sábado, 2 de março de 2024

Colaborador: ILYÁ EHRENBURG (1891-1967)


Por Francisco José dos Santos Braga
 
Ilyá Ehrenburg
ILYÁ EHRENBURG
nasceu em Kiev (antigo Império Russo) em 1891. Foi um prolífico escritor e jornalista, um dos mais efetivos porta-vozes soviéticos para o Ocidente. Nascido dentro de uma família judia de classe média que mais tarde se mudou para Moscou, Ehrenburg, quando jovem, envolveu-se numa atividade revolucionária e foi preso. Emigrou para Paris, onde começou a publicar poesia em 1910. Durante a I Guerra Mundial era correspondente de guerra no front, retornando à Rússia em 1917.  Vivenciou a guerra civil na Ucrânia e, entre 1917 e 1921, hesitou entre dar apoio e rejeitar os bolcheviques. Retornou à Europa, vivendo na França, Bélgica e Alemanha, e publicou sua primeira novela.
Em 1924, contudo, sua atitude tinha mudado de novo, e foi concedida permissão para seu retorno à União Soviética. Participou de encontros de escritores e de outras atividades literárias em Moscou, e logo depois foi reenviado à Europa, desta vez como editor estrangeiro de vários jornais soviéticos. 
Durante a maioria do período de 1936-40, Ehrenburg atuou na Espanha e França como correspondente de guerra para os jornal Izvestiya (trad. Notícias). 
Em 1941 voltou à União Soviética, onde lançou A Queda de Paris - um amargo ataque ao Ocidente, ganhando em 1942 o Prêmio Stalin. 
Logo após a morte de Stalin (1953), Ehrenburg lançou em 1954 a novela O Degelo (referindo-se ao período entre meado da década de 50 até princípio de 60, um novo tempo de liberalização política e cultural limitada). Essa obra provocou intensa controvérsia na imprensa soviética, e cujo título tornou-se descritivo daquele período na literatura soviética. Ela tratava da vida soviética de uma forma mais realista do que a literatura oficialmente aprovada do período anterior. 
Nos anos seguintes, escreveu sua autobiografia no livro "Pessoas, Anos, Vida", onde discorreu sobre muitos tópicos (por exemplo, arte ocidental) e pessoas (por exemplo, escritores perdidos nos expurgos da década de 1930), material normalmente considerado impróprio para autores soviéticos. (No Brasil, essa obra autobiográfica foi publicada pela Editora Civilização Brasileira S.A. como MEMÓRIAS, em 6 tomos, com os seguintes títulos: I - Infância e Juventude; II - Os Primeiros Anos da Revolução; III - A Paz Armada: Os Primórdios do Nazismo; IV - A Europa Sob o Nazismo; V - A Guerra; VI - No entardecer da Vida.) Essa sua atitude acarretou censura oficial sobre ele em 1963, quando "o degelo" começou a reverter. 
Mas Ehrenburg sobreviveu e continuou proeminente nos círculos literários soviéticos até sua morte em 1967.
 

Um comentário:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Prezad@,
Recentemente, o Blog de São João del-Rei publicou uma crônica de 1941, intitulada "A Guerra e a Literatura", por Temístocles Linhares, em que ele questionava sobre o efeito da guerra sobre a literatura. No presente momento, está publicando um artigo que apareceu na revista russa "Estrela Vermelha" em março de 1942, intitulado O SIGNIFICADO DE UMA TRAIÇÃO, por ILYÁ EHRENBURG (trecho do livro A EPOPEIA RUSSA de 1946), em que este mostra os malefícios de uma "colaboração" com o hitlerismo, tomando como exemplo o do escritor norueguês Knut Hamsun que, na sua velhice, deixou-se seduzir pelos discursos de Goebbels, caindo de joelhos em genuflexão diante da "nova ordem", isto é, a sujeição de todo o mundo à Alemanha.
Como bom propagandista, Ehrenburg lembra ao Ocidente que, quando convocado, o Exército Vermelho estará pronto para fazer oposição atroz ao Nazismo e ao Fascismo, como provou no cerco e rendição de Berlim pelos Aliados.

TEXTO
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BREVE BIOGRAFIA DO AUTOR
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Cordial abraço,
Francisco Braga