sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MÚSICA E FORMAS LÍRICAS NA GRÉCIA ANTIGA


Por Julimar Cardoso


Texto extraído do livro No País de Ulisses (uma história da literatura grega), 1º volume, pp. 60-8, 1953, Salvador-BA: Livraria Progresso Editora
Capa do livro do escritor e filólogo Prof. Julimar Cardoso - 
Crédito pela imagem: Rute Pardini Braga


I.  MÚSICA


Os mais antigos músicos gregos são lendários, flutuantes entre a História e a Mitologia. Orfeu, filho de Apolo e Calíope, era um artista trácio divinizado; Eumolpo ¹, o bom cantor. Támiris ², Museu, Crisóteme, Linos, Olimpos ³ são personalidades meio vagas, dúbias, às vêzes duplas - uma real, outra simbólica. Foram os primeiros cultores da arte musical doada à Grécia pelos Lídios, Frígios, Egípcios e Cretenses. A referência histórica fidedigna só aparece no século VII a.C., com Terpandro, Clonas, Polimnesto, Sácadas e, mais tarde, com os reformadores Frinis, Melanípedes, Timóteo. 

Terpandro , nascido em Antissa, era o mais famoso musicista de seu tempo, o que teve a idéia de aumentar as possibilidades da cítara, acrescentando três cordas às quatro ou sete originais. Êle reuniu em conjunto u'a multidão de lendas e histórias que se conservavam informes na memória do povo e inventou um sistema especial de notação. Compôs os primeiros cantos de carater festivo, os symposiaká entoados nos banquetes. Como artista de gênio, inaugurou muitos gêneros musicais cultivados posteriormente. Por um crime de homicídio, refugiou-se em Esparta, onde fundou escola, tendo acabado seus dias numa orgia, sufocado por um figo que lhe socaram na boca, enquanto cantava.

Taletas , Clonas, Sácadas , Polimnesto, Híerax foram inovadores, responsáveis pelas mais antigas creações em que se conjugavam música e poesia. A música grega derivou da oriental e conservou-lhe as características mais eminentes. Era música de solo, melódica, não polifônica, e diferia da moderna em muitos pontos básicos: possuía um grande número de modos ou escalas, divididos em intervalos mínimos (díesis enarmônica), e, quando executada, instrumental ou vocal, devia assemelhar-se muito mais à moderna música dos Chineses, Indús ou Árabes do que à dos povos ocidentais. A audição de um côro lírico antigo ou de um solo de flauta grega daria antes uma impressão desagradável de desarmonia e monotonia. Essa música não era mero passatempo ou exclusividade de uma classe de profissionais. Havia professores de dança e representação teatral especializados - os chorodidáskaloi; mas todo cidadão de nível cultural mediano aprendia as noções básicas da arte até idade adulta e os poetas eram ao mesmo tempo cantores, solistas, compositores, artistas completos.

O conhecimento integral da antiga música grega, a despeito de cuidadosas e sábias investigações, não é muito seguro - pelo pouco que ficou registrado, pelo mau estado dos instrumentos conservados, entre outras razões. Entre os mais importantes tratados antigos de data variada, que auxiliam êsse conhecimento, incluem-se a Divisão do Monocórdio (Katatomê Kanónos), de Euclides; o Tratado , de Plutarco; a Introdução à Harmonia (Eisagogê Harmonikê), de Cleônidas; a Harmônica, de Ptolomeu; a Introdução, de Alípio; os Elementos e Princípios , de Aristoxeno.

Fator educativo paralelo à antiga poesia heróica, a música era uma parte importante do currículo escolar, concorrendo para despertar sentimentos cívicos e patrióticos nos seus cultores.  Atribuíam-lhe uma função enobrecedora da alma e consideravam a bôa música responsável pela formação do caráter do bom cidadão, tanto quanto a prática das formas musicais que convidavam à lubricidade e amoleciam a vontade era para êles o meio mais seguro para formação duma personalidade tíbia e doentia (República, 398 e). A música grega era submissa, passiva, animadora tímida da declamação e da dança, e mesmo quando mais ìntimamente ligada à melhor poesia, não se libertou. A grande musicalidade da pronúncia grega antiga, baseada na duração das sílabas e na elevação da voz, onde recaía o acento, (sem esfôrço de prolação) contribuiu para essa associação e submissão da música instrumental ao verso escandido. A arte musical dos Helenos - cujo ideal filosófico mais alto abolia tôda manifestação de pathos - nunca alcançou a profundidade emocional e universalidade que fizeram da música do presente o mais sublime e completo meio de expressão artística de que dispõe o homem.

Os instrumentos musicais gregos vieram do Oriente: havia uma variedade deles: babilônicos, judaicos, assírios, frígios, lídios, egípcios, de feitio mais ou menos elementar e sonoridade inferior. Não eram tocados em conjunto, mas em solo, e a palavra grega "orchestra" indicava apenas um determinado lugar, no teatro, onde o côro bailava durante as representações trágicas. A magadís, o saltério e a pectís eram harpas sírias, lídias e fenícias, com diferença de proporções e número de cordas - às vezes de comprimento desigual. Por sua modulação variada, a harpa proporcionava maior prazer artístico, a hedonê - o que a tornava instrumento preferido das hetairas ¹⁰ e damas aristocráticas e banido pelos filósofos austeros. O saltério era aparentado com a cítara ¹¹,
Harpistas egípcios do túmulo de Ramsés IV
formado duma caixa sonora triangular com um longo braço curvo, donde partiam as cordas. O trígonon, sírio, lídio ou egípcio, tinha forma triangular e o número de suas cordas variou até quarenta. A sambuca, pequena harpa triangular, de cordas curtas, fraca sonoridade, afinação alta, era tida em desfavor, porque adequada à voz feminina.

Os instrumentos de percussão faziam-se ouvir de preferência nas cerimônias religiosas. Os címbales (kímbala), equivalentes aos pratos metálicos da moderna orquestra, eram feitos de duas escudelas redondas, côncavas, de ferro; o crótalos, de procedência egípcia, feito de madeira, ferro ou bronze, imitando pequenos címbales, era tocado, como castanholas, pelos sátiros, bacantes e ménades ¹² nas procissões fálicas, em que desfilavam a pé ou montados em asnos, enrolados numa pele de tigre ou completamente nús, agitando tirsos e exibindo os órgãos genitais.
Uma ménade com um tirso (bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha).

Dança e música de díaulos e castanholas

Os tímpanos (tympana) lembravam tamborins ou pandeiros de duas faces, providos de guisos; a palavra deriva do hebraico toph (tambor) ou do grego typto (bater) e o instrumento passou das mãos dos iniciados no culto de Cibele às hetairas e rameiras que se exibiam em público. O sistro era seguramente egípcio - instrumento particular dos sacerdotes de Ísis. Tinha o feitio de uma ferradura, com orifícios correspondentes em ambos os lados, trespassados por varetas de ferro em forma de um S. Diziam que a própria deusa Ísis o inventara; os Gregos importaram-no dos Fenícios. O sistro caracterizava os mistérios de Ísis, como os címbales, tamborins e castanholas caracterizavam o ritual de Dioniso e Cibele, na Grécia. Os soberanos egípcios tocavam sistro, quando se prostravam diante dos deuses, em adoração, e o chocalhar do instrumento afastava a divindade maléfica, Tífon, o inimigo de Osíris. Por isso as varetas do sistro tinham forma de serpente. O crópalon ou crópezon era um calçado rústico feito de pau, com solas grossas, onde estavam embutidas lâminas metálicas, que vibravam com um golpe sêco, quando o dançarino ou mestre de côro, que o calçava, pisava com fôrça para marcar o tempo. ¹³

O clepsíambos é interpretado etimològicamente como um "instrumento dedilhado de maneira furtiva, para acompanhar em surdina as canções jâmbicas". O skindapsos era dotado de quatro cordas e a pandura, cujo nome deriva do caldaico Pant-ur (arco pequeno), assemelhava-se a um alaúde rudimentar.

A lira, instrumento divino, inventado por Orfeu ou Apolo, mencionada em Homero com pródiga adjetivação, fabricava-se primitivamente com um casco de tartaruga, que formava a caixa harmônica. Os dois braços curvos que partiam da caixa eram feitos também de chifres (kérata, pecheís) - cornos de bode ou carneiro. O número de cordas, de cânhamo, depois de tendão e tripa (chordaí, neura) variou com o tempo: três, sete, dez, finalmente doze. Tinham tôdas um só comprimento, de modo que a afinação variava de acôrdo com a grossura e tensão dessas cordas, fixadas em cravelhas (kóllopes) e tocadas com uma palheta de osso, marfim, chifre ou metal: o plectro, em forma de um T, que o artista segurava pelo cabo, ferindo uma corda de cada vez e abafando com a mão esquerda as que não deviam soar. Havia liras caríssimas e trabalhadas, com incrustações de ouro e marfim.

A cítara (kithára), dos aedos antigos, tinha feitio muito variado e maiores proporções do que a lira, de que era uma variedade, como a chelyx e a fórminx. Juntamente com a lira e a cítara, superando todos os demais instrumentos no favor popular, o aulós (traduzido como flauta) prestava-se às mais diversas finalidades, servindo para acompanhar os cânticos marciais, lastimosas elegias, epitalâmios, solos fúnebres, hinos sacros, canções chulas e alegres da festa do lagar. Havia o aulós paidikós, para a voz de contralto; o téleios, para o tenor, e o hypertéleios, para o baixo. A flauta frígia tinha um cano apenas, com quatro orifícios, e por sua sonoridade rouca chamavam-na baryphthongos, barybromios. O aulós duplo (δίαυλος) lembrava uma gaita escocesa: era feito de dois caniços de comprimento desigual e que tocavam em dissonância (heterophonia); adaptava-se à boca do flautista por meio duma correia larga (phorbeia) que se lhe prendia à cabeça, apertando as faces, porque o instrumento exigia esfôrço maior para soar. Produzia sons muito agudos e era o acompanhamento favorito das canções marciais ¹.

Um conjunto de sete flautas pequenas, amarradas com correias e pregadas com cêra, formava a syrinx, a flauta de Pan dos pastores. O keras e a salpínx eram exclusivamente militares, trombetas de forma diversa: a primeira, retorcida em forma de G, para comodidade do tocador; a outra reta, como uma corneta, desprovida de orifícios.

No terceiro século a.C. apareceu o órgão hidráulico ¹, invenção helenística, que causou grande sucesso e se aperfeiçoou cada vez mais, passando aos demais países da Europa. Foi imaginado por Ktesibios, filho de um barbeiro de Alexandria, sob o reinado de Ptolomeu II Evergetes. Êle se havia destacado, anteriormente, pela fabricação duma variedade de mecanismos hidráulicos, bombas, clepsidras, autômatos e brinquedos, mas sua mais importante creação foi sem dúvida a fabulosa "flauta de Pan tocada com as mãos", na expressão de Philon de Bizâncio.

O que Heron de Alexandria escreveu também, a respeito, não proporciona conhecimento exato do mecanismo do órgão. Compunha-se êle de uma caixa em forma de altar (bomiskos), de alguns tubos (solenes), de um cilindro (pyksis) dotado de pistão, e de um conjunto de flautas (auloí), que trabalhavam todos articulados, formando o aparelho pneumático. O órgão tocava em seis modos diferentes e os aperfeiçoamentos introduzidos, em época posterior, foram grandes. 

Os caracteres do alfabeto, na notação musical grega, exprimiam as notas e havia sinais convencionais para indicar a duração do som e as pausas. Distinguiam-se a voz netoide, de tenor; a mesoide, de barítono; e a hypatoide, do baixo - a dos atores trágicos.

Da música grega antiga escrita ficaram poucos documentos conhecidos: um trecho cantado pelo côro na representação do Orestes de Eurípedes; dois hinos a Apolo; um epitáfio do século I d.C. ¹¹ ; dois hinos à Musa, para solo de cítara; uma ode de Píndaro; um hino cristão; um hino ao sol e outro a Nêmesis.

As modalidades de dança praticadas pelos Gregos foram classificadas sob diversos aspectos. Os coros cíclicos, de dançarinos de ambos os sexos, eram descendentes das antigas danças cretenses e acompanhados de solo de cítara. Estesícoro reformou e aperfeiçoou a dança coral, dividindo-a em três fases: estrofe, antestrofe e epodo. O côro dispunha-se em filas paralelas, diante do altar, fazendo evoluções semicirculares para a direita, para a esquerda e, mais lentamente, volvendo à posição inicial, conduzido pelo corifeu. O citarista ou flautista ¹, localizado junto do altar, marcava o ritmo. A dança das representações trágicas era a emméleia, lenta e majestosa.

O kórdax ¹⁸ era a dança executada na representação da comédia: agitada, alegre, muito popular nas festas fálicas e executada por um ou muitos dançarinos. Havia ainda danças hiporquemáticas, gymnopédicas, pírricas, epilênicas, marciais, quase nunca praticadas como simples recreação artística, mas cultivadas dentro dum programa consciente de aperfeiçoamento físico e espiritual, em que a orchestikê  ¹ desempenhava importante papel. 


II.  FORMAS  LÍRICAS


Desde os tempos mais remotos, havia uma variedade de composições de carater popular - os nómoi. E canções adequadas a cada profissão: as epilênia, dos vinhateiros; o eilinos, das tecelãs; o lithyerses, dos segadores e lenhadores; o molythron, as embatéria marciais, e ainda canções tripodofóricas, falofóricas, dafnefóricas, dos que levavam trípodes, falos e louros, nas festas religiosas e na pompéia báquica. Duas formas distintas, mais artísticas e mais trabalhadas, impuseram-se, ao lado das composições épicas: a elegia e o jambo. O hexâmetro heróico e o pentâmetro formavam o dístico ou elegeion e a elegia era uma composição em dísticos. Quem procura traçar a etimologia da palavra elegeion perde-se em interpretações ambíguas e pouco seguras. Teria derivado igualmente de "e e légein" ², do verbo "el e gein", de "eu legein" ou ainda de "lelego, lelegu", que quer dizer, em armênio, caniço, flauta. Os Gregos importaram a elegia dos Lídios e cantavam-na ao som da flauta. A composição não tinha carater exclusivamente lastimoso e triste. Adaptava-se a muitas situações e havia elegias exortativas, guerreiras, políticas, amorosas, simpóticas.

Para a sátira pessoal, crearam o jambo - uma composição ferina, apaixonada, furiosa, às vezes. Arquíloco foi seu maior cultor e o jambo nasceu nas festas de Demetra, como uma exclamação de júbilo - proferida pelos participantes do ritual. Era composto em linguagem áspera, desabrida, veiculando profundas ofensas pessoais.

Entre as composições de índole coletiva, entoadas por um grupo de coristas e cantores, destacavam-se o himeneu, o hiporquema, acompanhado de danças mímicas, o ditirambo, característico das festas dionisíacas, o parteneu, mais complicado e evoluído, composto para coros femininos, o encômio, o epinício. A lírica pessoal foi cultivada nas cidades jônicas, enquanto os cantos corais eram de predileção dos Dórios, gente belicosa. Dezenas de dançarinos, músicos, cantores eram mantidos pelo Estado e treinados para a execução dessas peças nas festas públicas.

Para um conhecimento mais aproximado da poesia lírica grega, dos seus cultores e da natureza de suas produções, impõe-se um estudo sumário dos fatos históricos, circunstâncias de lugar e tempo, que acompanharam sua eclosão.






III.  NOTAS  EXPLICATIVAS, por Francisco José dos Santos Braga





¹  Eumolpo foi um rei lendário da Trácia, segundo a mitologia grega, filho de Posêidon e Chíone. Era um excelente músico - tocava aulos e lira - e cantor. Consta ter-se saído vitorioso num concurso musical nos jogos fúnebres de Pélias e ter sido instrutor de Héracles. [BRANDÃO, 2000, 405] nos informa que foi o sucessor de Tegírio, no trono. "(...) Foi logo no início de seu governo na Trácia que Eumolpo foi chamado pelos habitantes de Elêusis que estava sendo atacada por Erecteu, rei de Atenas. À testa de um grande exército, o rei partiu em socorro do futuro centro sagrado de Deméter, mas pereceu em combate singular contra o monarca ateniense. Posêidon vingou-se, conseguindo que Zeus fulminasse o vencedor. Algumas tradições, certamente não muito antigas, atribuem ao novo rei da Trácia a instituição dos Mistérios de Elêusis e a purificação de Hércules, após haver este assassinado os Centauros. Como quer que seja, a família sacerdotal dos Eumólpidas considerava-o como seu grande ancestral. (...)" 

[LAÉRTIOS, 1994, 24-7], no Proêmio do Livro I,  assim se refere a alguns desses músicos antigos, em minha tradução:
"... (3) Contudo esses autores (para os quais os bárbaros é que iniciaram o estudo da filosofia) ignoram completamente os feitos dos Gregos, pelos quais começou não somente a filosofia mas a própria raça humana - por exemplo, para os Atenienses Museu era natural de Atenas, e para os Tebanos Linos era natural de Tebas. Dizia-se que Museu, filho de Eumolpo, foi o primeiro a escrever uma Teogonia e uma Esfera, e sustentou que todas as coisas procediam da unidade e revertiam a ela. Museu morreu em Fáleron, e no seu túmulo gravaram os seguintes versos elegíacos: 
"No chão de Fáleron, dentro deste sepulcro, jaz Museu, o filho querido de Eumolpo, que morreu."
Os Eumólpidas em Atenas tomaram o seu nome do pai de Museu.
(4) Dizia-se sobre Linos que era filho de Hermes e da Musa Urania. Escreveu uma cosmogonia, sobre a órbita do sol e da lua e sobre a gênese dos animais e dos frutos; o início desse poema é o seguinte:
"Houve um tempo em que todas as coisas estavam juntas."
Com base nisto, Anaxágoras disse que todas as coisas estavam juntas, até que veio o intelecto e as pôs em ordem. Linos morreu em Êuboia, atingido por uma flecha de Apolo, e no seu túmulo há o seguinte epigrama: 
"Este chão recebeu o tebano Linos morto, filho da Musa Urania belamente coroada."
Assim começou pelos Gregos a filosofia,  cujo nome nada tem a ver com a língua dos bárbaros.
(5) Os que consideram a filosofia uma invenção dos bárbaros exemplificam o Orfeu da Trácia, tratando-o como filósofo muito antigo. Eu porém não sei se deve ser chamado de filósofo alguém que falou assim sobre os deuses nem aquele que, sem escrúpulos, atribui aos deuses todas as paixões humanas e as insolências que raramente os homens cometem com a língua. Segundo a lenda, ele foi assassinado por mulheres, porém o epigrama existente em Díon, na Macedônia, diz que ele foi atingido por um raio, com as seguintes palavras:
"Aqui as Musas sepultaram o Orfeu da Trácia com a lira áurea, morto pelo raio de Zeus que governa de cima." 
Entretanto, os que dizem que a filosofia começou pelos (povos) bárbaros, mencionam as formas que tomou em cada um deles."

²  Támiris era um cantor excepcional, que dominava igualmente a arte da cítara. Se, além desses dotes, ainda dominava a arte dos aedos, é uma matéria de disputa. Parece que costumava deslocar-se de corte em corte e participar de concursos poéticos. O episódio narrado por Homero (Il. 591-600) é um caso típico de hybris castigada pelos deuses, eis que Támiris, oriundo da Trácia (como Orfeu), se vangloriava de sua superioridade em relação às próprias filhas de Zeus, as Musas. O encontro com as Musas teria ocorrido em Dórion (Dótion, para Hesíodo) na Messênia (na Tessália, para Hesíodo) quando vinha da corte de Êurito, rei da Ecália, na Tessália, depois de ter-se beneficiado da hospitalidade deste último, pormenor que aproxima Támiris dos aedos da Odisseia.
As versões posteriores deste mito mencionam explicitamente a participação de Támiris num concurso poético, no qual tem de enfrentar as Musas. Os vv. 599-600 da Ilíada esclarecem o castigo sofrido por Támiris:

"E elas, iradas, mutilaram-no, do canto divino
o privaram e fizeram-no esquecer a arte da cítara."
Sobre este mito, Sófocles compôs o drama perdido Támiras, no qual apresentava em cena o castigo das Musas: a cegueira.
 
³    Olimpos foi compositor frígio do século VII a.C., citado no Livro VIII da Política de Aristóteles, para quem suas melodias enchiam a alma de entusiasmo, que é uma emoção da parte ética da alma (Arist. Pol. 8.5).

   Terpandro ou Térpandro foi um músico e poeta lírico grego que viveu no século VII a.C., natural de Lesbos. Fundou uma escola em Esparta, tendo vencido um festival em honra a Apolo em 676 a.C. Os poucos fragmentos de sua obra que chegaram até nós são de autenticidade duvidosa; apenas algumas citações de Estrabão mencionam sua obra musical.

  Thaletas ou Thales, natural de Gortyna, em Creta. De acordo com Plutarco, Thaletas desenvolveu seus ritmos a partir de música para aulós de Olimpos. Posteriormente, músicos que se identificaram indubitavelmente como tocadores de aulós, como Polimnesto de Cólofon e Sácadas de Argos, desempenharam papel semelhante, contribuindo com sua música ao restabelecimento da ordem em Esparta (Plutarco, De Musica, 9.113b-c).

  Sácadas, natural de Argos, floresceu em ca. 580 a.C. e era um tocador de aulós e poeta. Escreveu poemas líricos e elegíacos, mas nenhum sobreviveu. Musicou seus versos elegíacos, embora durante o período clássico central a elegia não tivesse nenhum acompanhamento. De acordo com Plutarco (De Musica, 1134 a-c, 1135c), era um hábil aulete que, por 3 vezes, conquistou o prêmio nos Jogos Píticos com nómoi píticos, iniciando em 586 a.C.

  Sustenido (símbolo #).

  Acredito tratar-se do "De Musica" (em latim) ou Sobre a Música (em português). O pensamento de Plutarco de Queroneia (46-126 d.C.) guarda estreita relação com a escola platônica. Ele foi preceptor de Adriano, que se tornou Imperador de Roma (117-138 d.C.). Posteriormente foi nomeado arconte ou magistrado em Queroneia e nas últimas décadas de sua vida foi sacerdote do Templo de Apolo, em Delfos.

  Deve tratar-se do mais antigo tratado musical conhecido, "Elementos Harmônicos". Aristóxeno de Tarento deixou também fragmentos de outra obra: Sobre o Ritmo. Sua teoria musical (atenta mais ao ouvido do que ao cálculo) se contrapunha à tradicional teoria pitagórica.

¹⁰  Hetaira era cortesã na Grécia antiga; mulher dissoluta; prostituta elegante e de aparência muito distinta. Por exemplo, in Suda, a primeira enciclopédia do mundo do século X d.C., Constantinopla, in alpha, verbete 4.202, lê-se para a hetaira Aspásia: "Houve duas cortesãs com o nome de Aspásia. Uma dessas ficou famosa. Era natural de Mileto e hábil no uso das palavras. Foi filósofa sofista e mestra de retórica.  Dizem que ela simultaneamente foi mestra e, mais tarde, amante de Péricles. Supõe-se que ela tenha sido a causa de duas guerras: a guerra sâmia (com a intervenção ateniense numa disputa entre a ilha de Samos e Mileto) e a do Peloponeso. (Por causa dela, Péricles foi levado a assinar um decreto contra os colonos e mercadores de Mégara, proibindo-os de entrarem em Atenas.) Consequentemente, esse povo barrado pelos Atenienses se refugiou junto dos Lacedemônios. Também parece que Péricles teve com ela um filho bastardo com o mesmo nome, Péricles."

¹¹  "Psalterium simitudinem habet citharae, sed non est cithara... Cithara deorsum percutitur, caeterum psalterium sursum percutitur", escreveu S. Jerônimo. Trad.: O saltério possui a semelhança da cítara, mas não é cítara... A cítara é percutida embaixo, enquanto o outro, saltério, é percutido em cima".

¹²  Participantes femininas nos ritos dionisíacos.

¹³  Sugere-se assistir ao vídeo "Aulos, Vorführung auf dem Gladiatorenfest in Carnuntum" (Aulós, apresentação pública no Festival de Gladiadores em Carnunto), campo militar romano numa região da atual Áustria, que, depois do século I d.C., passou a fazer parte da Panônia. Cf. in https://de.wikipedia.org/wiki/Aulos 

¹⁴  Na vida militar, havia o emprego de instrumentos musicais em diversos momentos. O treinamento dos guerreiros era feito ao som de aulos ou aulós (αὐλός). Quando as tropas marchavam para as batalhas, eram incentivadas pelo som do aulos, de outros instrumentos de sopro, como a salpínx (trompete) e o kéras (berrante de chifre).

Aulós (no caso, aulós duplo ou díaulos)

Salpínx
Keras



























Digno de destaque é o grande valor dado à sólida formação musical de alguns generais, como Epaminondas, Nícias ou Alcibíades, segundo o testemunho de Plutarco. O general e político tebano Epaminondas, falecido em 362 a.C., famoso por tocar lira com perfeição, fato elogiável em seu caráter como homem público, recebeu também ensinamento de dança e de aulós. Os generais atenienses Nícias e Alcibíades foram do mesmo modo consagrados, pela tradição, como homens com formação na arte das Musas (Plutarco, Vida de Nícias 5, Vida de Alcibíades, 2). Outros registros podem ser encontrados em autores que historiam os feitos militares, como Heródoto, Tucídides, Xenofonte, Políbio e Estrabão.

¹  Os antigos conheciam o órgão hidráulico com o nome de hydraulis, hydraulos, hydraulus ou hydraula. Era um tipo de órgão de tubos acionado por ar através da força da água vinda de uma fonte natural (por exemplo, uma cachoeira) ou de uma bomba manual. Assim, o órgão hidráulico não precisava de fole, soprador ou compressor a gás.
Dois sistemas foram utilizados para acionar o instrumento. Na versão antiga, convertia-se a energia dinâmica da água (hydor) em pressão do ar que acionava os tubos (aulós) - daí o nome hydraulis. O hydraulis é considerado o primeiro instrumento de teclado do mundo, embora suas teclas não correspondessem ao sistema adotado hoje. É possível que o acionamento das teclas fosse bastante suave, como sugerido em um poema de Claudiano, poeta do século IV in Paneg. Manlio Theodoro, 320-22: "magna levi detrudens murmura tactu... intonet (deixe-o trovejar enquanto pressiona a poderosos rugidos com um leve toque).
O órgão hidráulico foi inventado por Ktesíbio de Alexandria (ca. 280-220 a.C. e descrito por Phílon de Bizâncio (séc. III a.C.) e Heron de Alexandria (ca. 62 d.C.).
Depois dos Gregos, o hydraulis foi adotado pelos Romanos e Bizantinos. Inventores árabes e bizantinos desenvolveram, a partir dos tubos, um órgão hidráulico automático, descrito pelos irmãos Banu Muça no seu tratado do século IX, intitulado "Livro dos Mecanismos Engenhosos". Ao final do século XIII, os órgãos hidráulicos automáticos já estavam presentes na Itália e no resto da Europa ocidental. No século XVI, G. M. Zappi, em suas Annalie memorie di Tivoli, de 1576, relatou que "inúmeros fidalgos não conseguiam acreditar que este órgão (na Vila d'Este, em Tívoli) tocava sozinho, de acordo com seus registros, através de água, mas pensavam que havia alguém lá dentro."
O órgão hidráulico mais antigo já descoberto e reconstruído, datado do século I a.C.,  foi encontrado em Díon, uma antiga cidade macedônia perto do Monte Olimpo, na Grécia, durante as escavações sob a supervisão do Dr. Pantermalis em 1992.
Cf. verbete Órgão hidráulico na Wikipedia

¹   Publiquei no Blog do Braga dois ensaios sobre o Epitáfio de Seikilos, datado do século I d.C., a saber: 

¹   Αυλητήρ (fem. αυλητρίς, hoje αυλητρίδα) ou αυλητής (fem. αυλήτρια). Aqui traduzido por tocador de aulós ou aulete.

¹⁸  Dança cômica e indecente, de origem lídia.

¹  A arte da dança.

²  Nesta acepção, veja-se, por exemplo, um dicionário italiano de etimologia disponível na Internet: http://www.etimo.it/?term=elegia



IV.  BIBLIOGRAFIA 




BRANDÃO, Junito de Souza: Dicionário Mítico-Etimológico, Petrópolis: Editora Vozes Ltda., vol. I, 701 p., 4ª edição, 2000, 2 volumes

CARDOSO, Julimar: No País de Ulisses (uma história da literatura grega), Salvador: Livraria Progresso Editora, 1º volume, 257 p., 1953.

CERQUEIRA, Fábio Vergara: Ética e estética na música grega: a educação e o ideal kalo-kagathía, revista Clássica (Brasil) 24.1/2, 73-85, 2011, disponível na Internet in https://revista.classica.org.br/classica/article/viewFile/169/158

FERREIRA, Luísa de Nazaré: Mobilidade poética na Grécia antiga - Uma leitura da obra de Simónides. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2013. Humanitas Supplementum, 469 p. ISBN 978-98-9721-031-0. Disponível na Internet in
https://www.scribd.com/document/172902713/Lui-sa-de-Nazare-Ferreira-Mobilidade-poe-tica-na-Gre-cia-antiga-Uma-leitura-da-obra-de-Simo-nides

LAÉRTIOS, DIÓGENES: Vidas de Filósofos, Atenas: Cactus Editions, 1994, 1º volume (edição bilíngue: grego antigo e moderno), Livros I e II, 290 p.
 
NEUMAN, Philip: The Aulos and the Drama : A Performer's Viewpoint, The Journal for Ancient Performance, University of Portland, Oregon, USA, vol. 2 nº 2, disponível na Internet in

18 comentários:

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Tenho a satisfação de trazer ao conhecimento do leitor do Blog de São João del-Rei que tive a sorte de adquirir, num sebo em Barbacena-MG, um interessante livro que pertenceu à Biblioteca Docente da EPCAR intitulado "No País de Ulisses (Uma História da Literatura Grega)", do escritor, ensaísta e filólogo Prof. JULIMAR CARDOSO, publicado em 1953 pela Livraria Progresso Editora, de Salvador-BA. Da referida edição foram tirados 100 exemplares encadernados em luxo, numerados e rubricados pelo autor. Um deles chegou às minhas mãos. No presente post, o leitor encontrará dois capítulos desse livro: MÚSICA e FORMAS LÍRICAS na Grécia antiga.

Através do prefácio, ficamos sabendo que o autor da obra era baiano e que era irmão do prefaciador, Sr. Percy E. Cardoso. Outras informações dariam nova cor à Apresentação de Julimar Cardoso: Como sua obra "No País de Ulisses" foi recebida na Bahia? Que outras informações valiosas traz o seu currículo, porventura existente? Existem outras obras de sua autoria? Há descendentes vivos de Julimar Cardoso?

Infelizmente, a Internet (Google) nada informa sobre ele, nem tampouco os estudiosos utilizam o seu brilhante trabalho em suas pesquisas acadêmicas, com uma única exceção.
Era o que tinha para informar ao leitor, contando com sua colaboração para trazer maiores informações sobre esse grande baiano, desconhecido na atualidade, mas que realizou um belo trabalho de pesquisa da Antiguidade clássica e que o Blog de São João del-Rei, dentro do possível, pretende resgatar.

Os comentários e notas explicativas são de minha autoria, pelos quais assumo inteira e exclusiva responsabilidade.

Consulado Honorário da Grécia no RJ disse...

Prezado Senhor Francisco.

O Consulado Honorário da Grécia no Rio de Janeiro agradece muitíssimo a sua mensagem. Encaminhamos para Sociedade Helênica do Rio, para Embaixada da Grécia em Brasília e para o Consulado Geral da Grécia em São Paulo.

Atenciosamente,
Selma

João Carlos Ramos (poeta, escritor, ex-presidente da Academia Divinopolitana de Letras e sócio correspondente da Academia de Letras de São João del-Rei e da Academia Lavrense de Letras) disse...

Extraordinário!
Como sempre, alegrando com maestria a todos os leitores do Blog.
Obrigado!

Márcio Pozzato disse...

Caro Braga,
Grande aquisição. Aqui no Rio de Janeiro, o livro encontra-se disponível na Biblioteca Nacional, na estante "Literatura grega - História e crítica". Terei oportunidade de ler.
M. Pozzato (Nascido no RJ, mas de raízes Sãojoanenses!).

Prof. Fernando de Oliveira Teixeira (professor universitário, escritor, poeta e presidente da Academia Divinopolitana de Letras) disse...

Prezado Braga, há preciosidades literárias, cujos autores se perdem no anonimato. Deve ser o caso desta obra. Seria, talvez, interessante sondar informações na Universidade Federal da Bahia. Saudações amigas para você e Rute. Fernando Teixeira

Prof. Mário Celso Rios (professor, escritor, conferencista e presidente da Academia Barbacenense de Letras) disse...

BRAGA, tudo bem?
Foi com imensa satisfação que recebi seu E-mail de hoje e que requinte você ter o livro em hard cover.
A Bahia é uma terra rica de talentos e de pesquisadores notáveis! E você sempre a nos presentear com o fruto de suas descobertas!
Hoje é o Dia Mundial da ALFABETIZAÇÃO! Como é importante um homem como você que ama a literatura, a música e está sempre ampliando seu conhecimento e os dividindo com as pessoas de cabeça aberta!
Parabéns! Muito obrigado!
Muita saúde e energia!
Mário Celso

Francisco de Oliveira (pesquisador, historiador, escritor e colaborador do Blog de São João del-Rei) disse...

Muito interessante essa sua descoberta. Entrei na ESTANTE VIRTUAL e pesquisei por Título: existem 9 exemplares, um em cada sebo, em várias cidades do Brasil; o mais próximo é em BH, na Livraria e Sebo Planeta.
A pesquisa por Autor levou aos mesmos 9 sebos. Parece que o Julimar não publicou outra obra (pelo menos não foram encontradas).
Um grande abraço,

Francisco.

Dr. Alair Coêlho de Resende (advogado, escritor, autor do livro O Embuçado: Agente da Conjuração Mineira e membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro amigo e confrade Francisco Braga, boa noite. Acabo de abrir o e-mail em que você, como sempre, nos nutre com a seiva de seu saber. Este livro que você adquiriu no sebo caiu em suas mãos por obra de Deus, não foi por acaso. Ele poderia ter um fim sem glórias, eis que eu já vi um livreiro, em Goiânia, queimar livros que ele considerava, como ele dizia, "invendíveis". E o pior: queimou um livro que eu estou procurando até hoje, Veias e Vinhos, cujo autor foi meu colega no IBGE em Goiás. O autor é José Mendonça Teles, pai da repórter da Globo, Lilian Teles.
Eu acompanho tudo que parte do bom amigo, com quem, a meu ver, estou fazendo pós-graduação em Sapiência.
Mas o fim mesmo deste é informar-lhe que nosso confrade Nêudon Bosco tem residência na Bahia e, quem sabe, pode nos trazer algumas surpresas sobre o autor do livro.
Quanto a mim, por não ser perito no manejo da micro, às vezes (já aconteceu) minhas manifestações sobre sua vigorosa produção nem saem. Mas acompanho tudo e com muito prazer e proveito.
Um abraço acadêmico.

Prof. José Lourenço Parreira (capitão do Exército, professor de música, violinista, maestro e escritor, além de diretor do "Evangelho Quotidiano") disse...

Caríssimo amigo Braga, uma vez mais eis-me a aplaudi-lo.

Nossa querida São João del-Rei foi pródiga, outrora, na exploração de ouro, bem o sabemos. Quando aí residia, não raro, ouvia falar de pessoas conhecidas que moravam na Rua do Ouro.

Você, mais e mais, se agiganta aos meus olhos por ser possuidor de tantas virtudes que Deus lhe concedeu, tantos talentos!
Em agosto, quando fui a São João del-Rei louvar,com meu violino, a gloriosa Assunção da Virgem Maria, integrando-me à Lira Sanjoanense, contemplei a Pia Batismal da Catedral do Pilar. Contemplando-a, orei por todos os gigantes que ali foram batizados. Dentre eles você, caro amigo.
Eis que o amigo, qual pesquisador de ouro nas montanhas, percorre bibliotecas, sebos, em busa de tesouros esquecidos ou raros.
Por dominar o idioma grego e sua literatura, você ama tudo o que se refere à Grécia. Por este motivo, brilhou aos seus olhos a obra do Professor Julimar Cardoso.
Ao agradecer-lhe o ter-me enviado o seu post, cumprimento-lhe pelo seu belo trabalho que muito honra e eleva o nome de São João del-Rei.
Francisco Braga, sua estatura erudita e cultural é luminosa coluna de nossa Terra Natal.

Dr. Alair Coêlho de Resende (advogado, escritor, autor do livro O Embuçado: Agente da Conjuração Mineira e membro da Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Caro amigo e confrade Francisco Braga, boa noite. Acabo de abrir o e-mail em que você, como sempre, nos nutre com a seiva de seu saber. Este livro que você adquiriu no sebo caiu em suas mãos por obra de Deus, não foi por acaso. Ele poderia ter um fim sem glórias, eis que eu já vi um livreiro, em Goiânia, queimar livros que ele considerava, como ele dizia, "invendíveis". E o pior: queimou um livro que eu estou procurando até hoje, Veias e Vinhos, cujo autor foi meu colega no IBGE em Goiás. O autor é José Mendonça Teles, pai da repórter da Globo, Lilian Teles.
Eu acompanho tudo que parte do bom amigo, com quem, a meu ver, estou fazendo pós-graduação em Sapiência.
Mas o fim mesmo deste é informar-lhe que nosso confrade Nêudon Bosco tem residência na Bahia e, quem sabe, pode nos trazer algumas surpresas sobre o autor do livro.
Quanto a mim, por não ser perito no manejo da micro, às vezes (já aconteceu) minhas manifestações sobre sua vigorosa produção nem saem. Mas acompanho tudo e com muito prazer e proveito.
Um abraço acadêmico.

rof. José Lourenço Parreira (capitão do Exército, professor de música, violinista, maestro e escritor, além de diretor do "Evangelho Quotidiano") disse...

Caríssimo amigo Braga, uma vez mais eis-me a aplaudi-lo.

Nossa querida São João del-Rei foi pródiga, outrora, na exploração de ouro, bem o sabemos. Quando aí residia, não raro, ouvia falar de pessoas conhecidas que moravam na Rua do Ouro.

Você, mais e mais, se agiganta aos meus olhos por ser possuidor de tantas virtudes que Deus lhe concedeu, tantos talentos!
Em agosto, quando fui a São João del-Rei louvar,com meu violino, a gloriosa Assunção da Virgem Maria, integrando-me à Lira Sanjoanense, contemplei a Pia Batismal da Catedral do Pilar. Contemplando-a, orei por todos os gigantes que ali foram batizados. Dentre eles você, caro amigo.
Eis que o amigo, qual pesquisador de ouro nas montanhas, percorre bibliotecas, sebos, em busa de tesouros esquecidos ou raros.
Por dominar o idioma grego e sua literatura, você ama tudo o que se refere à Grécia. Por este motivo, brilhou aos seus olhos a obra do Professor Julimar Cardoso.
Ao agradecer-lhe o ter-me enviado o seu post, cumprimento-lhe pelo seu belo trabalho que muito honra e eleva o nome de São João del-Rei.
Francisco Braga, sua estatura erudita e cultural é luminosa coluna de nossa Terra Natal.

Prof. Cupertino Santos (professor de história aposentado de uma escola municipal em Campinas) disse...
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Prof. Cupertino Santos (professor de história aposentado de uma escola municipal em Campinas) disse...

Bom dia, professor.
Realmente uma descoberta fantástica a dessa obra. E justamente num "sebo" de Barbacena! O que mais haveria por lá; não é?
Chama mesmo a atenção o fato de não haver dados sobre esse autor, para além do que o prefácio informa. Muito valiosas as descrições da música, dos instrumentos e seus sentidos na Grécia Antiga. Mas gostaria de saber de si até que ponto esses levantamentos de Julimar Cardoso são reveladores em relação ao que já se conhece a respeito.
Obrigado.
Aquele abraço - Cupertino

Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...

Prof. Cupertino,
Nosso atrevimento é muito grande ao escrever sobre temas gregos, especialmente quando tentamos estabelecer uma síntese compreensiva acerca dos assuntos estudados.
Veja o que produziram de mais notável lá fora sobre elegia e jambo, poesia lírica e coro dramático, entre 1920 e 1989.
Ter uma visão unificada do todo é algo muito difícil de ser adquirido.

Link: http://greeksong.ruhosting.nl/index.php?title=Bibliography

Abraço.

Prof. Cupertino Santos (professor de história aposentado de uma escola municipal em Campinas) disse...

Realmente, professor! Um atrevimento e uma grande coragem! Nota-se o crescimento exponencial dos estudos nos últimos 25 anos. Leigo, não imaginava tal profusão. Muito obrigado.
Abraço.

Dr. Mário Pellegrini Cupello (escritor, pesquisador, presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto de Valença-RJ, e sócio correspondente do IHG e Academia de Letras de São João del-Rei) disse...

Parabéns por seu contínuo trabalho de divulgação – entre tantas outras importantes pesquisas – da milenar cultura grega, sobre a qual o ilustre amigo nos envia constantes atualizações.

Este e-mail agora passa a fazer parte de meus arquivos pessoais, aos quais recorro com frequência. Junto aos meus agradecimentos, receba o abraço,

Do amigo Mario.

Dr. Ozório Couto (escritor, historiador, membro do IHG-MG e redator de revista) disse...

Braga, seu trabalho é sempre excepcional. Acredito que você seja o guardião da cultura são-joanense.
Grande abraço do Ozório Couto

Lisandro Pavie Cardoso (professor aposentado do Instituto de Física Gleb Wataghin, UNICAMP, pós-graduado em Física na UNICAMP e filho do escritor Julimar Cardoso) disse...

Agradeço muito a oportunidade de fazer este contato com você, e ao mesmo tempo, a divulgação que você ensejou à obra de meu pai, que ficou todo este tempo (mais de meio século), desconhecida.
Por isso mesmo, estou lhe enviando, como solicitado, uma foto dele, aos 33 anos, que obtive, extraindo de uma foto de minha primeira comunhão em 1958.
Gostaria de deixar aqui um agradecimento especial de toda a
minha família, Francisco!
Um grande abraço e desejo que você continue o seu valioso
trabalho à frente do Blog de São João del-Rei, que nos proporcionou essa alegria e orgulho pela passagem terrena do nosso pai, Julimar Esteves Cardoso!