domingo, 13 de agosto de 2017

FESTA DA BOA MORTE EM SÃO JOÃO DEL-REI


Por Francisco José dos Santos Braga


Imagem de Nossa Senhora representada no estado de "dormição"




I. Conteúdo do PROGRAMA E OPÚSCULO SOBRE A NOVENA produzidos pela Venerável Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte


O programa da SOLENIDADE DO TRÂNSITO E ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA para 2017 – ANO NACIONAL MARIANO faz a seguinte introdução aqui reproduzida:
Nos dias 14  e 15 de agosto, “a Venerável Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, da Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, desde a sua fundação em 1735, comemora com solenidade e pompa o piedoso Trânsito (transitus Mariæ, isto é, a passagem da Virgem Santíssima da vida terrestre para a glória) e a gloriosa Assunção da Beatíssima Virgem Maria aos céus.

Nossa Senhora da Glória, assunta aos céus ao final de sua vida terrestre
«Portanto, quando este ser corruptível for revestido da incorruptibilidade e este ser mortal for revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: “A morte foi tragada pela vitória”. Morte, onde está a tua vitória?» (1Cor 15, 54-55).


As celebrações deste ano se revestem de um caráter todo especial, pois estamos vivenciando o Ano Nacional Mariano, quando comemoramos o Jubileu dos 300 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição, aclamada pelo povo como “Aparecida”, nas águas do Rio Paraíba do Sul, por três pescadores. Também comemoramos os 100 anos das Aparições de Nossa Senhora aos três pastorinhos em Fátima-Portugal e os 250 anos de Peregrinação ao Santuário da Padroeira do Estado de Minas Gerais, Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, na cidade de Caeté.

Antecede a festa propriamente dita a novena,  para a qual grandes e notáveis pregadores eram e são convidados a ocupar a tribuna sacra e pregar todos os nove dias sobre a Santíssima Virgem Maria. O acompanhamento da novena e das festividades do Trânsito e da Assunção de Nossa Senhora estão a cargo da Orquestra Lira Sanjoanense. Como muitos compositores são-joanenses se sentiram inspirados pela Boa Morte, Assunção e Glória de Nossa Senhora, é natural que o acervo para a novena seja muito grande, possibilitando que a Lira Sanjoanense possa apresentar um repertório muito variado, alternando as diversas partituras à sua disposição.

No opúsculo referente à novena lê-se:
"Desde sua fundação, em 1776, a Orquestra Lira Sanjoanense abrilhanta todas as solenidades da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e a tal importância chegaram essas solenidades em São João del-Rei que foram apelidadas pelo povo de SEMANA SANTA DOS MULATOS

É a solenidade que mais motivou e tem motivado os compositores são-joanenses à composição musical. 

No século XVIII, os compositores Antônio dos Santos Cunha ¹ e Manoel Dias de Oliveira escreveram novenas, sendo a de Manoel Dias a dois coros, incluindo também ladainha própria e os dois coros processionais ².

No século XIX, o Pe. José Maria Xavier compôs, a partir de 1849, várias obras e ingressando em 1851 como irmão da Confraria, compôs em 1851 a célebre Missa para o dia 15 de agosto de 1851. Compôs ainda: as Matinas da Assunção; Abertura para o dia 14 de agosto; Novena em 1855; o solo ao pregador "Assumpta est Maria in cælum"; marcha processional para o dia 14 de agosto (para banda de música) e várias outras dedicadas à Santíssima Trindade.

Outros compositores compuseram: Marcos dos Passos Pereira, Novena completa; João Feliciano de Souza, Novena completa em 1888 e Credo da Glória; José Victor d'Aparição, Novena (Domine, Veni e Hino) em 1893; Luiz Baptista Lopes, Ladainha da Boa Morte e Abertura para o dia 14 de agosto (1888); Martiniano Ribeiro Bastos, 2 Novenas completas; Carlos dos Passos Andrade, Veni e Domine; Lindolfo Gomes/Euclides Brito, Hino a Nossa Senhora da Glória; João Américo da Costa, Hino 'Applaudatur', em 1963; Adhemar Campos Filho, Partes próprias da Missa da Assunção (Intróito, Gradual, Ofertório e Comúnio), em 1963; Geraldo Barbosa de Souza, Psalmus Responsorius "Astitit Regina" e Versus ante Evangelium "Alleluia, Assumpta est Maria in cælum", em 1994. ³

Esses mesmos autores e vários outros compuseram: Missas, Credos, Te Deum laudamus, Tantum Ergo, aberturas orquestrais, coros processionais, marchas para banda de música, etc. e dedicaram à Nossa Senhora sob as invocações de Boa Morte, Assunção e Glória, para serem executadas em suas solenidades."




II.  UM FAMOSO REPIQUE DE SINOS: "SENHORA É MORTA"



Dá-se o nome de repique "quando o movimento é feito somente pelo bater dos badalos, com o sino parado.
No final da última novena (13 de agosto) , toque de matinas do Trânsito de Nossa Senhora (repique: Senhora é morta). Esse repique é usado até no Glória de 15 de agosto (data da ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA) com repiques festivos em todos os sinos da Catedral."

"De todos os repiques criados pelos sineiros de São João del-Rei, o mais belo e de difícil execução é o denominado “Senhora é morta”, que é privativo para a festa de Nossa Senhora da Boa Morte. Diz a tradição que ele foi criado por um escravo chamado Francisco, de D. Ana Romeira do Sacramento, que “alugava” os seus serviços de sineiro para a Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Esse repique é tão musical e seu ritmo tão plangente que vários compositores empregaram tanto a melodia como o ritmo em algumas obras: Luiz Baptista Lopes (1854-1907) usou-o na Ladainha da Boa Morte, na abertura para o dia 14 de agosto e na marcha processional do Trânsito de Nossa Senhora; o notável Padre José Maria Xavier (1819-1887) também compôs uma abertura para orquestra valendo-se do mesmo motivo. O pradense Professor João Américo da Costa, excelente compositor e instrumentista, também se deixou contagiar pelo repique “Senhora é morta”, empregando-o na sua obra Suíte das Idades, no 3º movimento, intitulado “Velhice”."

Vejamos agora certos trechos importantes do que foi incluído no processo de instrução do registro dos toques dos sinos nas cidades históricas como bem cultural, aberto pelo IPHAN. Inicialmente, transcrevo aqui uma entrevista  concedida por Aluízio José Viegas a Cristina Leme, Juliana Araújo e Pablo Lobato, em 07/09/2007: “(...) Aluízio afirma que o repique Senhora é Morta – usado com exclusividade em uma das festas mais importantes da cidade, a de Nossa Senhora da Boa Morte, e apreciadíssimo pelos sineiros e pela comunidade –, teria sido criado por um escravo, cedido às torres da Catedral do Pilar por seus senhores. Tal afirmação se baseia em documentos da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, bem como em depoimentos de um antigo sineiro, já falecido, descendente do criador do ilustríssimo toque. O maestro (Aluízio) explica as relações entre os vários toques, mostrando as variações nos modos de articular elementos semelhantes, chamando atenção para o fato de que, na criação de toques novos, os sineiros levaram em conta os toques já existentes. Ele diz que a cidade não aceita qualquer novidade nos sinos – “tem que fazer sentido para nós”. E só mesmo um sineiro experiente, respeitado, pode sair com um toque novo. (...)” (p. 97-8)

Em outra entrevista com Aluízio José Viegas, transcrita sob o título “Questionário sobre linguagem dos sinos em São João del-Rei”, incluída no processo de instrução do registro dos toques dos sinos nas cidades históricas mineiras como bem cultural, aberto pelo IPHAN, Aluízio tece o seguinte comentário acerca da fruição estética, referindo-se à paisagem sonora sineira na cidade de São João del-Rei: “(...) Algumas pessoas, ainda vivas, que ouviram o sineiro João Resinga são acordes em dizer que os atuais sineiros não conseguem o que ele conseguia fazer nos toques diários na torre da Matriz do Pilar. O toque do Angelus das 18 horas no mês de maio era algo que não se consegue descrever com palavras. Ele conseguia fazer uns repiques calmos, dolentes, de baixa intensidade de som e que ele não ensinou a outros como fazer. (...)”  

E o processo do IPHAN conclui: "Assim, em São João del-Rei, o sineiro se apresenta como um verdadeiro instrumentista: alguns intérpretes memoráveis dos toques de sinos, que, por vezes, com experiência e maestria na matéria, chegam à criação de novos repiques." (p. 98)

Finalmente, resta esclarecer que "as igrejas do centro histórico de São João del-Rei são mantidas por sodalícios religiosos, todos muito bem organizados: Irmandade do Santíssimo Sacramento, Irmandade de São Miguel e Almas, Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, na Catedral Basílica do Pilar; Confraria de Nossa Senhora do Rosário, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário; Arquiconfraria de Nossa Senhora das Mercês, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês; Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo; Ordem Terceira de São Francisco de Assis, na Igreja de São Francisco de Assis; Confraria de São Gonçalo Garcia, na Igreja de São Gonçalo Garcia. São eles que coordenam as atividades religiosas, cuidam da limpeza, dos reparos e todas as tarefas administrativas. E são eles a instância responsável pela contratação dos sineiros.
Mas os sineiros desempenham sua função de acordo com os conhecimentos adquiridos com os sineiros antigos, geralmente sem interferências ou correções de terceiros, sejam os membros da direção dos sodalícios, sejam os clérigos. (...)"  (p. 95)

 
(COELHO, 2011, 54-57) pesquisou os arquivos da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte dos Homens Pardos , que serviram de base para a identificação e afirmação dos grupos de músicos vinculados à Orquestra Lira Sanjoanense e Orquestra Ribeiro Bastos. Também verificou os contratos da irmandade com as orquestras, chegando à seguinte conclusão:

De início, pode-se verificar que a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte tinha uma relação duradoura e estável com a Lira Sanjoanense, pois essa corporação executou todos os serviços de música durante a segunda metade do século XIX (de 1849 a 1899). (...)

Em São João del-Rei, a maioria dos músicos se filiou, como já foi dito, à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte dos Homens Pardos. Mas, em 23 de dezembro de 1829, ocorreu o registro do compromisso da corporação de Santa Cecília. Esse registro, equivalente à criação do estatuto de uma irmandade, foi requerido para confirmação ao imperador e ao bispo de Mariana por ‘professores de música da Vila de São João del-Rei’ e tinha como função prestar auxílio aos irmãos doentes e inválidos. (...)

É interessante ver como as duas irmandades de músicos coexistiram durante boa parte do século XIX apesar de haver uma preferência pela da Boa Morte, irmandade na qual o pertencimento estava mais ligado à condição racial, enquanto na de Santa Cecília a condição para se associar se prendia ao exercício do ofício musical.” 

Recomendo a audição do repique "Senhora é Morta", clicando no link abaixo:  https://www.youtube.com/watch?v=AQikpK0Ctio
 



NOTAS  EXPLICATIVAS



¹  Antônio dos Santos Cunha nasceu provavelmente em Portugal, não sendo ainda conhecidos local e data de nascimento e de falecimento. Atuou na produção de música sacra em São João del-Rei entre cerca de 1800 a 1822, última data conhecida de sua atividade musical. Em São João del-Rei, filiou-se à Ordem Terceira do Carmo em 1800 e à Irmandade dos Passos em 1801. A proximidade de seus solos vocais com a ópera italiana é tão intensa que esse argumento tem sido usado para fortalecer a hipótese da origem portuguesa do compositor. Até o presente foram impressos o hino Assumptionem Virginis Mariæ e antífona Maria Mater gratiæ, ambas da Novena de Nossa Senhora da Boa Morte.


²  Manoel Dias de Oliveira era natural da freguesia de Santo Antônio da Vila de São José del-Rei. (LIBBY, no prelo, 4) cita alguns exemplos de pardos forros que tiveram, ao final do século XVIII e início do XIX, na referida localidade, sua condição de libertos desaparecida dos registros oficiais. É igualmente significativo constatar que muitos desses mesmos indivíduos passariam, em algum momento do final dos Setecentos, a ostentar paatentes militares, quase certamente de companhias de ordenança de homens pardos ou pretos. É o caso do compositor Manoel Dias de Oliveira. Além de compositor, foi alferes na Vila de São José, desde 1766, e depois capitão da Ordenança de Pé dos Homens Pardos Libertos no Arraial da Lage (atual Rezende Costa), desde 1771. Atuou como músico também em São João del-Rei e Congonhas do Campo.

Fonte: LIBBY, Douglas Cole: A empiria e as cores: representações identitárias nas Minas Gerais dos séculos XVIII e XIX, apud COELHO, Eduardo Lara: Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX, Belo Horizonte: UFMG, p. 41-2

³   Embora o opúsculo sobre a Novena cite apenas exemplificativamente os compositores e suas obras referentes à Festa da Boa Morte, eu gostaria que tivesse figurado na lista o compositor são-joanense João Francisco da Matta com sua Missa Assunção de Maria.

⁴  Neste último dia da Novena, após a solenidade, a Orquestra Lira Sanjoanense geralmente executa a "Abertura" de Luiz Baptista Lopes, durante a qual se inicia o dolente repique de sinos "Senhora é Morta".

  VIEGAS, Aluízio José: Sinos que falam, in  http://www.guiadelrei.com.br/curiosidades/sinos-que-falam/

   Fonte: GAZETA DE SÃO JOÃO DEL-REI, edição de 7/12/2013, Especial 300 Anos: São João del-Rei, cidade onde os sinos falam!, por Aluízio José Viegas, in http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/site/2013/12/sao-joao-del-rei-cidade-onde-os-sinos-falam/ 


    IPHAN: Dossiê DescritivoO Toque dos Sinos em Minas Gerais, Brasília, 2009, in http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Dossie%20toque%20dos%20sinos(1).pdf

  COELHO, Eduardo Lara: "Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX", dissertação entregue para obtenção do grau de Mestre em História na UFSJ, 2011, 179 p.

  Antiga denominação da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte, da Paróquia da Catedral Basília de Nossa Senhora do Pilar.

13 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Muito tem sido escrito sobre a Festa da Boa Morte em São João del-Rei. Neste trabalho apresento os principais assuntos de interesse referentes a essa importante festa são-joanense, enfatizando que grande parte do trabalho baseou-se em trabalhos e entrevistas do saudoso Aluízio José Viegas (1941-2015), historiador e pesquisador sacro são-joanense.
Segundo a crença da Igreja Católica e Ortodoxa, a Virgem Maria, ao final de seus dias nesta terra, teve seu corpo e alma assuntos à glória celeste, sem ter passado pela morte. Nessa festividade é destacada a vitória de Maria sobre o pecado e a morte.

Prof. Cupertino Santos (professor de história aposentado de uma escola municipal em Campinas) disse...

Olá, professor.
Linda demais essa tradição, seu fortíssimo e misterioso simbolismo, que inspirou e inspira a idéia curiosa do repique especial para os sinos são-joanenses, coisa de grande sensibilidade artística.
Não conhecia isso e cheguei a assistir alguns vídeos para ter uma noção.
Muito grato por me fazer conhecê-la através de seu trabalho e pela sua atenção.
Abraços

Eudóxia de Barros (insigne pianista e membro da Academia Brasileira de Música) disse...

Sempre grata,
Eudóxia.

João Carlos Ramos (poeta, escritor, ex-presidente da Academia Divinopolitana de Letras e sócio correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei e da Academia Lavrense de Letras) disse...

Recebido.
Obrigado!

Prof. Fernando de Oliveira Teixeira (advogado, professor universitário, escritor, poeta e presidente da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Muito agradecido pelo envio. Abraço para o confrade e esposa.

Ex-Alunos de Dom Bosco - FEDERAÇÃO INSPETORIAL-ISJB disse...

Há que de voltar a São João só para escutar novamente o badalar dos sinos, principalmente os comemorativos da festa do dia 15. Parabéns pelo texto.

Dr. Mário Pellegrini Cupello (escritor, pesquisador, presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, e sócio correspondente do IHG e Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro amigo Braga

Que bela narrativa sobre a Festa da Boa Morte em São João del-Rei!

Ficamos curiosos em conhecer o toque denominado: “Senhora Morta” que ainda não havíamos ouvido. Para tanto abrimos o Google e encontramos esse toque no site abaixo: https://www.youtube.com/watch?v=AQikpK0Ctio

Muito bonito, melodioso e plangente! Bom seria se os jovens aprendessem esse toque – difícil de execução! – para que essa tradição não se perca.

Agradecemos pela gentileza do envio.

Embora distantes, receba aqui o abraço virtual,

Do amigo Mario.

Augusto Ambrósio Fidelis (escritor, cronista, chefe da Gerência do Cerimonial da Prefeitura Municipal de Divinópolis e Assessor Especial do Troféu Orfeu e Eventos da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Caríssimo Francisco Braga.

Gostei muito do artigo "Festa da Boa Morte em São João Del-Rei. Tudo que você tiver de novidade pode mandar para mim. Se não houver livros disponíveis no mercado, você tendo o original, pode tirar cópias, pois terei prazer em repor o valor para você.

Um forte abraço

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Caro José Lourenço Parreira,
Bom dia!
Tive a ventura de, ontem, ouvir as arcadas seguras do difícil solo para violino na Novena do Pe. José Maria Xavier, na sua interpretação.
O silêncio e a atenção solenes que dominaram a assembleia foi a marca característica de que, noutro ambiente, num teatro por exemplo, seriam seguidos de um longo e estrondoso aplauso.
Mas ali era a Casa de Deus, onde convém ouvir atentamente e conter manifestação pública de entusiasmo.
Apesar disso, a vontade que tive foi de aplaudir de pé as notas claras e pujantes do solo executadas no seu violino, seguidas, ao final, por uma sequência de acordes solenes e vigorosos à Tartini.
Meus parabéns, amigo!
Bendita a hora que tive a ideia de não faltar à Missa dos Passos de todas as sextas-feiras, ontem celebrada em honra aos Músicos da Lira Sanjoanense!
Na hora da sua execução, lembrei-me de Jafé Maria da Conceição, João da Matta, Dr. Pedro de Souza, Aluízio José Viegas, Luiz Baptista Lopes, entre outros, que certamente participam da glória de Deus.

Prof. José Lourenço Parreira (capitão do Exército, professor de música, violinista, maestro e escritor) disse...

Caríssimo amigo Braga, paz! Profundamente sensibilizado, li e reli, a exemplo do que faço diante de seus escritos, sua apreciação sobre minha performance no solo de Violino do Applaudatur do ínclito compositor Padre José Maria Xavier que, também, era da LIRA SANJOANENSE. Suas palavras sábias e generosas associadas ao olhar retrospectivo sobre os gigantes de outrora são precioso tesouro a animar-me estar nesta São João del-Rei para louvar a gloriosa Assunção da Virgem Maria. Que a Virgem Santíssima o cubra de bênçãos! Assumpta est Maria! Fraterno abraço.

Vamireh Chacon Albuquerque (professor universitário e autor de Os Partidos Brasileiros no Fim do Século XX) disse...

Parabéns pela sua fidelidade à cultura brasileira mineira.

Flávio Ramos Pereira Assis (escritor, secretário-geral da Câmara Municipal de Divinópolis, secretário-geral da Academia de Letras de Divinópolis e neto do saudoso violinista Carmélio de Assis Pereira) disse...

Francisco, excelente o artigo. Adorei. Aproveito para lhe mostrar uma poesia de minha autoria, inspirada nas procissões de São João del-Rei e, se achar em condições de publicar, seria uma honra ver essa poesia publicada no seu "Blog de São João Del Rei":

Procissão

Flávio Ramos Pereira Assis

Seguem todos em fileira
Passo a passo em procissão
Parece a sina da morte
Seguem todos em comunhão
Toca a catraca
Espanta a alma de fé fraca
Todos num só destino
Seguem paralelos como cordas do violino
Passo a passo em procissão
Descompasso de oração
Passo a passo repetido
No compasso da canção
Ao fundo, o sino em badalação
Cada um com seu próprio pranto
Todos com uma só dor no coração
Passo a passo em desencanto
Seguem todos em procissão
Andam iguais na mesma direção
Com o céu sempre escuro
Passo a passo no piso duro
Até os santos escondem os sorrisos
Na terra que conversam os sinos
Vem chegando a procissão
E o que antes era multidão
Acaba tudo em solidão.

Dr. Ozório Couto (escritor, historiador, membro do IHG-MG e redator de revista) disse...

Muito bacana. Vou guardar. Abçs.