sábado, 24 de novembro de 2012

RELATO DA MINHA EXPERIÊNCIA NESSES 10 ANOS DA SOLENIDADE DO DIA DA LIBERDADE


Por João Bosco da Silva *




Ilustre confrade e amigo Francisco Braga,

Depois da emocionante solenidade por nós realizada no dia 12 de novembro de 2012 – Dia da Liberdade –, a qual mais uma vez teve como núcleo central sua brilhante participação, gostaria de tecer algumas considerações sobre 10 anos da nossa comemoração do batismo/nascimento do Tiradentes, tanto junto à estátua desse grande herói, à Avenida Tancredo Neves, em São João del-Rei quanto junto às ruínas da Fazenda do Pombal. 

Como você sabe, capitaneados e inspirados pelo Coronel Adalberto Guimarães Menezes, desde 2002 toda uma plêiade de pessoas que se preocupa em cultuar nossos vultos históricos, especialmente Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, vem lutando arduamente pelo reavivamento da Fazenda do Pombal, seu local de nascimento. 

Essa luta se traduziu, desde aquele memorável ano de 2002, em solenidades que têm sempre se realizado naquela Fazenda exatamente no dia 12 de novembro, data do batismo/nascimento desse grande herói que, inclusive, é o Patrono Cívico da Nação Brasileira. Relembrando as palavras do próprio Coronel Adalberto Menezes, em seus escritos, naquele memorável ano de 2002, ele procurou o então Presidente do IHG-SJDR, José Antônio de Ávila Sacramento, que o levou à presença das autoridades constituídas presentes no Município e de pessoas envolvidas  com o civismo no Campo das Vertentes, tais como prefeitos, vereadores e muitos outros e que, depois, se juntou a eles Dr. Wainer de Carvalho Ávila, também do IHG-SJDR, no trabalho de divulgação da futura promoção cívica. E finalmente, ainda segundo ele, "mesmo que tentasse, não conseguiria mencionar todas as pessoas que o incentivaram e se dispuseram a apoiar a jornada cívica que culminaria com a construção de um parque ou memorial dedicado ao herói Tiradentes".

Por outro lado, cabe registrar que, a partir de determinado momento, aquelas solenidades passaram a ser abrilhantadas com a participação de sua digna esposa, a talentosa cantora lírica Rute Pardini. Como você sabe, a participação dela tem sempre se dado, em meio às ruínas do Pombal, com uma bela interpretação do poema “As Pombas”, de Raimundo Correia, musicado por Chiquinha Gonzaga.
  
E foi, sem dúvida, essa estimulante participação de Rute que me inspirou a escrever o poema “Ruínas do Pombal”, um poema dedicado aos participantes da Conjuração Mineira e, de modo especial, ao Tiradentes e às ruínas da fazenda que se fez seu berço natal. 

Ao concluir o poema, em agosto de 2011, tive a ideia de entregá-lo a você e sua esposa, meus dois diletos amigos, com a intenção de vê-lo recitado (ou até, quem sabe, musicado) para ser declamado ou cantado naquelas solenidades do dia 12 de novembro.  

Com a criação da Comenda da Liberdade e Cidadania, em 6 de setembro de 2011, percebi que aquelas nossas solenidades se tornariam, como realmente se tornaram, um evento de grandes proporções. Devido a isso, acabei desistindo do sonho de, por assim dizer, ver meu modesto poema sendo  apresentado lá naquela histórica fazenda à qual ele foi dedicado, apesar de saber que continuava contando com a apreciação e a boa vontade, tanto sua quanto de Rute em relação a ele.

Entretanto, para minha grande surpresa, na reunião da Academia de Letras de São João del-Rei ocorrida no final do mês de outubro de 2011, fui procurado pelo nosso confrade e caminhante Major Murilo Geraldo de Souza Cabral, o qual me trazia uma proposta interessante, apesar de singela.  Não concordando com a mudança da solenidade para o domingo mais próximo do dia 12 de novembro, sua proposta era no sentido de que um pequeno grupo se reunisse junto à Estátua do Tiradentes, à Avenida Presidente Tancredo Neves, em São João del-Rei, exatamente no dia 12 de novembro. Ali seria realizado um pequeno e oficioso ato cívico que teria como cerne a recitação do meu poema, seguido de uma caminhada até a Fazenda do Pombal, local onde se realizaria novo ato cívico nos mesmos moldes do realizado junto àquela estátua de nosso Herói-Mor.  

De pronto aceitei a proposta dele, mas com algumas condições. Uma dessas condições seria a comunicação e, se possível, a aquiescência da Chancelaria da Comenda Liberdade e Cidadania, da qual você fazia parte à época como Secretário. Isto porque eu não desejava que o evento então proposto, apesar de bastante simples, viesse a conotar qualquer forma de protesto relacionado à criação da referida Comenda. Outra condição seria a sua própria aquiescência, ou seja, sua aquiescência pessoal, uma vez que eu já havia confiado meu poema a você e Rute e não desejava que ele fosse declamado por qualquer outra pessoa que não fosse um de vocês dois. E, finalmente, que nosso ilustre confrade José Egídio de Carvalho, então coordenador da “Solenidade da Comenda” pelo Município de São João del-Rei, fosse também cientificado a respeito do assunto, uma vez que eu não desejava, também, desrespeitar o hercúleo trabalho que ele vinha realizando nesse sentido.

Diante de tudo isto, tendo o confrade Murilo Cabral ido à sua procura, você, para minha agradável surpresa, não apenas acolheu a ideia como se propôs a recitar meu poema naquela pequena “solenidade informal”, imaginada pelo nosso confrade-caminhante.     

Por outro lado, nosso amigo e confrade José Egídio, além de aceitar a ideia, lutou para que a solenidade fosse realizada de forma bem mais abrangente do que imaginávamos. Tendo-a colocado, por assim dizer, nas mãos da Maçonaria local e regional, conseguiu adesão de autoridades importantes (como, por exemplo, o Tenente-Coronel Alan Elias da Silva, Comandante do 38º BPM e o Juiz de Direito Dr. Auro Aparecido Maia de Andrade, nosso incansável companheiro nas lutas em prol do Tiradentes e da Fazenda do Pombal).

Por tudo isso, posso dizer que, graças a uma singela ideia do confrade Murilo Geraldo de Souza Cabral, à indispensável adesão de sua pessoa e de sua esposa, bem como do confrade José Egídio de Carvalho, pude realizar o sonho de ver meu poema recitado. Além disso, para minha alegria, ele foi recitado exatamente por você e exatamente no dia 12 de novembro, e não apenas lá naquele sítio sagrado onde nasceu nosso Herói Maior, mas também junto à estátua deste, localizada à Avenida Presidente Tancredo Neves, na cidade de São João del-Rei. 

E, mais que isto, tendo o evento se repetido no dia 12 de novembro de 2012 com a mesma grandiosidade de que foi portador no ano passado, inclusive com a participação de nosso grande inspirador, o Coronel Adalberto Guimarães Menezes, é impossível não estar certo de que ele tem tudo para seguir adiante e, mais ainda, tornar-se tradicional em nossa cidade e região, sempre em prol do enaltecimento de Joaquim José da Silva Xavier,  o Patrono Cívico da Nação Brasileira, e do reavivamento nas mentes e corações de todos, são-joanenses e brasileiros, do solo sagrado onde ele nasceu, a Fazenda do Pombal.

Com meu sincero e agradecido abraço,

João Bosco da Silva


Fotos:
1) Francisco Braga declamando o poema "Ruínas do Pombal", ao lado de seu autor, João Bosco da Silva, junto à Estátua do Tiradentes, na solenidade à Avenida Tancredo Neves, em São João del-Rei (foto de Rute Pardini)
2) Rute Pardini cantando "As Pombas" na solenidade junto às ruínas da Fazenda do Pombal (foto de José Antônio de Ávila Sacramento)
3) Maçons, entre outros, prestam homenagem ao Tiradentes, à Avenida Tancredo Neves (foto de Silvério Parada)
4) Da esq. para a dir.: Francisco Braga e sua esposa Rute, policial do 38º BPM e maçons, tendo ao fundo a Banda do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, o "Regimento Tiradentes" (foto de Silvério Parada)
5) Dr. Auro Aparecido Maia de Andrade proferindo seu discurso como Orador Oficial da solenidade, junto à Estátua do Tiradentes, à Avenida Tancredo Neves (foto de Silvério Parada)
6) Rute cantando "As Pombas" na solenidade junto às ruínas da Fazenda do Pombal, de mãos dadas com o Cel. Adalberto Guimarães Mezes (foto de José Antônio de Ávila Sacramento)


* João Bosco da Silva nasceu em São João del-Rei, MG, a 13 de julho de 1952, tendo passado boa parte de sua infância no campo. Ingressando na então denominada Escola Agrícola Padre Sacramento, escola pública rural localizada nas imediações de São João del-Rei, ali concluiu o chamado “Sexto Ano Profissionalizante – Arte em Madeira”. Naquela escola, aos treze anos de idade, recebeu seu primeiro prêmio “literário” ao escrever um texto intitulado Por Que Gosto de Minha Família, considerado “a melhor composição sobre a família” num concurso realizado entre alunos de escolas públicas de São João del-Rei e adjacências. Ao sair daquela escola, tendo que voltar à vida do campo, somente regressou definitivamente a São João del-Rei no ano de 1972, para prestar o serviço militar obrigatório, ingressando no Regimento Tiradentes, o que lhe possibilitou continuar seus estudos. No ano de 1980, concluiu o Curso de Ciências Físicas e Biológicas pela antiga Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, tendo, porém, seguido carreira no Exército Brasileiro. Mais...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Colaborador: João Bosco da Silva


JOÃO BOSCO DA SILVA nasceu em São João del-Rei, MG, a 13 de julho de 1952, tendo passado boa parte de sua infância no campo. Ingressando na então denominada Escola Agrícola Padre Sacramento, escola pública rural localizada nas imediações de São João del-Rei, ali concluiu o chamado “Sexto Ano Profissionalizante – Arte em Madeira”. Naquela escola, aos treze anos de idade, recebeu seu primeiro prêmio “literário” ao escrever um texto intitulado POR QUE GOSTO DE MINHA FAMÍLIA, considerado “a melhor composição sobre a família” num concurso realizado entre alunos de escolas públicas de São João del-Rei e adjacências. Ao sair daquela escola, tendo que voltar à vida do campo, somente regressou definitivamente a São João del-Rei no ano de 1972, para prestar o serviço militar obrigatório, ingressando no Regimento Tiradentes, o que lhe possibilitou continuar seus estudos.  No ano de 1980, concluiu o Curso de Ciências Físicas e Biológicas pela antiga Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, tendo, porém, seguido carreira no Exército Brasileiro. 

Terminado o Curso de Ciências, ingressou no Curso de Letras da mesma IES, o qual, porém, não pôde concluir. Enquanto fazia  esse curso, no entanto, conseguiu sua primeira publicação literária ao participar, juntamente com universitários do Rio de Janeiro, de uma pequena antologia poética intitulada O QUE CABRAL NÃO DESCOBRIU, promovida pela extinta Hossana Editora e Artes.

Mais tarde chegou a ser nomeado Professor de Ciências concursado da Fundação Educacional do Distrito Federal (Brasília/DF), para onde fora transferido em 1988; tendo também lecionado em alguns cursinhos preparatórios. Na mesma ocasião, teve poemas classificados e publicados em duas antologias (uma promovida pela Bibliex/Rio de Janeiro e outra pela Cultura Gráfica e Editora, Rádio Jornal FM e Sindicato dos Escritores do Distrito Federal). 

Tendo que desistir do cargo de professor por continuar no Exército, foi mandado servir em Washington/EUA, chegando a publicar uma crônica em inglês, intitulada Creatures of God (Criaturas de Deus) em um jornal escolar das Escolas Públicas do Condado de Montgomery. 

Voltando para Brasília e, depois, para São João del-Rei, aposentou-se da carreira militar. Como Oficial da Reserva, continuou a escrever, sendo autor das seguintes publicações: O último Lobisomem (pequena antologia de contos e poemas); Trilogia do Lobisomem (romance); História da Loja Charitas II, Volumes I e II (obra de historiografia maçônica) e, por último, Contos da Tribuna (coletânea de contos publicados no jornal Tribuna Sanjoanense). Possui contos e poemas publicados em diversas antologias e revistas como: Revista da Academia de Letras de São João del-Rei, anos 2005, 2006 e 2009; Antologia Lafaiete em Prosa e Verso, anos 2007 a 2012 (organizada pela Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Laffayette, da qual é membro correspondente). Na área de História da Filosofia, seu artigo intitulado ENCYCLOPÉDIE: SÍNTESE E LEGADO DO ILUMINISMO foi publicado na revista Filosofia, Edição Especial, ano I, nº 5 (Editora Escala: São Paulo, 2007) e na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, ano 2007, Volume XII.

Sua formação acadêmica atual inclui (além dos cursos acima mencionados) um Curso de Formação em Filosofia, um Bacharelado em Filosofia e, como pós-graduação, duas especializações, sendo uma delas em Língua Inglesa e outra em Letras: Português e Literatura.   

Possui o Certificado de Proficiência em Inglês da Universidade de Michigan/EUA, tendo sido também credenciado junto ao Exército Brasileiro em inglês e espanhol. Nos Estados Unidos da América, chegou a proferir palestra no Takoma Education Center, em Washington/DC, sobre o tema BRAZIL: PEOPLE AND GEOGRAPHY.  Membro efetivo da Academia de Letras de São João del-Rei e da União Brasileira de Escritores, é também membro efetivo licenciado do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, além de pertencer a outras entidades culturais e filosóficas.   

Por suas atividades profissionais e intelectuais, recebeu vários prêmios e condecorações, podendo ser destacados: Medalha do Pacificador (Exército Brasileiro); Diploma da Ordem da Acácia (Grande Loja Maçônica de Minas Gerais); Medalha Honorífica Antônio Carlos Fernandes Leão (Loja Maçônica Charitas II); Diploma de Honra ao Mérito (Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette; por vários anos consecutivos); Diploma da Ordem do Compasso e do Esquadro (Grande Loja Maçônica de Minas Gerais); Comenda da Ordem da Águia (Grande Loja Maçônica de Minas Gerais); Diploma de Honra ao Mérito (Loja Maçônica Charitas II); Certificado de Reconhecimento (Jornal Tribuna Sanjoanense), Comenda da Liberdade e Cidadania (S. João del-Rei, Ritápolis e Tiradentes/2011); entre outras.  

É casado com Dinéia Maria Ladeira da Silva, tendo dois filhos: Júlio César da Silva, professor e pequeno empresário, e Otávio Augusto da Silva, bacharel em Sistemas de Informação.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

JÚLIO TEIXEIRA, notável da histórica cidade de São João del-Rei e baluarte da Fundação Municipal dessa cidade (atual UFSJ) - 1ª Parte

Por Francisco José dos Santos Braga *



I. INTRODUÇÃO

Quem se aventurar a ilustrar a galeria de notáveis da cidade de São João del-Rei, por certo, não poderá desconsiderar a figura ímpar na expansão do ensino superior dessa cidade, representada por Júlio Teixeira, o "Julinho", Diretor Executivo da Fundação Municipal de São João del-Rei durante nove anos.

A ocasião de fazer esse exercício de memória me parece extremamente propícia, já que, neste ano de 2012, a UFSJ comemora oficialmente o seu 25º aniversário, considerado a partir da instalação da FUNREI-Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei em 21 de abril de 1987. Mas de 1970 a 1987 o que aconteceu? Ou como o saudoso Dr. Milton Resende Viegas perguntaria, se cá entre nós ainda estivesse: Mas, afinal, quais foram as “Raízes da FUNREI”? Que ilustres são-joanenses deram seu sangue, suor e lágrimas, para que surgisse essa instituição superior de ensino, pesquisa e extensão que tanto orgulho traz aos atuais são-joanenses, por seu magnífico corpo docente, na sua maioria pesquisadores, mestres e doutores, e por seu volumoso corpo discente, composto de estudantes de vários Municípios, Estados brasileiros e até de outros países?

Atrevo-me, portanto, a dizer que a UFSJ não comemora o seu 25º ano de existência: esse é o tempo da sua federalização. 42 anos separam o início dos trabalhos, dos dias atuais. Houve desde 1970 uma equipe que sonhava com uma Universidade Federal em São João del-Rei, lançando corajosamente os seus fundamentos. Os primeiros 17 anos não podem nem devem ser relegados para o segundo plano ou para uma era jurássica. Cabe-nos a responsabilidade de reintegrar esses 17 anos à história da UFSJ e nada melhor que, nesta comemoração atual dos inegáveis benefícios que a UFSJ trouxe a São João del-Rei e cidades vizinhas, reconhecer e inserir esse período de lutas árduas, busca insana por recursos financeiros, procura incessante de professores capacitados e conquistas diárias comemoradas individualmente, para que em 1987 se pudesse enfim colher os frutos da tranquilidade de viver sob a égide do Governo Federal. 

Não devo nem posso silenciar-me sobre essas inquietações que não são só minhas, mas de todas as famílias dos benfeitores da antiga Fundação Municipal, com que tive a oportunidade de avistar-me durante a realização desta pesquisa, sob pena de, com a minha omissão, estar contribuindo para uma política tão desastrada em moda em nosso País, que se propõe a apagar e detratar nossos heróis (que já são tão poucos!), a deletar os grandes feitos que herdamos do passado (que não é tão longínquo assim) e a erigir uma verdade (que está longe de ser “a” verdade real dos fatos objetivos, incidindo na prática de algo que, em Direito, os causídicos chamam “litigância de má-fé”, prevista no art. 17 do Código de Processo Civil). 

Ao relembrar nesta página a figura ímpar e admirável de Júlio Teixeira, não me proponho a destacá-lo dos demais benfeitores seus contemporâneos que sonharam com uma Universidade em São João del-Rei, mas sim lançar alguma luz sobre os seus feitos, colaborando para que, “amanhã, quem sabe, nos dias de outras vivências, os futuros universitários e os novos cidadãos de São João del-Rei voltarão suas atenções para as origens dos feitos aqui descritos, e de muitos outros, arquivados no passado, recente ou distante”, conforme nos alertava o acadêmico e historiador José Augusto Moreira, autor do prefácio lapidar do livro “Raízes da FUNREI”, da autoria de Milton Resende Viegas. Então, na pessoa de Júlio Teixeira, pretendo homenagear essa plêiade de vultos ilustres, são-joanenses de berço ou por adoção, que se distinguiram na instalação, construção e desenvolvimento da Fundação Municipal de São João del-Rei. A todos eles, a minha homenagem e a eterna gratidão e reconhecimento de todos os são-joanenses.

Em prefácio ao livro intitulado "Galeria das Personalidades Notáveis de São João del-Rei" do historiador são-joanense Sebastião de Oliveira Cintra, Dom Lucas Moreira Neves indaga: “Será lícito comparar uma cidade a um ser vivo – a uma pessoa humana? Pessoalmente respondo sim e penso que as cidades, como as pessoas, são um composto de corpo e alma. O corpo é a estrutura externa, visível e palpável da cidade. A alma é a história, a tradição, a vida da cidade e, — por que não? — a vida e a atitude das pessoas que, num determinado período, representam o seu espírito.” É desta alma são-joanense no período de 1970 a 1987 que pretendo tratar neste trabalho, quando me reporto a fatos relevantes que destacaram essa personalidade notável de São João del-Rei, chamada Júlio Teixeira.

VIEGAS (1996, 44) deixou registrado o seguinte depoimento acerca do empenho e desdobramento com que  se houve Júlio Teixeira no cargo de Diretor Executivo da Fundação Municipal de São João del-Rei: "(Em 1979) o Sr. Júlio Teixeira solicitou o seu afastamento como Diretor Executivo, cargo que exerceu durante nove anos, sem aceitar nenhuma remuneração; sempre solícito, atencioso e responsável." O que não foi mencionado é que Júlio Teixeira despendeu muito do seu próprio bolso para localizar e trazer a nossa cidade os melhores professores, não poupando esforços e recursos pessoais nesse seu intento, mobilizando diversos colaboradores e simpatizantes da causa, como, por exemplo, Roque da Fonseca Braga, Edson de Assis Coelho, Sílvio Teixeira, José Alvim Resende, dentre muitos outros.


II. DADOS BIOGRÁFICOS DE JÚLIO TEIXEIRA


Neto paterno de Vicente de Paula Teixeira e Maria Joana de Passos Teixeira e neto materno de Ana Luíza Gonzaga e certo cidadão português. Seu pai José Izidro Teixeira ("Juca Teixeira") era ferroviário em 1ªs núpcias c.c. Maria José Barreto, fal. 02/06/1908, filha do Prof. Guilherme de Oliva Barreto e Cristina Maria da Conceição; em 2ªs núpcias c.c. Emília Germana Teixeira, fal. 27/4/1969: filhos Vicente; Adalgisa; Júlio, nasc. 30/07/1918; Renato; Julieta; Luíza; Geraldo e Sílvio. Júlio formou-se em 1935 no Ginásio Santo Antônio, na mesma turma de Roque da Fonseca Braga, Dr. Milton de Resende Viegas, Dr. Antônio Pimenta e Pedro Farnese. Campeão de sinuca, enquanto solteiro; quando casado, abandonou esse esporte.

Em 1937 serviu o Exército, alistando-se no Tiro de Guerra do 11º R.I.-Regimento Tiradentes, sediado em São João del-Rei, com a duração de 26/04/1937 a 23/12 do mesmo ano.

Ao manifestar desejo de prestar concurso para ingresso no Banco Crédito Real de Minas Gerais S.A., seu pai José Izidro, ferroviário aposentado e já adoentado, pediu-lhe que o substituísse na condução do lar e criação dos irmãos menores. Quando prestava o referido concurso, faltando apenas a prova de Datilografia, seu pai morreu. Assumiu o cargo de bancário em Lavras, tendo ficado lá durante um ano. Conseguiu sua transferência para São João del-Rei quando tinha 20 anos, por ser arrimo de família, estando seu irmão Vicente já falecido. Depois que ingressou no Banco de Crédito Real, incentivou um grupo de conhecidos (formado por meu pai Roque da Fonseca Braga, Waldemiro de Castro Torga ["Vavá"] e Luís Lobato) a fazer o mesmo.

Sua viúva, Olga Braga Teixeira, relembra que se casaram no dia 12 de abril de 1950. Desse enlace matrimonial nasceram-lhes as seguintes filhas: Magda Suzana Teixeira de Assis Coelho c.c. Edson de Assis Coelho; Juliana Braga Teixeira; Marta Maria Teixeira Vale c.c. Paulo de Carvalho Vale, fal. 28/05/2007; Maria de Fátima Braga Teixeira (divorciada); Mônica Braga Teixeira c.c. Caio Pandia de Oliveira Bastone. 


III. O CIDADÃO JÚLIO TEIXEIRA
 
Júlio Teixeira sempre exerceu a cidadania e, procurando servir a comunidade, emprestou seu serviço à fundação, construção, desenvolvimento e aperfeiçoamento de muitas instituições são-joanenses, às vezes simultaneamente, entre as quais cabe destacar as seguintes: dedicou cerca de 20 anos de sua existência profícua e caridosa à Santa Casa de Misericórdia (consta que, na mesma ocasião, Dr. Tancredo Neves condicionou a sua aceitação de ser Provedor à concordância de Júlio Teixeira em ser o tesoureiro da mesma instituição e, graças a essa saudável parceria desses dois amigos, durante aquela gestão a Santa Casa foi ampliada com uma série de novos apartamentos, por exemplo), 9 anos à Fundação Universitária Municipal e à Fundação Municipal de São João del-Rei (como Diretor Executivo), 19 anos ao Albergue Santo Antônio, 40 anos às Obras Sociais da Paróquia Nossa Senhora do Pilar e 30 anos ao Banco de Crédito Real de Minas Gerais S.A., tendo se aposentado em 1º/09/1969 como gerente da sua agência local. Especial destaque merece a contribuição de toda a sua vida a seu clube amado, o Athletic Club, onde exerceu o cargo de tesoureiro e conselheiro.

Membros do Conselho Curador em frente ao busto do Marechal Cyro do Espírito Santo CardosoUma característica da personalidade de Júlio Teixeira é que ele não gostava de se deixar fotografar nem de falar em público por causa de sua enorme timidez, deixando para que outros ocupassem o lugar de destaque que ele merecia. Pessoa afável na intimidade do lar, na vida pública se destacava por ser administrador eficiente comprometido com as grandes causas sociais e que atuava com desenvoltura e competência nos bastidores. Os verdadeiros políticos e os empreeendedores de visão recomendavam e exigiam o seu concurso para tocar os seus projetos, pois confiavam no seu tirocínio e na sua capacidade reconhecida de articular pessoas e de mobilizar recursos financeiros dos círculos empresariais e comerciais para as grandes causas de São João del-Rei, evitando, contudo, os holofotes em todas essas ações, trabalhando ferrenhamente nos bastidores, vencendo sereno e com humildade as situações críticas e difíceis nos ambientes em que circulou e labutou. Detalhe importante: nunca deixou sua terra natal, com exceção do primeiro ano a serviço e por exigência do seu primeiro empregador. Tal era o tipo inesquecível de Júlio Teixeira, um gigante das grandes causas cidadãs. Nunca se candidatou a nenhum cargo político nem administrativo; pelo contrário, era sempre indicado e aclamado para ocupar os importantes cargos nas organizações por suas qualidades gerenciais. Pessoa amável, dotada de uma personalidade contagiante, otimista convicto, colaborativo e cordial, não admitia contudo ser usado para interesses menores e sabia dizer "não" para quaisquer propostas indecorosas de “aproveitadores de plantão” dos frutos de seu trabalho desinteressado e pleno de generosidade. Como Júlio Teixeira era um mobilizador de todas as pessoas esforçadas e úteis à sua volta, buscou minha colaboração, envolvendo-me nos seus projetos sociais de 1988 até meados da década de 90, nomeando-me "embaixador em Brasília" do Albergue Santo Antônio e das Obras Sociais da Paróquia do Pilar. Por tudo isso, Júlio Teixeira era amado pelas pessoas íntegras de todas as classes sociais e odiado pelos parasitas da política e dos negócios.

“O sol nasceu para todos”, costumava dizer quando encontrava oposição à sua atividade, que, por suas características, acabava ameaçando a hegemonia de algum poderoso da cidade. “Vou mandar um de nossos velhinhos para a sua casa” ameaçava sempre alguém que se recusava a contribuir com um donativo para o Albergue, muitas vezes conseguindo atingir seu objetivo: que o outro abrisse seu coração e sua bolsa.

São inesquecíveis para todos os são-joanenses as campanhas que Júlio Teixeira promoveu em 1959 e início da década de 60, em prol da construção da nova sede social para o Athletic Club, em companhia de seu presidente Dr. Francisco Diomedes Garcia de Lima, carregando embaixo do braço o Livro de Ouro e buscando a colaboração dos clientes do Banco de Crédito Real e dos comerciantes locais, em primeiro lugar, para a aquisição dos terrenos de propriedade de José Carlos das Neves, localizado na Av. Tiradentes esquina com a Rua Luiz Ratton, mediante a subscrição de quotas de sócio-proprietário do clube; mais tarde, para a efetiva construção do novo prédio. Igualmente ninguém jamais se esquecerá das campanhas do agasalho, do Natal, de compra de alimentos e de construção de novos prédios para o Albergue Santo Antônio, que Júlio promoveu ao longo de 19 anos.

Conforme o pedido do seu pai enfermo, Júlio amparou a mãe e seus irmãos até a sua morte em 17/02/1994. Seu corpo foi velado no Velório da Igreja de São Francisco, tendo sido levado, a pedido da diretoria do Athletic Club, para continuar a ser velado por algumas horas na sede social do referido clube, agremiação a que dedicou grande parte do seu tempo como tesoureiro, durante muitos anos, e conselheiro. Concelebraram a missa de corpo presente na Igreja de Nossa Senhora das Mercês o Monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva e o Pe. João Batista do Nascimento ("Pe. Dotivo"), de Madre de Deus de Minas.

O Athletic Club ainda lhe prestou derradeira homenagem, nomeando o seu Salão Nobre “Júlio Teixeira”. Na p. 4 do Informativo Athletic nº 25, de junho/1994, foi estampado o seguinte informe: “No dia 29 de junho homenagearemos dois grandes baluartes do clube. Com isso nossa Sede Social receberá o nome ‘Dr. Francisco Diomedes Garcia de Lima’ e o nosso Salão Nobre o do ‘Sr. Júlio Teixeira’.”

Também o Albergue Santo Antônio lhe prestou homenagem, inaugurando o novo prédio como “Pavilhão Júlio Teixeira”  e ofertando uma placa à sua viúva Olga, em 13 de julho de 1996.

Em 22/07/1996, a Mesa Administrativa da Santa Casa de Misericórdia lembrou e aprovou o nome do nosso biografado como “Benfeitor pelos relevantes serviços prestados a essa Bicentenária Entidade Filantrópica”.

Sua grande alma e carisma pessoal levavam os seus comandados a, mesmo fora das instituições a que pertenceu, expressarem a sua gratidão pelo muito que receberam de suas mãos liberais. Por exemplo, em carta datada de 3 de janeiro de 1986, portanto 17 anos após Júlio ter deixado o Banco de Crédito Real, o diretor regional desse banco, José Joaquim Pinheiro, manifestou-lhe sua imensa gratidão com os termos carinhosos, que se podem comprovar na imagem ao lado.

Na Fundação Municipal se verificou outro exemplo desse sentimento de tristeza e abandono que dominou seus servidores quando Júlio se retirou das funções administrativas e gerenciais em 1979. Deve ter calado fundo no coração de Júlio Teixeira os termos das correspondências abaixo, diante da sua decisão irrevogável de deixar a Diretoria Executiva da Fundação Municipal:

Exmo. Sr.
Júlio Teixeira
DD. Diretor Executivo da Fundação Municipal "São João del-Rei"
Nesta

(Anotado: De pleno acordo. Ass.: Marechal Cyro do Espírito Santo Cardoso)

Os abaixo-assinados funcionários desta Fundação, sentindo a necessidade de sua presença na Direção Executiva, onde se faz (necessário) sentir uma orientação certa e segura, vêm no sentido de apelar para volta de V. Sa. no comando de nossas atividades, acatando prontamente suas decisões.
São João del-Rei, 01 de junho de 1979.

Assinam a referida petição: Gilberto Pereira de Oliveira (prof. e Diretor da FAEIN), José dos Santos Botelho (diretor da FACEAC e prof.), Maria Beatriz Farnese Cantelmo (funcª), Júlio Vieira (func.), José Martins Eiterer (prof.), José Eustáquio dos Santos (func.), Vera Lúcia Pedrosa (profª), Aparecida Regina Amorim da Silva (funcª), Alcilene Zanetti (funcª), Eliane Maria de C. Santos (funcª), Rômulo Mendes Corrêa (func.), Ormeu Gonçalves Fróes (prof.), José Roberto Zin (func.), Reynaldo Fernandino (prof.), Walter Gonzaga da Silva (prof.), Luiz Valdemir Ribeiro (prof.), José Henrique de Carvalho (func.), Dâmaso Altomar (prof.), Miguel Verissimo da Silva (func.), José Carlos Rodrigues (prof.), Joaquim Onofre da Silva (func.), Walter Monachesi (prof.), Augusto Barroso da Silva (func.), Antonio da Silva Rios Neto (func.), ..., Francisco Martins de Sá (func.), José Onofre da Silva (func.), José Estêvão do Carmo (func.), ..., ..., ..., Galdino Soares Carvalho (monitor de laboratórios), ..., ..., Júlio Estáquio Vieira (func.), Newton Damásio de Paula Santos (prof.), ..., Dajas Dudu (func.), Roberval Rymer da Silva Carvalho (prof.), João Carlos Machado (prof.) e Alcimara Zanetti Pugliese (profª).


No dia seguinte, 02/06/1979, é preenchida nova Lista de Apoio a Júlio Teixeira, assinada por 35 professores e funcionários, a saber: Fabio Afonso Neto de Campos (prof.), Luiz Carlos Tonelli (prof.), Marcio Vicente Rizzo (prof.), Paschoal Roberto Tonelli (prof.), Armando Coelho (func.), Carlos Juarez Velasco (prof.), Luiz de Sá Alves Junior (prof.), Dalton Lucas Resende Mallard (prof.), Herculano Coimbra Filho (prof.), Fábio Horácio Pereira (prof.), Marciano Ribeiro de Godoi (prof.), Jomildo Amado da Silva (prof.), Maria Luiza Vieira (profª), Reynaldo Fernandino (prof.), Walter Monachesi (prof.), José Martins Eiterer (prof.), José Affonso de Mendonça (prof.), Dâmaso Altomar (prof.), João Carlos Machado (prof.), José dos Santos Botelho (prof.), Roberval Rymer da Silva Carvalho (prof.), Qazi Abdul Baqee (prof.), Luiz Valdemir Ribeiro (prof.), Newton Damasio de Paula Santos (prof.), Jaime Roberto Teixeira Rios (prof.), José da Rocha Netto (prof.), José Carlos Rodrigues (prof.), Maria do Carmo Narciso Silva Gonçalves (profª), Maurício Francisco Lott Falci (prof.), Nelson Willibaldo Werlang (prof.), Antônio Paulino Bastos (prof.), Gilmar Tavares (prof.), Hilton Melquíades Toledo (prof.), Vanderlei Gomide Cândido, Gilberto Pereira de Oliveira (prof.).


A Diretoria e Professores da Faculdade de Engenharia Industrial também prestaram justa homenagem a Júlio Teixeira, quando este se desligou do cargo de Diretor Executivo da Fundação Municipal de São João del-Rei, ofertando-lhe uma placa de bronze e um livro de ouro com os mesmos dizeres, com a data de 4 de outubro de 1980, que a sua viúva Olga conserva com o maior carinho até hoje. Em ambos há o reconhecimento de que “o ensino superior sanjoanense tem, na pessoa de Júlio Teixeira, o artífice das curvas de nível da estabilidade financeira da Fundação e o estrategista dos recursos econômicos que dinamizam os cursos da FACEAC, da FAENOP e da FAEIN. Sua dedicação, mesmo com sacrifícios pessoais, move as engrenagens do complexo econômico-financeiro que ensina futuros técnicos e engenheiros. Sua personalidade, dinâmica e abnegada, enseja este preito de estima e reconhecimento justo e devido. Diretoria e professores lhe creditam méritos especiais na criação e manutenção desta obra e sabem que a sobrevivência desse empreendimento, de grande vulto, depende do concurso de homens da envergadura administrativa de um Júlio Teixeira.
Diretoria e Professores da FAEIN-Faculdade de Engenharia Industrial
São João del-Rei, 4 de outubro de 1980.” 
                                                                                                                                                       Assinam o Livro de Ouro os seguintes professores: Gilberto Pereira de Oliveira (Diretor da FAEIN), Fábio Horácio Pereira, Elizabeth Marques Duarte, Oyama de Alencar Ramalho, Cesário José de Castro, Jorge José Taier, Herculano Coimbra Filho, Carlos Juarez Velasco, Nelson Ferreira Filho, José Eustáquio dos Santos (func.), José Carlos Rodrigues, Roberval Rymer da Silva Carvalho, João Carlos Machado, Qazi Abdul Baqee, Luiz A. S. Nogueira (func.), Paschoal Roberto Tonelli, Gilmar Tavares, Márcio Vicente Rizzo, Antonio Raimundo Santi, Luiz Carlos Tonelli, Maria do Carmo Narciso Silva Gonçalves, Jorge Hannas Salim, Newton Damásio de Paula Santos, Ormeu Gonçalves Fróes, Fábio Afonso Neto de Campos, Nelson Willibaldo Werlang, Julio Vieira (func.) e Pe. Luiz Zver (Conselheiro suplente).
Acompanha também o Livro de Ouro uma correspondência, em papel timbrado da FAENOP-Faculdade de Engenharia de Operação, dirigida a Júlio Teixeira e conservada também por sua viúva até o presente, na qual 33 servidores lhe pediam para não deixar a Fundação Municipal, vazada nos seguintes termos:

Sr. Júlio Teixeira,                                                                                                                          
V. Exª não pode deixar a Fundação Municipal de S. João del-Rei. A obra que V. Exª criou, junto com o Marechal Cyro Espírito Santo Cardoso, necessita de sua presença. V. Exª é homem cujos predicados não encontram substitutos. Nós, os funcionários e a Fundação Municipal de S. João del-Rei, necessitamos de sua presença insubstituível. (sem data) 
                                               Assinam a referida petição: Gilberto Pereira de Oliveira (Diretor FAEIN), Júlio Vieira (func.), Maria Beatriz Farnese (funcª), Dr. Rômulo de Castro Ferreira Alves (Tesoureiro), Eliane Maria de Carvalho Santos (funcª), Pedro Augusto de Oliveira Silva (func.), Joaquim Onofre da Silva (func.), Antonio Candido Gonçalves (func.), Júlio Eustáquio Vieira (func.), Pedro Rufino da Silva (func.), Maria Carmen do Nascimento Viegas (funcª), Aparecida Regina Amorim (funcª), Rita de Cássia da Silva (funcª), Antônio Francisco de Souza (func.), José Estêvão do Carmo (func.), Miguel Arcanjo de Carvalho (func.), Celson José de Resende (Conselheiro), Maria da Glória Pereira (funcª), Helvécio Luiz Reis (prof.), José de Carvalho Teixeira (prof.), José Caetano de Carvalho (Presidente do Conselho Fiscal), Joaquim Gonçalves (Conselheiro), …, José Sarto de Almeida Silva (func.), Dr. Cid de Souza Rangel (Presidente do Conselho Curador), Alberico Zanetti Neto (func.), Moacir Guimarães (Conselheiro), Edson de Oliveira Benevides (func. da Prefeitura), Dalton Lucas Resende Mallard (prof.), Jomildo Amado da Silva (prof.), …, José dos Santos Botelho (Diretor da FACEAC) e José Martins Eiterer (prof.).


Imagens: 
1. Foto de Júlio Teixeira em 18/11/1967 (reprodução do acervo de Olga Braga Teixeira).

2. Foto de membros do Conselho Curador em frente ao busto de bronze, sobre pedestal de granito, do Excelentíssimo Marechal Cyro do Espírito Santo Cardoso, que em 1980 ficava diante da entrada do prédio do antigo Ginásio Santo Antônio (da esquerda para a direita): José da Rocha Netto, Antônio Maria Claret de Souza, Luiz Dangelo Pugliese, Celson José de Resende, Padre Luiz Zver, Dom Delfim Ribeiro Guedes, Dr. Cid de Souza Rangel, Newton Dâmaso de Paula Santos, General Carlos de Oliveira Ribeiro Campos, Dr. Raymundo Monteiro Araújo, Dr. Antônio Andrade Reis Filho, Dr. Milton de Resende Viegas, Luiz de Melo Alvarenga e Dr. Francisco Diomedes Garcia de Lima (reprodução do acervo do historiador Luiz Antônio Ferreira)
Ainda hoje se pode ler, gravada no busto de bronze, transladado para o saguão da UFSJ sob alegação de que a estátua prejudicava o fluxo de veículos na entrada do edifício, a seguinte mensagem de vida: "O homem é eterno quando seu trabalho permanece. (outubro de 1980)"
                                                             
3. Carta de José Joaquim Pinheiro a Júlio Teixeira, datada de 3 de janeiro de 1986 (reprodução do acervo de Olga Braga Teixeira).


IV. BIBLIOGRAFIA


CINTRA, S. O. : Galeria das Personalidades notáveis de S. João del-Rei, 1994, obra publicada com o apoio da FAPEC-Fundação de Apoio à Pesquisa, Educação e Cultura, sem ficha catalográfica, 270 p.


VIEGAS, M. R. : Raízes da FUNREI, 1996, obra publicada com o patrocínio do Ministério da Educação e do Desporto, dentro do programa Brasil em Ação, sem ficha catalográfica, 88 p.


V. AGRADECIMENTOS 


Gostaria de deixar aqui consignada minha gratidão a todos os que colaboraram, incentivando-me e fornecendo informações ou material de seu arquivo particular para a realização desta pesquisa, a saber: Olga Braga Teixeira, Juliana Braga Teixeira, Luiz Antônio Ferreira, Alberico Zanetti Neto, Rute Pardini e Celina Maria Braga Campos.





* Francisco José dos Santos Braga, cidadão são-joanense, tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Além de escrever artigos para revistas e jornais, é autor de dois livros e traduziu vários livros na área de Administração Financeira. Participa ativamente de instituições no País e no exterior, como Membro, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ e Fundação Oscar Araripe em Tiradentes-MG. Possui o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com), um locus de abordagem de temas musicais, literários, literomusicais, históricos e genealógicos, dedicado, entre outras coisas, ao resgate da memória e à defesa do nosso patrimônio histórico.Mais...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Discurso proferido em 05/05/2012, durante a Solenidade Comemorativa da Conclusão da 1ª etapa das obras da Sede da Academia Valenciana de Letras, à Rua Ernesto Cunha, 5 - Centro - Valença RJ


Oradora: Acadêmica Elizabeth Santos Cupello
Presidente da AVL
Valença RJ, 05 de maio de 2012


Ilmo. Sr. Rubens Mancebo, Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Valença, neste ato representando o Exmo. Sr. Vicente de Paula de Souza Guedes, DD Prefeito Municipal
Exmo. Sr. Vereador Salvador de Souza, representante da Câmara Municipal de Valença.
Ilmo. Major Sandro Silva Ruiz, DD Cmte. do 1º Esquadrão de Cavalaria Leve - Esquadrão Ten Amaro
Demais autoridades presentes, Senhoras e Senhores.



Este é um momento muito especial, não só para a nossa Academia, mas para a cidade de Valença, quando comemoramos o término da 1ª fase das obras de recuperação deste prédio, sede da Academia Valenciana de Letras, concretizando um antigo sonho pelo qual, pessoalmente, venho perseguindo há mais de 20 anos.
  
Fez-se necessário, no passado, a recuperação física do prédio da antiga Caixa D’Água para a restituição da memória histórica nele encerrada. Nós cidadãos contemporâneos desta cidade de Valença somos responsáveis pelo resgate e guarda de nosso patrimônio municipal.  Se cada Município cuidar de sua história, reabilitaremos a história de nosso País. Aí está a importância fundamental dos Municípios em sua função socioeconômica e cultural. Eles são a engrenagem-base que faz funcionar o motor principal que é a Nação.

Quando da inauguração deste prédio, em 02 de julho de 1999, ao término de sua reconstrução, tive oportunidade de dizer algumas palavras sobre a importância deste espaço, então acrescido de um anexo.

Nesse sentido foi com espírito voltado para o cuidado com o Patrimônio que, à época, o Instituto Cultural Visconde do Rio Preto já havia proporcionado à cidade de Valença, anos antes, a implantação de um Museu de Arte Sacra e Popular, o Museu da Catedral de Nossa Senhora da Glória.  Naquela ocasião nosso Instituto ofereceu ao Poder Executivo mais uma contribuição cultural, através de uma Exposição de Motivos de minha autoria, visando a recuperação e acréscimo deste imóvel e da Cessão do Projeto Arquitetônico de autoria do Arquiteto Mario Pellegrini Cupello – Presidente daquele Instituto Cultural – para a restauração e adaptação do prédio da antiga Caixa D’Água de Valença, e seu acréscimo hoje existente, dotando o imóvel original de um salão e suas dependências.

Quanto à importância histórica deste prédio, que serviu no início do século passado como caixa d’água, podemos dizer, resumidamente, que o primitivo abastecimento de água para Valença, começou com uma pequena rede de distribuição urbana, que servia a um reduzido número de residências e às torneiras públicas, através dos frades de pedra, semelhante àquele exemplar de corpo metálico existente na fachada deste prédio

Segundo o escritor José Leoni Iório, “o benemérito Visconde do Rio Preto, às suas próprias custas, conseguiu captar o manancial das Laranjeiras, e como a cidade não possuísse, à época, uma rede de encanamentos, doou à municipalidade em 1863, canos e torneiras, ficando apenas com direito a uma pena d’água gratuita para o seu palacete, na praça que hoje lhe tem o nome.”

Tem-se notícia, que alguns poucos reservatórios, como caixas d’água, foram providenciados na cidade, e que o primeiro reservatório foi construído em 1864.  Um outro situava-se atrás do prédio da Câmara Municipal em 1879.

Quanto a este reservatório, neste prédio em que estamos na esquina das Ruas Domingos Mariano com Ernesto Cunha, construído ao final do século retrasado e início do século passado, possuía uma capacidade inicial de 77.481 litros de água, a uma altitude de 560 m.

Com o aumento da população – em torno de 5.000 pessoas – e de novas construções que surgiram à época, outras medidas foram tomadas para o abastecimento de água para a cidade, através de novas linhas adutoras.  O abastecimento feito por esta caixa d’água, com o auxílio do manancial das Laranjeiras, ficou, mais tarde, para uso exclusivo das oficinas da Estrada de Ferro Central do Brasil, como reforço, já que consumiam por volta de 200.000 litros de água.  Para tanto, a Central do Brasil cedeu à Câmara Municipal, por volta de 1914, três mil e quinhentos metros de canos de ferro, sob a condição de um primeiro fornecimento gratuito de 60.000 litros e que mais tarde passaram a 100.000 litros diários.

Não iremos discorrer aqui sobre o abastecimento de água da cidade, mas gostaríamos de lembrar que a primeira Comissão de Saneamento de Valença foi constituída, entre outras personalidades, pelo Dr. Ernesto Frederico da Cunha, à época Presidente da Câmara Municipal de Valença.

Segundo o saudoso historiador mineiro Sebastião de Oliveira Cintra, o Dr. Ernesto Cunha, que dá nome à Rua onde se encontra o acesso à Academia Valenciana de Letras, “(...) nasceu em São João del-Rei em 1843.  Formou-se em medicina no Rio de Janeiro e trabalhou como cirurgião na Guerra do Paraguai.  Foi Diretor do Serviço Médico e Cirurgião da Santa Casa da Misericórdia de Valença, exercendo a Vereança e a Presidência da Câmara Municipal.  Dirigiu por quatro anos a Cia. Estrada de Ferro União Valenciana.  O irmão do Dr. Ernesto Cunha, o Advogado Francisco Augusto da Cunha, exerceu a Advocacia em Valença e uma de suas filhas casou-se com o viúvo, Alferes Pedro Custódio Guimarães, pai do Visconde do Rio Preto”.

Outro fato relevante para a história da cidade, é que outra sobrinha do Dr. Ernesto Cunha, de nome D. Balbina da Cunha Mourão, de São João del-Rei casou-se em 1901 com o industrial, Comendador José de Siqueira Silva da Fonseca, um dos impulsionadores da era industrial valenciana e Patrono da AVL.

Prezados Senhores, através desta ligeira volta ao passado, quisemos dizer da importância de cada fato ou acontecimento, das próprias construções históricas e, da lembrança das pessoas que passaram ou viveram na cidade e que, antes de nós, com dificuldades de toda ordem, conseguiram oferecer-nos um lugar melhor para viver e, por isso mesmo, não podem ser esquecidas, restando-lhes apenas um nome em placa de rua. A elas sempre seremos gratos, como foi o caso do Dr. Ernesto Cunha, que além de sua profissão de médico da Santa Casa, atuou na política de Valença, e fez parte de um grupo responsável pelo saneamento da cidade, assegurando, naquela época, uma melhor qualidade de vida para a população do nosso Município.

A preservação da rica memória histórica de nossa cidade, sempre esteve presente em minhas preocupações.  Tanto assim que em relação a este prédio, a partir da década de 1980, protocolei na Prefeitura Municipal inúmeras Exposições de Motivos para a sua recuperação, apelando, para tanto, aos Chefes do Executivo valenciano, em várias gestões que se sucederam.  Somente mais tarde, quando este antigo prédio já se encontrava em total estado de ruína, com o telhado desmoronado e as paredes desalinhadas, finalmente foi recuperado.

Por essa razão, da mesma forma como somos gratos àqueles que no passado contribuíram para o progresso de Valença, também agora, nos tempos atuais, outras personalidades merecem os nossos agradecimentos.

Refiro-me, inicialmente, a três Chefes do Executivo valenciano, começando pelo saudoso Prefeito Sr. Fernando Pereira Graça que, através da sensibilidade que o caracterizava, especialmente para os aspectos sócioculturais, reconstruiu este prédio, utilizando-se da planta de arquitetura já mencionada, inaugurando-o no ano de 1999, o que proporcionou ao povo valenciano a satisfação de ver recuperado este imóvel que faz parte da história de Valença.

Cabe também, por dever de justiça, um agradecimento ao Exmo. Sr. Vereador, Luiz Fernando Furtado da Graça que, à época Prefeito Interino de Valença, sancionou em 23 de dezembro de 2010, o Ato Legislativo que concedeu à nossa Academia, uma “Cessão de Direito Real de Uso“, através da Lei 2556 de 20/12/2010 originária da Egrégia Câmara Municipal de Valença.  Ao atual Vereador, Exmo. Sr. Luiz Fernando Furtado da Graça e à Colenda Câmara Municipal de Valença, todos nós, Membros da Academia Valenciana de Letras, sempre seremos gratos.

Destaque-se, ainda, um agradecimento especial ao Exmo. Sr. Vicente de Paula de Souza Guedes, nosso atual Prefeito Municipal.  O Sr. Vicente, que desde à época de sua campanha eleitoral, quando com ele estivemos na Rádio Alternativa Sul, acenou-nos com a possibilidade, caso fosse eleito, de que a Academia Valenciana de Letras poderia se instalar neste prédio, dependendo apenas de procedimentos legais.

Uma vez eleito, e mais tarde interrompido na fluência de sua gestão, e após algum tempo, retornando às suas atividades frente ao executivo valenciano, quando a Academia já possuía uma “Cessão de Direito Real de Uso” deste imóvel, o Sr. Vicente Guedes encaminhou à Câmara Municipal um Projeto de Lei para a Doação deste imóvel à Academia Valenciana de Letras, sob a forma de uma Doação Condicionada.  Graças à sensibilidade dos Exmos. Srs. Vereadores, a Egrégia Câmara acolheu o pedido e aprovou a Lei nº 2654 em 07 de dezembro de 2011 que, homologada pelo Exmo. Prefeito Sr. Vicente Guedes foi publicada no Boletim Oficial da Prefeitura em 22 de dezembro de 2011.

Por essa Lei, para felicidade de todos os Acadêmicos, enquanto existir a Academia Valenciana de Letras, este imóvel a ela pertence oficialmente, para que os projetos culturais de nossa instituição sejam aqui desenvolvidos.
 
Independente de política partidária, nos anais de nossa Academia estes três nomes se imortalizam em nossos agradecimentos e em nossos registros históricos, pela ordem de ação: Sr. Fernando Pereira Graça; Sr. Luiz Fernando Furtado da Graça e o Sr. Vicente de Paula de Souza Guedes.

Estão também em nossos registros históricos e em nossos agradecimentos, pela constante atenção para com a nossa Academia, o atual Presidente da Câmara, Exmo. Sr. Paulo Jorge Cesar e os Exmos. Srs. Vereadores que a compõem.

Cabe ainda dizer que nestes últimos procedimentos administrativos junto à Prefeitura e à Câmara Municipal, merece também os nossos agradecimentos o Sr. Rubens Mancebo, até então Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal, que autorizado pelo Senhor Prefeito deu um importante apoio à Academia, acompanhando de perto as tramitações legais que permitiram que hoje estivéssemos neste prédio definitivamente.

Senhoras e Senhores, não pretendo alongar-me neste pronunciamento. Achei necessário fazê-lo como um registro histórico em exaltação ao mérito das personalidades que contribuíram para que este prédio hoje tivesse a nobre destinação de ser ocupado por uma Academia de Letras como a nossa, uma instituição com 63 anos de existência com relevantes serviços prestados à cidade de Valença.

Ao encerrar, há um simbolismo ao qual desejo me referir.  Como sabem, à frente deste prédio há uma antiga torneira em uma peça metálica, que por muitos anos saciou a sede da população.  Decorrido um século de sua existência, quando dela não jorra mais água, simbolicamente podemos dizer que este reservatório que no passado saciou a sede da população, poderá agora, com a participação dos intelectuais valencianos e o apoio dos poderes públicos, ser um manancial de cultura para o orgulho e a simpatia de nossa gente, através da Academia Valenciana de Letras.


* Elizabeth Santos Cupello, natural de Juiz de Fora MG e residente em Valença RJ, é Advogada (Faculdade de Direito de Valença – FAA), inscrita na OAB RJ, Graduada em Letras (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença). Possui Pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior (UFRRJ). Ex-Professora das seguintes instituições de Ensino Superior: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença (hoje ISE); Faculdade de Filosofia da Fundação Rosemar Pimentel (hoje UGB). Presidente da Academia Valenciana de Letras por quatro gestões consecutivas, onde ocupa a Cadeira nº 03, patronímica de Alberto de Oliveira, desde 1987. É Corredatora do “Informativo AVL”, que circula mensalmente desde o ano de 2003. É Vice-Presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto (instituição que criou em Valença juntamente com seu esposo Mario Pellegrini Cupello, em 1990), onde também é Diretora do Centro de Preservação da Memória, criado antes deste mesmo Instituto e a ele incorporado em 1990. Membro do Conselho Editorial da UNIPAC, em Juiz de Fora. Escreve artigos para livros, revistas e jornais. Mais...

Colaboradora: Elizabeth Cupello

Elizabeth Santos Cupello, natural de Juiz de Fora MG e residente em Valença RJ, é Advogada (Faculdade de Direito de Valença – FAA), inscrita na OAB RJ,  Graduada em Letras (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença).  Possui Pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior (UFRRJ). Ex-Professora das seguintes instituições de Ensino Superior: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Valença (hoje ISE); Faculdade de Filosofia da Fundação Rosemar Pimentel (hoje UGB).  Presidente da Academia Valenciana de Letras por quatro gestões consecutivas, onde ocupa a Cadeira nº 03, patronímica de Alberto de Oliveira, desde 1987.  É Corredatora do “Informativo AVL”, que circula mensalmente desde o ano de 2003. É Vice-Presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto (instituição que criou em Valença juntamente com seu esposo Mario Pellegrini Cupello, em 1990), onde também é Diretora do Centro de Preservação da Memória, criado antes deste mesmo Instituto e a ele incorporado em 1990. Membro do Conselho Editorial da UNIPAC, em Juiz de Fora. Escreve artigos para livros, revistas e jornais.  Participa de instituições culturais no País como Membro Correspondente, cabendo destacar as seguintes: Membro Fundador (com Título Perpétuo de Grande Benemérita) da Academia de Ciências Jurídicas de Valença; Título de “Ilustre Benemérita”, por Estatuto da Academia Valenciana de Letras; Membro Correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei, MG; Membro Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, MG; Membro Correspondente da Fundação Oscar Araripe, de Tiradentes MG; Membro Correspondente (e Fundadora) da Academia de Letras Jurídicas de São João del-Rei e Tiradentes.  Possui Cidadania Italiana pelo Consolato Generale d’Italia, no Rio de Janeiro – 1997.  Cidadania Honorária de Valença, ano 2001 e Cidadania Honorária das cidades mineiras de Santos Dumont (2003) e Ouro Preto (2006). Principais honrarias recebidas: Comenda e Medalha da Inconfidência – no Grau “Medalha de Honra” – 2010; Medalha Mérito Santos Dumont – outorgada pela Aeronáutica – 2006; Comenda da Liberdade e Cidadania, outorgada pelos Municípios de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes, 2011; Comenda e Medalha Visconde do Rio Preto – outorgada pela Egrégia Câmara Municipal de Valença RJ, em 2006; Medalha Anésia Pinheiro Machado (decana da Aviação Brasileira), outorgada em Santos Dumont MG, em 2004; Medalha Plínio Pitaluga - outorgada pelo 1º Esq de Cav Leve - Esq Ten Amaro - Valença RJ em 2005; Medalha de Membro Efetivo da Academia Valenciana de Letras – 1987; Medalha Tancredo Neves, outorgada em SJDRei, em 2011; Diploma de Benemérita do Município de Valença, Câmara de Vereadores - 2002. Diploma de “Membro Benemérito” da Academia Valenciana de Letras; Moção outorgada pela Assembleia Legislativa RJ - ALERJ, no Dia Internacional da Mulher, em 2010; Diploma “Gente de Expressão” - Jornal do Povo, em Santos Dumont – 2003; Certificado de Honra ao Mérito, pela Venerável Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Valença, em 2007;  Certificado de Honra ao Mérito outorgado pela Câmara Municipal de SJDRei, em 2010; Diploma de Mérito, através do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto, outorgado pela “Augusta Respeitável e Benemérita Loja Simbólica Perfeita União Nº 13”, Valença RJ, em 2001; Diploma de “Grande Colaborador”, pela Prefeitura Municipal de Valença, 2002; Diploma “Mulheres de Expressão”, Juiz de Fora, 2012; Placas de Prata recebidas em diversas ocasiões; Placa e retrato na Sede da Academia Valenciana de Letras com os dizeres: “Salão Nobre – Presidente Elizabeth Santos Cupello”.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Comemoração do 202º Aniversário do Nascimento e Batizado da "Santa" Nhá Chica no Distrito do Rio das Mortes Pequeno


Por Wainer Ávila *



O Instituto Nhá Chica, a Diocese de SJDR e a Secretaria de Cultura e Turismo dessa mesma cidade promovem as comemorações do Nascimento e Batizado da “Santa” Nhá Chica – Francisca de Paula – no Distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes em São João del-Rei.
Essas comemorações mesclam uma programação religiosa e cultural, ambas com a finalidade de comemorar a data de Nascimento de Nhá Chica – Francisca de Paula - dia 26 de abril no Distrito já citado.
Como Presidente do Instituto de Estudos e Associação Nhá Chica, considero que é muito importante comemorar essa data, visto ter sido comprovado judicialmente o Registro Civil Tardio de Francisca de Paula de Jesus no Distrito do Rio das Mortes em SJDR. Todos estão convidados a irem ao Distrito, conhecer e ajudar a divulgar a história de vida digna e o sacro valor espiritual da Venerável FRANCISCA (NHÁ CHICA). 
As comemorações começam dia 22 de abril e terminam dia 29 de abril, o dia maior que terá intensa programação. Nesse período, de grande importância para o Distrito de Santo Antônio do Rio das Mortes em SJDR, berço de Nhá Chica, ocorrerão celebrações solenes, visitação ao memorial de Nascimento da Venerável Nhá Chica, reza do Terço Luminoso e recitação do Terço Mariano.
As comemorações constam também de uma programação cultural. A Semana Cultural terá mostra de documentários acerca da religiosa e palestras sobre temas como: “As Virtudes de Nhá Chica” e “A importância do Registro Civil Tardio de Nhá Chica”. Haverá ainda a exposição de trabalhos artísticos desenvolvidos por alunos da Escola Estadual Evandro Ávila e também por moradores da comunidade. E também haverá apresentações do grupo de Congado Nossa Senhora do Rosário e da Banda de Música Lira do Oriente Santa Cecília.
Sobre o Distrito do Rio das Mortes é importante destacar que diversos pesquisadores sobre Patrimônio Cultural já observaram e constataram a presença de vários tipos de Patrimônio no local, tais como: Natural, Urbanístico, Arquitetônico, Bens Integrados, Bens Móveis, Documental e Imaterial. Segundo o historiador Lúcio de Oliveira: “há pesquisas que apontam a existência no Distrito, por exemplo, de grupo de Congado que data de 1695, sendo um dos mais antigos de Minas Gerais. Além dessa manifestação afro-brasileira típica do Estado, há também a existência de Bandas Bicentenárias como: a Banda Lira do Oriente Santa Cecília, com data provável de 1895.”
Dessa maneira a festa em Comemoração ao Nascimento e Batizado de Francisca de Paula, a Nhá Chica, a primeira Santa genuína brasileira, permite também comemorar e celebrar a rica diversidade cultural do Distrito, que dista aproximadamente 10 km de São João del - Rei.
Todas as informações acerca da programação das comemorações do Aniversário de Nascimento de Nhá Chica no Distrito do Rio das Mortes estão no site da prefeitura de SJDR: http://www.saojoaodelrei.mg.gov.br ou conforme abaixo:

PROGRAMAÇÃO DAS COMEMORAÇÕES DO 202º ANIVERSÁRIO
DO NASCIMENTO DE NHÁ CHICA - DISTRITO DO RIO DAS MORTES


22 de abril:
10:30h- Exibição do Documentário “A Origem de Nhá Chica” (Studio JPV).
Local: Cine Glória (Av. Tiradentes).
23 de abril:
19:00h- Abertura da Semana Cultural Nhá Chica.
Logo após exibição do filme: Nhá Chica- A flor de Baependi.
Local: Escola Estadual Evandro Ávila.
(Aberto a toda a comunidade e visitantes.)
24 de abril:
14:00h- Exibição do Filme: Nhá Chica- A flor de Baependi.
19:00h-Palestra:  As Virtudes de Nhá Chica no seu dia a dia.
(Aberto a toda a comunidade e visitantes.)
25 de abril:
09:00h- Exibição do Filme: Nhá Chica- A Flor de Baependi.
19:00h- Palestra: A importância de Registro Civil Tardio de Nhá Chica.
(Aberto a toda a comunidade e visitantes.)
26 de abril:
19:30h- Celebração Solene da Eucaristia.
202 anos do nascimento e Batismo de Nhá Chica.
27 de abril:
19:00h- Terço Luminoso.
Local: Praça da Matriz Santo Antônio.
28 de abril:
08:00h- Visitação das Réplicas da Cruz e Ícone de Nossa Senhora.
Local: Comunidade do Canela.
11:00h-Visitação das Réplicas da Cruz e Ícone de Nossa Senhora.
Local: Comunidade das Goiabeiras.
14:30h- Visitação das Réplicas da Cruz e Ícone de Nossa Senhora.
Local: Comunidade de Rio das Mortes.
15:00h- Via Sacra Pública.
19:30h- Solene Celebração da Eucaristia.
20:30h- Momento de Louvor e Cristoteca.
29 de abril:
06:00h- Ângelus.
09:00h- Acolhida dos Romeiros.
10:00h- Solene Celebração da Eucaristia.
12:00h- Repique de Sinos Festivos.
14:00h- Exibição do Documentário: A Origem de Nhá Chica (Studio JPV).
15:00h- Recitação do Terço Mariano nas Ruínas da Antiga Igreja.
(Local onde Nhá Chica foi batizada.)
- Durante a programação do dia 29 de Abril haverá exibição da Banda de Música Lira do Oriente Santa Cecília e Grupo de Congada Nossa Senhora do Rosário.
- O memorial do local do nascimento da Venerável Nhá Chica estará aberto para visitação. 
- Haverá uma exposição de trabalhos e textos sobre Nhá Chica no Salão Paroquial.


* Wainer Ávila, graduado em direito pela Universidade Católica de Minas Gerais, é o atual Presidente da Academia de Letras de São João del-Rei, ocupante da cadeira Embaixador Gastão da Cunha. É Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, ocupante da cadeira Alferes Tiradentes. Membro Definidor da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis da Diocese de São João del-Rei. Sócio Benemérito e Conselheiro do Athetic Clube de São João del-Rei. Sócio Honorário do Rotary Club. Sócio Correspondente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto. Sócio Correspondente da Academia Valenciana de Letras. Conselheiro do Centro Cultural Feminino de São João del-Rei. Membro do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico de São João del-Rei. Mais...