terça-feira, 1 de dezembro de 2015

BAPTISTA CAETANO DE ALMEIDA E SEUS PROJETOS CIVILIZATÓRIOS



Por Francisco José dos Santos Braga *

Esta palestra foi proferida no dia 12 de novembro de 2015 no Salão Nobre da Câmara Municipal de São João del-Rei dentro da programação  do Seminário "Meandros da Inconfidência Mineira", patrocinado pelo IHG de São João del-Rei. 


Apenas trinta anos depois da Conjuração Mineira movimento marcado pela relação “subversiva” de letrados com seus livros, já os envolvidos nos projetos civilizacionais ou de "luzes" para a Vila de São João del-Rei explicitavam orgulhosamente sua ligação com os filósofos do Iluminismo ("Lumières" em francês, "Aufklärung" em alemão ¹). Esses projetos civilizatórios locais, que estabeleciam políticas de leitura coletiva e acesso à instrução, se relacionavam com o Estado de maneira tensa, já que este temia que os resultados desses projetos educativos fugissem ao seu controle.

Nesse período, a praça comercial de São João era um dos principais centros de exportação dos produtos mineiros e exercia também “a importante função de redistribuição dos produtos trazidos do Rio de Janeiro”. Possuía uma situação geográfica privilegiada, já que cortada pela Estrada Real e outras estradas importantes ². Além de pujante entreposto comercial, a Vila era a sede administrativa da Comarca do Rio das Mortes. ³

Quanto aos aspectos culturais, São João del Rei possuía uma ativa vida musical  e, a partir da instalação de sua primeira tipografia, em 1827, a Vila de São João del Rei assistiu à explosão da imprensa local. 
"O acesso ao escrito era então compreendido como um dos aspectos centrais para o desenvolvimento de uma população civilizada, capaz de se submeter à ordem pública e ainda levar a nação brasileira a ingressar na corrida constante que culminaria com o “progresso”. Havia em São João um grupo de homens “letrados” em torno de um projeto de “civilização” para a Vila. Tendo em vista a necessidade de se constituírem um povo e uma nação civilizados, as elites brasileiras buscavam inspiração na França, tomando esse país como o modelo de civilização almejado. Daí o interesse pelos espaços de sociabilidade, pelo idioma, livros e autores franceses." (VELOSO E MADEIRA, 1999, apud MORAIS) 
Se o conhecimento da biografia de um autor auxilia o leitor a avaliar melhor a sua obra literária, conhecer a história de vida de Baptista Caetano é indispensável para se formar ideia das grandezas e benemerências do grande benfeitor da Vila de SJDR e da Província de MG.
Assim começam os Apontamentos Biográficos de Baptista Caetano, da autoria de seu irmão Francisco de Assis e Almeida:

A 24 de Junho de 1839 falleceo em S. João d'El-Rey Baptista Caetano de Almeida, nascido a 3 de maio de 1797 em Camandocaia da Provincia de Minas e Bispado de S. Paulo, hoje cidade de Jaguary, e foi sepultado no Cemiterio de N. S. do Carmo daquella Cidade em uma Catacumba, q.' foi comprada por uma sua filha pelo prazo de cem annos que terminarão em 1947. 
Antecipando-se ao vencimento, a Prefeitura Municipal de SJDR, em 1941 mandou fundir uma placa comemorativa do Túmulo da Família de Baptista Caetano de Almeida, com os seguintes dizeres:

"1941 – Homenagem da Prefeitura Municipal: 
A Baptista Caetano de Almeida, Fundador da Biblioteca Municipal de São João del-Rei ( em 3.5.1797 em 24.6.1839) e a sua esposa Mariana A. Teixeira Leite ( em 18.12.1808 em 28.6.1842)". 


Esta, Mariana Alexandrina Teixeira Leite, era filha do Barão de Itambé, e irmã do Barão de Vassouras; ele, filho de Manuel Furquim de Almeida e de Ana Bernardina de Jesus Melo, e sobrinho de Pedro de Alcântara de Almeida, patriarca dos Almeida Magalhães.


Baptista Caetano não teve estudos regulares, porque na Vila de S. João somente havia uma aula de Gramática Latina, nenhuma escola de instrução secundária, nem imprensa. Mesmo assim aprendeu o francês, por apreciar muito a leitura pôde autodidaticamente adquirir conhecimentos práticos das coisas e negócios públicos. 
Quando tinha a idade de treze p.ª quatorze annos foi mandado por seo pae p.ª a companhia de seo thio paterno Cap. Pedro de Alcantara de Almeida, negociante em S. João d'El-Rey, p.ª completar a sua educação primaria, e applicar-se ao commercio. Ahi foi tão bom o seo procedimento e tal a sua aptidão, que adquirio intima amizade, e plena confiança de seos thios e primos e mais tarde formou com um destes (Francisco de Paula de Almeida Magalhães) uma sociedade mercantil (...). Como gerente dessa sociedade, que durou até 1828, elle relacionou-se muito com a Praça desta Cidade do Rio de Janeiro, e com a maior parte da Provincia de Minas, tendo até freguezes de Goyaz, e Matto-grosso, por q.' nesse tempo S. João d'El-Rey era um grande emporio commercial. 
Quando seu pai faleceu em 1818, logo passou a ajudar sua mãe na educação de seus irmãos, chamando para a sua companhia dois deles, deu dote para três irmãs se casarem e, por fim, deu educação superior a seus três últimos irmãos, Francisco de Assis e Almeida (autor dos Apontamentos Biográficos), Caetano Furquim de Almeida e José Caetano de Almeida, os quais conseguiu formar em Direito pela Academia de S. Paulo.

Sentindo a falta de “luzes” e instrução na Vila de S. João, em 30 de julho de 1824, este rico comerciante encaminhou uma petição ao presidente da Província de Minas Gerais, oferecendo-lhe  
não só a minha pequena Livraria, como a Ensiclopedia methodica , Diccionario das Artes e Agricultura, e alguãs outras interessantes obras, que reunidas completaraõ talvez oitocentos volumes, pª principio de huã Livraria Publica desta Villa”. Dizia ser, desde os seus “primeiros anos muito amante da Literatura, e tendo por isso empregado alguns centos de mil réis em algumas obras políticas e históricas; e conhecendo o estado atual deste país, que é falto no todo de ilustração (...)”, oferecia seus livros no intuito de criar “um dos mais úteis Estabelecimentos para o aumento da instrução da mocidade da nossa Pátria”. 
Justifica que tomou essa iniciativa porque, para acabar com a “falta de ilustração” do país, uma alternativa deveria ser a de se abrir uma biblioteca, destacando o fato de até então “não ter havido quem movido de Patriotismo desse o primeiro impulso a hu estabelecimento taõ util, como necessario, qual o de uma Livraria Publica”, o que levaria ao “inteiro proveito do publico”. O seu oferecimento foi aceito, mas nenhum de seus pedidos atendidos. Sem desistir, somente no dia 19 de agosto de 1827, doando 800 volumes de seu acervo, correndo as despesas à sua custa e por donativos de alguns amigos, Baptista Caetano inaugurou, numa das salas da Santa Casa da Misericórdia, a referida Biblioteca Pública, sob a presidência do Juiz de Fora Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, futuro Visconde de Sepetiba. Segundo seu irmão nos Apontamentos Biográficos, Baptista Caetano manteve a biblioteca até 1838, “em q.’ por doente e cançado a entregou ao Governo Provincial”, vindo a falecer em meados do ano seguinte (24 de junho de 1839). 

[WALSH, 1985, 78, v. 2], viajante e reverendo inglês que visitou São João del-Rei em 1828, vindo do Rio de Janeiro, citou as seguintes obras em francês: 
a Encyclopédie, obras de Voltaire, Rousseau e Raynal, juntamente com outras que apareceram na fase inicial da Revolução Francesa. Ficamos surpresos, porém, ao encontrarmos num lugar tão remoto alguns livros ingleses, entre os quais O Revolucionário Plutarco, Riqueza das Nações, de Smith, Geografia, de Pinkerton, O Paraíso Perdido, Viagem Sentimental e Trials for Adultery, ao lado de alguns periódicos, entre eles o Times e o Chronicle.  
[MORAIS, 2002, s/n] informa que  
o documento que traz as informações mais precisas a respeito do acervo inicial da livraria é uma correspondência, elaborada pelo irmão de Baptista Caetano, Francisco de Assis e Almeida, no ano de 1845. Francisco Almeida cita a existência das obras completas dos seguintes autores: Voltaire, Condillac, Mably, Raynal, Helvetius, Diderot, Buffon, Benjamim Constant, Bentham, De Pradt, Say e Bonin. Também as obras de Napoleão, os Ensaios de Montaigne, livros de história francesa, como Fastos da Nação Franceza e Historia da França, sem se referir a seus autores. Um Diccionario historico dos Cultos, as Memórias de Las Casas, Curso de Litteratura de La Harpe, Jury Criminal, Diccionario Francez, Millot, Historia Universal, Spectaculo da Natureza, Fabulas de La Fontaine, Encyclopedia methodica Franceza e um Diccionario Historico. Além desses, os Livros dos trabalhos da Assemblêa nacional Franceza, Diarios da Assembleia Constituinte, Diarios da Camara dos Deputados em 1826 e em 1827, Diarios da Camara dos Senadores e outros livros que não consegui identificar, pois a relação faz uma referência muito vaga a seus títulos. Mesmo não tendo conseguido identificar todos os livros que compunham o acervo original da biblioteca, percebe-se que era visível o interesse do “benemérito” comerciante por livros iluministas e assuntos ligados à França."  
A respeito do acervo original da Biblioteca, constata-se a inexistência de documentos da época que citem, nominalmente, a totalidade dos títulos dos livros que compunham o acervo original da biblioteca. É sabido que, além da doação inicial de Baptista Caetano, outros subscritores contribuíram com alguns volumes, como atestam certos números do Astro de Minas, testemunhando algumas doações e dando-lhes publicidade, para incentivar que outros seguissem o mesmo exemplo. 

Segundo [MOTTA, 2000, 115], as maiores doações feitas à Biblioteca Municipal foram a de Baptista Caetano e a do Conselheiro José de Resende Costa (filho); este último legou em testamento 120 títulos (406 volumes) à Biblioteca Municipal, no ano de 1841. Esse acervo só chegou à então cidade de São João del-Rei em 1842, contendo muitos livros "traçados e estragados", como consta numa correspondência dirigida ao Presidente e Vereadores da Câmara Municipal, de 1842. Essa coleção era composta unicamente por livros profanos, destacando-se os proibidos franceses, dentre os quais Boileau, Fénelon, Molière, Racine, Voltaire e Marmontel. 
A prática da subscrição foi utilizada por Baptista Caetano por pelo menos três vezes: para a manutenção e ampliação da livraria pública, para a construção de um novo prédio para abrigar a cadeia pública e para a construção de um chafariz. As duas primeiras se destinavam a projetos ousados e, por isso mesmo, Baptista Caetano atuou de forma mais incisiva. Por outro lado, a terceira teve um engajamento maior por parte dos habitantes da vila. [CINTRA, 1982, 228, vol. I] diz que a subscrição para o chafariz foi discutida em sessão da Câmara Municipal de São João del-Rei, em 26 de maio de 1827. A obra serviria para aproveitar a “sobra de água do chafariz do Largo de São Francisco" que havia sido destruído por determinação de "vereadores destituídos de patriotismo e de amor às realizações dos nossos antepassados”. Finalmente, note-se que a participação em subscrições representava uma ação filantrópica próxima aos ideais das “luzes” e ainda uma distinção social.

Acerca do Acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal Baptista Caetano de Almeida, tenho a relatar que tive o prazer de rever alguns exemplares de Le Moniteur Universel , em uma visita que fiz a uma dependência da Biblioteca do campus Dom Bosco da UFSJ em companhia de um funcionário da instituição. Naquele dia, relembrei a saudosa época de minha mocidade, quando o bibliotecário fazia descer, de uma estante que atingia o forro, um dos seus exemplares, a nosso pedido, e o exibia com orgulho, dizendo com peito estufado: "Só em São João del-Rei e em Paris há a coleção completa do jornal da Revolução Francesa." 


Tive acesso a um Resumo do Catálogo da Biblioteca Municipal impresso em 1938 pela Gráfica Castelo nº 921 (doado pelo Acadêmico Edmundo Dantés Passos em 11/12/1991), estabelecendo separação entre as Obras Raras e o Arquivo da Câmara Municipal. Em segundo lugar, também tive acesso a um catálogo publicado em 1992 pelas Organizações Globo e inclui 295 títulos, inclusive os cento e poucos volumes da “Encyclopédie Méthodique” (livros do séc. XVI a XIX). Consta que a 2ª parte das obras catalogadas (1431 títulos de livros do séc. XIX) foi digitada em 1995 por pessoal da FUNREI, existindo até mesmo um disquete, conforme parecer de 16/11/1999 discutido em nota nº 8 abaixo.  Em terceiro lugar, também a UFSJ, com o apoio cultural da FAPEMIG e VITAE, editou um CD-ROM intitulado "Acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal Baptista Caetano D' Almeida", datado de 2004, com interessantes reproduções de capas de livros e de documentos (fontes primárias) existentes dentro da Biblioteca. O primeiro e o terceiro materiais estão disponíveis abaixo neste post para acesso aos pesquisadores.

Importante frisar também que o site http://www.dibib.ufsj.edu.br/site/ para acesso ao Acervo em questão, se encontra desativado, não podendo ser utilizado para fins de pesquisa. A referida tentativa de acesso ocorreu em  10/11/2015.

Datam de 30 de novembro de 1827 os “Projectos d’Estatutos para a organização da Sociedade Phylopolytechnica empreendida em a Villa de São João D’El Rei”, apresentados pelo Diretor da Livraria Pública Doutor Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho e encaminhados por ofício a S.M. Dom Pedro I, pretendendo a aprovação e sanção imperial. Os Estatutos afirmavam que os componentes da Sociedade Phylopolytechnica seriam não só os subscritores, mas também quaisquer interessados em ciências, letras e artes que poderiam ser admitidos, desde que indicados pelos sócios efetivos e aceitos em votação secreta. A constituição da Sociedade Phylopolytechnica era tripartite: 1) o primeiro corpo, Gymnasio Literario, onde os sócios se reuniriam para debater todos os assuntos do conhecimento humano; 2) o segundo, o “Gabinete de Estudos”, compost de membros que se dedicariam à leitura dos periódicos e recolhimento de informações para posterior redação de um extrato mensal, após aprovação de uma comissão de censura; e, finalmente, 3) a Diretoria, responsável por sua administração.

São conhecidas as seguintes correspondências do futuro Visconde de Sepetiba às seguintes autoridades:
1) Pedro de Araújo Lima, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império (09/02/1828);
2) S.M. Dom Pedro I (data: 30/04/1828).
Gostaria aqui de destacar o parágrafo inicial dessa última correspondência: 

Senhor  
A convicção de que só por meio da propagação das luzes se consegue o progresso das Artes, e Sciencias, e com estas a grandeza, e florescimento dos Estados, bazes fundamentaes da felicidade dos homens reunidos em Sociedade, fez com que um cidadão desta Villa offerecesse aos seus honrados habitantes uma Bibliotheca Publica, onde seus concidadãos pudessem ir beber os necessarios conhecimentos a sua illustração. (...)” 

Saibam todos que essa "Sociedade Phylopolytechnica" não conseguiu permissão oficial para ser inaugurada.
É também conhecida a resposta emitida pelo Visconde de Cayru (em 08/03/1828) , de quem o Ministro Pedro de Araújo Lima solicitou parecer em 05/03/1828:
ainda que sejam úteis as sociedades puramente Litterarias”, “que se pode esperar de um Estalebecimento excêntrico e sem base?
—  declarando-se livre, com “liberdade de pensamento e expressão, em todos os assumptos de conhecimentos humanos”, essa sociedade pode “implicar com a Religião e Politica
os Estatutos permitiam que “correspondentes de todo o Orbe culto e literário” pudessem ingressar na Sociedade e, segundo Cayru, “esta clausula, ainda que de recta intenção, póde eventualmente ser perigosa, por dar facilidade à correspondencias sinistras com Estrangeiros
essa Sociedade se localizaria  “tão remota da Corte, e sem Inspecção de Authoridade” que não estaria sob "os olhos do Governo".
Finalmente o Visconde de Cayru recomenda ser ouvido preliminarmente o Presidente da Província de Minas Gerais, para, depois, tudo ser remetido à Assembleia Geral Legislativa.
Ainda em 1827 Baptista Caetano comprou e remeteu para S. João uma tipografia que editou por muitos anos o periódico Astro de Minas, que tanto serviu à causa liberal.

No ano de 1829 contratou e trouxe para S. João o português emigrado Francisco Freire de Carvalho, literato e antigo professor de História em Coimbra, não só para dar aulas particulares a seus irmãos, mas também para dar um curso público de belas-letras, o qual durou três anos e meio (1830 a meados de 1833).

A primeira localização da Biblioteca Pública numa das salas da Santa Casa da Misericórdia deve ter sido provisória, porque já em 1828, quando o viajante e reverendo inglês Walsh visitou São João del-Rei, encontrou "a biblioteca da cidade, recentemente instalada" numa sala da Câmara. Supostamente, já em 1828, a Biblioteca de Baptista Caetano já estava funcionando no antigo "Largo da Câmara", atual Praça Francisco Neves, no edifício onde até então funcionavam a Casa de Câmara e Cadeia. Às suas custas, Baptista Caetano sustentou essa Biblioteca com fornecimento de novos livros e com o ordenado de um bibliotecário e de um contínuo até o ano de 1838, "em que por doente e cançado a entregou ao Governo Provincial"

Baptista Caetano comprou e doou à Câmara Municipal o terreno, onde se edificaram, de fevereiro de 1830 a 1849, a nova Casa de Câmara Municipal no andar superior e Cadeia no andar térreo (atual Paço Municipal, sede da Prefeitura). No novo prédio do Paço Municipal, a Biblioteca ocupou "uma das sallas da camara" até 1925, quando a Cadeia foi temporariamente transferida para o Largo do Carmo, possibilitando que a Biblioteca se instalasse confortável e definitivamente no andar térreo até 1970.  Em 20 de setembro de 1970, seu acervo foi transferido para o andar térreo de um prédio construído para abrigar a Biblioteca Municipal, localizado no Largo de São Francisco. Nessa última transferência, a Biblioteca Municipal trouxe consigo também a documentação antiga da Câmara (acórdãos, termos de vereança, atas das sessões da Câmara, contas e recibos públicos, impostos, ordens régias e despachos), a maioria datando do século XIX.  No segundo andar do mesmo prédio, funciona atualmente a Academia de Letras de São João del-Rei.

Em 1828 Baptista Caetano dissolveu a sociedade que mantinha com Francisco de Paula de Almeida Magalhães, que funcionou desde 1819. Em 1829 foi eleito Deputado pela Província de Minas para a legislatura de 1830-33, sendo obrigado a se mudar da Vila de São João del-Rei. Já como deputado, estabeleceu uma casa comissionária de produtos do interior, na rua da Misericórdia, no Rio de Janeiro. A firma se chamou Lisboa & Caetano. Seu sócio era o primeiro tesoureiro da Casa Imperial, Manoel Ignácio Soares Lisboa. A respeito dessa sociedade comenta [MACULAN, 2011, 35 e ss.]:

"Essa sociedade renderia a Baptista Caetano diversas complicações. Em carta aberta ao público publicada n' O Universal de 19 de outubro de 1836, ele justificou sua relação com o então ex-tesoureiro da Casa Imperial. Nesta carta, Baptista Caetano rebateu acusações recebidas pelo seu envolvimento com ele e, ainda, explicou o acordo firmado entre ele e o tutor imperial, que incluía uma hipoteca, para saldar as dívidas adquiridas na condição de fiador de Manoel Ignácio Soares Lisboa. As dívidas da firma Lisboa & Caetano que Baptista Caetano se comprometia a saldar  girava em torno de 'sessenta contos, mais ou menos'. Na impossibilidade de seu sócio e devedor Manoel Ignácio Soares Lisboa pagar sua dívida, Baptista Caetano, como seu fiador, afirmou "que qualquer que (fosse) a restante quantia do alcance do ex-Tesoureiro, (tinha) o fiador bens suficientes para indenizar o prejuízo. (...)  Como garantia de pagamento da dívida contraída, Baptista Caetano firmou uma hipoteca de seus bens em nome de sua esposa Mariana Alexandrina Teixeira. Neste documento encontrava-se discriminado todo o seu patrimônio colocado à disposição para saldar a fiança (...)" ¹


Baptista Caetano foi reeleito para a legislatura reformista de 1834-37, e ainda reeleito para a de 1838-41. Nesta última não mais pôde servir por se achar enfermo, vindo a falecer em meados de 1839. Através dos Apontamentos Biográficos ficamos sabendo que Baptista Caetano “para a sessão de 1838 deu o seu Diploma ao Suplente José Alcibíades Carneiro, para servir em seu lugar; e na de 1839 deu-o ao Suplente José Antônio Marinho, a quem fez várias recomendações e pedidos tendentes a bem da (Santa Casa) da Misericórdia, e daquela cidade, que ele amou, e beneficiou como sua pátria adotiva.


A Academia de Letras de São João del-Rei homenageou Baptista Caetano de Almeida, ao nomeá-lo patrono da cadeira nº 19, atualmente ocupada pelo Acadêmico José Antônio de Ávila Sacramento.

Nos Apontamentos Biográficos do seu irmão, Francisco de Assis e Almeida menciona que “as Mesas Administrativas posteriores o reconheceram nos seus relatórios, mandando colocar o seu retrato entre os dos mais Benfeitores do Estabelecimento”. Consta que foi em 1845 que a Câmara [ALVARENGA, 2009, 81] relacionou os principais beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei e, entre eles, de fato nomeou Batista Caetano de Almeida como "benemérito sem retrato". ¹¹

Lamentavelmente, hoje também a Biblioteca Batista Caetano de Almeida não possui mais o retrato de seu fundador, que se acha perdido. [BURTON, 1976, 114] também se refere ao retrato do seu fundador na Biblioteca pública: "No lado norte, fica a Biblioteca Pública, aberta diariamente, e severamente decorada com o retrato de um benfeitor local, Batista Caetano, o 'sujeito compenetrado' de Mr. Walsh, morreu." Portanto, àquela época da sua viagem a Minas (1868), a Biblioteca ainda era adornada com o retrato de seu fundador. Através dos Apontamentos Biográficos, ficamos sabendo que “no ano de 1845 o Presidente da Província de Minas Gerais, Dr. Quintiliano José da Silva, mandou colocar o retrato de B. Caetano no salão da Biblioteca.

[MOTTA, idem, p. 120-1] conclui interessantemente seu capítulo sobre a Biblioteca Pública, trecho que reproduzo aqui pelas relevantes informações fornecidas para os pesquisadores: 

"Posteriormente, em 1845, em homenagem ao criador da Biblioteca Pública, a Câmara manda colocar ali o retrato de Baptista Caetano de Almeida, que hoje se encontra desaparecido. Entretanto, somente após 89 anos de funcionamento da Biblioteca Pública, em resolução de nº 386 de 21 de junho de 1916, vem o reconhecimento público da iniciativa daquele mecenas, passando aquela instituição, em sua homenagem a chamar-se 'Biblioteca Pública Municipal Baptista Caetano de Almeida'." 

[WALSH, idem, p. 77-78], viajante e reverendo inglês que visitou São João del-Rei em 1828, vindo do Rio de Janeiro, teceu os seguintes comentários a respeito da Biblioteca, acompanhados de detalhada caracterização de seu bibliotecário:  
"Após essa visita (à casa de fundição), fomos até a biblioteca da cidade, recentemente organizada. Ela se acha instalada numa sala da Câmara, ficando aberta das nove da manhã a uma da tarde. O bibliotecário é um padre mulato, de aparência bastante curiosa — baixo, gordo, com um vasto chapéu colocado de banda e o rosto afundado no peito. Além de bibliotecário, ele é editor do 'Astro de Minas', um jornal de São João fundado fazia um ano. Como se trata de um periódico destemeroso e de tendências ferozmente constitucionalistas, ele está sempre em atrito com o 'Analista' e outros jornais do governo.(...)” 
O nome desse bibliotecário e redator do Astro de Minas era Francisco de Assis Braziel.

Outro grande colaborador de B. Caetano foi o Padre José Antônio Marinho, o qual em 8 de dezembro de 1835 estreou, em São João del-Rei, como redator do periódico Astro de Minas, cargo que conservou durante os últimos três anos de duração da folha são-joanense. Destacou-se em S. João del-Rei, no magistério como lente de Filosofia, chegando a diretor de colégio, na vereança e no jornalismo. Foi eleito vereador são-joanense e deputado provincial mineiro. Chegou a pároco e monsenhor. 


I.  NOTAS EXPLICATIVAS




¹    O filósofo Emmanuel Kant, em sua obra "Resposta à pergunta: O que é o Esclarecimento?" (outro termo para Iluminismo, Ilustração e "Luzes"), datada de 1784, foi quem melhor o definiu. Segundo a célebre definição de Kant, o lema das Luzes é "Ouse saber!" (isto é, Tenha a coragem, a audácia de saber!), tomado de empréstimo ao poeta latino Horácio. Assim, o homem das Luzes é homem de coragem, adulto, que soube sair da menoridade para se tornar um "Aufklärer" (esclarecido). Isso corresponde simultaneamente ao progresso da razão, sendo o desenvolvimento da humanidade comparável ao do homem, da infância à idade adulta. O século XVIII, "século das Luzes", não crê mais no maravilhoso e no sobrenatural e busca erradicar as superstições. 

Por outro lado, parece que, devido ao excesso de racionalismo, especialmente a França assiste ao despertar de diversos movimentos místicos e esotéricos, como se as Luzes fossem feitas tanto de elemento irracional quanto de racional.

²  Conforme [RODRIGUES, 1859, 7-8] assim inicia sua descrição da então cidade de S. João d' El-Rei: "A Cidade de S. João d'El-Rei, comarca do rio das Mortes da provincia de Minas Geraes, anteriormente arraial do rio das Mortes, está 24 legoas ao Sudoeste do Ouro-Preto, e 60 ao Noroeste do Rio de Janeiro, pelas estradas actuaes, distancia que pode se reduzir a menos de 50 continuando-se até esta cidade a estrada do Bom Jardim, a mais commoda, e menos dispendiosa das que se hão indicado da Côrte para S. João d'El-Rei. (...)
É a cabeça da comarca, residencia do Juiz de direito, vigario foraneo, e mais autoridades; e cabeça do destricto Eleitoral.

³  [RODRIGUES, 1859, 21], após descrever as grandezas de maior destaque na Cidade de São João del-Rei, conclui: "O concurso de tantas vantagens, torna esta cidade foco de luzes, e a colloca a frente de suas irmãs do Brasil central." 

E continua na p. 22 dos seus Apontamentos: "Assim como d'entre os homens a providencia tem predistinado uns para serem grandes coisas no mundo, sobre-sahindo aos outros, tambem acontece com as povoações. Já não é d'hoje que São João d'El-Rei occupa destincto logar na opiniaõ dos homens. Em 1789, entre os planos dos chamados inconfidentes, isto é os primeiros que almejaraõ a independencia do Brazil, e que regaraõ com seo sangue a terra que mais tarde brotou a sua emancipação, foi o pensamento dos immortaes Alvarenga Peixoto, Gonzaga e Tira-dentes (alferes Joaquim José da Silva Xavier, nascido na fazenda do Pombal deste municipio) que se instalace a capital em S. João d'El-Rei, e se fundasse no Ouro Preto uma universidade.  (...) 
Se o destino da cidade de S. João é para ser grande coisa, o será. Tudo tem seo destino: recordo-me agora do que disse Antonio Carlos, de taõ illustre mimoria, em um de seos discursos, fallando sobre o destino, citando por essa occasião uma quadra hespanhola que aqui transcrevo:
Hasta los palos del monte
Tienen su destinacion,
Unos nacen para santos,
Y otros para hacer carbon."


 A respeito do teatro existente em S. João d'El-Rei na época em que escreveu seus Apontamentos, [RODRIGUES, 1859, 19] assim o descreve: "(...) Ha um Theatro, fundado por uma associação particular. É o edificio mui espaçoso, bem decorado, com duas ordens de gallerias e vasta platéa. A mocidade S. Joanense tem a hi mostrado o seo talento." Aqui ele fala do "theatro da Caza da Opera",  já existente em 1782 e descrito por [GUERRA, 1968, 16]

E continua na p. 21 dos seus Apontamentos:
"A Muzica não é menos cultivada: dous córos existem cuja rivalidade tem estimulado o aperfeiçoamento e applicação de cada um delles.
O bello sexo não fica aquem: poucas moças se encontrão em S. João que não saibão muzica, havendo algumas que cantão e tocão piano perfeitamente. Poderia citar algumas summidades, mas tenho receio de promover rivalidades, e mesmo... É classe com que os homens devem andar sempre em boa harmonia, pelo que a todas vou aplaudindo indistinctamente. Não menos de 40 pianos se contão nesta cidade."


  Encyclopédie méthodique par ordre des matières (Enciclopédia metódica por ordem de disciplinas) foi uma versão revisada e muito aumentada  da Encyclopédie, editada por Diderot e d'Alembert, alfabeticamente disposta por disciplinas. Foi publicada entre 1782 e 1832 pelo editor francês Joseph Packoucke. A edição completa atingiu entre 210 e 216 volumes.



  [MOTTA, 2000, 115], apud [BURNS, 1964, 433) conclui: "The books in these collections reflect the new approach to satudy: observation, inquiry, and investigation. They attempt by means of rational thought and natural laws to explain all facets of life. In short, these books express the ideas which ushered Europe into the Modern Age." 

  [MOTTA, 2000, 113-4] destaca: "Quanto aos periódicos, a biblioteca possuía algumas coleções, podendo ser destacadas dentre elas o jornal francês Le Moniteur (do qual possui a coleção completa de 1789 a 1806) e que era de cunho científico e literário, o português Jornal de Coimbra (1812-1816), o Investigador português em Inglaterra (1811-1819), o Correio Brasiliense (1801-1821) e as Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa (iniciado em 1797), que consistia em um verdadeiro sumário do estado do Iluminismo em Portugal. Muitos desses periódicos talvez tivessem pertencido à coleção que originou a biblioteca, pois as datas de suas publicações são anteriores à criação da mesma.

  As Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal foram cedidas à Funrei (hoje UFSJ) para conservação em espaço físico adequado, guarda, higienização, catalogação e indexação do acervo, além de informatização de um banco de dados, objetivando finalmente o acesso a pesquisadores do referido acervo. O que vou relatar aqui sobre o assunto foi extraído da leitura de correspondências entre a Funrei (depois, UFSJ) e a Biblioteca Municipal e da minha visita às instalações da UFSJ onde se acha o citado acervo.



1) Parecer sobre a organização e catalogação das Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal (datado de 16/11/1999)

Este documento, de posse da Biblioteca Municipal, apresenta um histórico sobre os trabalhos realizados por vários professores ainda nas instalações da Biblioteca e posterior transferência do Acervo para a Funrei. De acordo com ele, a catalogação das obras raras e antigas da BMBCA foi iniciada em 1985 por professoras da Escola de Biblioteconomia da UFMG. A equipe, coordenada por 3 professoras, passou a contar, no período de 1986-7, com duas bolsistas de iniciação científica do CNPq.

Procedeu-se inicialmente a uma limpeza e a certa ordenação das obras em condições menos adversas. A digitação a partir das fichas manuscritas foi então feita pela Secretaria de Cultura do Estado de MG, visando a publicação de um catálogo. O "Catálogo de Livros Raros da Biblioteca Baptista Caetano fundada em 1827-São João del-Rei-MG" só foi publicado (de forma provisória e sem uma revisão final) em 1992 pelas Organizações Globo e inclui 295 títulos, incluindo os cento e poucos volumes da “Encyclopédie Méthodique”. A segunda parte das obras catalogadas (1.431 títulos de livros do século XIX) nunca foi conferida e, ainda sem nenhuma revisão, foi digitada em 1995, por pessoal da Funrei.

A ausência do suporte financeiro e as dificuldades da própria BM (espaço cada vez mais inadequado, ausência de pessoal qualificado, mudanças constantes dos livros para diferentes salas) fez com que esse trabalho ficasse inacabado. Foi ressaltado que os livros nunca foram devidamente organizados nas estantes da BM.

2) Razões para a transferência do acervo

De acordo com o Parecer acima citado da Funrei, foi a falta de condições materiais e humanas da instituição municipal que motivou o pedido, feito por três de seus professores, para a transferência desse acervo, em regime de comodato, para o 4º  andar da biblioteca da Funrei do campus Ginásio Santo Antônio, espaço esse, aliás já reservado, quando da construção da biblioteca comunitária, para abrigar acervos históricos. Comenta-se que havia de fato a necessidade dessa transferência, tendo em vista o mau estado de conservação do acervo no local originário (Biblioteca Municipal), estando sujeito a goteiras e ao ataque de insetos, como traças, etc. Teria havido, na ocasião, a preocupação de salvar o acervo.

Após o acondicionamento em caixas e o transporte dos livros para o tal espaço reservado a esse acervo, foi iniciada a conferência da coleção a partir dos dois catálogos existentes, a saber: um, publicado, para os livros dos séculos XVI-XVIII e outro, em disquete, para o século XIX.

Foi preparada uma lista dos livros não localizados nos catálogos.

3) Primeira Cessão de Uso (contrato 23122002216/98)

Foi assinada a primeira Cessão de Uso em 20/04/1999, válida pelos cinco anos seguintes, contemplando as duas partes: a Prefeitura Municipal (cedente) e a Funrei (cessionária). Assinaram o prefeito Fernando Vera Cruz pela Prefeitura e Mário Neto Borges pela Funrei.

4) Relatório de Atividades do Projeto Transferência do Acervo de Livros e Obras Raras da BM

Ofício/DIREX/nº 492 de 22/11/1999, da Funrei, informa à Diretora da Biblioteca Municipal ações já realizadas por 3 bolsistas do CNPq, sob orientação de 2 professores: adequação do espaço físico, encaixotamento e transferência dos volumes, pintura das estantes e desencaixotamento dos livros.

Simultaneamente, elaborou-se uma lista para os livros não incluídos em um antigo Catálogo.

Ao término desta etapa, foi iniciado o trabalho de transpor os dados de referência (anotados nessas listas de obras não incluídas) para um banco de dados informatizado, com o auxílio do software Microsoft Access.

Constatou-se, na ocasião (fins de 1999), que o que era possível fazer então era uma boa higienização e um acondicionamento melhor dos livros. Para viabilizar a catalogação completa e a restauração, a serem executadas por profissionais, a Diretora da Biblioteca Municipal foi informada que deveriam ser elaborados projetos visando a obtenção de financiamento.

5) Comunicado à Biblioteca Municipal

Através do Ofício nº 002/2002/FUNREI/VIDAC de 05/02/2002, a Funrei informou à Diretora da Biblioteca Municipal que estavam sendo realizadas “conservação e higienização do acervo: limpeza com trinchas, pág. por pág. em todos os volumes. Até o momento, 253 livros tinham passado por esse processo.”

Informava ainda que os trabalhos de organização e catalogação foram retomados em 02/05/2001 por dois bolsistas sob a supervisão de uma professora (projeto financiado pela Fundação Vitae). Ao mesmo tempo, informava que vinha sendo realizado um trabalho de conservação e higienização dos volumes por outra bolsista.

Na ocasião, anunciava a última etapa dos trabalhos, que seria a classificação. Pretendia-se executar uma ordenação por classes de assuntos gerais, seguindo a Classificação Decimal de Dewey. Alertava ainda que, “para a sua conclusão, tornava-se necessária a execução de pesquisas minuciosas. Essa etapa é indispensável para que o acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal possa finalmente ser colocado à disposição de pesquisadores.”

6) Transformação institucional

Em 19/04/2002, a Funrei foi transformada em universidade por meio da Lei 10.425, adotando a sigla UFSJ.

7) Outras notícias alvissareiras

Antes do vencimento da primeira Cessão de Uso, mais exatamente em 14/07/2003, a Diretora da Biblioteca Municipal era informada pela UFSJ “que os trabalhos de organização, catalogação e classificação atualmente efetivados no acervo de obras raras e antigas da BM – ora sob a guarda da UFSJ – encontram-se em fase de finalização”, acrescentando que a equipe de trabalho optou por adiar a finalização do projeto, com previsão de término no “mês de outubro do presente ano.

Atendendo à solicitação feita pessoalmente pela Diretora, a UFSJ estava enviando-lhe uma cópia de uma listagem preliminar das obras raras e antigas da BM, contendo os sobrenomes dos autores, títulos das obras e datas iniciais de publicação.”

A UFSJ disse esperar, “ao final dos trabalhos, publicar os catálogos completos com todos os dados e a classificação realizada em todo o acervo.

8) Segunda Cessão de Uso (nº 02/2004)

Em 19/04/2004 foi renovada a Cessão de Uso, assinando pela Prefeitura (cedente) o prefeito Nivaldo José de Andrade e pela UFSJ (cessionária) o reitor Mário Neto Borges.

9) Regulamento de acesso ao acervo

Um ano depois, em 28/04/2005, houve uma comunicação conjunta da Diretora da DIBIB-Divisão da Biblioteca e da Coordenadora da Biblioteca Pública Municipal regulamentando o acesso de pesquisadores aos Acervos de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Pública Municipal Baptista Caetano D’ Almeida e outros. Através desse regulamento, o pesquisador era informado sobre as providências que precisaria tomar e os cuidados necessários para a realização da pesquisa. Parece que os trabalhos já estavam tão adiantados que já se admitia o acesso de pesquisadores ao acervo de Obras Raras e Antigas.

A visita ao acervo bem como o manuseio dos documentos” eram permitidos ao pesquisador, desde que, entre outras coisas, manuseasse adequadamente os documentos e zelasse pela conservação dos mesmos, além de ser acompanhado por um responsável indicado pela DIBIB. A maior prova disso é que vários trabalhos acadêmicos foram feitos naquele acervo.

10) Minha visita ao acervo

Após a leitura das correspondências trocadas entre cessionário e cedente, para mim restavam ainda algumas questões pertinentes, para as quais procurava uma resposta: Onde estão as obras raras e antigas da BM? Estão bem cuidadas pela cessionária de uso dessas obras? Era necessária essa transferência? Por que não são mais admitidos pesquisadores no local do acervo? Algum pesquisador está realizando pesquisa nesse acervo?

Solicitei autorização para uma visita ao acervo, sendo acompanhado por um funcionário da DIBIB à atual sala onde está localizado o acervo (na Biblioteca do campus Dom Bosco), que me alertou que eu só poderia ver mas não manusear nenhuma obra do acervo, porque há muitos anos ocorrera a paralisação dos trabalhos naquele local. Em virtude desse fato, a higienização que no passado tinha sido feita precisaria ser reavaliada e talvez refeita. Por isso, nenhum pesquisador pode manusear as obras do acervo, estando-lhe vedado até mesmo o acesso ao acervo. A minha visita tinha sido em caráter excepcional. Ao indagar ao funcionário se algum viajante estrangeiro vinha em busca do acervo de obras raras, especialmente francesas e portuguesas, a resposta foi negativa.

Pude inicialmente constatar que a porta da sala não é à prova de furtos, sendo bastante frágil. Também verifiquei que em certa época teria funcionado um desumidificador ali existente, porém há muito tempo se encontrava desativado. Também nenhum funcionário trabalha naquela sala. Um computador com CPU está sobre uma mesinha, entretanto fui informado que ninguém mais digitava ali, inclusive não era conhecida a senha do usuário que digitou as fichas de classificação e alimentou o computador com informações sobre o acervo. De fato, observei muitas fichas de classificação dentro de uma caixa de papelão. Conforme visto, a partir de certa época, houve a suspensão desses trabalhos. Pude constatar que atualmente só funciona a guarda do acervo em recinto fechado.
Por todas essas razões, não é mais permitido o acesso de pesquisadores às instalações onde se encontra o Acervo.

11) Terceira Cessão de Uso (nº 026/2009)

Em 25/05/2009, foi renovada a Cessão de Uso, assinando pela Prefeitura o prefeito Nivaldo José de Andrade e pela UFSJ o reitor Helvécio Luiz Reis.

A 4ª Cessão de Uso deixou de ser renovada no primeiro semestre de 2014, conforme vinha periodicamente ocorrendo, isto é, de 5 em 5 anos.

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DUAS FONTES DE PESQUISA DO ACERVO DE OBRAS RARAS DA BIBLIOTECA BAPTISTA CAETANO DE ALMEIDA

Tenho o prazer de colocar à disposição do pesquisador interessado dois trabalhos realizados sobre o acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal, um de 1938 e o segundo, de 2004.

1) Na Biblioteca Municipal, tive acesso ao RESUMO DO CATÁLOGO DA BIBLIOTECA MUNICIPAL BATISTA CAETANO DE ALMEIDA, impresso em 1938 pela Gráfica Castelo, de São João del-Rei, com o nº 921 (doado pelo Acadêmico Edmundo Dantés Passos em 11/12/1991), estabelecendo separação entre as Obras Raras e o Arquivo da Câmara Municipal. Consta que foi publicado "por ocasião dos festejos do centenário de elevação à categoria de cidade - em 28 de julho de 1838", disponível na própria instituição municipal, que reproduzo aqui para que mais e mais pessoas possam apreciar e imitar o gesto patriótico do ilustre comerciante são-joanense e seu amor pelos livros.







2 Clique aqui para acessar Acervo em CD-ROM produzido em 2004 pela FAPEMIG/UFSJ/VITAE


⁹ [RODRIGUES, 1859, 18-19] descreve o atual prédio da Prefeitura: "A cadêa, e paço da municipalidade é um edificio bem importante: tem 100 palmos de frente sobre 120 de fundo. As armas do Imperio e o emblema da justiça esculpidas em relevo na magistosa fachada do edificio attestão a sua naturesa e fim (...) A parte inferior é occupada por seis espaçosas prisões, uma salla livre, outra do corpo da guarda, e grande saguão, podendo nellas acommodar muito a vontade de 400 a 500 presos. (...) Existe uma Bibliotheca publica, com um empregado, que tem a livraria franca em todos os dias uteis: é composta de 4 mil e tantos volumes, broxados e encadernados, e está em uma das sallas da camara." Ou seja, depreende-se do texto acima citado que a Biblioteca funcionou, de 1859 (data dos Apontamentos) a 1925, modestamente em uma sala da Câmara no andar superior e, só então, passou a funcionar no andar térreo, onde permaneceu até 1970.

¹  Para se conhecer o alcance do patrimônio de Baptista Caetano, seria necessária análise do seu inventário, que até o momento não foi encontrado. Igualmente não foi localizado o inventário de sua esposa, que faleceu três anos após Baptista Caetano, isto é, em 1842. Não obstante, consta que ele possuía duas fazendas. Segundo [MACULAN, 2011, 39], uma se chamava Fazenda da Ilha e se localizava em Conceição da Barra; a outra localizada no sul de Minas Gerais, em sua cidade natal, Camanducaia. A respeito desta, Baptista Caetano descreveu-a como "por si só capaz de fazer face ao alcance, que se verificar, depois de extintos todos os haveres do ex-Tesoureiro."

¹¹ [RODRIGUES, 1859, 17] já relatava falta de diversos retratos na "casa de Misericordia": "(...) tudo divido a caridade publica dos homens beneficentes, cujos retratos como os do Barão do Pontal, João Baptista Machado, José Antonio de Castro Moreira, Francisco Theresiano de Sá Fortes, Carlos Baptista Machado, e os Eremitães Francisco Moreira da Rocha, e José Carneiro, ornão uma das principaes sallas da casa, em cuja galleria se nota, e com justiça, a falta dos de Manoel de Jesus, (primeira pedra angular do edificio) Baptista Caetano d'Almeida, Monsenhor José Antonio Marinho, Martiniano Sevéro de Barros, e muitos outros."


II.  BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


ALVARENGA, Luís de Melo: História da Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei (1783-1983), Belo Horizonte: Gráfica Formato, 2009, 443 p. (edição patrocinada pelo BDMG Cultural)

AMARAL, Alex Lombello: Documento inédito: História do jornal Astro de Minas pela pena do Padre José Marinho. UFJF. Fênix Revista de História e Estudos Culturais, da UFJF, vol. 4, Ano IV nº 4, out/dez 2007, 12 p. Acesso ao site http://www.revistafenix.pro.br/PDF13/SECAO_LIVRE_ARTIGO_7-Alex_Lombello_Amaral.pdf em 05/11/2015

BIBLIOTECA MUNICIPAL BAPTISTA CAETANO DE ALMEIDA. 
— AZEVEDO, José Vicente: Resumo do Catálogo da Biblioteca Batista Caetano de Almeida, São João del-Rei: Gráfica Castelo, 1938, 10 pp.
—  CENTRAL GLOBO DE COMUNICAÇÃO DA REDE GLOBO: Catálogo dos Livros Raros e Antigos da Biblioteca Pública Baptista Caetano fundada em 1827-São João del-Rei-MG, 100 p., 1992
FAPEMIG/UFSJ/VITAE: CD-ROM intitulado Acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal Baptista Caetano D' Almeida, 2004 

BURNS, Edward Bradford: The enlightenment in two colonial Brazilian libraries. Journal of the History of Ideas. New York: vol. 25, nr. 3 (Jul.-Sep., 1964), pp. 430-8

BURTON, Robert Francis: Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. São Paulo: EDUSP; Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1976, 366 p.

CINTRA, Sebastião de Oliveira: Efemérides de São João del-Rei, 2 vol., 2ª edição, 1982, 622 p.

GUERRA, Antônio Manoel de Souza: Pequena História de Teatro, Circo, Música e Variedades em São João del-Rei - 1717 a 1967, Juiz de Fora: Sociedade Propagadora Esdeva - Lar Católico, 327 p.

MACULANCarlos Eduardo: As luzes do tempo: Baptista Caetano de Almeida, projeto civilizacional e práticas políticas no Brasil pós-Independência. (São João del-Rei, 1824-1839). UFJF. Dissertação de Mestrado, 2011, 219 p. Acesso ao site http://www.ufjf.br/ppghistoria/files/2011/01/Carlos-Eduardo-Maculan1.pdf em 02/11/2015

MORAISChristianni Cardoso: “Para aumento da instrução da mocidade da nossa Pátria: Estratégias de difusão do letramento na Vila de São João del-Rei (1824-1831). UFSJ. Texto que traz alguns resultados constantes de sua Dissertação de Mestrado. Acesso ao site http://www.sbhe.org.br/novo/congressos/cbhe2/pdfs/Tema7/0791.pdf em 29/10/2015

MOTTARosemary Tofani: "Baptista Caetano de Almeida, um mecenas do projeto civilizatório em São João d' El-Rei no início do século XIX - a biblioteca, a imprensa e a sociedade literária". UFMG. Dissertação de Mestrado em Ciência da Informação da Escola de Biblioteconomia. Acesso ao site http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/EARM-6ZCP6D/mestrado___rosemary_tofani_motta.pdf?sequence=1 em 05/11/2015

RODRIGUES, José Antônio: Apontamentos da população, topographia e noticias chronologicas do Municipio da Cidade de S. João del-Rei. Provincia de Minas Geraes offerecidos ao Illustrissimo Senr. Commendador Antonio Simoes de Sousa; São João del-Rei: Typographia de J. A. Rodrigues, 1859, 27 p. Acesso ao site http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/36701 em 10/11/2015

SILVA, Roginei Paiva: Biblioteca, Leitores e Cultura: a Prática Social da Leitura. Dissertação apresentada à Universidade Federal de Viçosa para obtenção do título de Mestre em Letras. O Anexo F da monografia traz fotos do Acervo de Obras Raras e Antigas da Biblioteca Municipal Baptista Caetano de Almeida, nas pp. 89 a 92. Acesso ao site http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/4878 em 10/11/2015


WALSH, Robert: Notícias do Brasil (1828-1829). São Paulo: EDUSP; Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1985, 2 volumes, com respectivamente 222 p. e 237 p.
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* O autor tem Bacharelado em Letras (Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, atual UFSJ) e Composição Musical (UnB), bem como Mestrado em Administração (EAESP-FGV). Participa ativamente como membro de diversas instituições de cultura no País e no exterior, cabendo destacar as seguintes: Académie Internationale de Lutèce (Paris), Familia Sancti Hieronymi (Clearwater, Flórida), SBME-Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (2º Tesoureiro), CBG-Colégio Brasileiro de Genealogia (Rio de Janeiro), Academia de Letras e Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei-MG, Instituto Histórico e Geográfico de Campanha-MG, Academia Valenciana de Letras e Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, Academia Divinopolitana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico do DF, Academia Taguatinguense de Letras, Academia Barbacenense de Letras e Academia Formiguense de Letras. Possui ainda o Blog do Braga (www.bragamusician.blogspot.com.br) e é um dos colaboradores e gerente do Blog de São João del-Rei. Escreve artigos e ensaios para revistas, sites, portais e periódicos.

11 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Prezad@,
É com prazer que lhe envio o resultado de minha última pesquisa sobre Baptista Caetano de Almeida, que nasceu em Camanducaia-MG e adotou São João del-Rei "como sua pátria adotiva".
Grande mecenas na Vila de São João del-Rei, deixou traços de suas grandezas e benemerências por toda a parte, sendo especialmente lembrado como:
1) fundador da mais antiga biblioteca pública de Minas Gerais, em plena atividade ainda hoje, com base no seu acervo pessoal de 800 volumes, inicialmente;
2) adquirente da primeira tipografia da Vila de São João del-Rei, que editou o primeiro periódico são-joanense, "O Astro de Minas", que tanto serviu à causa liberal
3) benemérito da Santa Casa da Misericórdia
4) adquirente e doador do terreno onde se erigiu o atual Paço Municipal.
A pesquisa ainda trata de outras glórias de Baptista Caetano, além das enumeradas, sendo merecedor da eterna gratidão e imorredoura memória dos são-joanenses.

Com meu abraço cordial,
Francisco Braga

Prof. Mário Celso Rios (escritor, conferencista e presidente da Academia Barbacenense de Letras) disse...

Caro BRAGA, bom dia!
Parabéns pela apresentação musical sua e de RUTE na semana pp em Santos Dumont!
Alegria renovada em você estar multiplicando sua pesquisa sobre o MECENAS DAS LETRAS, o brasileiro BAPTISTA CAETANO DE ALMEIDA, homem que por sua visão sócio-cultural contradiz o sofisma do cidadão que, ao prestar um determinado serviço, se acomoda ! Avante!
M. CELSO
NOTA: A reunião de dezembro da ABL será dia 11, sexta-feira, às 19h30 em associação com o C. M. Belisário Pena e o Arquivo SAVASSI na sede da Ass. MÉDICA DE BC, local onde você já relembrou a obra de Lincoln de Souza, certo?
Já está convidado!
Abraço, M. CELSO

Jota Dangelo (diretor, ator, dramaturgo e gestor cultural, cronista e escritor) disse...

Belo trabalho sobre um dos beneméritos mais consagrados de São João del-Rei, particularmente pela fundação da Biblioteca Municipal. Parabéns! Dangelo

Prof. Fernando Teixeira (professor universitário, escritor e Secretário Geral da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Sem dúvida alguma, Baptista Caetano de Almeida é figura de escol na história de SãoJoão del- Rei. Registro meus cumprimentos por seu trabalho. Parabéns! Fernando Teixeira

Dr. Roque Camêllo (ex-Prefeito de Mariana, Presidente da Casa de Cultura-Academia Marianense de Letras, Diretor da FUNDARQ-Fundação Cult. e Educ. da Arquidiocese de Mariana, membro do IHG-MG, historiador, pesquisador e escritor) disse...

Dr. Francisco Braga,

Parabéns pela pesquisa sobre o mecenas de São João del-Rei, Baptista Caetano de Almeida. Seu trabalho além de primoroso, é importante para manter viva a memória daqueles que trabalharam em prol da cidade.

Sua palestra, proferida no dia 12 de novembro de 2015, no Salão Nobre da Câmara Municipal, patrocinada pelo IHG de São João del-Rei, foi muito importante para todos nós. Aliás, esses estudos, como o seu, trazendo para hoje a memória de tão insignes cidadãos, qualificam a historiografia mineira. É necessário dar-lhes continuidade e você é a pessoa ideal para isto.
Roque Camêllo

Prof. Ulisses Passarelli (escritor, folclorista e gerente do blog Tradições Populares das Vertentes) disse...

Muito bom, prezado Braga. Já tinha tido oportunidade de acompanhar sua palestra na Câmara em 12 de novembro sobre este tema, agora perenizada neste texto, certamente, fonte sólida de registro, homenagem e referência.

Grande abraço, com a estima de sempre.

Att. Ulisses.

Alzira Agostini Haddad (gestora cultural, sendo Vice-presidente da ASAMREI-Associação Amigos de São João del-Rei, fundadora da SAB-Sociedade de Amigos da Biblioteca Municipal Baptista Caetano de Almeida, proprietária do site São João del Rei Transparente, presidente da Atitude Cultural Projetos e Responsabilidade Social, entre outras iniciativas) , disse...

Olá Francisco,
parabéns por suas importantíssimas pesquisas. Infelizmente não tenho trabalhado muito no site, estou sem equipe etc, mas devo retornar no ano de 2016 e quero muito continuar registrando os seus trabalhos. Acrescentei o registro do seu post no cadastro da Biblioteca, que inclusive precisa ser atualizado.
Muito obrigada por mais esta pérola.
Grande e afetuoso abraço para vc e Rute,
Alzira

Maria Lúcia Vilela (joalheira e comerciante) disse...

Parabéns! Continua brilhando. Saudade de vocês,
Maria Lúcia Vilela

José Carlos Hernández Prieto disse...

Parabéns! Como sempre, um estudo brilhante, exaustivo e definitivo, que abre novas luzes sobre um de nossos mais desconhecidos benfeitores.

Prof. Mário Celso Rios (escritor, conferencista e presidente da Academia Barbacenense de Letras) disse...

Oi, Braga,
Lembra-se de sua referência à biblioteca do sanjoanense Baptista Caetano d'Almeida e ao termo LIVRARIA? Aliás, quando for possível, me envia uma cópia do seu arquivo digital sobre as obras raras da BPSJDR BCA, CERTO? Ela precisa ser preservada! Quanto mais fontes existirem ficarem disponíveis, menos equívocos serão cometidos. Ah, você se lembra que em inglês prevaleceu o termo LIBRARY para biblioteca, ao contrário da gente?
Abraço,
Mário Celso

Rute Pardini (cantora lírica e bacharel em canto lírico pela UnB) disse...

Aceite meus parabéns, meu amado!
Você merece ser reconhecido nesta cidade e além dessas serras das Gerais!
Beijos mil!!!
Te amo eternamente!
Rute