagem de ingresso na confraria literária a experiência efetiva de magistério e constante aperfeiçoamento profissional. Com efeito, graduou-se no Curso Normal Superior, focado na docência dos anos iniciais do ensino fundamental, complementando estudos com o mestrado em Educação e Docência pela Universidade Federal de Minas Gerais, além, entre outras, especializações em Supervisão, Orientação e Inspeção Escolar pela Sociedade Educacional de Santa Catarina e em Psicopedagogia pela Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil. Acrescem-se a estas titulações, os conhecimentos adquiridos em várias instituições, dentre os quais citaríamos os de atendimento especializado e interpretação de libras. Nascida em São Gonçalo do Pará, a nova acadêmica atuou, em sua terra natal, na tutoria do Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa e atualmente ali é regente de classe em escolas municipais. A Prefeitura Municipal de Divinópolis também a tem como professora na sua rede de ensino. 

Fruto da atividade educacional de Marlandes de Fátima Evaristo é o livro “A Declaração de Salamanca hoje: vozes na prática”, elaborado em parceria com o professor Milton Francisco, no qual debate, sob a ótica do ensino para pessoas com deficiência, este instrumento teórico da educação inclusiva. A obra revela, a par do inegável conteúdo intelectual da autora, o estilo adequado aos objetivos colimados, porquanto claro na exposição e correto na expressão vernácula. 

A confreira, que a ADL acolhe nesta data, ainda possui, em fase de preparo para edição – e, vale repetir, como expressão de seu vocacionamento para o ensino – o volume intitulado “A menina feliz” de cunho infantil. 

A história das academias se escreve de ontens e hojes, lembranças dos que viajam deixando obras e chegam carregando livros, dos que cultivam gêneros literários diversos e exercem ocupações diferentes. Embora a diversidade, têm um ponto de contato: o exercício do escrever. 

Quando meus olhos pousam nas recordações, vejo como salutar figura o espírito acadêmico: durar no tempo e rememorar escritores. Enfim, imortalizar memórias. 

Assim, pois, impende comemorar cinquenta e oito anos da Academia Divinopolitana de Letras e brindar suas perspectivas de amanhãs. Inexistem, apesar das contingências e dissabores da jornada temporal, cadeiras permanentemente vazias. 

A chegada de MARIA IMACULADA BATISTA SILVA e MARLANDES DE FÁTIMA EVARISTO constitui certeza de que a entidade está viva e viçosa e continua as passadas rumo a um horizonte tão longínquo quanto próximo, impulsionadas pelo sonho de um farmacêutico, de um escrivão de polícia, de um bancário e de um empresário. Agora, duas companheiras se incluem nesta caravana de esperanças e nós, os caminheiros do roteiro, as acolhemos fraternalmente. 

A ADL, quase sexagenária, em júbilo por mais um aniversário e em festa pela chegada das novas confreiras, pode dizer-lhes em acolhida: “MARIA IMACULADA e MARLANDES, vocês entraram na mesma estrada de todos os caminheiros da ADL, conducente a sonhos antigos e a perseguição de sonhos inovados. VAMOS CAMINHAR? 

Fernando de Oliveira Teixeira 

12 de junho de 2019, em comemoração aos 58 anos de existência profícua da Academia Divinopolitana de Letras em benefício da sociedade divinopolitana.

sábado, 8 de junho de 2019

Colaborador: DOM FRANCISCO BARROSO FILHO























DOM FRANCISCO BARROSO FILHO, carinhosamente chamado pelo povo de Dom Barroso, é um dos baluartes que lutaram na defesa e preservação da fé, da arte e da cultura de Ouro Preto. Merece, por tudo isso, nosso respeito e nossa admiração. 

Dom Barroso é natural de Ouro Preto. Com ampla formação acadêmica e humanística, iniciou seu curso superior no Seminário de Mariana, onde fez Filosofia. Posteriormente teve o reconhecimento do curso pela Universidade Federal de São João del-Rei. Também cursou Teologia no Seminário São José, em Mariana. Fez especialização em Música (regência e violoncelo) e Museologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi ordenado sacerdote em 01 de dezembro de 1957. Retornou, poucos anos depois, para Ouro Preto, como auxiliar na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, onde foi nomeado pároco. À frente dessa Paróquia, além das atividades pastorais, fundou o Museu Aleijadinho e criou a Semana do Aleijadinho (como forma de difundir e preservar a cultura e arte de nosso povo) e fundou o Coral e Orquestra São Pio X. Em 1984 foi nomeado, por sua Santidade o Papa São João Paulo II, Bispo de Oliveira. Hoje, Bispo Emérito, é colaborador em diversas atividades religiosas, trabalhando incansavelmente como um verdadeiro missionário. 

Dom Barroso possui várias publicações, tais como: A grandeza de um pequeno projeto; Os testemunhos de uma família; Santa Terezinha e as Pastorais; A espiritualidade na Arte; Ateísmo contemporâneo; Reminiscências históricas; Tricentenário de Ouro Preto; Museu do Aleijadinho e Igreja de São Francisco de Assis (trilíngue na 2ª edição revista e ampliada de 2016), além de participação em outros livros.

Dom Barroso é membro efetivo da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes desde 09/05/2015, onde foi empossado na Cadeira nº 37 patroneada por Alceu de Amoroso Lima, conhecido como Tristão de Ataíde.

DISCURSO DE SAUDAÇÃO AO NEO-ACADÊMICO FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS BRAGA EM SESSÃO SOLENE NA ACADEMIA MARIANENSE DE LETRAS



Discurso proferido por Dom Francisco Barroso Filho
Membro da Casa de Cultura - Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes 

Revmo. Dom Barroso saúda o neo-Acadêmico Francisco José dos Santos Braga 
em sessão solene no dia 1º de junho de 2019


No afã de conhecer melhor o novo Acadêmico Francisco José dos Santos Braga, a quem dou as boas vindas, deparei com a riqueza do seu “Curriculum Vitae”. 

Foi, realmente, inspirado o saudoso e imortal Acadêmico Dr. Roque Camêllo, ex-Presidente da Academia Marianense de Letras, ao convidar o Professor, Escritor e Compositor Francisco José dos Santos Braga, para ocupar uma das Cadeiras, nesta Academia Marianense de Letras, fundada com a importante finalidade de promover a cultura, em todas as suas manifestações. 

As pessoas apreciadoras das Letras e das Artes, como o saudoso Dr. Roque Camêllo e o seu convidado de honra Professor, Escritor, Compositor e Pianista Francisco Braga, sempre sentiram a necessidade de se reunirem em Grupos ou Associações, com o objetivo de cultuar, preservar, renovar e aprimorar a evolução dos dons intelectuais e artísticos de que foram dotados por Deus. 

E, como já dissemos, este é um dos objetivos da Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes. 

Mas não nos esqueçamos de que a busca do saber e do aprimoramento, só tem sentido, quando o objetivo principal é a prática do bem, que pode ser buscada na beleza da Arte. 

Com efeito, a “Via Pulchritudinis”, o Caminho do Belo, da Arte, nos conduz a Deus, o Criador, o Inspirador de tudo o que é Belo. E toda verdadeira Arte reflete a Beleza de Deus. 

Congratulo-me com a nossa Presidente Professora Hebe Rôla por ter confirmado o convite do Dr. Roque Camêllo e pela feliz iniciativa da escolha do nome do Dr. Roque Camêllo como Patrono da nova Cadeira a ser ocupada pelo neo-Acadêmico Francisco Braga, que reúne, em si, todos os predicados necessários para honrar o nome do seu insigne Patrono, que é reverenciado por todos nós. 

Nascido em São João del-Rei, em 1949, Francisco Braga frequentou o Curso Primário no Grupo Escolar João dos Santos e os Cursos Ginasial e Clássico no Colégio Santo Antônio, no Prédio que, hoje, sedia a Universidade Federal de São João del-Rei. Graduou-se, posteriormente, em Letras pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras. 

Fez o Curso de Música, especializando-se em Piano, no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier. Em São Paulo, deu continuidade ao Curso de Música. Ali, com o Maestro Souza Lima, fez Piano e, com o Professor Sérgio O. de Vasconcellos-Corrêa, fez Composição.

Simultaneamente à sua atividade musical, Francisco Braga tornou-se Tradutor de muitos livros nas áreas de Finanças e Contabilidade, assuntos em que se especializou, obtendo o grau de Mestre em Administração, pela Fundação Getúlio Vargas, na qual foi Professor. 

O nosso neo-Acadêmico orgulha-se, com razão, de ter cooperado com o Ministro Hélio Beltrão, na modernização da Receita Federal e, com o Presidente José Sarney, na modernização do Senado Federal. Na Gráfica do Senado Federal, Francisco Braga publicou dois livros: “Manual de Orientação aos Prefeitos”, em 1993 e o “Guia Administrativo (orientação para convênios)”, em 1994. 

Com seus artigos publicados em revistas culturais, Braga contribuiu, entre outras coisas, para o restabelecimento da verdade histórica acerca do local de nascimento de Tiradentes, como ocorreu quando publicou, na Revista de Cultura Vozes de jan/fev de 1992, o artigo "São João del-Rei: a terra natal de Tiradentes", em seguida transformado em discurso do Senador Alfredo Campos em Plenário (11/03/1992) e em opúsculo intitulado "Tiradentes, Cidadão Sanjoanense (uma contribuição ao restabelecimento da verdade histórica acerca do local de nascimento do Tiradentes)", editado pela Gráfica do Senado. 

Francisco Braga é o Idealizador e Fundador do Coral do Senado Federal. 

Bacharel em Música pela Universidade de Brasília, Braga tem se apresentado em Recitais, como Pianista, Solista e Acompanhador, em várias cidades brasileiras, tais como Brasília, Goiânia, Anápolis, São Paulo, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Divinópolis, Santos Dumont, Mariana, Tiradentes e São João del-Rei. 

Ultimamente, Francisco Braga tem se apresentado como Pianista acompanhante de sua esposa, a brilhante Soprano Rute Pardini, Cantora Lírica, em saraus e apresentações públicas, como na Comemoração dos 40 anos do Museu da Música de Mariana, a convite da nossa Academia Marianense de Letras, em noite de gala de 6 de julho de 2013. 

Não cesso de lembrar, com certo orgulho, de que, numa memorável tarde são-joanense, na acolhedora residência do casal amigo Francisco Braga e Rute Pardini, tive o privilégio de ser distinguido com um rico presente, que só aquele casal amigo podia me oferecer: um belo e inesquecível Recital, por eles apresentado, exclusivamente para mim, que, em confortável poltrona, apreciava a apresentação daquele selecionado repertório de músicas clássicas, tão bem executadas. Vi, naquele gesto amigo do casal, a delicadeza de Deus para comigo, pois Deus sabe o quanto aprecio uma boa música. 

Participou de Cursos de Especialização de línguas estrangeiras, no Instituto Goethe de Berlim, na Universidade Estatal de Moscou (M.G.U.) e no Instituto Pushkin, na Rússia, na Faculdade de Letras da Universidade de Varsóvia, na Polônia, e na Universidade Aristotélica de Thessaloníki, na Grécia. 

É de Francisco Braga o prefácio do livro “Tributo ao Professor Roque José de Oliveira Camêllo”, de autoria do Dr. Arnaldo de Souza Ribeiro, com quem me congratulo, pela feliz iniciativa desta publicação. O lançamento deste livro, nesta Sessão Solene de Posse de um neo-Acadêmico, vem trazer maior brilhantismo a esta reunião da Academia Marianense de Letras. 

Dentre os vários títulos e condecorações que tem recebido, Francisco Braga foi agraciado com a “Comenda da Liberdade e da Cidadania” (2011), com a “Medalha do Mérito Cívico Tomás Antônio Gonzaga” (2011), com a “Medalha Comemorativa dos 30 anos da Academia de Letras de Brasília” (2012) e com a Medalha “Frei Orlando-Patrono do SAREx (1913-2013)”, concedida pelo Comando Militar do Oeste. 

Além da Academia Marianense de Letras, na qual, solenemente, toma posse hoje, o Professor, Escritor e Pianista Francisco Braga é membro de várias outras Academias de Letras, tais como: A Académie Internationale de Lutèce, em Paris, na França; Academia de Letras de São João del-Rei; Academia Divinopolitana de Letras; Academia Mantiqueira de Estudos Filosóficos, em Barbacena; Academia Valenciana de Letras, em Valença-RJ; Academia Taguatinguense de Letras; Academia Barbacenense de Letras; Academia Lavrense de Letras e Academia Formiguense de Letras. Além de ser membro de várias Academias de Letras, o nosso neo-Acadêmico é membro também do IHG de São João del-Rei, do IHG do Distrito Federal, do IHG da Campanha-MG e do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, em Valença-RJ. 

Francisco Braga teve participação nas seguintes antologias:
No Limiar do Terceiro Milênio, org. Maria de Lourdes Reis, presidente da Casa do Poeta Brasileiro (Poébras), seção de Brasília-DF, Brasília, 1999, p. 59-62;
Livro Comemorativo dos 60 anos da criação da Academia Valenciana de Letras-AVL (1949-2009), p. 263-270;
10ª Antologia da Academia Formiguense de Letras-AFL (Livro nº 10, 2015), p. 48-52, como ocupante da Cadeira nª IV patroneada por João Guimarães Rosa;
Antologia Acadêmica em comemoração ao Jubileu da Academia Lavrense de Letras (1967-2017), vol. III, 2017, como ocupante da Cadeira XVI patroneada por José Severiano de Rezende;
O que a vida quer da gente é coragem (homenagem a João Guimarães Rosa), org. por Prof. Arnaldo de Souza Ribeiro e Toni Ramos Gonçalves, da Academia Itaunense de Letras-AILE, 2018, p. 53-59;
O Roque Camêllo que conheci, org. Mário de Lima Guerra (Instituto Roque Camêllo), 2019, p. 9-14. 

Em São João del-Rei, Francisco Braga foi colaborador ativo das seguintes edições:
– Revistas da Academia de São João del-Rei: Ano V, nº 5, 2011; Ano VI, nº 6, 2012 e Ano VII, nº 7, 2013 (http://www.academialetrassjdelrei.org.br/Revistas?req=1);
– Boletins do IHG de São João del-Rei: mai 2011; jun/jul 2011; set 2011. 

Francisco Braga gerencia ainda dois blogs: Blog do Braga e Blog de São João del-Rei. Os principais trabalhos de sua autoria, musicais e literários (ensaios, artigos e entrevistas) encontram-se no Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), enquanto o Blog de São João del-Rei (www.saojoaodel-rei.blogspot.com) hospeda colaborações de quaisquer autores que escrevem sobre essa histórica cidade, sendo Braga o principal autor/colaborador com matérias próprias no campo da historiografia. É colaborador assíduo dos seguintes portais são-joanenses: São João del-Rei Transparente (https://saojoaodelreitransparente.com.br/) e O Grande Matosinhos (http://www.ograndematosinhos.com.br/). Em São Paulo é o mais frequente colaborador do Portal Concertino (de música clássica) (https://concertino1.websiteseguro.com/index.php?option=com_content&view=category&id=172&Itemid=106). 

Depois desse longo relato de um tão rico “Curriculum Vitae” do Neo-Acadêmico Francisco José dos Santos Braga, resta-nos concluir que a nossa Academia se acha, hoje, enriquecida, ao poder contar com a presença constante de mais um Acadêmico que reúne em si tantos dotes intelectuais e artísticos. 

Seja bem-vindo, meu caro amigo Francisco Braga, à Academia Marianense de Letras, Ciências e Artes, que hoje se sente orgulhosa por ter uma de suas Cadeiras ocupada por tão insigne membro.

Francisco Braga cumprimenta Revmo. Dom Barroso ao final de sua peça oratória

quarta-feira, 29 de maio de 2019

POSSE DE ARNALDO MESQUITA SANTOS JÚNIOR NA ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS


Por Francisco José dos Santos Braga



A saudação do Acadêmico João Carlos Ramos ao novo Acadêmico Arnaldo Mesquita Santos Júnior foi originalmente publicada no jornal Agora de Divinópolis, edição de 29/05/2019, página 2.










































No dia 24 de maio de 2019, a Academia Divinopolitana de Letras-ADL e o público divinopolitano presenciaram uma cerimônia muito bonita, digna deste registro. Digna de nota foi a presença de várias personalidades, inclusive do ex-deputado Jaime Martins e do vereador Edson de Souza. 

O protagonista da festa, ARNALDO MESQUITA SANTOS JÚNIOR, tomou posse como Acadêmico na ADL, após a Missa em memória do saudoso Acadêmico Dom Belchior Joaquim da Silva Neto. A solenidade de posse na ADL, impecável em todos os aspectos sob a presidência do Presidente Flávio Ramos de Assis Pereira e do Vice-Presidente Augusto Fidelis, aconteceu no Centro Franciscano de Formação e Cultura, com a participação da banda Lira Vicentina Aterradense, que a abrilhantou. O empossando vem de ocupar a Cadeira 27, patroneada por Rubem Braga, que se encontrava vaga desde a morte da saudosa Acadêmica Yara Ferreira Etto.



Suas palavras foram de agradecimento: “Agradeço imensamente a minha querida amiga e primeira Rainha Geisa Greco, pelo impulso a candidatura. Aos confrades e confreiras, que me elegeram e me acolheram na ADL, ao Maestro Fabiano Botinha e à Lira Vicentina Aterradense por me honrar com sua participação, a Prefeitura Municipal de Luz, na pessoa do sr. Ailton, pelo apoio prestado, e também agradeço aos Franciscanos da Província de Santa Cruz, pela presteza em nos receber. Enfim, agradeço a todas e todos que me ajudam, e estão comigo, neste e em outros tantos momentos, estão e fazem parte do é-terno em mim!
Avante, xavante, cantemos, a paz, o bem e a alegria!!!” 

DISCURSO DE RECEPÇÃO AO ACADÊMICO ELEITO ARNALDO MESQUITA SANTOS JÚNIOR 



Exmo. Sr. Presidente da Academia Divinopolitana de Letras Flávio Ramos de Assis Pereira. Honrosos Confrades e honrosas Confreiras. 
Autoridades civis, militares e eclesiásticas. 
Senhoras e Senhores! 

Boa noite! 
Inicialmente, agradeço a Deus pela oportunidade concedida, nessa noite histórica. 

Também, quero agradecer ao ex-Presidente da ADL, Professor Fernando de Oliveira Teixeira, pelo honroso convite para recepcionar ao acadêmico empossando em nome de nossa entidade que tanto orgulha a cidade do Divino. 

Igualmente, agradeço ao atual Presidente Flávio Ramos de Assis Pereira por estender o “tapete vermelho” para o desfile de meu verbo. Ansiosamente aguardado. Sabemos que o herói ACADEMOS doou uma propriedade, contendo o famoso jardim, que oportunamente serviria como espaço para o Filósofo Platão se reunir com seus discípulos. Surge então a história das Academias de Letras... 

No ano de 1634 o Cardeal RICHELIEU, que era primeiro-ministro do Rei LUÍS III e arquiteto do ABSOLUTISMO francês, funda a famosa ACADEMIA FRANCESA DE LETRAS, que se tornaria modelo para as academias de todo o mundo que viriam surgir, inclusive a BRASILEIRA. 

Em 1961, os CAVALEIROS DO SABER DIVINOPOLITANO, JADIR VILELA DE SOUZA, SEBASTIÃO BEMFICA MILAGRE, JOSÉ MARIA CAMPOS E CARLOS ALTIVO, seguindo o nobre exemplo, fundam a gloriosa ACADEMIA DIVINOPOLITANA DE LETRAS. 

Com o falecimento da médica e acadêmica YARA FERREIRA ETTO, cujo patrono era o cronista Rubem Braga, se torna vaga a cadeira de número 27. O escritor ARNALDO MESQUITA SANTOS JÚNIOR, natural do Município de Luz (MG) e residente em Divinópolis, ouviu os tambores do destino, entrando na fila que felizmente culminou com sua eleição como membro efetivo para ocupar a referida cadeira. 

Fui designado pelo ex-Presidente Dr. Fernando de Oliveira Teixeira para ser o porta-voz da entrada triunfal do ilustre acadêmico nos jardins de Academos. Dizia o fundador da ABL, Machado de Assis: “Sejamos um braço do Amazonas. Guardemos em águas tranquilas e sadias o que ele acarretar na marcha do tempo”. Aproveito para citar um verso sublime do empossando ARNALDO JÚNIOR: “A borboleta possui um mistério tão sublime, tão singelo! Na borboleta vemos nosso destino e nosso flagelo”. Esse verso fala por si só da qualidade do espírito acadêmico que tivemos a honra de eleger. Devo acrescentar que o empossando é professor da rede estadual de ensino, psicólogo notável e paladino dos injustiçados na teoria e na prática. Devo assinalar que também é REI DO CONGADO no município de Luz e sua luz se irradiou em Divinópolis. 

A Academia Divinopolitana de Letras recebe, nessa noite memorável, o grande escritor que coroará ainda mais nosso crescimento cultural.” Vem, ó jardineiro da hora tardia! As flores precisam crescer com o corte da pena ajuizada! Alguns imortais se põem com o sol, devido à neve dos anos. Precisamente, acabas de chegar com a indomável força dos homens que fazem história, plantando novos ideais. A Academia Divinopolitana de Letras está em júbilo, nesta noite histórica, cheia de estrelas. Os cegos queriam ver esse momento, como diria BENJAMIM CONSTANT, se referindo a assinatura da lei áurea por Isabel, a Redentora. As algemas são quebradas! O impossível se faz pó! A Academia Divinopolitana de Letras abre as portas de ouro para recebê-lo, sabendo que todos o aplaudirão e a posteridade seguirá o seu exemplo. Parabéns, imortal ARNALDO MESQUITA SANTOS JUNIOR! 

Tenho dito.

Obrigado!





domingo, 12 de maio de 2019

PERFUME DE MÃE


Por Rute Pardini



Ao acordar, me deparo 
mais uma vez com as rosas do meu jardim. 
Admiro seu encanto à sombra do coqueiro. 
Me aproximo. Surpreendida por tanta beleza, 
sinto o perfume: jambo. 
Cá estou eu, me agacho, amparo as rosas 
que de tão lindas vou abraçá-las com muito carinho, 
lembrando da minha mãe. 
Hum... que delícia! 


É, gente... sem minha mãe. 
Esse perfume aqui cheira a jambo. 
Esse aroma deve ser uma gota de toda a fragrância
que tem minha mãe a seu dispor lá no céu. 
Hoje fui presenteada com essa rosa perfumada.

Desejo um bom dia das Mães a todas as amigas mamães
e as nossas mães que hoje estão no céu. 

E, cheirando mais uma vez as rosas do meu jardim, 
recomendo: Aproveitem o cheirinho de mãe,
enquanto podem!

quarta-feira, 8 de maio de 2019

ENTRONIZAÇÃO DO RETRATO DO PREFEITO FÁBIO NELSON GUIMARÃES NO SALÃO NOBRE DO PAÇO MUNICIPAL DE SÃO JOÃO DEL-REI


Discurso proferido por Francisco José dos Santos Braga
Membro do IHG de São João del-Rei 


Exmo. Sr. Prefeito de São João del-Rei, Sr. Nivaldo Andrade, 
Exmo. Sr. Vereador são-joanense, Sr. Jorginho Hannas, 
Ilmo. Dr. José Egídio de Carvalho, Presidente da ACI-Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei, 
Ilmos. confrades de IHG, Antônio Gaio Sobrinho, Ana Maria Oliveira Cintra e Betânia Maria Monteiro Guimarães, 
Ilmo. Sr. João Bosco de Castro Teixeira, nesta oportunidade representando a Academia de Letras de São João del-Rei, 
Prezados são-joanenses que aqui comparecem a essa cerimônia, 


Permitam-me retroagir 60 anos atrás para verificarmos o que acontecia em fins da década de 1950 em São João del-Rei.

Fábio Nelson Guimarães (✰ São João del-Rei, 23/10/1932 ✞ 01/07/1996)

Uma criança portando uma sacola com vidros vazios adentra a Farmácia Guimarães do farmacêutico Onésimo Guimarães. Seu filho Fábio Nelson Guimarães pode ser visto atrás do balcão, ao lado de Aluízio José Viegas. Fábio tinha cursado Farmácia na UFJF, onde marcou presença na cultura acadêmica, tendo sido o orador na formatura de sua turma, em 1957. Tendo voltado a São João del-Rei, passa a ajudar seu pai na direção da farmácia. A criança tem sorte, porque tanto Aluízio quanto Fábio não são muito rígidos na hora de avaliar os vidros. Após a contagem dos vidros, vem a negociação. O preço é fixado. Diante do olhar triste da criança, eles costumam usar de certa brandura e clemência ao compensá-la pela venda. Aquela criança é este que vos fala. 

Fábio teve uma ascensão meteórica naquela década de 1960: tendo cursado Farmácia em 1957, como vimos, tornou-se bacharel em Filosofia em 1962, pela Faculdade Dom Bosco. (Mais tarde, em 1980 tornou-se bacharel em Direito, pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Barbacena.) Na FDB, teve uma marcante presença política estudantil, quando dirigiu o DASTA-Diretório Acadêmico São Tomás de Aquino e lançou o mensário Conquistas, órgão oficial do DASTA. Durante esta época, a convite de Pe. Luiz Zver, foi sócio-fundador do C.A.C.-Centro Artístico e Cultural, cujo primeiro Conselho Diretivo tomou posse em 26/07/1959; Fábio ficou responsável pelo Departamento de História. Ao mesmo tempo, Fábio foi o fundador do Museu Tomé Portes del-Rei, na casa onde nasceu Bárbara Eliodora, inaugurado em 17/07/1959. 

Encaminhando-nos à década de 1960, Fábio publicou Fundação Histórica de São João del-Rei (1961), O Município de São João del-Rei aos 250 anos de sua criação (1963), Antônio Garcia da Cunha, o fundador de São João del-Rei (1966), Roteiro turístico de São João del-Rei para a IV Convenção do Distrito L-11/1968, Informações turísticas sobre a cidade de Tiradentes (1968) e Padre José Maria Xavier (1969). 

Foi sócio fundador da Sociedade dos Amigos de São João del-Rei (23/6/1960) e seu primeiro presidente provisório. 

Em 1962 dirigiu e ministrou aulas no primeiro Curso de Turismo em São João del-Rei, promovido pelo SENAC. Naquele curso teve por aluna Betânia, aquela que viria a tornar-se sua esposa e mãe de seus filhos. 

Em junho de 1962 Fábio tornou-se presidente do C.A.C.-Centro Artístico e Cultural. Ainda em junho, logo no início de sua gestão como presidente do C.A.C., Fábio convidou e foi aceito o convite para Paulo Kruger Corrêa Mourão (irmão do General Olímpio Mourão Filho, ex-comandante do Regimento Tiradentes) vir a São João pronunciar duas conferências intituladas O Barroco e as Igrejas de São João del-Rei e Um Estudo sobre São João del-Rei antigo

Em 18/9/1962 Fábio foi eleito sócio correspondente por unanimidade pelos membros do IHG-MG. O que tinha garantido o seu ingresso foi a publicação do livro Fundação Histórica de São João del-Rei, um ano antes. 

Em 1963 foi autor da letra do Hino dos 250 anos da Vila de São João del-Rei. 

Acumulou os cargos de secretário e chefe de gabinete do prefeito Nelson José Lombardi (1963-1966), ocupando o cargo de prefeito interino de São João del-Rei (de 12/09/1966 a 24/09/1966).

Fábio Nelson Guimarães, secretário e chefe de gabinete, despacha com o Prefeito Nelson José Lombardi
Mas o mais importante ainda estava por vir: o seu casamento com Betânia Maria Monteiro Guimarães em 10/07/1965, na Matriz de Dom Bosco, em cerimônia oficiada por Pe. Luiz Zver. Esse passo importante em sua vida lhe trouxe a estabilidade e a despreocupação necessárias à realização de seus grandes ideais, tendo, a partir dali, em Betânia sua grande colaboradora e companheira de vida. Desse enlace nasceram Flávia, Afrânio Augusto, Andréa e Márcia. 

Fábio trabalhou durante muitos anos na Escola Estadual Cônego Osvaldo Lustosa e no Colégio Tiradentes. Convidei seu aluno Luiz Artur Fiche de Carvalho para esta solenidade para representar centenas de seus alunos e ele aqui está para reverenciar e enaltecer a memória de seu mestre Fábio, professor de Ciências Físicas, Químicas e Biológicas em 1975 na E.E. Cônego Osvaldo Lustosa. 

Fábio foi sócio fundador do Lions Clube de São João del-Rei e seu quarto presidente, no ano leonístico 67/68. 

Em 1968 foi graciosamente o primeiro diretor do Ginásio Dr. Kléber Vasques Filgueiras, da CNEG-Campanha Nacional dos Educandários Gratuitos. 

Tornou-se cavaleiro-comendador da Ordem dos Templários (armado, sagrado e investido em 7/12/1969) e da Ordem dos Bandeirantes. 

No final da década, revelou-se um indispensável idealizador das duas entidades que se seguiriam ao fechamento do C.A.C. em 1969: o Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (01/03/1970), do qual foi tanto sócio-fundador quanto primeiro presidente, bem como a Academia de Letras de São João del-Rei, criada em 08/12/1970. 

Muitas outras realizações para a cidade de São João del-Rei são o apanágio do meu homenageado, mas essas podem ficar para outra ocasião. Por uma questão de tempo e espaço, vou limitar-me à referida década de 60. 

Fábio faleceu em 1º de julho de 1996 em São João del-Rei. 

Recentemente, pedi que fosse registrada em ata do IHG-SJDR minha fala sobre o professor Fábio Nelson Guimarães, cuja memória está sendo resgatada em todas as nossas reuniões ordinárias deste ano de 2019. Na minha referida fala mencionei pelo menos os seguintes fatos relevantes para o IHG: Fábio representou brilhantemente a nossa cidade em todas as Instituições culturais de que participou como sócio (por exemplo, IHG-MG, IHG-JF e AMULMIG-Academia Municipalista de Letras de MG). Também mencionei o seguinte episódio esquecido dos historiadores de São João del-Rei: é que Fábio Nelson Guimarães foi prefeito desta cidade por 13 dias (12 a 24/09/1966), quando o prefeito Nelson José Lombardi se desincompatibilizou do cargo para concorrer à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Na ordem de preferência para ocupar o cargo vago, estava, primeiro, o vice-prefeito Dr. Cid de Souza Rangel, que abdicou do direito de ocupá-lo e, em segundo lugar, o presidente da Câmara dos Vereadores, Dr. Altamiro Braga, que também desistiu de assumi-lo. Minha interpretação é que já era conhecido, talvez até nomeado, o interventor para substituir o ex-prefeito até completar o final do mandato em 31/01/1967. Provavelmente os dois políticos são-joanenses tenham considerado a posse como prefeito em caráter de interinidade, até a chegada do interventor, um grande desgaste que poderia afetar sua futura carreira política. Para a Prefeitura não ficar acéfala, o secretário e chefe de gabinete do ex-prefeito, Fábio Nelson Guimarães, conhecedor de toda a burocracia da Prefeitura, tomou posse, permanecendo no cargo de prefeito interino por 13 dias, até que o General Antônio Carlos Mourão Ratton "nomeado pelo Exmo. Presidente da República interventor federal deste Município" tomasse posse para a conclusão do mandato do ex-prefeito Nelson José Lombardi até a posse do novo prefeito eleito, Milton de Resende Viegas, em 31/01/1967. De fato, nem Fábio Nelson Guimarães, nem o General Antônio Carlos Mourão Ratton tiveram seus mandatos referendados pelas urnas. O que não se pode concordar, a bem da justiça, é que apenas o retrato do General Mourão Ratton apareça na Galeria de ex-Prefeitos de São João del-Rei neste Salão Nobre "Basílio de Magalhães". O nome de Fábio Nelson Guimarães como prefeito interino consta do "Registro dos Termos de Posse dos Prefeitos de São João del-Rei de 1930 a 1992", razão por que este são-joanense tem reivindicado junto à Câmara de Vereadores que o retrato de Fábio também conste da Galeria de ex-Prefeitos de São João del-Rei entre os dos prefeitos Nelson José Lombardi e General Mourão Ratton, no Salão Nobre "Basílio de Magalhães".

Livro de Registro dos Termos de Posse dos Prefeitos de São João del-Rei de 1930 a 1992
Termo de entrega da Prefeitura Municipal de São João del-Rei pelo ex-Prefeito Nelson José Lombardi

Este são-joanense justificou o seu pedido pela elevada responsabilidade funcional de Fábio diante da ameaça de uma situação de anomia ou até mesmo de quebra da autoridade municipal, podendo desaguar na anarquia ou desorganização social, na época dos fatos aqui narrados. Fábio não hesitou e aceitou corajosamente assumir total responsabilidade diante da situação atípica aqui relatada. 

Exmo. Vereador Jorginho Hannas, 
Tive a sorte de encontrar em V. Excia. um ouvinte atencioso que, diante de minha exposição de motivos, se sensibilizou com a minha abnegada proposição e colocou à minha disposição o seu Gabinete para concretização do meu sonho: num flagrante desrespeito à verdade histórica prevaleceu a injustiça praticada contra um servidor público municipal, quando lhe foi retirado, por 53 anos, o direito de perfilar a Galeria de ex-Prefeitos neste espaço público. Imediatamente, convenceu-se V. Excia. de que o Prefeito Nivaldo Andrade jamais se furtaria a fazer valer a verdade histórica, cumpridor como é da legalidade, isto é, de todos os contratos, tratados, convênios, acordos, convenções e pactos, sendo, por isso mesmo, merecedor de nossa admiração e apreço. 

Tive o prazer de trabalhar sob o comando dele na Chancelaria da Comenda da Liberdade e Cidadania, em 2011, e testemunhei bem o seu estilo de trabalho proativo e propositivo, razão por que passei a estimá-lo e afirmo aqui publicamente minha admiração pelo seu trabalho à frente da Prefeitura Municipal de São João del-Rei. Estamos, pois, diante de uma injustiça que clama aos céus para ser reparada pelo Prefeito Nivaldo Andrade, a pedido de V. Excia. 

Exmo. Prefeito Nivaldo Andrade, 
Está nas mãos de V. Excia., prefeito sempre sensibilizado com os assuntos históricos da cidade e anseios sociais de nossa população, autorizar a colocação do retrato do Prefeito Fábio Nelson Guimarães, assim resgatando a verdade histórica e concedendo ao historiador homenageado o direito póstumo de ocupar o legítimo e merecido espaço nesta Galeria de Retratos de ex-Prefeitos de nossa Municipalidade, autorizando a imediata colocação de seu retrato no seu lugar mais do que merecido. 

Finalmente, tenho o prazer de representar aqui o IHG de São João del-Rei, onde exerço o cargo de Secretário de Relações Institucionais, que agradece ao Vereador Hannas e ao Prefeito Nivaldo a simpática receptividade a esta minha iniciativa que, efetivada pelas mãos dos dois políticos conterrâneos, engrandece a história são-joanense. 

Muito obrigado!

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AGRADECIMENTO 

    
A Rute Pardini Braga pelas fotos que formatou e editou para os fins desta matéria.


Estou discursando...


















Prefeito Nivaldo Andrade exibe
"Registro dos Termos de Posse dos Prefeitos de São João del-Rei de 1930 a 1992"

Prefeito Nivaldo Andrade discursa


















Vereador Jorginho Hannas discursa
Foto geral da assembleia presente à solenidade
Da esq. p/ dir.: Betânia com o "Registro dos Termos de Posse dos Prefeitos de São João del-Rei de 1930 a 1992", sua filha Flávia e sua cunhada Júnia
Retrato do Prefeito Fábio Nelson Guimarães "no seu lugar mais do que merecido"

Rute Pardini Braga, a fotógrafa deste evento