sexta-feira, 13 de abril de 2018

NOSSO TEMPO NO BANCO DE CRÉDITO REAL DE MINAS GERAIS


Por Jair Vicente de Andrade



Era o mês de janeiro do ano de 1950, quando o Banco de Crédito Real, agência de São João del-Rei - MG, promoveu o concurso para funcionários, destinado a outras agências. No final do mês, os classificados receberam um telegrama comunicando a aprovação e a se apresentarem a esta agência.
Antigo prédio da agência do Banco de Crédito Real de São João del-Rei (no térreo funcionava a agência; no piso superior morava o gerente da agência)
            Ao me apresentar fiquei sabendo que o meu destino seria a cidade de Três Rios - RJ. Nesse mesmo mês fui também classificado para o Banco de Minas Gerais, com agência na cidade de Pirapora - MG. Optei pela cidade de Três Rios, no Crédito Real, pois ficava no meu Estado natal.
            Fui informado que seríamos quatro a viajar no mesmo dia e mesmo horário. Saímos de São João del-Rei, após o carnaval numa quarta feira de cinzas. Só conseguimos passagem pela ferrovia até a cidade de Juiz de Fora. De lá para nossos destinos, juntamos nosso dinheiro cedido para viagem e prestação de despesas e alugamos um taxi. Eu, Nelson Diláscio e Antônio Veloso, ficamos em Três Rios; João Resende seguiu para o Rio de Janeiro, agência Visconde de Inhaúma.
            Ao chegarmos em Três Rios, fomos recebidos por um contínuo de nome Salgueiro, que nos levou até a república em que ficaríamos morando. No dia seguinte, cedo, ele veio nos conduzir até a agência do banco, localizada na Av. Condessa do Rio Novo, onde fomos apresentados ao gerente, Sr. Tito Miranda, e ao contador, Antônio Gesteira Brandão.
            Após o primeiro expediente do dia, na parte da tarde, o Sr. Gesteira, assim era chamado, nos convocou para uma reunião. Nos informou que aquela agência era uma base do banco para formação de funcionários e que, logo que estivéssemos aptos, seríamos removidos para outras. Mostrou-nos como eram os serviços que faríamos e, no final da preleção, terminou com uma frase que nunca esqueci: “Mais vale uma mentira minha do que mil verdades de vocês”.
            Após uns seis meses, nosso colega Nelson Diláscio deixou o banco e foi para a Siderúrgica Nacional em Volta Redonda - RJ e o Antônio Veloso transferido para Vitória - ES. Eu permaneci; já conhecia todo o serviço bancário, então me tornei coringa. Era enviado para substituir nas férias ou impedimentos dos funcionários dos escritórios mantidos pelo banco nas cidades ou lugarejos, tais como Miguel Pereira, Paty do Alferes, Cachoeira, Areal, Prados e Serraria, bem como agências de Vassouras e Paraíba do Sul - RJ.
            Nesse período em Três Rios, jogava  no "Entrerriense", time da segunda divisão do Estado do Rio. Certa vez, recebemos a visita do "Canto do Rio", time de futebol de Niterói - RJ, que em sua comitiva se achava o Sr. Jair de São João del-Rei, contador daquela agência, que, no final do jogo, me convidou a pedir transferência para Niterói e integrar o quadro do "Canto do Rio".
            Gostei da proposta, pois já estava cansado de Três Rios, cidade em formação. Com esse entusiasmo fui até ao gabinete do chefe do departamento do pessoal, em Juiz de Fora - MG. Não consegui meu intento, pois naquela época os bancos precisavam de seus funcionários, não como hoje; e, num momento, chateado, respondi que caso não fosse transferido dentro de um mês, eu sairia do banco. Findas duas semanas, fui transferido para a Carteira de Câmbio no Rio de Janeiro, com boas vantagens.
            No ano de 1954 recebi o convite para me transferir para Brasília - DF,  onde estavam montando a Carteira de Câmbio. Brasília estava nascendo, muitas obras em construção, muita poeira, caminhões cruzando para todos os lados, madeireiras em grande quantidade, parecia a torre de Babel. Solicitei a vantagem de duas viagens aéreas anualmente, ida e volta para o Rio de Janeiro. Me foram negadas duas, mas oferecida uma. Não aceitei. Meu colega aceitou. Em pouco tempo fiquei sabendo que ele participava de compra e venda de lotes de terra e os vendia por preço dez vezes maior. Ficou rico.
            Prestes a completar cinco anos no Rio, pedi ao meu chefe que tinha boas relações com a diretoria do banco, que me transferisse para São João del-Rei. Não demorou e lá fui eu para a cidade mineira.
            Vou sair por instantes da minha trajetória no banco  para relatar o episódio de minha saída do Rio para São João. Embarquei no noturno com destino a Barbacena - MG, onde faria baldeação para a nossa ferrovia bitola estreita. Chegando ali, madrugada de muito frio, encontrei o colega Ney Braz Reis, e ainda José Teixeira e Lino. Nos juntamos em um vagão vazio, todos com retorno à nossa cidade. José Teixeira,  “Dr.”, voltou com a intenção de entrar na política. Lino queria abrir um supermercado; obteve sucesso, com o nome de “Lino Panelão”. O Ney voltava para assumir o cartório no lugar de seu pai adoentado. Eu voltava para o banco.
            Ao me apresentar na agência ao senhor  gerente José Alfheu, ainda me lembro de suas palavras: "Nós aqui não temos Carteira de Câmbio, o que você vai fazer?" Respondi que só fui para o Rio como ligação carteira x agência, já que eu conhecia todo o serviço.
            Com o passar do tempo, tive oportunidade de promoção vantajosa no banco, o que não se concretizou. Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, pouco tempo depois recebi convite para representar uma multinacional, onde permaneci por vinte e cinco anos.
            Após dezesseis anos nesta agência são-joanense, pedi demissão.


NOSSO TEMPO NA AGÊNCIA DE SÃO JOÃO DEL REI


            Por meio deste relato, tentaremos reviver uma parte da história do Banco de Crédito Real - Agência de São João del-Rei - MG, sito na rua Hermilo Alves, 258, ainda hoje com o prédio original.
            Essa tentativa de lembranças ocorre durante os anos de 1955 a 1972, período em que ali trabalhei.
            Acredito que não tenha esquecido nenhum colega daquela época nem de algum acontecimento ocorrido no período mencionado, mas já faz 46 anos que deixei o banco e minha memória já vacila um pouco.
            Os funcionários e contínuos eram bastante unidos, colegas e amigos. Pelo menos uma ou duas vezes por ano, fazíamos um jantar ou festa em comemoração a algo ou simplesmente estreitar as amizades.
            No período carnavalesco, era montado no terreno, futura agência na Av. Tancredo Neves, um palanque onde apreciávamos o desfile carnavalesco, com nossas famílias e com muita tranquilidade.
            Era um bom tempo, principalmente porque éramos jovens.
Time de futebol formado por funcionários e contínuos do Banco de Crédito Real, agência de São João del-Rei  -  Da esq. p/ dir.:  EM PÉ: Berine, Chitarra, "Chico Magrelo", Pinheiro, Batista e José Rodrigues; AGACHADOS: Walmir, Diláscio, João Resende, Jair e Barbosa. Foto de 1957. Crédito: Jair Vicente de Andrade.


FUNCIONÁRIOS E CONTÍNUOS

ALCIDES PEREIRA
            Concursado em Juiz de fora. Veio de Conceição do Rio Verde - MG para esta agência de São João del-Rei em 1964. Exerceu durante bom período as funções de caixa e depois tesoureiro. Casado com Virgínia Ramos Pereira, com quatro filhos.
AMARÍLIO MOSQUEIRA
            Gerente. Substituiu o Sr. José Guido. Foi o último gerente neste endereço, Av. Hermilo Alves.
ANTENOR CHITARRA FILHO
            Fez concurso aqui em São João. Funcionário. Casado com Shirlei Nogueira Chitarra, com quatro filhos.
ANTONIO FERREIRA DILÁSCIO
            Casado com Lídia Diláscio. Quatro filhos.
ANTONIO DA SILVA RESENDE  (“Toninho”)
            Funcionário, concursado aqui. E aqui ficou. Solteiro.
ANTONIO DE SANTANA FILHO
            Funcionário aqui concursado. Casado com Luíza Nery Santana. Três filhos.
ANTONIO DOS SANTOS COELHO (“Didi”)
            Contínuo por indicação do Sr. Roque da Fonseca Braga. Era o encarregado de escrever o livro do ponto.
BERINE BELO DO AMARAL
            Funcionário. Exercia as funções de caixa. Casado, tinha dois filhos.
CLEVES DA COSTA BAHIA (“Solito”)
            Funcionário. Solteiro.
DIOMEDES TRINDADE
            Funcionário. Casado. Muito alegre e bastante prosa.
EUCLIDES SEBASTIÃO DA SILVA (“Dinho”)
            Funcionário. Solteiro.
FABIANO DAS CHAGAS VIEGAS
            Funcionário. Casado com Sra. Iolanda. Concursado em São João. Serviu na agência de Visconde de Inhaúma -Rio, e também em Juiz de Fora por cinco anos. Veio para esta agência em troca com seu primo Luiz Viegas. Três filhos homens.
FERNANDO JOSÉ TEIXEIRA
            Contínuo. Solteiro.
FRANCISCO FERNANDES OLIVEIRA (“Chico Magrelo”)
            Contínuo. Solteiro. Era o encarregado da expedição e prensar os documentos, entre eles o do caixa. Conforme a correspondência do gerente ele me mostrava. Certa vez era a respeito de um funcionário colocado à disposição da Matriz. Isso seria sua dispensa, falei com o gerente e ele cancelou. Acredito que esse colega nunca soube disso.

GERALDO DOS SANTOS (“Bode”)
            Funcionário. Solteiro. Veio da agência de Carmo da Mata. Era considerado um bom palpite para o jogo. Certa vez, pediu a José Rodrigues “caixa” que assim que aparecesse o cambista dos bilhetes da loteria, comprasse o de número tal, já que era vendido sempre os mesmos. Era um sábado, muito movimentado. Zé Rodrigues não percebeu a presença do vendedor que deixou uma fração do bilhete. Quando Zé Rodrigues percebeu mostrou ao “Bode”,  que chateado por ter sido só uma fração, pegou uma das bicicletas que eram estacionadas no corredor, saiu em disparada a procura do cambista. Não o encontrou, pois havia entrado na agência do Banco Belo Horizonte. O “Bode” levou um grande tombo, voltou todo esfolado e o bilhete foi premiado.

GERALDO RODRIGUES BRACARENSE
            Funcionário. Solteiro. Ficou aqui pouco tempo. Foi transferido para o Rio de Janeiro, onde morava sua família.

GONÇALO LARA RESENDE
            Funcionário casado com a Sra. Aurélia Lara. Com três filhos.
IVAN DINALI DO NASCIMENTO
            Funcionário. Casado com Sra. Célia Detomi.
ÍVIS BENTO DE LIMA
            Funcionário. Casado com Sra. Ariana Maria. Tinha o filho Rodrigo Oliveira. Concursado no Rio. Trabalhava na agência Visconde de Inhaúma. Sempre me pedia para comprar sua passagem de volta, já que vinha aqui a passeio. Poltrona número 13, a que não estava em cima das rodas do ônibus.
JAIR VICENTE DE ANDRADE
            Vim para esta agência em 1955, permaneci até 1972 quando pedi demissão. Meus relatos estão no princípio deste. Sou casado com Ilda Andrade. Tenho dois filhos.
JULIO TEIXEIRA             
            Gerente em substituição ao Sr. Alfheu “José”. Quando aqui cheguei, ele era contador. Era muito conhecido na cidade. Participava de todos os eventos que aparecessem. Na cidade não se costumava dizer "Vou ao banco", e sim "Vou ao Banco do Julinho". Ele me pedia que assinasse toda a correspondência mais simples.
JOÃO RESENDE
            Funcionário. Fomos concursados aqui em São João. Viajamos juntos para tomar posse no banco, mais os colegas Nelson e Antonio Veloso. Voltou mais tarde para esta agência. Era um bom colega, nos entendíamos bem. Cheguei a dar aulas de matemática para seu filho Joãozinho, com bom aproveitamento. Era casado com Beatriz Felicetti. Tinha três filhos.
JOSÉ ALFHEU DE CASTRO
            Foi meu primeiro gerente quando aqui cheguei. Era tranquilo, somente não gostava do alarido dos funcionários, principalmente dos que falavam muito alto, assim como o Sr. Vavá. Casado, tinha uma filha.
JOSÉ BATISTA ALVES
            Funcionário. Casado. Tinha um filho. Era também jogador de futebol do Atletic. Foi um dos primeiros a pedir demissão.
JOSÉ GUIDO
            Gerente. Substituiu o Sr. Júlio Teixeira. Era jovem. Um pouco ciumento. Não sei de onde veio. Ficou pouco tempo.
JOSÉ  JOAQUIM PINHEIRO
            Iniciou nesta agência como contínuo. Em seguida ao concurso foi funcionário. Trabalhou um bom tempo como caixa e mais tarde em outras funções. Casado com Sra. Maria Lourdes Pinheiro. Tinha três filhos.
JOSÉ ALVES BARBOSA
            Contínuo. Solteiro.
JOSÉ RODRIGUES FILHO
            Casado com Sra. Ângela Paiva Rodrigues, com um filho. Exercia as funções de caixa. Participou do episódio do bilhete premiado, já relatado com Geraldo dos Santos “Bode”.
LEVI MAIA
            Gerente. Substituiu o Sr. Júlio Teixeira. Foi ele quem trocou os móveis antigos da agência por modernos. As tábuas que embalaram os móveis novos ele me deu. Eu tinha uma pequena fábrica de brinquedos de madeira. Foi ele também que me promoveu de sub-chefe a chefe de seção.
LUIZ  VIEGAS
            Casado com Sra. Maria do Carmo, com duas filhas. Funcionário. Saiu desta agência para Juiz de Fora na troca com Fabiano, voltando posteriormente  à sua agência originária. Era muito inteligente, muito arrojado. Nasceu para ser rico, assim ele falava. Suas atividades extra banco eram grandes e arriscadas. Não teve sorte em seus projetos.
MARCELO PARETONI LANA
            Iniciou sua carreira como contínuo. Após concurso interno foi a funcionário. Algum tempo depois foi transferido para agência de Muriaé como titular.
MARCONI BOSCOLO
            Iniciou como contínuo, mais tarde funcionário e também tesoureiro.
MÁRCIO  RANGEL
            Contínuo. Solteiro.
NEWMAN TORGA
            Funcionário. Solteiro. Concursado em São João e nesta agência ficou até servir ao exército. Quando deu baixa foi transferido para Vassouras-RJ, depois para Belo Horizonte. Voltou para esta agência em 1957 saindo em 1959 para o Banco do Brasil.
ROBERTO FERREIRA FELICETTI
            Contínuo. Solteiro.
ROQUE DA FONSECA BRAGA
            Quando vim para São João, o Sr. Roque Braga exercia as funções de caixa. Pouco depois, tesoureiro. Na primeira vacância, foi promovido a contador, onde permaneceu por muitos anos. Muito eficiente, amigo e colaborador de todos os funcionários que o consideravam grande amigo. Eu tinha para com o Sr. Roque uma grande amizade e admiração pelo seu modo de tratar seus colegas e pela ajuda que ele me concedeu nas épocas do nascimento de meus filhos. O dinheiro não durava até o fim do mês, então eu solicitava ao Sr. Roque um empréstimo até chegar o pagamento. Sempre fui atendido; nunca me cobrou juros. Ele me ensinou com isso a não comprar fiado. Eu tenho muito a agradecer ao Sr. Roque. Nos impedimentos do gerente Sr. Júlio Teixeira, o Sr. Roque assumia, mas não gostava de deixar sua função de contador. Então ele me pedia que atendesse a gerência, sem prejuízo do meu serviço. Aprendi muito com o Sr. Roque. Era casado com a Sra. Celina dos Santos Braga, tinha oito filhos.
TADEU DE OLIVEIRA
            Funcionário. Casado.
WALDEMIRO DE CASTRO TORGA (“Vavá”)
            Funcionário. Casado. Duas filhas. O Sr. Vavá era uma figura muito conhecida e amiga de todos. Parecia ligeiramente nervoso, falava bastante alto e pregava passagens da igreja católica, da qual era fervoroso. Se irritava com alguns costumes que se iniciavam naquela época. Certa vez, chegando à agência um pouco mais nervoso do que o costumeiro, ao lhe perguntar porque estava assim, então ele respondeu que o vizinho foi conversar com sua esposa despido da cintura para cima.
WALMIR MARTINS
            Funcionário. Casado, tinha uma filha. Ele era encarregado de datilografar diversos modelos de lançamentos na contabilidade. Eu ficava admirado de ver o vasto volume de cópias de tais lançamentos. Ele não gravava nenhum. Para tudo tinha cópia. Possuía uma bicicleta antiga, mas muito bem cuidada. Quando a vendeu a um dos colegas, ouvi um deles comentar: "Em um mês, ela vai mostrar sua antiguidade." Comprou uma motinha. Levou um tombo, desistiu, ficou a pé.

6 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Em conversa com meu confrade, Acadêmico JAIR VICENTE DE ANDRADE da Academia de Letras de São João del-Rei, percebi neste uma grande capacidade de memorizar e fazer observações curiosas sobre pessoas e fatos. Sabedor de que ele tinha sido colega de meu pai, ROQUE DA FONSECA BRAGA, na agência são-joanense do Banco de Crédito Real S.A., provoquei-o com uma sugestão audaciosa: escrever suas memórias sobre os dezesseis anos que viveu em contato com seus colegas dentro daquela agência bancária.
Prometi-lhe que, se terminasse até a data de 15 de abril, seu trabalho faria parte das comemorações programadas para o Centenário de Nascimento de Roque da Fonseca Braga (15/04/1918-15/04/2018), o que foi realizado com plena folga e perfeição.

Assim sendo, estou cumprindo minha promessa de publicar no Blog de São João del-Rei esse belo trabalho, que exibe enorme poder de memória e de análise sociológica de um grupo específico, com o qual conviveu por 16 anos ininterruptos.

rafael braga disse...

Que memória! Gostei muito!

Prof. Fernando de Oliveira Teixeira (professor universitário, escritor, poeta e membro da Academia Divinopolitana de Letras, onde é Presidente) disse...

É bom guardar memória nos escaninhos do tempo. Cumprimento o autor e o cumprimento pelo trabalho literário e pela divulgação. Abraço para você e Rute. Fernando Teixeira

Carlos Fernando dos Santos Braga (administrador, funcionário da Casa da Moeda no Rio de Janeiro, cedido à UFSJ) disse...

Meu irmão Francisco,

Muito grata a lembrança do Sr. Jair, nos faz voltar ao tempo, de nossa infância à adolescência. Lembrei-me de quase todos, alguns de nome; mas embalei-me nas recordações que creio, também são suas. Como esquecer do Berine, do Pinheiro, do Didi nas nossas pescarias? E quando íamos ao banco? Como esquecer do Sr. Alfheu e Dona Vitória, principalmente de nosso querido Tio Julinho e Tia Olga? E do Papai e Mamãe então? Escreveria aqui uma página inteira com lágrimas de saudade. Muito obrigado ao Sr. Jair e a você.

Prof. Cupertino Santos (professor aposentado da rede paulistana de ensino fundamental) disse...

Olá professor Braga!
Li com muita emoção o relato do Sr. Jair e não poderia deixar de me identificar com ele! Também fui bancário - entre 1970 e 77 - em agências de instituições também hoje inexistentes, como o desconhecido Banco "Novo Mundo" e o "Sul Brasileiro". Depois de uma fase heroica de bancos de pequeno porte, que na minha época estava de há tempos já no seu ocaso, o processo de concentração do capital trouxe os oligopólios que hoje conhecemos no setor.
Curiosamente, além da razoável quantidade de funções e oportunidades profissionais que a área oferecia, havia um certo prestígio social e uma certa segurança para os funcionários, bem como relações empregatícias menos impessoais e verticalizadas. A pulverização de seus postos de trabalho e as inovações tecnológicas acabaram por sua vez com essa condição. Talvez isso explique o clima de certa camaradagem que predominava entre a maior parte do pessoal, em especial nas agências. Da mesma maneira como o seu Jair, lembro com muito carinho e saudade dos nomes de cada colega de trabalho e é sempre grande satisfação poder reencontrar algumas dessas pessoas, oportunidade que vai ficando cada vez mais rara.
Aproveito a oportunidade para parabenizar seu pai pelo centenário de nascimento e toda a sua família pela iniciativa da justa homenagem.
Grato.
Cupertino

Maria Auxiliadora Muffato (poetisa são-joanense) disse...

Parabéns à família Braga pelas homenagens ao centenário de seu nobre patriarca.

Deus os mantenha firmes na tradição, unidos pelo amor e pela fé.

Abraços,

Maria Auxiliadora Muffato