quinta-feira, 12 de setembro de 2019

POEMAS ADOLESCENTES INÉDITOS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE


Por Francisco José dos Santos Braga

José Severiano de Rezende in A Noite Illustrada

I.  INTRODUÇÃO
 


JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE foi escolhido por mim para ser o Patrono da Cadeira Perpétua XVI da Academia Lavrense de Letras, que ocupo como Fundador e Titular, desde 30 de janeiro de 2016, na qualidade de sócio correspondente. Quando um Acadêmico toma posse em uma Casa de Cultura, sob a égide de um patrono, compromete-se a fazer sua apologia na posse, engrandecê-lo através de estudos mais completos e envidar esforços para expandir o conhecimento sobre sua vida e obra, divulgando-as. Isso é tanto mais verdadeiro, quanto o patrono foi de livre escolha do Acadêmico!

Tendo já publicado no Blog de São João del-Rei alguns trabalhos sobre José Severiano de Rezende (✰ Mariana, 23/01/1871 ✞ Paris, 13/11/1931), venho no presente post ampliar um pouco mais a minha pesquisa sobre esse grande jornalista, escritor, orador, sacerdote, poeta simbolista, teatrólogo  e, em Paris, adido cultural da Embaixada Brasileira e colaborador para o "Mercure de France" com a seção "Lèttres Brésiliennes". Como jornalista, colaborou com artigos e traduções para os jornais Arauto de Minas, Alvorada e O Tribunal (como fundador e colaborador) em São João del-Rei, A Província de Minas em Ouro Preto, O Dom Viçoso em Mariana, O Diário Mercantil em São Paulo e Diário de Santos em Santos-SP; a revista Horus em Belo Horizonte; jornal Correio da Manhã e Revista Americana, revista Os Annaes e Revista Brasileira no Rio de Janeiro.

Em 1970 ocorreu a 3ª edição revisada do seu livro "O meu flos sanctorum", patrocinada por Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 258 p. No ano seguinte, 1971, ano do centenário do seu nascimento, houve a 2ª edição revisada ampliada de "Mistérios" por meio de Belo Horizonte: Centro de Estudos Mineiros da UFMG, 219 p.

A Academia de Letras de São João del-Rei também homenageou José Severiano de Rezende, ao nomeá-lo patrono da cadeira nº 19, atualmente ocupada pelo Acadêmico Éric Tirado Viegas. A nossa Academia foi criada pelo Decreto Municipal nº 620, de 8 de dezembro de 1970, tendo ocorrido a sua instalação  em 21 de janeiro de 1971, mesmo ano em que se comemorava o centenário do nascimento de José Severiano de Rezende e que culminou com o lançamento de nova edição do seu livro "Mistérios", patrocinado pela Prefeitura Municipal de São João del-Rei.

Além disso em 19/04/2011, a professora, escritora e poetisa Hebe Maria Rôla Santos, atual presidente da Academia Marianense de Letras, tomou posse na Cadeira nº 317 da AMULMIG, tornando-se representante do Município de Mariana naquela Casa de Cultura, tendo escolhido como seu patrono o poeta marianense José Severiano de Rezende.

Neste trabalho ofereço aos leitores do Blog do Braga poemas inéditos do meu homenageado que localizei na Biblioteca Baptista Caetano de Almeida de São João del-Rei no hebdomadário ARAUTO DE MINAS, órgão do Partido Conservador do 6º Distrito, cujo redator era seu pai, SEVERIANO NUNES CARDOZO DE REZENDE. O período coberto vai de 21/03/1885 a 08/01/1887. (O Arauto de Minas foi um periódico impresso em São João del-Rei entre os anos de 1877 e 1889. Seu nome completo era: O Arauto de Minas : hebdomadário político, instructivo e noticioso; órgao do Partido Conservador, considerado "o jornal mais bem feito nas cidades de Minas".) Os poemas de José Severiano de Rezende, que serão apresentados neste trabalho, são experiências de um poeta adolescente com a poética, onde já se veem traços de genialidade, quer na escolha dos temas sempre candentes, quer no elaborado tratamento do material, ou ainda no expressivo fazer poético. Após os poemas inéditos há sempre o nome da cidade onde estavam sendo escritos, bem como as datas tanto da produção poética quanto da edição nos jornais. Assim, antes do jornal são-joanense Arauto de Minas, um dos poemas, "Magdalo", já tinha sido publicado pelo jornal A Província de Minas, igualmente órgão do Partido Conservador em Ouro Preto; da messma forma, dois dos poemas, intitulados "Viajando" e "No campo", foram originalmente publicados num pequeno jornal são-joanense: Alvorada e, em seguida, reproduzidos no Arauto de Minas.

Meu homenageado nasceu em Mariana, a 23 de janeiro de 1871, filho de Severiano Nunes Cardozo de Rezende, são-joanense, editor do Arauto de Minas, jornal monarquista considerado um dos melhores de Minas, e de Custódia de Rezende. No caso do meu poeta homenageado, a figura paterna foi bastante relevante para a sua formação. Além de escritor e jornalista, Severiano Nunes Cardoso de Rezende também era professor. Quando seu filho José nasceu, Severiano trabalhava como professor de Latim e Francês na escola pública de Mariana. Em março de 1872, quando o pequeno Juca tinha um ano de idade, o professor Severiano Nunes Cardoso de Rezende regressou à sua terra natal, São João del-Rei, convocado por velhas amizades e acompanhado da esposa e filho, tornando-se professor vitalício de Português no Externato Oficial de São João del-Rei e na Escola Normal da mesma cidade. Segundo Renato de Lima Júnior, o pequeno Juca teria aprendido a “soletrar brincando com os tipos” usados para imprimir o jornal Arauto de Minas, dirigido por seu pai. Em sua formação escolar inicial, percebemos uma ênfase no estudo de línguas, pois, no Externato de São João del-Rei, habilitou-se em Francês, Latim e Português, ênfase que foi decisiva em sua vida.

A certa altura de sua adolescência, concluiu os estudos no curso secundário do Externato Oficial são-joanense e prosseguiu seus estudos no Liceu Mineiro, em Ouro Preto, onde recebeu diversas influências: segundo Silvano Minense, Juca teria tido uma ligação com as ideias positivistas e sido admirador da literatura realista de Zola. Na mesma ocasião, conheceu e se tornou amigo de Alphonsus de Guimaraens. É importante destacar que começava então a grande admiração pelo poeta simbolista conterrâneo, que se tornou a grande referência literária de José Severiano de Rezende; não só deste, mas de todos os poetas simbolistas mineiros.

Os poemas abaixo apresentados são desta época em que cursava o Liceu Mineiro e nos períodos de férias em São João del-Rei.

Será mantida a grafia de época.



II.  POEMAS INÉDITOS DE JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE


Magdalo 

(A Randolpho Fabrino)

Alli morava a grande peccadora,
a bella Magdalena — doce amante
de Boanerges, — o poeta delyrante,
ao som de cuja lyra aquela loura

mulher adormecia, em seductora
e langue morbideza... Vacillante,
o vate lhe beijava a tremulante
e setinosa face — côr da aurora...

Dormia um somno mélico, embalado
pelos frios bafejos do peccado...
Até que um dia a candida verdade

em sua alma brilhou. Arrependida,
volveu ao lar paterno; e logo a vida
lhe veio... e foi-se a morbida vaidade...

José Severiano de Rezende
Ouro Preto, 25 de Julho de 1886.

Fonte: A PROVINCIA DE MINAS, Ouro Preto, Anno VII, edição nº 376, datada de 3/8/1886, p. 4 . Idem in ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 19, datada de 26/8/1886, p. 2. Link: http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=222747&pagfis=768&url=http://memoria.bn.br/docreader# 



O Gato e o Espelho 

(Florian)

Philosophos ousados, que passaes a vida,
pretendendo explicar o que é inexplicavel,
vos peço por favor, ouvi
o que com um gato se deu,
com um gato prudente e astuto,
que, estando sobre um toucador,
deu com os olhos n'um espelho.
Vae d'um salto e olha e encara. De primeiro
se lhe afigura ver o irmão,
que o observa. Alcançal-o quer o bexaninho,
mas sente-se detido; então julga que o vidro
é transparente. Vae ao lado
opposto. Nada encontra. Volta e vê o gato...
Pensa um pouco. Temendo que fuja o animal,
emquanto gyra à sua pista,
no alto do espelho trepa e ahi fica montado:
uma pata d'aqui, outra de lá; assim,
de qualquer lado o apanharia.
Então, crendo já possuil-o,
vagaroso a cabeça inclina para o espelho.
Vê uma orelha... e duas... immediatamente,
à dextra e à sextra vai lançando
sua garra, já preparada,
porem... perde o equilibrio, cahe e nada apanha.
Então, perdida a esperança,
sem indagar mais tempo, o que não pode achar,
o pobre deixa o espelho e vae aos camundongos:
"Para que saber eu quero, diz, esse mysterio?
Uma cousa que nosso espirito,
após trabalho insano, nem por sombra entende,
jamais nos é mister, jamais...

José Severiano de Rezende
Ouro Preto, 4 de Agosto de 1886

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 18, datada de 11/8/1886, p. 3. Link: http://memoria.bn.br/pdf/715131/per715131_1886_00018.pdf 



Mysteriosa 

Sozinha e ao desamparo ella vivia
N'esse pobre cazebre abandonado.
(G. Crespo: Miniaturas)

Dizei-me, ó valle, ó rigida montanha,
Revelae-me um segredo:
— Quem habita essa mystica morada,
Que se ergue no penedo?...

..........................

Nada agora me responde;
A tarde já se esvaece,
A sombra no espaço cresce.
Minha voz não é ouvida,
Clamo embalde; só escuto
Brincando as vagas no rio,
Com saudoso murmurio,
Co'uma voz grave e sentida...

Vem o zephiro affagar-me
Com frio sopro os cabellos,
Parece a relva offertar-me
Seus puros leitos, singellos...

                   —

Deitei-me; e na verdura adormeci:
— Sonhei com a casinha
Que no penedo vi...

Que entidade ahi morava?
— Alguma huri, uma fada,
Uma beldade invisivel,
Uma belleza encantada?

— Ah! não, não!

Para ahi se retirou,
Afim das magoas chorar
Uma jovem malfadada:
— Do mundo os gozos deixou,
Porque deixára de amar.

...........................

Depois d'esse mago sonho,
Sempre, sempre a tardizinha
Vou contemplar a casinha,
Depois d'esse mago sonho...

Ouvindo o brincar das ondas,
Ao meigo sopro da brisa,
Vendo a fonte que desliza,
Ouvindo o brincar das ondas,
Sempre, sempre a tardizinha
Vou contemplar a casinha.

José Severiano de Rezende
Ouro Preto, 26 de Maio de 1886.

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 11, datada de 19/6/1886, p. 2.



Viajando 

Eu ia pelas campinas
Cançado de cavalgar
N'um burro, que a trotear,
Por estas terras de Minas

Conduzia-me. As boninas,
— Extenso jardim sem par —
Derramavam pelo ar
Doces fragrancias divinas.

Brincavam sobre os abetos
Dous saguis irrequietos;
Pipilava o maçarico;

E um passarinho brejeiro
Lá de cima do coqueiro
Grita: "Bom dia, seu Xico!"

José Severiano
S. João d'El-Rei, 17 de Março de 1886.
(Da Alvorada)

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 3, datada de 01/4/1886, p. 2.



Haughtiness 

Erguendo-se do plaustro, vaporosa.
Immergindo-se em nuvens colubrinas
Circumdada de luzes vespertinas,
E pisando esmeraldas, orgulhosa

Zelos causava a Jove — a tão formosa
Venus; suas lindas vestes celestinas
Lhe adornavam as formas femininas,
Exalçando a belleza magestosa:

Assim como essa deusa, ó bella estavas
No baile, aquella noite, resumbravas
Entre as outras donzellas, com altiveza.

Nem um olhar de ti eu merecia:
Estavas entre a nobre fidalguia;
Sou pobre... tu só amas a riqueza.

José Severiano
S. João d'El-Rei, 12 de Março de 1886.
Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 2, datada de 20/3/1886, p. 3.



A matricida ¹

Em baixo o mar ingente, em cima o céo de anil:
A náo sordia sobre a vaga em choques mil;
Os ventos com furor soltava o rei Eólo,
Zunia com insania o Austro do seu polo.

Pouco a pouco cobria turbilhão escuro
Aquelle firmamento lindo, inda tão puro:
Os viajantes tomados de terror e medo,
Jaziam em silencio sepulchral e quedo.

<<À vista nada ha, nem um rochedo, uma ilha:
<<Teremos por ventura um jonas nesta quilha?...
<<Que lugubre desgraça o céo nos prenuncia,
<<Que castigo será que o Deus clemente envia?!...

Disseram finalmente os nautas tremulantes...
E a Deus elles rezavam uns rogos supplicantes,
Com fervorosa fé, fé viva de cristão...
Súbito, os desgraçados, tristes tripulantes
Ouviram dolorosos gritos, penetrantes,
Que vinham com estertôr do fundo do porão...

Terriveis, bem terriveis gritos se augmentavam,
Que mais sinistros, mais funereos se tornavam
Dos ventos co'o bramir, do mar co'o grão rugir
E da tripulação co'o infindo e pio carpir...

Mas qual o horror d'aquelles pobres navegantes
Ao ver mulher ferina de olhos chammejantes!...
Surgira do porão medonha, — a matricida!

— Olhar aterrador, sanguineo; — a mãe nos braços,
Que ao pelago voraz, cruel, lançou sem vida;
— Trôa surdo trovão nos horridos espaços...

José Severiano Nunes de Rezende
3 de Fevereiro de 1886

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno IX, edição nº 41, datada de 7/2/1886, p. 2.



No campo

(a Paulo Teixeira)

A leve brisa suave
De flôr em flôr vae correndo
Nas ramagens vae gemendo
A leve brisa suave...

Os passarinhos encantam
Da aurora a bella harmonia,
Saudando o romper do dia,
Os passarinhos encantam...

Nos cimos das cordilheiras
As grammas são viridentes,
As flôres são rescendentes
Nos cimos das cordilheiras.

Claras aguas vão cahindo
Ruidosas d'entre o penedo,
Deslizando no vargedo,
Claras aguas vão cahindo...

A gentil moça pastôra
Leva o rebanho ao capril,
Cantando notas de anil,
A gentil moça pastôra...

O som da flauta plangente
Traduz ballatas de amor,
Nos labios de algum pastor,
O som da flauta plangente...

Lá vão em grupo as mulatas
Correndo com os seios nús,
— Que tremem como bambús...
Lá vão em grupo as mulatas...

Chamando a sua novilha,
Geme o touro apaixonado,
Com o olhar de namorado,
Chamando a sua novilha...

E à fresca sombra d'uma arvore,
Sonhando sonhos de amor,
Dormita um joven pastor
À fresca sombra d'uma arvore...

E a leve brisa suave
De flôr em flôr vae correndo,
Nas ramagens vae gemendo
A leve brisa suave...

José Severiano de Rezende 
Ouro-Preto, 5 de Setembro de 1886.
(Da Alvorada)

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 25, datada de 23/10/1886, p. 3.



Na fazenda 

               I
A floresta sussurrante,
verdecente e perfumosa,
do floreo peito, amorosa,
lança suspiros de amante.

O rubro sol lourejante,
—n'um occidente de rosa,
deixa à campina saudosa,
um fulvo olhar, delirante...

—Como neve alvinitente,
pasce o rebanho contente,
ao longe, —no capinzal...

—N'um cantar plangente, brando,
o sabiá vae trillando
nas sombras do matagal.

               II

Estôa mélico canto,
uma formosa mulata,
—de faces côr de escarlate,
—de labios côr de amaranto...

No empyreo azulado e santo,
adejam nuvens de prata...
—Cae do penedo a cascata,
rolando em selvoso manto...

Nos galhos das laranjeiras,
mil avezinhas gaiteiras
enchem de sons o jardim...

E um tico-tico canôro
rompe n'um chiste sonóro:
—"Todo o dia, assim, assim!"

José Severiano de Rezende

Fonte: ARAUTO DE MINAS, São João del-Rei, Anno X, edição nº 23, datada de 9/10/1886, p. 3.





III.  NOTAS EXPLICATIVAS 



¹  Avento a possibilidade de José Severiano de Rezende ter lido um ou ambos os seguintes livros de Camilo Castelo Branco e este ter-lhe inspirado o poema "A matricida": 
1) Maria! Não me mates, que sou tua mãe! (conto de 1848)
Edição brasileira: São Paulo: Edições Loyola; Editora Giordano, 1991.
De acordo com Paulo Motta Oliveira (2011), entre 1848 e 1852, o conto foi editado 4 vezes, o que, no contexto do século XIX, é equivalente à tiragem de um best-seller, posição que essa narrativa, de fato, ocupa na primeira metade dos Oitocentos. Como tal, é razoável supor que a técnica narrativa empregada nessa obra acompanha “coordenadas mentais, os gostos e as preferências literárias e estética do público” (SOBREIRA, 2001, p. 3) da época, donde se conclui que a ficção transportada nas folhas de cordel continuava no horizonte de preferência dos leitores de então.

Maria! Não me mates, que sou tua mãe! em edição de autor e sob anonimato, 1ª edição, 1848, 16 p.

2) Matricídio sem exemplo. Uma filha que matou e esquartejou sua própria mãe, Mathilde do Rozario da Luz, em Lisboa – na travessa das Freiras, nº 17. Trata-se de um folheto de Camilo Castelo Branco narrando o crime que se dera, então em Lisboa, de uma filha matar a sua própria mãe. O folheto causou um êxito enorme, chegando a fazer-se três edições. A forma insinuante em que estava escrito fazia vibrar o sentimento popular, vindo revelar-lhe que a sua pena era um poder e que a ela pediria a sua independência.


Matricídio sem Exemplo, 3ª edição, 1850, 19 p.

Para maiores informações, consulte ainda: https://expresso.pt/sociedade/2015-08-24-Um-crime-barbaro-e-espantoso-uma-filha-que-mata-e-despedaca-sua-mae 

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Também não é improvável que José Severiano de Rezende tenha tido acesso à tragédia Orestes de Eurípides, que pela primeira vez deve ter tratado do tema do matricídio na cultura ocidental. 
O mito de Orestes é tema de uma tragédia de Eurípides, estreada em 408 a.C., que trata dos acontecimentos decorrentes da morte por Orestes da mãe dele, Clitemnestra. 
O herói Orestes, na mitologia grega, era filho do rei Agamêmnon de Micenas e da rainha Clitemnestra, e irmão mais novo de Ifigênia. 
Interessa saber que o pai de Orestes retornou a Argos após ter vencido a guerra de Tróia e vingado a honra de seu irmão Menelau, marido de Helena, que havia fugido com Páris. 
A rainha Clitemnestra, por sua vez, também trai seu marido Agamêmnon e arquiteta o seu assassinato. 

Contexto em que Eurípides escreveu a tragédia Orestes

Clitemnestra e seu amante Egisto mataram Agamêmnon quando este voltava da Guerra de Tróia. Único que poderia vingar o crime, Orestes foi à Fócida, porque suspeitava que o amante de sua mãe pretendia matá-lo também. Ali cresceu em segurança na corte de Estrófio e ficou amigo do filho deste, seu primo Pílades. Ao tornar-se adulto, em obediência às ordens de Apolo, Orestes matou sua mãe e Egisto, contando para tal com a cumplicidade de Pílades. Apesar da anterior profecia de Apolo, Orestes passou a ser atormentado pelas Erínias ou Fúrias, que era o único a vê-las pelo sentimento de culpa do seu matricídio, razão por que buscou refúgio no santuário de Apolo em Delfos. Julgado por seu crime em Atenas, o voto da deusa Atena desempatou o resultado a seu favor. 
Novamente por ordem de Apolo, Orestes partiu para a Táurida a fim de roubar a estátua de Ártemis e devolvê-la à cidade de Atenas. Preso com Pílades, foi condenado a ser sacrificado à deusa, mas sua irmã Ifigênia, sacerdotisa de Ártemis, reconheceu-o e fugiu com ele e com Pílades, levando a estátua da deusa. Salvo, herdou o reino de Agamêmnon, a que anexou Esparta e Epiro, depois do casamento com Hermíone, filha de Menelau e de Helena. Morreu aos noventa anos picado por uma serpente. 

O enredo da peça teatral não é abordado aqui para não se estender demais o espaço dedicado ao post. Aqueles que se interessarem por lê-lo, queiram dirigir-se à Wikipedia no link https://pt.wikipedia.org/wiki/Orestes_(Eur%C3%ADpides)

9 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Neste trabalho ofereço aos leitores do Blog do Braga poemas inéditos do meu homenageado JOSÉ SEVERIANO DE REZENDE que localizei na Biblioteca Baptista Caetano de Almeida de São João del-Rei no hebdomadário ARAUTO DE MINAS, órgão do Partido Conservador do 6º Distrito, cujo redator era seu pai, SEVERIANO NUNES CARDOZO DE REZENDE. O período coberto vai de 21/03/1885 a 08/01/1887.

Link: https://saojoaodel-rei.blogspot.com/2019/09/poemas-adolescentes-ineditos-de-jose.html

Cordial abraço,
Francisco Braga

Moisés Mota (presidente da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette-ACLCL) disse...

Prezado Francisco Braga, saudações!

Que achado precioso. Vou compartilhar com os confrades e confreiras de nossa ACLCL.

Fraterno abraço,

Moises Mota
Presidente da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette

Prof. Fernando de Oliveira Teixeira (professor universitário, escritor, poeta e membro da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Prezado Braga, bom dia. Agradeço o envio da interessante matéria. Abraço do confrade Fernando Teixeira

Dr. Rogério Medeiros Garcia de Lima (professor universitário, presidente do TRE/MG, escritor e membro do IHG e da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

MUITO BOM!

Prof. Cupertino Santos (professor aposentado da rede paulistana de ensino fundamental) disse...

Caro professor Braga;
Surpreendentes esses poemas que sua pesquisa e análise, com referências ao universo social e histórico-cultural do autor, acrescentam à antologia da literatura brasileira. Homenagem não apenas merecida, mas também interessante, que acrescenta elementos de conhecimento e análise.
Grato,
Cupertino

Dr. Mário Pellegrini Cupello (escritor, pesquisador, presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, e sócio correspondente do IHG e Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro amigo Braga

Que excelentes e inspirados poemas! Agradecemos pelo envio.

Aceite o abraço fraterno,

Dos amigos Mario e Beth.

Nilo da Silva Lima disse...

Francisco, parabéns pelo artigo.Lembro-me Jacques Derrida, no livro "Mal de arquivo", quando ele caracteriza esse "mal" como uma possessão incessante do pesquisador por ir onde os acervos se encontra. Seu trabalho renhido de pesquisador tem muito desse "mal de arquivo" de padecemos, ou não. José Severiano de Rezende merece sempre ser resgatado. Tenho um carinho particular pela história dele, sobretudo pela sua vida no Seminário de Mariana, onde tamém vivi parte da minha infância, adolescência e junventude. Escrevi uma conferência que espero apresentar um dia na Aademia de Letras de Mariana. Grande abraço.

Profª Dra. Patrícia Ferreira dos Santos Silveira (pesquisadora, escritora e doutora em História Social-USP e pós-doutora em História Social da Cultura-UFMG)) disse...

Caro confrade, Dr. Francisco Braga.

Lindo Post.
Peço desculpas pelos demorados silêncios.
Estou à frente de uma Biblioteca Pública, com profusão de projetos e ações para gerenciar.
Se me permitir, em breve, farei uma recomendação em nossa Fan Page destes belos poemas do nosso ilustre poeta marianense, José Severiano de Rezende. Apreciei bastante e creio que elevará o nível cultural de nossos leitores e seguidores.

Envio cordiais abraços, extensivos a sua família.

Profª Patrícia Ferreira

Benjamin Batista (presidente da Academia de Cultura da Bahia, showman e barítono de sucesso) disse...

Parabéns. Abraço