sábado, 14 de maio de 2016

Colaborador: LUÍS DE MELO ALVARENGA


Por André G. D. Dangelo e Aluízio Viegas



LUÍS DE MELO ALVARENGA nasceu em São João del-Rei aos 11 de março de 1902, sendo batizado pelo Padre Audêncio Terra, na Matriz de Nossa Senhora do Pilar aos 11 de abril de 1902. Era filho de Antônio Cândido Martins de Alvarenga e D. Afonsina de Melo Alvarenga. Formado em Farmácia, era seu desejo, incialmente, dar continuidade à Farmácia Alvarenga, situada no tradicional Largo do Rosário, onde por largos anos foi, junto com sua genitora, um grande amparo para as pessoas carentes que para lá se dirigiam à procura de medicamentos ali manipulados. Ingressando no serviço público municipal, logos suas qualidades intelectuais se realçaram, sendo sempre solicitado para ocupar cargos de chefia. Quando se aposentou era Secretário da Fazenda Municipal.

Seu primeiro trabalho na área da historiografia sobre São João del-Rei foi a incumbência recebida do então prefeito municipal, Dr. Antônio das Chagas Viegas, de responder em nome da Prefeitura Municipal, a um grande questionário do IBGE para o Censo que estava sendo promovido pelo governo federal na década de 1940.

Ingressando como irmão na Irmandade da Misericórdia, da Santa Casa, prestou ali os mais significativos e importantes serviços como membro atuante nas mesas administrativas. Quando exerceu o cargo de Provedor por três mandatos consecutivos - 1945/1946; 1946/1948; 1948/1950, promoveu a nova redação do Estatuto da Irmandade, preservando todas as funções religiosas, tradições e reformulando a titulação de cargos para ficar condizente com a atualidade, pois muitos dos cargos já não tinham mais razão de existir. Deste período são os primeiros estudos que culminaram no livro aqui publicado ¹concluído em 1983. Na Santa Casa, continuou a participar das mesas administrativas como membro da Junta de Definidores, sempre atuante e sempre consultado pela sua larga experiência e dedicação à Santa Casa da Misericórdia. Pelos seus relevantes serviços foi considerado Benemérito em 24 de agosto de 1952. Com o falecimento de Irmã Vicência, assumiu o cargo de Farmacêutico da Santa Casa, que exerceu até sua morte.

Levado pelo destino a interessar-se pela história de São João del-Rei, passou a fazer dela uma de suas dedicações prediletas. Pesquisador criterioso, fez constantes incursões em toda a documentação existente na cidade, tanto no campo civil como no religioso, amealhando, a partir desses estudos, um alto grau de conhecimento sobre todos os aspectos da vida da cidade.

Pertenceu também aos quadros da Ordem Terceira do Carmo e da Irmandade do Santíssimo Sacramento, onde prestou grandes serviços como membro das mesas administrativas destes sodalícios. Na Irmandade do Santíssimo foi também um consultor para os assuntos paroquiais históricos. Durante o período da restauração do Arquivo Paroquial do Pilar, na década de 1950, sua partipação foi fundamental, devendo-se a ele a nova numeração das páginas restauradas para se promover a encadernação. Dessa oportunidade de manusear todo o acervo das irmandades da Matriz do Pilar, brotou a semente que germinou na edição do livro comemorativos dos 250 anos da construção da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, que já teve 2 edições.

Luís de Melo Alvarenga ainda foi Membro fundador da Academia de Letras de São João del-Rei e do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, onde publicou, a partir da revista do IHG, uma série de artigos de grande importância sobre aspectos da fundação da cidade e sobre a vida e obra de Francisco de Lima Cerqueira, dentre outros temas ligados à história de São João del-Rei. Luís de Melo Alvarenga faleceu aos 87 anos, em 23 de novembro de 1989, cercado do carinho e amizade de sua família e da admiração de seus concidadãos.


NOTA EXPLICATIVA


¹ Trata-se  do livro "História da Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei (1783-1983)", da autoria do notável historiador são-joanense, livro editado em Belo Horizonte em 2009, com 443 páginas, publicado com   o         


apoio cultural do BDMG, donde extraímos os dados biográficos acima citados .

4 comentários:

Prof. Fernando Teixeira (professor universitário, escritor, poeta e Secretário Geral da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Como sempre, Braga, você exalta sua terra e sua gente. Parabéns. Fernando Teixeira

Francisco José dos Santos Braga (escritor, pianista e compositor, gerente do Blog de São João del-Rei e do Blog do Braga) disse...

O historiador LUÍS DE MELO ALVARENGA, intransigente defensor da cidadania são-joanense do Tiradentes, merece figurar neste Blog como uma das personalidades notáveis da cidade de São João del-Rei, que tem como objetivo principal dar-lhes visibilidade.

No trabalho postado nesta data, intitulado "Tiradentes é Sanjoanense", o historiador dirime todas as dúvidas porventura ainda existentes sobre a naturalidade do Alferes. Seu trabalho é tão conclusivo que não hesitei em utilizá-lo quando, em 1992, produzi o meu artigo, intitulado "São João del-Rei: a Terra Natal de Tiradentes", reproduzido neste Blog em 5 partes e publicado originalmente na Revista de Cultura Vozes, ano LXXXVI, janeiro-fevereiro 1992, p. 80-91, nº 1, por ocasião do Bicentenário da Morte do Tiradentes, o qual deu origem a um discurso do saudoso Senador Alfredo Campos (PMDB-MG) em Plenário (11/03/1992) e a um opúsculo intitulado "Tiradentes, Cidadão Sanjoanense (uma contribuição ao restabelecimento da verdade histórica acerca do local de nascimento do Tiradentes)", editado pela Gráfica do Senado.

Ruth do Nascimento Viegas (presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei) disse...

Prezado,
Como sempre, parabenizo-o pelo belo trabalho.
Cordialmente.
Ruth.

Dr. Aristides Junqueira Alvarenga (advogado, sócio do escritório Aristides Junqueira Advogados Associados, ex-Procurador Geral da República, natural de São João del-Rei e filho do historiador são-joanense Luiz de Melo Alvarenga) disse...

Caríssimo Braga,
muito agradecido por, mais uma vez, me emocionar ao fazer me lembrar de meu saudoso
pai, que me ensinou a amar meu torrão natal, com seus casarios, igrejas, pontes e chão por onde passou
Tiradentes.
Você é um exemplo de sanjoanense a ser sempre imitado.
Abraço do seu admirador.
Aristides